Como de costume ele acordou as 8h da manhã, analisou o sol entre as nuvens daquela manhã, caminhou calmamente até o pequeno espelho rachado no canto da parede, arrumou o cabelo loiro, sem querer esbarou na cama, tomou um gole de café de ontem, ou será de anteontem, nem ele sabia e correu sem perder tempo para a casa de Aquário, onde seu mestre o esperava.

A casa de Aquário era um lugar extremamente frio e encantador, cada passo ecoava na sua imensidão, as paredes cobertas por uma fina camada de gelo, o chão de granito e uma pequena nevoa que deixava o lugar sinistro e sombrio, mas escondido em um canto uma pequena prateleira de gelo, onde alguns livros ficavam guardados. Seu cavaleiro era Stefan que tinha 1,86 de altura, cabelos ruivos na altura dos ombros, pele branca e olhos castanhos claros, uma personalidade não muito assustadora, era calmo e desleixado, meio solitário, o que lhe salvava de uma depressão profunda eram seus livros e seu discípulo. Stefan tinha mania de grandeza e de se achar o melhor, amava se gabar de que tinha o melhor cavaleiro do santuário como seu discípulo e a casa mais bem cuidada. A esta hora ele já estava acordado esperando na entrada de sua casa seu discípulo mais prospero.

–Como de costume, sempre pontual! -disse Stefan –como está se sentindo, depois da surra de ontem?

–Estou completamente recuperado de ontem, mestre vamos lutar novamente! -deu um leve sorriso no canto da boca, apontando para algumas rachaduras nas paredes da casa.

–Hoje será diferente, vamos começar por uma leve caminhada, para acalmar os ânimos, vamos até a vila aqui perto. -disse Stefan, enquanto os dois desciam as escadarias.

–Certo!

O santuário, fazia algum tempo que não entrava em guerra ou algo do tipo, a nova reencarnação de Atena, uma garrota loira,- oxigenada- baixinha e popular, cresceu em uma família adotiva rica e luxuosa, sempre cercada de presentes e coisas do tipo, seu nome era Anabett e nunca se acostumou com a vida no santuário. Deixava uma preocupação no ar, pois ela não sabia nada em relação ao cosmo e nem tinha uma voz de comando, o que alertava a preocupação, pois Atena só reencarnava quando algo muito grave ia ocorrer, então era só esperar que a guerra viria. Nossos doze cavaleiros de ouro tinham mais liberdade, quase todos tinham famílias- Com numerrozos filhos –e quase não ficavam em suas casas no santuário, eram praticamente inexperientes em combate e tinham a falta dos cavaleiros de Escorpião, este morreu de problemas cardíacos e não deixou nenhum discípulo e de Leão, que ninguém sabe ao certo mas dizem boatos que morreu ao renegar Atena e ser traído por quem mais amava.

A preocupação em recrutar novos cavaleiros para cobrir os desfalques na categoria de bronze e de prata era nula, enfim o santuário passava por um momento de férias — Nem a reencarnação de Atena estava lá, estava em Paris fazendo compras junto a Lune de Câncer -Era irritante ficar por lá, nada de interessante acontecia.

–Bem mestre, eu gostaria de voltar para a Rússia por um tempo.

–Vai me abandonar. Eu sei que aqui é chato e esses outros nomes que vocês jovens usam, mas eu vou ficar aqui só com os meus livros.

–... –ele o olhou com um olhar triste

–Não me olhe assim, sabe que sou um dos poucos que não tem mulher, nem filhos, muito menos alguns parentes próximos...

–Tá bom, senhor sozinho no mundo, eu só acho que deveria voltar no meu orfanato....

–... –Stefan deu um leve tapa em suas costas

–Ok, vou ficar quieto, antes que essa situação piore e o senhor comesse a dar um sermão.

–Claro que agira serie obrigado a lhe dizer novamente a importância dos cavaleiros e o porquê nós devemos ficar aqui....

–Não comesse ou eu vou mesmo sair daqui, ok!!

–Mikael de Cisne, agora o senhor vai me escutar.... –Stefan fechou a cara

Mikael era um jovem de dezesseis anos, loiro de olhos negros, com uma cicatriz quase imperceptível debaixo do olho esquerdo e uma bem visível, que cruzava os costas até acabar perto da nuca, uma personalidade implacável e doce, as vezes era frio e impenetrável outras sensível e carinhoso. Ele era considerado um dos rapazes mais bem sucedidos no santuário, usava a armadura de Cisne e já havia perdido as contas de quantas vezes quis abandonar aquele lugar, mas o seu coração dizia para ficar e esperar a aventura que viria. Foi parar no santuário depois de elevar o cosmo sem a menor logica quando alguns garotos tentavam espanca-lo, Stefan, que fazia uma visita a sua cidade natal, o acalmou e sentindo um estranho afeto pelo garroto e resolveu o treinar.

