Notas iniciais
Como transformar um mulherengo num cara sem jeito com mulheres e tímido? Não sei! Essa fic veio na tentativa de deixá-lo assim. Espero ter conseguido!

A história tem dois tipos de narração: narrador onisciente (aquele que não tem nada a ver com a história e sabe até mesmo os pensamentos dos personagens) e narrador-personagem (no caso Minato e Jin irão narrar o que vai acontecendo sob seu prisma). Os narradores estarão destacados em negrito.

(Narração de Uzumaki Minato)

Mais uma missão cumprida com perfeição. Nada difícil para o Esquadrão de Elite da ANBU, mas mesmo tendo dois Uchihas, um Hatake, um Senju e, claro, um Uzumaki que é este que vos fala, não tinha sido tão simples como eu tinha imaginado que seria quando saí de casa há alguns dias. Eram muitos ninjas inimigos habilidosos e estávamos em terreno hostil, entretanto, depois de muita luta, suor e alguns hematomas, conseguimos dominá-los e prendê-los.

Estava limpando o pó das minhas roupas e pensando em diversas maneiras de arrancar suspiros das minhas queridas vítimas daquela noite, quando senti o vento perpassar por mim de uma maneira estranha. O chakra inimigo estava bem claro e, antes que eu pudesse me virar totalmente, senti uma kunai se prender ao meu ombro direito. Caí ao solo, mas consegui desembainhar minha espada e me defender do próximo golpe, cravando-a no peito do nukenin mascarado. Este tentou em vão se livrar, mas o golpe havia sido fatal, não demorou muito e senti seu corpo amolecer e desabar.

Verifiquei seus sinais vitais e não havia dúvida: finalmente eu podia relaxar, já sentia falta das minhas belas kunoichis, pobrezinhas, deviam estar sofrendo sem mim por perto. Percebi um objeto brilhante se destacando na mão do meu agressor. Mesmo sentindo uma aguda dor na ferida aberta, não controlei a curiosidade e peguei-o, parecia um medalhão com uma longa corrente prateada. Abri-o e vi um pequeno espelho de um dos lados. Eu parecia cansado e bem sujo. Estou precisando de um banho... E de uma enfermeira gostosa para me acompanhar...

Do outro lado, inscrições bem miúdas estavam gravadas, parecia até um daqueles poemas que o Jin tem mania de inventar de vez em quando. Coisa mais estranha... Deixe-me tentar entender o que está escrito aqui... Li em voz alta:

“Quem nesse espelho se olhar

Refletido seu inverso vai ver

Para de um sol a outro trocar

Com a outra face do ser.”

Coisa mais estranha...

Que enjôo engraçado...

Não me sinto bem...

Será que aquela kunai estava envenenada?

Caí no chão, e a última coisa que vi foi Jin e meus outros colegas correndo na minha direção...

*****

(Narração em Terceira Pessoa)

Pessoas chegando carregadas numa maca apareciam todos os dias no Hospital Geral de Konoha. Mas um ANBU desacordado sendo carregado por outros cinco ANBUS, bem, isso era de causar burburinho até mesmo num lugar enorme daqueles.

“Quem será que finalmente deu um jeito naquele Uzumaki safado filho da mãe?” – pensava um medinin, ainda raivoso por ter sido traído pela namorada com Minato, o ninja que agora estava desmaiado e com o braço sangrando sobre a maca.

“Tão bonito! Tão gostoso! Ai, se ele sobreviver eu aceito sair com ele de novo, prometo! Mesmo que eu o pegue com outra, de novo...” – suspirava uma enfermeira, torcendo as mãos e rezando para não ser nada grave.

“Se ele estiver fingindo EU MESMA TORÇO ESSE PESCOÇO! Onde já se viu dar tanta preocupação pra gente? Moleque inconsequente! Quis enfrentar um monte de nukenins sozinho, dá nisso!” – a gêmea deste, Hikari, apesar dos pensamentos demonstrava pelo franzir dos olhos e o respirar irrequieto que estava sim, muito aflita com aquela situação.

Por ser médica, começou a examiná-lo com cuidado. Limpou e costurou a ferida, colheu sangue para exames laboratoriais, caso houvesse venenos ou infecções, mas não conseguiu descobrir nada que justificasse seu “desmaio”, até a perda de sangue havia sido mínima.

Mas nada seria mais surpreendente que vê-lo despertar, ficar vermelho e gaguejar.

— M-mas o-onde eu e-estou?

Ela respirou fundo:

— Minato, calma, você está no hospital. Já fiz exames, e você está bem, do que se lembra?

— M-meu b-braço d-dói... — o loiro reclamou, tentando segurar o ombro com braço são. — A-acho que b-bati a c-cabeça, n-não l-lembro de m-muita c-coisa...

