Fogo e Gelo

7 Gelo, fogo, e vidro estilhaçado.


Notas iniciais
Mais um cap para vocês ;3
Let's go?

Nevava muito. As árvores encontravam-se encharcadas. Tudo o que se podia ver era neve ao redor do local.

-Sinto falta da Rebeca. Não falo com ninguém á dias. –Sarah pensou alto.

Pobre garota, sendo culpada por algo que não fazia noção do que estava realizando.

Faziam três dias que Rebeca não trocava nenhuma palavra com a menina.

Sarah comia sozinha, era empurrada por meninas más e era chamada de neném –chorona. Logo depois corria para seu quarto, chorava e Beca não dava a minha. Saia para a biblioteca e lia, até alguém vê-la e machuca-la com livros. Era hora de voltar novamente para o quartpo. Essa era a rotina dela. Antes, ela até que aturava, pois teria Rebeca para conversar, mesmo ela não querendo papo. Essa solidão a enchia. Então, saiu em busca de descobrir o que fez para magoar tanto Rebeca.

Primeiro queria saber o que significava aquilo que fizera com o garoto que a deixou tão mal compreendida. Foi até a professora do reformatório – que dava aulas 2 horas por dia para os jovens, que mesmo problemáticos deveriam assistir aulas, pois eram de menor idade e talvez pudessem ficar curados. Isto daria chances de emprego -. Chegando na professora, a garota fez a tal pergunta.

-Professora, não desejo incomodar, mas... –Sarah começou á falar, perguntando o que significava um toque de lábios entre um menino e uma menina.

Sarah, na realidade, não sabia de nada. Apenas o fato de que certo garoto misterioso a ajudou a fugir do hospital e se livrar de todas aquelas pessoas fazendo comentários sobre ela ser o demônio. Ele foi quem abriu a porta do quarto do quarto e ajudou a menina á andar.

A garota Walker lembrava-se bem de como tudo aconteceu.

-Pelo visto parece bem entediada, não? –O garoto perguntou, puxando sua mão e a ajudando á se firmar.

-Eu... Apenas estou confusa, assustada, e com dor. Não sei o que houve. –Explicou Sarah.

-Pelo menos está sem aquelas roupas bregas de hospitais que vejo em filmes. Elas... São ridículas. E você... É uma gatinha, sabia? –O menino acariciou o rosto da garota. E ela então deu um passo para trás.

-Defina “gatinha”. –Sarah curvou o cenho.

-Posso definir muito mais, sabia? –O garoto se atreveu, se aproximando cada vez mais da garota.

Sarah o empurrou, levemente.

-Não sei o que está tentando fazer, mas isto está me deixando assustada. –Respirou, ofegante. –Me ajude á sair daqui, estão me chamando de algo que não sou.

-Do que estão lhe chamando, gatinha? –Deu um piscadela.

-Demônio. –Disse Sarah. O garoto ficou em silêncio. –Estão dizendo que sou o demônio, porque sou estranha.

-Isso lhe deixa sexy. –O garoto tentou toca-la, colocando as mãos em direção ao seu seio. Sarah gritou.

-Só me deixe sair daqui! –A menina ficou assustada. As atitudes dele eram nojentas.

-Tá. –Assentiu, entediado. –Mas terá que me dar algo em troca.

-O que? –Suspirou.

-Não se preocupe. Verá depois. Mas não doerá nem um pouco. –Respondeu o garoto misterioso, enquanto Sarah ficava preocupada. –Venha, é por aqui. –E Sarah o seguiu.

Horas depois, ele a tirou dali. Lhe mostrou o caminho do seu quarto e fez tudo o que foi prometido. Agora era a vez de Sarah.

-Obrigada por ter me ajudado, você foi muito bondoso. –A menina sorriu, e foi correndo até seu quarto dando minúsculos pulinhos, como uma criança de cinco anos.

-Acho que está esquecendo de algo. –O garoto á puxou. –Tenho minha recompensa, não?

-Ahh, sim! –Sarah se fez de esquecida, estava com medo do que ele ia pedir.

Venha, vamos para esse quarto. Ele está abandonado, posso ficar com você. –A puxou pelo braço, com força.

O local era sujo e velho. Sarah sentia enjoo só de estar ali. Porque ele a levaria até lá? O que faria? Pobre mente inocente... Já era óbvio que o rapaz iria se aproveitar dela.

