Foi Só Um Sonho.
16 Galaxy
Notas iniciais
Clara desceu do táxi nervosa, por tudo. Haviam tantas coisas em que ela deveria se preocupar. As luzes da cidade brilhavam de maneira singular, como se sentisse as ondas eletromagnéticas que uma hora ou outra acabariam levando ela até Marina. Sorriu ao lembrar do último momento que partilharam juntas, e depois se pegou com uma culpa momentânea de que, apesar de feliz, era injusto. Seu marido estava doente e se dedicando cada vez mais em salvar o casamento, seu filho adorava a presença constante do pai, que sempre foi presente em seu desenvolvimento, uma série de pensamentos desencadeavam outros mas nenhum deles conseguiam faze-la parar de pensar que ela não se sentia assim desde de a adolescência. No fundo, Marina despertava essa sensação cômica e incontrolável de querer que seus corpos se unam, porque parece ser a essência deles e Clara, mesmo que relutante, não conseguia renegar isso.
Entrou pelo saguão Hotel elegante, seu vestido preto estava enamorado por seu corpo, seus brincos, seus sapatos, tudo... Tudo foi milimetricamente pensando para que pudesse chamar a atenção de Marina de maneira discreta, queria o olhar deslumbrante da fotografa só para ela está noite, não conseguia mais negar que os grandes marrons olhos de corça dela, a trazia conforto e de que era obviamente atraída por toda aquela essência que ela continha.
Clara viu a cena se repetir, uma, duas, três vezes na cabeça. Se perguntou milhares de vezes enquanto sentia a mesma sensação de alguns meses atrás, a sensação de entrar no Hotel onde tudo começou, de fato, entre elas. Marina poderia leva-la para jantar em Paris se quisesse, mas decidiu jantar no vigésimo segundo andar no quarto quinhentos e quatro de um Hotel de luxo.
Por alguns segundos se sentiu incomodada em ter que repetir a cena em ser discreta, não por Marina, agora por ela mesma. Por mais que não convivesse sempre na alta sociedade carioca, era sempre bom tomar precauções, ela não queria ser a responsável em estragar tudo tão rapidamente, era surreal na sua cabeça as pequenas sensações de estar lá, sentada em sua frente observando ela colocar o vinho na taça de maneira doce e apreciar sempre, sua doce disposição.
Passou pelo hostess do Hotel, que por algum motivo parecia reconhecer a feição de Clara, mesmo depois de um longo tempo sem se ver. Entrou no elevador e rapidamente apertou o número 22 do painel ao lado enquanto o elevador subia andar por andar, chegando cada vez mais perto de seu objetivo. Olhava para o espelho, tentava encontrar algum defeito na maquiagem para que pudesse se distrair consertando até chegar o destino final, mas não encontrava, havia se preparado tão impecavelmente para esse jantar, que não se permitiu errar uma vez sequer. A sensação de nervosismo ainda era frequente, dezenove, vinte, vinte um, ah, o vinte dois, quando as portas se abriram e mesma cena vista alguns meses nunca esquecida nos pensamentos de Clara estava viva novamente. O quarto 504. A intensa porta branca com fechadura dourada possuía um bilhete da mesma maneira da última vez que Clara havia pisado ali. Suspirou e caminhou até a porta e observou de perto as palavras no papel grudado desajeitadamente com um fita e uma folha arrancada as pressas de um caderno: “A ciência ainda não nos provou se a loucura é ou não o mais sublime da inteligência.”.
Olhou mais algumas vezes antes de enxergar logo abaixo um “entre, sem bater, sua chegada repentina seria uma alegria para meus olhos”. E assim o fez, respirou e atravessou a porta com passos firmes de alguém que possuía muita confiança sobre si.
Olhou ao redor e a decoração continuava a mesma, exceto pelos buques de rosas vermelhas e brancas distribuídas pelo quarto e velas em uma grande mesa regada de vinho e uma doce música que fazia Clara sorrir sem pretensões. Marina parecia tão boa nisso, tão boa em impressionar. Aquele mistério que ela possuía, o andar calmo, a fala mansa, ela simplesmente invade e viola seus direitos de negar essas sensações. Clara se sentia especial toda vez que observava o olhar de calma da fotografa em sua direção. “Olhe para ela, parece tão calma enquanto eu estou morrendo em pé em um salto 15” os pensamentos de Clara tomava suas lacunas enquanto observava Marina em seus devaneios, estava tão distraída em si mesma que nem notou sua chegada.
