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3 Apenas diga sim
_ Stiles, quando você pretendia contar que vai embora? _ Perguntou Scott indignado. Seu melhor amigo e irmão ia embora e decidiu guardar segredo. _ Cara, lembra que nós combinamos de estudar na mesma faculdade? Nós íamos ser morar juntos!
Stiles suspirou. Céus, às vezes Scott parecia que ia ter um ADP. Hum, preciso assistir as branquelas de novo. Foco, foco. DR com Scott.
_ Bro, você ta parecendo uma namorada ciumenta e chata. Eu não vou cortar contato com você. _ Respondi mantendo a calma.
Scott estava andando de um lado para o outro. Desse jeito ele vai fazer um buraco no chão do meu quarto.
_ Já estou vendo tudo, você vai fazer um novo melhor amigo que vai deixar você ganhar no videogame e provavelmente você vai gostar mais dele porque nunca teria todo esse drama sobrenatural.
_ Cara, você ta bem louco. Se dependesse de mim eu ficaria, mas é o meu pai. Depois de tudo o que eu já passei ele quer que eu vá pra bem longe de tudo isso. _ Expliquei.
Scott começou a coçar o queixo torto, parecia que estava refletindo.
_ Vou conversar com o seu pai, ele não pode separar nós dois. Você tem noção que sem você eu já teria morrido há muito tempo? Você é o Robin e eu sou o Batman.
Dessa vez eu tive que rir. Meu pai apontaria a arma para Scott e mandaria ele ficar longe de mim.
_ Já pensou em ir junto? _ perguntei tentando mudar o foco.
Scott parou e me encarou. Estava refletindo, quase pude visualizar as engrenagens do cérebro dele trabalhando.
_ Cambridge? Não é um pouco longe? Acho que era isso que o seu pai tinha em mente quando resolveu que você deveria ir. Não sei se consigo ficar longe da Kira e do resto do Pack, ainda tem a minha mãe. Preciso pensar primeiro, ok?
_ Sem drama cara. Agora prometa que não vai mexer nas minhas coisas. _ disse fingindo estar chateado.
Scott bufou.
_ Você deixou a carta em cima da sua cama. Deus, já está começando. Agora você vai colocar limites na nossa amizade.
_ Chega de drama.
Drama, pensei. Durante todo esse tempo minha vida tem sido um drama. Quem sabe sair de Beacon Hills pudesse mudar um pouco isso. Não queria dizer adeus, mas também não queria mais presenciar tanto sofrimento. Não queria mais causar tanto sofrimento!
_ Scott, prometa que você não vai contar isso pra ninguém. Sério, eu mesmo quero fazer isso no momento certo.
_ Só não deixe pra fazer isso uma hora antes de ir, ok?
Puxa, era exatamente isso o que eu ira fazer.
Depois dessa DR super gay que tive com Scott, nada melhor que um banho. Fiquei a tarde toda tentando mostrar o quanto a ideia de ir embora não era uma coisa tão ruim assim. Eu precisava de férias, isso mesmo. Sem lobisomens e criaturas sanguinárias tentando me matar sem nenhum motivo aparente. Fiquei com a cabeça debaixo do chuveiro. Cômico, pensei. Nada melhor do que refletir a vida tomando banho.
Depois de estar devidamente limpo e cheiroso resolvi deitar um pouco, ainda teria uma meia hora até sair com Theo. Theo! Como ele saberia onde é minha casa? Não é possível que ele lembre, faz tanto tempo.
Ficar deitado não estava funcionando. Precisava fazer alguma coisa. Bom, Stiles não seria Stiles se não tivesse feito uma busca completa sobre a vida do seu novo ou antigo amigo.
Meia hora pesquisando e a única coisa que descobri foi que os pais dele tinham morrido em um trágico acidente e que agora ele estava morando com uma tia por parte de mãe. Eu estava frustrado. É impossível não existir mais informações sobre a vida desse cara. Afinal, era a internet!
Já estava ficando tonto de tanto girar na minha cadeira quando a campainha toca. Não era possível ser Theo, ele nem sabia onde eu morava.
Desci a escada com certa urgência. Será mesmo que ele tivesse lembrado onde é minha casa? Bingo!
_ Achou mesmo que eu não lembraria onde é a sua casa? _ Perguntou Theo com falsa indignação.
_ Eu teria esquecido. _ disse sorrindo. _ Você quer entrar ou já quer começar o tour pela maravilhosa Beacon Hills?
_ Quanto mais rápido você mostrar o que tem de novo na cidade, mais rápido poderemos comer.
Tive que rir. Uma coisa que eu sempre compartilhei com Theo foi um apetite multiplicado.
_ Cara, acho que vamos nos entender muito bem.
Fomos com carro do dele. E desistimos de fazer um “tour” quando paramos na primeira esquina. Theo era divertido e estranhamente leve. Fazia muito tempo que eu não me sentia assim, totalmente despreocupado. Só tinha uma coisa... Eu estava com um frio na barriga, parecia medo. Tanto tempo sem interagir com uma pessoa normal acho que teria acontecido isso.
