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7 Bitch Im Madonna
A cada lindo dia que passava eu descobria um lado inusitado do meu querido amigo Isaac. O lado de hoje era um tanto quando hiperativo. Fazia uma meia hora que ele estava falando algo sobre querer experimentar tudo o que a vida podia oferecer.
_ Stiles, você já ficou com um cara?
Engasguei com a minha coca. Olhei pelo ônibus me certificando que ele era o único lobisomem presente.
_ O que te faz pensar isso?
_ Você é fã da Madonna!
Olhei pra ele incrédulo.
_ Isso não quer dizer nada. E se você fosse mais inteligente e ligado, saberia que eu sou fã de várias bandas de rock.
Isaac suspirou.
_ Só fala se você já ficou com algum cara.
_ Mais ou menos...
_ Como assim mais ou menos? Meu filho, é oito ou oitenta.
_ Foi um ménage.
Isaac ficou me encarando com os olhos arregalados. Ficou por um bom tempo me olhando com cara de retardado.
_ V-o-c-ê num ménage? A humanidade está perdida.
Poxa. Fiquei ofendido. Só que não.
_ Não chora. Você é bonitinho, tenho certeza que não vai faltar ménage por ai pra você completar.
_ Minha autoestima está fortalecida, obrigado.
_ Precisar é só chamar.
Nós dois começamos a rir. A risada do Isaac parecia a de uma hiena. Que morte horrível.
_ Sabe, agora que estamos tendo uma conversa tão reveladora sobre sexualidade e Madonna, esses dias teve uma conversa no vestiário sobre quem ficaria com quem...
_ Fala logo, quem ficaria comigo?
_ Eu.
Socorro. Isso é sério mesmo? Isaac estava me encarando com um olhar cheio de significado. Aos poucos ele foi ficando vermelho e um silencio chato estava fixo. Isso não é bom.
_ Todos querem a delicia aqui _ disse fazendo graça e dando um soquinho de leve no braço dele.
_ É por isso que eu ficaria com você.
Depois da ilustre confissão do Isaac, fomos o restante da viajem falando sobre Madonna e Lady Gaga. Ele era fã de Nicki Minaj, depois eu que sou gay?
Mystic Falls era assustadoramente normal. Digo, a cidade tinha um ar gelado e uma névoa digna de filme de terror. O professor Alaric disse que antigamente a cidade tinha sido alvo de caçadores que queimaram e esquartejaram milhares de pessoas possuídas e algumas acusadas de vampirismo. Tudo isso colocou uma coisinha irritante na minha cabeça, o famoso “e se”, e se realmente as pessoas estivessem possuídas? Isso era totalmente possível. Eu nunca tinha conhecido um vampiro.
Isaac teve que ficar no ônibus, ele disse que tinha muita wolfsbane no ar. Definitivamente era obra de caçadores. Mandei uma mensagem para Deaton perguntando o que ele sabia sobre Mystic Falls, até agora nenhuma resposta.
O professor nos levou para conhecer a famosa mansão dos irmãos Salvatore. O lugar era tipicamente vitoriano. Lustres em perfeito estado e alguns tapetes no estilo persa em uma área mais remota da mansão. Desastrado e inquieto do jeito que eu sou, logo me perdi do grupo e acabei parando em um corredor muito sinistro. Só tinha uma porta com uns símbolos entalhados. Uma força magnética me puxava até aquele lugar. Fui andando em passos lentos até a porta, não estava trancada. O cômodo era simples e velho, só uma coisa chamava a minha atenção. Era brilhante e quanto mais eu me aproximava, mais brilhava.
Era um colar de prata. Era simples, tinha uma corrente e um pingente com uma pedra num tom azul, era muito bonito. Melhor nem tocar, vai que eu quebro alguma relíquia que custaria o preço do meu rim.
_ Por que você não fica com ele?
Virei o corpo bruscamente quase morrendo devido ao susto de encontrar meu professor na porta.
_ Isso não deveria ser considerado uma relíquia histórica?
_ Eu não conto se você não contar.
Dei um sorriso cumplice e coloquei o colar no bolso da jaqueta.
Depois de vasculhar a mansão Salvatore, o professor decidiu que deveríamos ir ao cemitério. O lugar era sinistro e a névoa estava mais densa. Tinha poucos túmulos, estranho já que o professor havia dito que milhares de pessoas foram mortas por caçadores.