Clara andou devagar, como se tivesse sentindo toda a vibração do quarto para que seus olhares se encontrassem. Se aproximou por trás e flexionou as palmas da mão nos olhos de Marina que deu um suspiro de surpresa e logo expandiu seu sorriso de uma forma doce que logo ocasionou outro em Clara, mas Marina não precisava saber desse pequeno poder sobre ela, mas sua mandíbula doía, o sorriso dela era tão sincero que poderia fazer qualquer outra pessoa sorrir apenas de olha-lo. Como o sorriso de uma criança no colo da mãe que olha para você feliz sem nenhum motivo aparente e abre aquele pequeno sorriso contente que te contagia a fazer o mesmo como resposta.
– É uma pergunta idiota perguntar para você adivinhar quem é? – disse Clara ainda com as palmas da mãos no rosto de Marina.
– Seria idiota dizer que eu não consigo achar nada que você diga idiota o suficiente para dizer que é idiota? – Marina soltou uma pequena risada até finalmente ter os olhos descobertos.
– Isso é injusto, você é uma galanteadora nata. – disse Clara observando Marina se levantar da cadeira onde estava e dar a ela um abraço aconchegante.
– Desculpa, mas palavras que não tenham um bonito teor não combinam com você. – disse Marina meio ao abraço.
Clara desvinculou os braços do pescoço de Marina após um grande tempo. Observou enquanto a fotografa a convidava para sentar na mesa onde a esperava. Clara se sentou enquanto ouvia a música tocar com atenção, alguma coisa nela a chamava a atenção, as batidas, o jeito calmo, talvez fosse o tipo de trilha sonora perfeita para o momento.
– Eu realmente gostei dessa música. – disse Clara enquanto olhava para o teto como se tentasse decifrar algo. – Nesse momento eu gostaria muito de entender inglês para poder entender o que ela diz.
– Oh... – Marina solta um pequena risada alegre. – A música é um tanto sincera e forte. – disse enquanto enfrentava os olhos curiosos de Clara. – É da cantora Lana Del Rey. – sorriu. – Off The Races o nome dela. Eu realmente amo essa música, existe um trecho que eu aprecio muito. – disse Marina passando a reparar na música da mesma maneira que Clara.
– Qual? – os olhos de Clara fitaram os da fotografa intensamente. A existência de Marina estava sempre a ponto de despertar sua curiosidade de maneira frenética. Ela definitivamente não se importava de se sentar ali e ouvir Marina devagar sobre suas frenesis.
– Bem eu conheci ela hoje. – disse Marina dando um sorriso tímido. – Mas sempre me verifico de gostar dela todos os dias para me lembrar de gostar no dia anterior. – divagou.
– Isso não faz tanto sentido. – Clara deu uma risada gostosa. – Soa como se você não lembrasse dela quando acordasse. – disse Clara divertida.
– My old man is a tough man, but he got a soul as sweet as blood red jam and he shows me, he knows me. Every inch of my tar black soul, he doesn't mind I have a flat broke down life in fact he says he thinks it's what he might like about me.
Admires me, the way I roll like a rolling stone. – disse Marina desviando o quanto pode do assuntos relacionado a memória. Logo que dialogou o verso em inglês, sentiu o olhar confuso de Clara em sua direção.
– Eu não entendo inglês. – disse Clara tímida enquanto observava Marina servi-la uma taça de vinho. – Poderia traduzir para mim?
– Claro que sim, não se preocupe com isso. – confortou. – ela disse: “Meu homem é um homem durão mas tem uma alma tão doce quanto geleia vermelha-sangue. E ele me mostra, ele me conhece, cada centímetro da minha alma negra como piche. Ele não se importa que eu tenha uma vida destruída e decadente. Na verdade, ele diz que acha que seja isso que ele deve gostar em mim. Ele me admira, o jeito que sou, uma errante”.
– Meu Deus... – Clara suspirou enquanto ainda refletia sobre o verso. – Que intenso. – disse dando um gole longo de seu vinho, ela ainda estava ansiosa com a presença da fotografa, o que logo chamou a atenção da mesma.
– Você está nervosa? – perguntou Marina enquanto ainda procurava os doces olhos de Clara, mas a Dona de Casa não conseguia os encara-los, sabia dos seus efeitos sobre ela se olhasse de volta.
– Eu pareço nervosa? – questionou Clara um pouco impaciente, Marina interpretou no instante momento como a mulher em sua frente odiava ser descoberta.
– Um pouco... – disse a fotografa de forma cautelosa. – Não há motivos para ficar nervosa perto de mim.
– Nós sabemos isso não é verdade. – disse Clara direta se surpreendo consigo mesma por ter admitido isso e entregado os pontos para Marina tão rapidamente.
– Eu acho que deveríamos jantar? – Marina comentou serena se afastando da conversa. Clara apesar do alivio de não querer continuar o assunto, ficou surpresa por ver a mulher que sempre estava lutando por ela, agora fugindo de seu assunto favorito.
– Claro. – disse Clara desprevenida.