-Quero que faça algumas coisas para mim. –Sorriu, safado. Sarah sentiu um calafrio, seu coração palpitava sem parar. Aquilo era medo.

-O-o q-que devo... Fazer? –Gaguejou, nervosa.

-Primeiro, uma seu belo corpo ao meu. –E a menina assim o fez. –Agora, toque os seus lábios nos meus.

-O que? –Ela achou estranho. –Como eu faço isso?

-Quero que me beije. Assim. –O rapaz á beijou, forazmente. Sarah sentiu nojo. Era seu primeiro beijo, e ela nem seguer sabia que aquilo existia. –Retire o que eu disse... Irá doer um pouquinho. –Um sorriso amedrontador surgiu nos lábios dele, enquanto, ainda colado á Sarah, fechou a porta do imundo quarto.

Eles estavam á sós. Sarah sabia que, acontecendo o que for, aquela história terminaria de uma forma ruim.

Mas algo, para a sorte de Sarah, acontece . Ela houve passos por baixo da porta.

-Parece que tem alguém ali. –Ele sussurrou, descansando a cabeça no pescoço da garota. –Mas você não deve contar á ninguém, tá bom?

-Tá bom... –Ela respondeu amedrontada.

E então ele a beijou, e Sarah não podia negar, muito menos mexer-se. Ele a sufocava.

Então, a porta foi aberta. E Sarah só sentiu Rebeca puxar a mesma muito forte, raivosa.

E foi isso que aconteceu. Ela vira o menino um dia depois do acontecido, e ela, enfurecida por ele ter feito a quase-amiga ter raiva dela, veio reclamar. Mas o máximo que conseguiu foi ser chamada de virgem bobinha e de neném-chorona. Patético.

Agora, ela estava na sala da professora e vice diretora – ela foi saber disto á um dia atrás — Helena, contando o que aconteceu e perguntando porque Beca estaria tão raivosa.

A professora, no começo, riu, pensando que a menina estava fazendo alguma brincadeira. Mas depois viu que era sério, Sarah não sabia do que se passava e nem do que ele tentara fazer.

-Ok, vamos ter uma conversinha. Sente-se aqui. –Helena contou tudo á ela. As duas passaram cerca de 1 hora conversando, até Sarah saber de tudo. E se sentir suja.

-Estou completamente enojada! –A garota se levantou, chocada.

-A senhorita deveria saber disso desde os seus onze anos. –Informou a mulher. –Agora, precisa ir. Peça desculpas á Rebeca.

Sarah ficou impressionada com a bondade de Helena, que sempre fora uma pessoa legal em um reformatório onde todos zoavam de Sarah e faziam coisas ruins. Mas, o que ela poderia esperar de um reformatório repleto de jovens sem regras? Senhorita Helena era a única boa pessoa dali, e ela se sentia agradecida.

Caminhando lentamente sobre o famoso e assombrante corredor, Sarah estava disposta é pedir mil desculpas á Rebeca. Já decorara praticamente o discurso pedindo perdão á ela. Mas o que ela não conseguia entender, era o porque Rebeca se sentia ofendida. Se era porque Sarah cometeu algo que não fazia parte de seu perfil, ou outra coisa. Mas esta era a única alternativa até o momento.

Abriu a porta do quarto. E lá estava a garota.

-Beca... Eu... Vim pedir desculpas. Eu não sabia que estávamos fazendo aquilo e... Ele me forçou!

Rebeca a olhou, com desdém. Não importava nada o que ela decidira falar.

-Me deixe ao menos explicar. Juro que vai entender.

Então Sarah contou tudo, do começo ao fim. E depois, Rebeca a fitou, e finalmente falou algo, depois de dias.

-Isso é realmente verdade? –Sarah assentiu. Rebeca permaneceu em silêncio novamente, fitando o chão. Até que fala algo. –Eu fiquei com raiva porque gosto dele. A gente já namorou, mas ele me traiu. E quando eu o vi com você, todas as cenas de antigamente me vieram em mente.

-Wow. –Sarah se chocou. –Como pode gostar de um cara como ele?

-Ninguém escolhe o que gostar. Você, por exemplo, é uma criancinha de 16 anos. Deveria parar de ser imatura e crescer. –Fitou Sarah, dando um sorriso.

-Irei aceitar isto como um pedido de desculpas. –Ri. –Pode pelo menos me dar um abraço? –Sarah pede.

