1940

Era verão de 1940, eu e a minha mãe tinha-mos ido passar ferias para o estado de Carolina do Norte, eu tinha 15 anos nessa altura, o meu pai tinha ido para a guerra. Eu tinha ido passear pela floresta, até que a vi, sentada num tronco de árvore, com um vestido branco, a olhar para o nada. Ela não reparou em mim nesse dia, mas fiquei a tarde toda a observa-la, como ela era linda.

Uns dias mais tarde, vi-a outra vez, estava na mesma floresta, desta vez, tive coragem, disse-lhe “ola”, ela olhou para mim e disse-me “ ola, és o rapaz que estava a olhar para mim no outro dia, não és?”, como ela sabia, nem tinha olhado para traz “ sim sou, o meu nome é Steve, qual é o teu?”, num murmúrio respondeu “Alice”, nesse verão tornamo-nos grandes amigos, eu sentia algo mais, mas pronto, acho que ela não sentia, mas tudo tinha um fim, ela partira para são francisco, Califórnia, enquanto eu, ia para Washington DC, Virgínia.

Eu iria sentir falta da Alice, com certeza.

1945

Finalmente, o meu pai voltou, no final da guerra, agora, com 20 anos, estou prestes a mudar-me para São francisco, quero rever a Alice, dizer-lhe que tive saudades, que ainda me lembro dela, estou ansioso.

Cheguei a São francisco, passei pela casa onde irei ficar e caminhei pela cidade, até que a vi, ela parecia que ainda tinha 15 anos, sentada num café, com um acompanhante, ai, eu perdi todas as minhas esperanças, virei-me para traz, mas, ouvi alguém chamar o meu nome, parecia a Alice, virei-me e ela estava a correr no meio da rua, a gritar o meu nome, quando chegou ao pé de mim, fez a única coisa que eu não esperava que ela fizesse, beijou-me, ela beijou-me, quando nos faltou o ar, ela perguntou-me “ não mudas-te nada, sabes? viste-me e nem me vieste cumprimentar, pare que eu continuo sentada na árvore, lembras-te de eu te falar do meu irmão, vem conhece-lo” o irmão dela era muito simpático, e assim se passou o dia, naquele acolhedor café.

1950

E ca estou eu no altar, uma pilha de nervos, é o dia do meu casamento, quando lhe propus, ela não hesitou nem um bocadinho, mas agora, acho que, não sei, pode se ter arrependido, apanhei um susto quando a música começou, olhei para a frente, ela estava linda, eu nem conseguia acreditar, depois da cerimónia fizemos uma festa pequenina, só para a família e amigos. Depois, fomos para a lua-de-mel, foi o momento mais feliz da minha vida.

1955

Hoje, foi um dia triste, a Alice descubriu tinha uma doença terminal, não havia cura, eu e a minha filha de 5 anos, Summer (a Alice engravidou na lua de mel, chamamos-lhe summer, porque foi naquele verão de 1940, que nós nos conhecemos) estávamos no hospital.

Passado um mês a Alice tinha perdido o cabelo todo, ela e a minha Summer estavam muito tristes, e isso fazia-me triste.

1957

Hoje foi o dia mais triste da minha vida, a Alice falecera hoje, eu estava abraçado a minha filha, a chorar, mais ela, mesmo com 7 anos, era muito inocente, não merecia ficar sem mãe tão nova, e eu, estou sem o amor da minha vida, este foi o dia mais negro da minha vida. Como é que triste perder algo que mais amamos, a minha menina virou-se para mim “ eu quero a mama”, isso partiu-me o coração, mas vou cria-la, e tentar ser o melhor pai que ela já viu, seria isso que a Alice queria.

No funeral, eu chorei, chorei, deixei a minha posição de homem, para provar que também sofro por amor, só conseguiu dizer “eu amo-te, vou sentir saudades daqui até a lua e da lua ate aqui”, e as seguir, fui para casa e chorei.

2015

E aqui estou eu, com os meus 90 anos, em frente a campa da Alice, prestes a ir ter com ela, muitos dizem que ainda vou durar mais uns anos, mas já vivi tudo o que tinha para viver, já tenho netos e bisnetos.

Será agora, sinto uma dor boa no peito, deito-me na terra ao lado da campa da Alice e vejo todos os momentos felizes com e sem a Alice, desde que a conheci, passando pelo casamento, a nossa filha, a graduação da mesma e o casamento, netos bisnetos, e por fim, a cara da Alice, estou a morrer, mas morrerei feliz.

Agora sim, só há escuridão.

Notas finais
Espero que tenham gostado, eu gostei de escreve-la
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!