Marina apertou uma espécie de botão que Clara não conseguia identificar muito bem para o que servia, até ver segundos depois um dos atendentes do hotel entrar com uma bandeja redonda que possuía um cheiro maravilhoso fazendo Clara suspirar. De fato estava com fome, havia passado tanto tempo se concentrando em sua situação atual que acabou esquecendo algumas necessidades básicas para sobreviver, como comer. O homem gentilmente desvirou nossos pratos e colocou um suporte em cima da mesa toda enfeitada enfrente a Clara. Era uma bandeja com detalhes refinada onde continha um belíssimo e cheiroso macarrão ao molho madeira que fez Clara suspirar novamente dessa vez retirando uma pequena risada leve de Marina, que via o rapaz se afastar e fechar a porta com cuidado. Clara logo assentiu para Marina sua excepcional escolha , retirando outro leve sorriso da fotografa que estava em extasie graças sua certa escolha no cardápio.
O jantar era tranquilo, conversavam sobre gostos que ainda não conheciam sobre a outra. Marina finalmente havia contado algumas coisas que lembrava de si e de outras que havia conhecido o dia todo antes de encontra-la. Marina sempre tentava mostrar para Clara como as coisas eram novas para ela todos os dias sem que ela percebesse que poderia haver alguma coisa de errado. Clara falou do seu interesse por fotografia e de como trabalhar com a fotografa havia sido fantástico para seu conhecimento. Marina observava com detalhe a maneira que Clara movimentava as mãos de como seus lábios a chamavam atenção. Um sentimento de solidão invadiu seu peito como um tiro rápido. Estava triste que ao dormir se esqueceria disso pela amanhã. E que para se lembrar deveria estar sempre com a caneta dourada que havia posicionado de maneira cuidadosa em um ponto da mesa onde conseguisse captar as falas de Clara com autenticidade. A conversa se prosseguiu leve até chegarem no assunto interessante para Marina: A semântica.
– Qual sua palavra favorita? – disse Clara um pouco solta e levemente embriagada com o vinho.
– “La Douleur Exquise” – riu Marina também um pouco embriagada. – Não é bem uma palavra, mas gosto de imaginar que isso soa apenas com uma palavra só.
– Isso soa francês. – disse animada. – O que significa? – tomou mais um gole do vinho..
– Em francês: a intensa dor no coração de desejar alguém e saber que nunca poderá ter. – seus olhos de corça devorava a dona de casa em sua frente que parecia surpresa com o significado.
– Você sempre foi intensa assim? – perguntou agora reparando os detalhes do rosto de Marina, não conseguia disfarçar mais a forte atração que sentia ao encarar seu belo rosto.
– Desde hoje de manhã. – Marina não conseguia parar de encarar os olhos de Clara. – E você tem uma palavra favorita também?
– Eu tenho uma. Mas não é bem uma palavra, mas gosto de imaginar que isso soa apenas como uma palavra só. – disse Clara ainda atentada nos olhos de corça em sua frente enquanto repetia a frase já dita pela fotografa.
– Qual é?
– Me beija.
Marina se inclinou e beijou os lábios de Clara. Sua boca permanecia na dela mais tempo do que o habitual e sentia que ela estava tentando sufocar a fotografa com aqueles lábios imoralmente qualificados. Sempre que ela tentava respirar, ela chupava o ar dos pulmões de Marina com outro beijo que fazia sua cabeça girar. Marina estava ficando tonta e confusa a enquanto passava a mão em seu cabelo sedoso. Sua língua estava apenas brincando com meu lábio inferior suavemente, fazendo-a desejar mais. Quando notaram já estavam de pé perto de uma das poucas paredes do quarto. Marina finalmente interrompeu o beijo e suspirou o ar que lhe faltava. Clara fazia o mesmo mais ainda era possível notar o desejo da Dona de Casa na boca da fotografa.
– Você tem um beijo maravilhoso. – disse Clara com uma voz rouca e a viu mordendo o lábio. Por que não motivá-la quando era a verdade, de qualquer maneira. Suas mãos estavam deslizando sob o vestido de Clara e arranhando a parte enfraquecida do meu por cima do tecido que impedia seu explorar livre. Suas unhas provavelmente deixaram algumas marcas vermelhas. Marina deslizou por apenas alguns centímetros e Clara sentiu seus lábios fechando sobre a área sensível em volta do meu pescoço. O aperto em seu cabelo se tornou mais apertado enquanto sua língua circulou ao redor provocando. Suas habilidades provocativas eram diferentes de tudo que ela já tinha sentido antes com qualquer outro alguém. Clara já estava começando a tremer um pouco e queria que ela acabasse de dar o que eu tanto sofria desesperadamente.