Rebeca nega, por uns instantes. Mas então, levanta e abraça a pálida menina. E a sensação vem novamente. As duas sentem uma conexão, como uma linha de energia passando e percorrendo o corpo de cada uma delas, como se fossem uma só.

Elas se afastam.

-Sentiu isso? –Rebeca estranha.

De repente, as luzes do quarto se apagam sozinhas. E algum ser tranca a porta. Em um passe de mágica, o quarto fica completamente incendiado. Labaredas de fogo aparecem sem motivo algum, e elas se assustam.

O que estaria havendo?

-Beca, cuidado! –Uma grande parte do fogo a rodeia. Rebeca fica em pânico.

-Sarah, saia daqui! Se proteja! –Exclamou Rebeca, enquanto tentava controlar o fogo, jogando sua jaqueta e a sacudindo para espanta-lo.

É... Não havia jeito. As duas estavam em perigo. Talvez, estaria na hora da morte das duas. Pelo menos foi o que Rebeca pensou.

A morte, as vezes, é um presente. Para quem sofre ou vive coisas trágicas, desejar a morte vira algo comum. Mas poucos que a desejam possuem uma perfeita paciência e esperam por ela. A maioria se suicida. Mas Rebeca era sábia. Ou talvez até faltasse coragem de acabar com tudo. Mas ela nunca tentou suicídio. Exceto pela vez que foi culpada pela morte dos pais.

Era disso que Rebeca pensava. Mas tudo se tornava crítico e uma sensação profunda a tomou.

Sarah estava apavorada, praticamente sem ar. E Rebeca procurava saída.

Sarah tossia, empurrando a porta do quarto cada vez mais, infelizmente, parecia que se estava emperrada. Ou alguém havia as trancado. Respirou fundo, mas só inalava fumaça. Uma dor forte começou em seu peito. Empurrou a porta novamente, agora com mais desespero.

-A porta não abre! –Exclamou a menina, tentando observar Beca, mas a fumaça embaçava a visão das duas.

-Fique calma, irei aí. –Rebeca se deslocou, ficando agachada no chão, procurando por algo. Tocou então nos pés de Sarah. –Ahh,você está aí! –Forçou um sorriso.

Sarah tosse, se sentindo muito mal. Havia algo ruim acontecendo em seu corpo, o fogo fazia mal á ela. Então, Sarah vomita. Coloca para fora uma substância transparente.

Rebeca se afasta.

-Está se sentindo bem? –Tocou em seus ombros, com uma visível dificuldade em respirar.

-Eu só... –Vomita mais um pouco. Lagrimejando e tremendo sem parar.

Sarah estava eliminando água. Não como, talvez, alguém normal. Sarah vomitava água, lagrimejava em alto nível... Rebeca não achou comum, e se preocupou.

-Vem, existe uma janela por aqui. Precisamos... –Beca tosse. –Abri-la. –Completou.

Enquanto a garota puxava a companheira de quarto em direção á parede, com imensa dificuldade, uma estranha listra de fogo as segue, indo, em grande velocidade, sobre elas.

Rebeca faz um movimento com os braços em direção ao seu lado direito, tentando correr e espantar o fogo. Ela consegue faze-lo sair do caminho. Mas ele vai em direção á outro ser dali. Sarah se apavora e se defende com as mãos. O fogo estava na sua direção. E para a surpresa das duas, que fecharam os olhos com força, cheias de medo, o certo fogareiro havia sumido. Mas o quarto ainda estava com fogo e fumaças em outros locais. Elas deviam correr.

Rebeca empurrou e chutou fortemente a janela, que foi quebrada. Foi possível ver o vidro estilhaçado sendo unido ao gelo que arrodeava o local. Segurou a mão de Sarah, com cautela, a fitando. Ambas sabiam que teriam que pular.

-Beca, estou com medo. –Sarah derrama lágrimas.

-Apenas pule. –Falou vagarosamente. Então Sarah suspirou, e em um ato de desespero, se curvou em direção ao chão. E então pulou,

Rebeca foi logo depois. As duas então caíram em meio á gelo e vidro estilhaçado. Se sentiam exaustas e assustadas. E no meio do frio, ferimentos e um reformatório sombrio, se abraçaram.

Fecharam os olhos. Desmaiaram.

Notas finais
Espero que tenham curtido... Comentem as suas opiniões, por favor? Eu fiquei apreensiva com este capítulo. Ficaria muito feliz.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.