Decidimos comer uma pizza. Tinha um restaurante bem aconchegante no centro da cidade. Eu me lembro de ir lá com o meu pai e a minha mãe, bons tempos.
_ Então me diga, por que o seu amigo tem tanto senso de proteção?
_ Scott é assim com todo mundo. Você deveria conhecer ele, acho que seriam bons amigos. _ disse desconversando.
Theo deu um risinho.
_ Não acredito nessa possibilidade, mas aprecio sua tentativa de apaziguar as coisas. Não quero que ele pense que estou roubando você dele, apesar de que é exatamente isso que eu estou fazendo. _ Ele disse fazendo graça.
Dessa vez eu tive que rir.
_ Sem essa. Não sou propriedade de ninguém.
Theo lançou um olhar significativo pra mim. Poderia ter ficado constrangido se Derek Hale não estivesse parado na porta do restaurante me encarando.
Theo viu que eu estava prestando atenção em outra coisa e seguiu o meu olhar.
_ O que ele é seu?
_ Hã? O que?
_ O cara na porta com cara de quem poderia rasgar minha garganta com os dentes.
Bem que ele poderia mesmo, pensei.
_ Derek é inofensivo e é apenas meu amigo.
_ Não acho que ele pense assim. Olha a cara de ciúmes. _ Cochichou Theo.
É melhor fazer Theo calar a boca antes que Derek faça alguma coisa.
_ Então, o que fez você voltar para Beacon Hills?
Theo arqueou a sobrancelha. Ele percebeu minha mudança de assunto.
_ Minha família morreu em um acidente e só tenho uma tia que vive aqui.
_ Puxa, sinto muito.
_ Sem essa, já passei da fase do sinto muito.
Depois desse drama psicológico envolvendo perda de entes queridos, começamos a conversar sobre tudo. Incrível como parece que eu conhecia ele há muito tempo.
Meu celular vibrou. Ótimo, deve ser meu pai querendo saber se eu ia voltar tarde. E é claro que não era:
“Derek: O que você pensa que está fazendo?”
Cara, isso foi estranho. Por que diabos Derek Hale estava mandando uma mensagem pra mim?
_ É seu pai? _ perguntou Theo.
_ É... Ele quer saber se eu vou chegar tarde.
Meu celular vibrou de novo:
“Derek: Encontre-me no banheiro, AGORA!!”
Calma, pensei. Derek não iria me matar em público, ou iria?
_ Hã... Theo, eu tenho que ir ao banheiro.
Sai meio desajeitado da mesa e fui em disparada para o banheiro. Encarei o meu reflexo diante do espelho. Derek estava encostado na parede com um olhar monstruoso.
_ O que você pensa que está fazendo? _ perguntou Hale.
Fiquei parado tentando formular alguma coisa que possa ter ferido os sentimentos de um lobo com instinto assassino. Não cheguei a nada.
_ Hum, vai ter que ser mais claro.
Derek suspirou.
_ Você tem agido de maneira estranha e reclusa durante toda a semana e agora parece que acabou de ganhar na loteria. Quero saber o motivo.
_ Não estou entendendo. Você sempre me detestou e agora acha que tem o direito de exigir alguma coisa de mim.
_ Eu nunca detestei você.
Depois disso, Derek foi embora e me deixou sozinho tentando formular alguma explicação para tudo isso que aconteceu. Nem teve mais clima para jogar conversa fora com Theo, ele entendeu isso e foi muito legal da parte dele não ficar perguntando. Tenho certeza que seremos bons amigos.
Fazia muito tempo que eu tinha parado de tomar meus remédios para dormir. A ultima vez foi... Bem, logo depois do Nogitsune. Mas agora eu me encontrava deitado, encarando o teto na esperança de que o sono me levasse, ele levou, mas talvez tivesse sido melhor ficar acordado...
Não sabia como eu tinha parado aqui, só sabia que tinha que sair o mais rápido possível. Estava na escola e tinha sangue na carteira de cada um dos meus amigos. Tinha alguém no fundo da sala me encarando... NÃO! Não era possível, isso de novo não. Era ele, o nogitsune com a face enfaixada. Isso não pode estar acontecendo.
Tentei correr, mas as faixas prenderam o meu tornozelo e eu cai de cara no chão. Eu fiquei meio desnorteado e sem reação, estava tendo um ataque de pânico.
_ Não tem necessidade de correr. _ começou a criatura _ Preferia não ter que te machucar.
_ Me deixe em paz. _ disse num sussurro.
_ Stiles, eu disse que ia voltar. Agora, tudo o que você tem que fazer é dizer sim. Posso fazer esse vazio que tem dentro de você desaparecer. Apenas diga sim e você poderá ter a sua mãe de volta.
_ NÃO!!
Acordei assustado com o barulho do despertador. Eu estava suado e meu coração estava disparado. Fique calmo. Foi apenas um pesadelo, nada disso era real. Nada disso era real.
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