— Coitadinho! Pode deixar que eu cuido de você... — uma das colegas de Hikari, uma ruiva de seios proporcionalmente grandes, sorriu sedutora para o loiro, que parecia um tomate maduro arregalando os olhos.

— N-não p-precisa! E-eu j-já e-estou m-melhor...

— Imagina, estou querendo há tempos que você me dê trabalho... — Piscou com a referência dúbia, lábios entreabertos e cheios de promessas de prazer fácil.

O shinobi, no entanto, recuou na cama de hospital e, muito sério, soltou a bomba:

- O-obrigado, m-mas t-tudo o q-que q-quero é v-voltar p-pra c-casa a-agora...

O queixo de Hikari caiu, junto com os de toda a equipe médica e os ANBUS que ali estavam.

“Isso é mais sério do que eu pensava...” – refletiu a loira, não acreditando no que seus olhos e ouvidos lhe mostravam. O Furacão Dourado de Konoha, dispensando uma mulher?

“Não saiam de casa, pessoas de Konoha. Hoje o mundo acaba, só pode.”

*****

(Narração de Senju Jin)

Quando vi Minato caindo, nem pensei. Chamei nossos amigos e corri para socorrê-lo. Não parecia nada demais, mas alguma coisa estava errada, eu sentia isso. E ver meu amigo de longa data, tão inconsequente, sem vergonha e bagunceiro corar feito um menininho de colégio e gaguejar na frente de uma de suas antigas ficantes, sério, foi no mínimo bizarro. Eu ainda tinha fresca na memória a narração das “noches calientes” que ele passara com Maya, a enfermeira ruiva de babar! Eu estava atônito, pra falar a verdade. E não só eu.

Hikari estava tão atarantada que me pediu para levá-lo para casa. Ela parecia tão exausta e abismada que assenti. Queria ver por mim mesmo o que estava acontecendo com Minato e nada melhor do que vê-lo em ação.

— Minato, meu camarada! — Bati em seu ombro, ao que ele se encolheu, como se eu nunca tivesse feito isso. — Calma, você deve estar meio fora de foco, mas sossegue! Já sei como vou fazer você melhorar...

— J-jura? P-por q-que a-até e-eu t-tô m-me e-estranhando, cara! Q-que b-bosta, a-ainda t-tô ga-gaguejando, m-mas q-que m-merdaaaa! — Suspirou, frustrado.

— Meu amigo, só tem uma coisa a se fazer neste caso: vamos ao seu habitat natural, é lá que você vai se recuperar por completo! — Sorri malicioso, ao que ele não me acompanhou, apenas ficou mais vermelho.

— Pa-pa-paradise? — Perguntou, arregalando os olhos.

— E existe outro lugar melhor para caçar?

*****

Eu ria descontroladamente. E tinha como não rir depois do que eu vi? Acompanhe comigo o desenrolar da noite.

Cena 01: Entro no Paradise com o Minato me seguindo. O cara já era hilário só de olhar. A expressão de medo era evidente naqueles olhos arregalados, e estava tão distraído que não notou uma das mesas, cheia de garrafas de sakê, por sinal. Conclusão... Um Minato caído, mais uma vez, ao chão, debaixo de uma mesa agora toda quebrada, com bebida espalhada por toda parte, envergonhadíssimo.

— Go-go-gomenasai! — Disse, jogando um punhado de notas amassadas no balcão, enquanto se escondia num canto do salão lotado, comigo seguindo-o quase não segurando o riso. Isso ia ser divertido.

Cena 02: A garçonete vem nos servir. Isso vai ser interessante.

— Minato-kun, que prazer... — Ronronou ela, já se esfregando no meu amigo.

— Ma-maki-chan... — Gaguejou ele, visivelmente nervoso.

— Você não veio me ver ontem... — Fez bico — Estou com saudades...

— E-eu e-estava o-ocupado, e-em mi-missão... — Tentou explicar, mas os olhos dela se arregalaram, desconfiados.

— Não acredito! Bem que me disseram, mas não acreditei!

— O-o q-que q-quer d-dizer?

— Mentiroso! Estava no hospital com aquela biscate da Maya! — Suspirou de raiva, deixando as bebidas no balcão. — Todo mundo viu ela se oferecendo pra você!

— M-mas e-eu n-não f-fiz nada, j-juro!

- Ainda é cínico, nervoso desse jeito, com certeza está mentindo!

PLAFT! Um tapa bem estalado na face do meu amigo, enquanto eu ficava ali sentado no canto, segurando o riso ao ver ele alisando a cara vermelha marcada com mão de mulher – e que mulher! – visivelmente transtornado e confuso.

— Isso é por ser um ordinário, safado, cachorro e sem vergonha! Hunf! — Maki-chan saiu de nariz empinado, rebolando e saracoteando as belas e torneadas coxas.