_ Os corpos eram enterrados em tumbas secretas devido à crença de vampirismo _ explicou ele.
Fiquei por um bom tempo lendo os nomes das pessoas enterradas ali. Já estava desistindo dessa tarefa difícil. As letras sempre ficavam embaralhadas.
Meu coração estava disparado e a minha respiração ofegante, encostei-me em uma lápide para tentar recuperar o folego. Demorou um pouco até que a sensação de afogamento passasse. Levantei ainda um pouco tonto e tentei ler o nome que estava na lapide. Era alguma coisa com Stefan Salvatore... Stefan... Esse nome era familiar. As lembranças da noite de sábado vieram em ondas... Stefan, Brownie, anões, tequilas...
Eu nunca mais iria sair e beber qualquer substancia suspeita. Fui apressado até o ônibus e decidi que iria esperar o resto do pessoal junto do Isaac. Esse que por sinal estava dormindo quando eu cheguei. Fiquei cutucando ele até que desse sinal de vida.
_ Perdi muita coisa? _ perguntou sonolento (confesso que achei uma graça).
_ Possíveis fantasmas, vampiros, demônios e caçadores.
Isaac parou sério e arqueou uma sobrancelha.
_ Eu nem quero saber do que você está falando.
Demos o assunto por encerrado e não demorou muito até o restante do pessoal começasse a entrar no ônibus. A volta foi tranquila. Eu e Isaac resolvemos trocar de playlist. A desgraça só tinha músicas do Sam Smith e da Christina Aguilera E DEPOIS EU QUE SOU O GAY DA HISTÓRIA.
Chegamos já era tarde. Isaac foi pra casa do Scott e eu jantei com o meu pai. Muito meigo esses momentos de pai e filho. Não fiquei de castigo porque disse que cheguei tarde, pois estava com uma garota e educado como eu sou, disse que ofereci uma carona.
Terça-feira já tinha começado daquele jeito, aulas tediosas, pessoas tediosas e um Stiles entediado. A única coisa relativamente boa era o treino de lacrosse. Hoje era do tipo tudo ou nada ou todas as posições estão valendo. Eu não sabia se estava com cabeça pra treino, antes de acabar a ultima aula, Scott tinha me encurralado no corredor e tinha falado tanta coisa que eu nem sabia se tinha entendido, era algo do tipo: sinto sua falta; o pack precisa de você; muita coisa tem acontecido em Beacon Hills e etc. No fim eu disse que estava tudo bem e que nada mudaria nossa amizade.
Estava andando pensando na vida quando esbarrei em alguém, levantei o olhar pra xingar o filho da mãe dono de um ombro forte e duro, mas gelei. Theo. Um arrepio subiu pela minha coluna. Estávamos a dois palmos de distancia.
Ele encurtou ainda mais a distancia entre nós e sussurrou:
_ Adoraria arrancar esse uniforme de você.
Outro arrepio passou pela minha coluna e eu fiquei extremamente quente. Ele tá pensando que é quem? Decidi que estava na hora de jogar com ele também.
_ E o que você faria quando arrancasse o meu uniforme?
Theo deu o sorriso sacana.
_ Eu iria foder você bem aqui, no vestiário masculino.
Cheguei bem perto da orelha dele e perguntei:
_ Com força?
Ele suspirou e beijou meu pescoço.
_ Com muita força.
Dei uma lambida na orelha dele.
_ Espero que você tenha uma imaginação fértil. Agora eu tenho que resolver umas pendencias no campo de lacrosse.
Fui andando lentamente e com um sorriso confiante para o campo. Theo deve ter ficado puto.
O treino foi incrível. Marquei quatro vezes e fui mais rápido que a maioria, até o treinador ficou surpreso, mas depois da surpresa ele começou a falar que eu era como um filho pra ele. Depois do treino eu tomei uma ducha. Isaac estava cantando Bitch I´m Madonna. Era difícil não rir, ele até dançava.
Cheguei em casa e fui direto pro meu quarto. Deitei na cama e fiquei mexendo no celular. Inúmeras mensagens no grupo dos anões e uma do Deaton:
Você não está seguro.
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