Mas Marina tinha outros planos. Ela levou tempo entre cada único beijo, um molhado que ela colocou no pescoço. Clara estava perto de arrancar os cabelos, porque ela estava fazendo isso em um ritmo tão dolorosamente lento. Seus dentes rasparam seu pescoço antes de morder muito gentilmente, ainda há fazendo almejar por muito mais. Sempre que pensava que ela iria mais longe, ela se afastava e escolhia um novo local. A respiração estava trêmula e levou toda a contenção para não se jogar em cima dela. Sento a ponta de sua língua traçando as marcas de mordidas que ela tinha deixado foi o suficiente para faze-lá gemer baixinho. Marina sorriu contra a sua pele e, finalmente utilizou mais pressão com os lábios para sugar todos os lugares certos. Suas costas se arquearam um pouco e Clara precisava e queria mais.
– Só tirar a roupa – disse Marina agora mal conseguia dizer porque estava tão fora de ar. A Dona de Casa riu baixinho e Marina odiava estar à mercê dela assim. Ok, talvez ela gostava um pouco. Marina estava tão acostumada a estar no comando em todos os outros aspectos de sua vida, esta mudança era muito mais que bem-vinda. Marina soprou sobre a pele mordida e molhada no pescoço. de Clara Eu ia perder minha mente, pois não estava mais aguentando! Mas ela finalmente mostrou alguma misericórdia e deu um rápido beijo nos lábios da Dona de casa antes de começar a abrir o feche do vestido . Ela agarrou meu sutiã e abriu como se ela nunca tivesse feito outra coisa em sua vida. Sua confiança era tão atraente e eu nunca teria imaginado que ela iria acabar desta forma.
Enquanto caminhavam com lentidão até a cama próxima, não desgrudavam seus corpos como se de alguma forma pudessem se unir. Mas o barulho vindo da mesa passou a incomodá-las. O celular de Clara tocava insaciavelmente em busca de respostas. Clara interrompeu o beijo com lentidão e apertou as pálpebras de raiva como se quisesse ignorar o toque do celular, mas sabia que seria irresponsável e poderia estragar tudo. E Clara não queria mais estragar nada.
– Eu preciso atender. – disse Clara com a testa encostada na de Marina, como se lamentasse a interrupção.
– Não tem problema, com o tanto que você volte e continuemos da onde paramos, tudo bem. – disse a fotógrafa com um sorriso delicado, porém, muito provocativo.
– Não espere outra coisa. – Clara deu um rápido beijo nos lábios de Marina, breve mais muito terno.
Clara suspirou e foi em direção ao celular o atendendo rapidamente antes que a chamada fosse perdida.
– Alô?
– Clara, onde você está? – disse Cadu do outro lado da linha.
– Eu sai com a minha tia Cadu, eu já disse para você antes. – Clara comentou tentando não perder a paciência com o Marido.
– Então porque a Juliana não atende o celular? – continuou Cadu com a desconfiança. – Eu tenho algo grave e vocês demoram séculos para me atender.
– Nós estávamos no cinema Carlos Eduardo. O que foi? – Clara perguntou impaciente.
– O Ivan está passando mal, vou levá-lo para o hospital, só queria avisar. – disse Cadu indicando que iria encerrar a ligação.
– COMO ASSIM PASSANDO MAL? – disse Clara com auto tom de voz. – NÃO SAIA DE CASA CADU, EU JÁ ESTOU INDO.
Clara desligou o telefone e o jogou para dentro da bolsa ali próximo. Marina ainda estava sentada na cama observando a Dona de casa arrumar o vestido e recolocar o salto. Por alguns segundos, Marina imaginou que Clara havia se arrependido de tudo e estava indo embora. Abaixou a cabeça em lamento e fitou o chão apreensiva. Clara saiu do seu transe enquanto tentava calçar um dos teus saltos de pé e observou o rosto preocupado de Marina. Colocou os dois saltos e se agachou na altura da fotografa sentada na cama.
– Porque esse olhar triste? – disse Clara com um tom doce.
– Porque você simplesmente se arrependeu e está indo embora? – disse Marina com o tom um pouco mais alto que desejava.
– Eu não estou indo embora porque eu me arrependi Marina. – Clara suspirou. – Eu estou indo embora porque o Ivan está passando mal e o Cadu está levando ele para o hospital e eu preciso acompanhar meu filho, você entende?
– Oh... – Marina disse surpresa e aparentemente arrependida. – Desculpe eu não sabia. – olhou os olhos de Clara que ainda permaneciam gentis e adoráveis. – Claro que eu entendo Clara, eu sempre entenderei mesma que eu venha perder a memória todos os dias. – completou com um sorriso. Sabia que de uma forma ou outra, era verdade.
Clara se levantou e caminhou até a porta enquanto Marina ainda estava sentada na cama fitando a porta por onde passaria. Deu breve sorriso de despedida e não palavreou nada. Odiava despedidas ditas. E assim,
cruzou a porta.
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