Cena 03: Ainda esfregando o rosto, Minato pareceu voltar ao que era. Seus olhos ficaram mais determinados, principalmente quando viu um grupo de garotas conversando bem próximo de nós. Tomou de uma vez só o sakê, fez uma cara horrível de quem detestou a bebida e me confidenciou.

- Dessa vez não tem erro.

Fiquei olhando ele se aproximar do grupo e parar no meio do caminho, como que pensando. Arriscou mais um passo e parou de novo. E nessa procissão de “vai, não vai” se foram mais dez ou quinze minutos. Era tanta enrolação que minha bebida terminara, eu pedira outra e esta já estava pela metade.

Entediado, mas ainda estranhamente curioso, fiquei observando. Ele tocou o ombro de uma das garotas, meio sem jeito, como se nunca tivesse feito isso antes. Ela não percebeu, talvez o ignorou de propósito, algumas moças faziam isso para prender a atenção do rapaz, ou sei lá para que serve esse joguinho de “sei que está aí, mas vou fazer que não sei.”. Este insistiu, e ela se virou, jogando o cabelo. Essa é clássica, está interessada. Tá no papo! Vai ser fácil e... O quê? Como assim? Desde quando o Minato fica batendo os dedos indicadores um no outro? Desde quando ele fica mudo? E desde quando ele deixa um bando de garotas caçoarem dele? Essa seria hilária se não fosse trágica. Ele voltou com "o rabo entre as pernas", desabou na cadeira ao meu lado, desanimado, e eu, solidário pela primeira vez na noite, pedi uma rodada de sakê para nós. Tripla.

Cena 04: Eu e Minato já tínhamos perdido a conta de quanto havíamos bebido. Quem diria, Senju Jin totalmente chapado. Minato, bem, já era tradição ele sair de lá “pra lá de milhão”, como dizem por aí. De repente, o doido começa a cantar e eu, bom, entrei na bagunça junto.

“'Cê fica dando sopa e eu não ganho nem uma colherinha

Só quero um pedacinho mas você me dá uma migalhinha

Eu nem sou de comer tanto

Só você eu almoço e janto

Ououououououo Giselda

'Cê fica dando bola mas na hora de jogar não rola

'Tá sendo egoísta, eu 'tô livre e 'cê não passa a bola

Pára de jogar sozinha

Vamos fazer uma tabelinha

Ououououououo Giselda”

(trecho da música "Giselda", do grupo Ultraje a Rigor)

— Calem a boca, seus malucos! — Um dos caras do Paradise gritou para nós, irritado.

— Cala a boca, você, palhaço! Vai estragar o prazer da tua mulher, otário! — repliquei, já fora de mim.

— ‘Tão achando que isso é o quê, karaokê do terror, por acaso? — Outro imbecil veio perturbar, chegando perigosamente perto de nós.

— Te-terror é e-essa ca-catinga tá vin-vindo de-de vo-você, pa-palerma! — Minato revidou, com aquele sorriso boboca de bêbado.

Quando vimos, já estávamos sendo enxotados do bar pelos seguranças.

— Antes que arrumem encrenca, vão pra casa, e só voltem sóbrios e com juízo!

— Po-pode dei-deixar, quan-quando e-eu a-achar o ju-juízo man-mando ele vi-vir fa-falar com vocês! — Minato sorriu e levantou um copo imaginário antes de desabar no chão.

Suspirei, já mais alerta.

— Droga, carregar o peso morto sempre sobra pra mim.

****

(Narração de Uzumaki Minato)

Acordei jogado num sofá qualquer. Remexi meu corpo e senti algo duro atrás de mim. Não pode ser! Tateei sem coragem de olhar, mas tudo o que encontrei foi aquele medalhão estranho preso no meu bolso.

Suspirei de alívio, nunca se sabe o que pode acontecer numa gandaia, graças a Kami-Sama nunca tive nenhuma surpresa desagradável, só mulher bonita mesmo, hehe.

Cara, que pesadelo que eu tive, imagina só, eu, tímido, com vergonha e sem jeito nenhum com a mulherada. Rá, que piada!

Joguei o medalhão na mesinha de centro e levantei, preciso da minha cama. Depois de um bom sono, café pra ressaca! E mais mulher, claro...

Vi que Jin estava jogado no outro sofá, a gente deve ter aprontado das nossas de novo. Depois converso com ele e descubro o que houve, estou moído!

****

(Narração de Senju Jin)

Acordei com uma luz estranha no meu rosto. Abri melhor os olhos e percebi que a luz da janela batia diretamente num objeto metálico que estava na mesinha da sala. Peguei o objeto oval e fiquei intrigado, acho que já vi isso em algum lugar...

Notas finais
Aiaiai... Nem tô rindo tanto, mas gostei do resultado...
Tô é com dó do Jin!
Espero que tenham gostado também xD e que tal um review?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!