Eles voltaram para o santuário, de onde um cosmo muito estranho emanava, só era sentido pelos mais atentos, um cosmo avermelhado, intenso, um cosmo banhado em raiva e dor que vinha da casa de capricórnio.

A casa de Capricórnio era um lugar acolhedor, muito bem cuidado e limpo. Qualquer um que ali adentrava não tinha vontade de sair, no centro uma estátua de Atena, posicionada para que quem entrasse se deparasse com sua magnitude, o chão de mármore, as paredes delicadamente decoradas com enormes rachaduras que iam do teto ao chão e da escadaria que a antecedia podia-se sentir um leve aroma de lavanda. Sua amazona era Arien, uma bela mulher de 1,75 de altura, cabelos castanhos claros, pele queimada pelo sol e escondido atrás da máscara lindos olhos verdes-esmeralda, delicada e calma até começar a lutar, meio perdida no tempo nunca sabia em que dia se estava ou que ano era, tinha como fiel amigo e companheiro Nora, seu cachorrinho vira-lata, só tinha uma única discípula de quem não muito se orgulhava, mas mesmo assim sustentava o posto de amazona mais forte e valente do santuário.

–Eu vim para ficar! -disse a estranha figura de onde emanava o cosmo. –Não saio mais daqui, ouviu bem?

–Acho que não, claro que teria de falar com o Grande Mestre primeiro. -pronunciou Arien de Capricórnio

–Eu não preciso falar com ninguém, não recebo ordens! -a voz era completamente feminina, mesmo que não parecesse, um corpo escultural e um cosmo medonho e aterrorizante.

–É melhor se retirar, antes que eu perca o controle mocinha. Não posso, nem vou fazer nada em relação a sua permanência aqui, entendeu?

–E eu lhe perguntei algo? Deixando claro, eu fico

–Eu vou....

–Vou sair daqui, Antes que eu também perca o controle, e pode anunciar: Iris de fênix está de volta.

A garota desceu correndo as escadas até uma área bem afastada do santuário, era irritante falar com a Arien, mesmo que ela havia a encontrado, mas também foi ela que a mandou para o treinamento duro e desmerecido numa ilha bem afastada. Iris era uma garota de quinze anos, 1,70 de altura, cabelos castanhos escuros, olhos verdes escuros, pele branca e uma estranha cicatriz na perna direita. Ela era completamente louca ou o que todos pensavam e diziam por ai, o seu único problema era achar que todos estavam contra ela e fazer com que todos ficassem, amava arranjar confusão com os cavaleiros de gelo, ficava tentando entender o porquê de ter sido largada em um orfanato, ela resumia que: desde sempre ninguém gostou dela e também que ninguém gostaria e nunca faria nada para agradar ninguém.

Ela resolveu correr, seria até bom ver novamente depois de dez anos aquele lugar, mal cuidado e desmoronando, até era um pouco encantador. Correu por aquele lugar ligeiramente, lembrando do pouco tem que ali havia ficado, sendo encarrada por alguns guardas. Em sua pressa em correr, esbarou em alguém:

–O que é! Olhe por onde anda. -Iris empurrou com raiva, mesmo sem saber quem era. –Não saia esbarrando em todo mundo!

–Calma ai dona. Eu não fiz nada, você que estava correndo!

–Eu sei quem é você.... É claro o aluno do Picolé. — Ela deu uma risada enquanto analisava Mikael

–Com essa raiva toda só pode ser você, Iris! –ele também a analisou

–Mikael, ou melhor gelo! Continua o mesmo desajeitado.

–Achei que tinha morrido,- Mikael a segurou pelo braço- você... tudo que aconteceu... Eu me lembro tão bem... — Deu leve sorrisinho.

–Idiota!!!!!!- Ela acertou um soco de esquerda na cara dele, atrás da máscara ela queimava em raiva.

Mikael a soltou no mesmo estante, enquanto caia desajeitado para o lado e continuava rindo, Iris voltou a correr e cada um seguiu para o seu lado. Eles compartilhavam de uma história que ninguém sabia, ou pelo menos ninguém esperava desses dois juntos.

A muito tempo durante a escolha dos mestres e seus discípulos, uma ajuda inesperada, um contrato inimaginável, uma amizade.... O que o passado esqueceu de contar e de sempre relembrar a esses dois, o que marcou e agora reviverá novamente, causara estranheza, vindo dos seres que mais se desgostam...Reaparecerá loucamente para dar, talvez, um final feliz aos caminhos perdidos desses dois....