Fogo & Gasolina

1 Parte I – Capítulo 01: Êxtase


Notas iniciais
Olá, fandom! Assim como vocês, quem vos escreve também é Lucadu e também anda muito triste com a falta de cenas deles. Não só agora, como no começo da novela também. Esperava que o Aguinaldo fosse dar mais foco na história de ambos, tanto Lucas quanto Du, mas isso não aconteceu. A linha de história do Lucas foi muito mal aproveitada, a história com as drogas e tudo o mais. Ele era um usuário e "de repente" ficou sóbrio. Ficou muito vago. E a história com a Isis foi a gota d'água pra mim. Já a Du também tinha que ser aproveitada, queria saber sobre a família dela e porque ela vive tão fora de casa e parece que ninguém se importa. Bom, essa é a versão dos fatos que eu inventei. Essa primeira parte é sobre como os dois se conheceram. Lembrando que a fanfic tem um teor pesado no enredo. Não sei quando vou postar o próximo capítulo, depende de vocês, dos comentários e reviews que vou receber. Pois então, se manifestem. Caso não tenham conta aqui no Nyah para comentar, mande seu comentário pro meu twitter @garotadeontem. Boa leitura!

João Lucas estava mais uma madrugada fora de casa, já era mais de meia noite quando tinha conseguido fugir dos olhares super protetores de sua mãe. Ele já estava mais do que acostumado com a vida noturna, só saia quando o sol se punha. Mal se lembrava de como eram as tardes em Copacabana.

Mais do que amar as noites, amava todas as mulheres que encontrava. Adorava a loucura, o prazer e, sobretudo, o poder. Filho caçula de José Alfredo de Medeiros, o Comendador, dono do maior Império de joias do país, ele podia ter qualquer mulher (ou pessoa) aos seus pés. Apenas pelo status quo que o seu nome gera.

João Lucas não quer aprender a administrar uma empresa, só quer saber do dinheiro na sua conta no fim do mês. Só quer gastar cada tostão e administrar o dinheiro do seu próprio jeito, com sua maneira própria e seus negócios ilícitos. Ilícitos, mas somente seus. Onde ninguém da sua família poderia meter o bedelho, muito menos, imaginar no que ele estava metendo.

A noite o convidava como se ele fosse uma coruja, um morcego, um ser que habita na escuridão, e que desfrutava de cada minuto como se fosse o último. No fundo, rezava para que fosse mesmo. Aquela vida medíocre já tinha prazo de validade.

Mais cedo, por volta das 21h daquele sábado, Maria Eduarda se arrumava pra sair, Beatriz, sua amiga, tinha a convidado para um rolê na zona sul, em Copacabana. Ela jamais iria recusar um convite de Bia, seus encontros eram sempre loucos, mas memoráveis. Du mora com a mãe na Lapa, zona central do Rio de Janeiro, junto com o seu padrasto detestável e seus três meio-irmãos.

Ela vivia mais nas ruas da cidade do que na própria casa, era um lugar que ela detestava frequentar pela simples presença de Carlos, seu padrasto. Carlos era um típico homem folgado que vivia as custas da mulher, ao chegar do trabalho se jogava no sofá, abria uma cerveja e assistia televisão. Pouco se importava com o resto a sua volta. Apenas uma coisa parecia chamar a atenção do homem, sua enteada de cabelos vermelhos. Du se sentia enojada com os seus olhares furtivos e suas palavras quando estava bêbado. Sentia pena apenas dos meninos que tinham como um exemplo um merda de pai.

Por falar nisso, Eduarda amava os irmãos, e talvez, pela convivência com eles tinha um jeito nada delicado de ser. De personalidade forte, ela já tinha todas as gírias em seu dicionário e tinha adotado um jeito moleque de agir. A única coisa feminina que a atraia era a maquiagem, seus olhos eram sempre marcados por um delineador forte e tinha perdido a virgindade dos cabelos castanhos aos 15 anos quando adquiriu os fios vermelho-fogo.

Hoje, com 18 anos, Eduarda tinha acabado de terminar o colégio e trabalhava em um Shopping Center da zona sul como vendedora em uma loja de roupas para tirar uns trocos e deixar de depender da sua mãe, que era a mulher mais dependente que conhecia. Sorte que hoje era sua folga.

Depois de pegar a condução até Copa, encontrou Beatriz na orla, já cercada de rapazes que a comiam com os olhos. Bia sempre fora atraente, loira falsificada, trabalhava com o entretenimento e o prazer alheio. Apesar de nunca admitir que é uma garota de programa, e sim dizer que é “acompanhante da noite de homens e mulheres em busca de diversão”.

Elas tinham se conhecido ainda na escola. Por causa das dificuldades, depois de perder sua mãe, Beatriz entrou nesse mundo. Ela sempre fora uma bela garota, com o corpo mais desenvolvido do que os das outras. Sempre chamava atenção. No começo fazia pontos na zona sul, mas logo um cafetão a encontrou e a partir daí, Bia vivia em um apartamento de luxo com tudo pago desde que fizesse o seu trabalho direitinho. Afinal, no Rio de Janeiro, assim como em todo lugar do Brasil, sempre tinha um aproveitador. Ela não se importava mais, diz que é feliz dessa forma, então Du a respeita. Ela é o mais próximo de uma melhor amiga que ela já teve.

_ Fala, Du! – Bia deixou os rapazes falando para ir de encontro a amiga, a abraçando forte. Du ouviu os rapazes mexendo com as duas. – Ah, calem a boca! – ela gritou de volta. E ao se virar para a ruiva perguntou: _ Como você tá? Quanto tempo, curupira!

_ Ah, fala sério, Bia. – Du riu. – Ainda esse apelido? Eu tô bem, pô. E tu?

_ Eu to ótima! – ela disse dando ênfase na frase ao chacoalhar os cabelos. – Aquele nojento ainda anda te enchendo muito saco?

_ Cara, nem me fala. O negócio tá estreito, mas tu sabe que eu sei levar bem essa coisa toda.

_ Claro que sabe, Du.

_ Pô, mas eu não vim até aqui pra ficar falando dessas coisas, não. Pra onde tu vai me levar?

_ Eu preciso fazer um trampo em uma boate nova aqui em Copa, queria que tu fosse comigo, e depois vamos pra balada mais próxima com o dinheiro que eu conseguir.

Du já estava acostumada de ir nessas boates, Bia fazia seu trabalho como Marcela, seu nome de stripper e as duas iam embora com a bolsa cheia da grana. Parte da bufunfa ia para o chefe e outra parte para ela.

_ Claro. Teu segurança não vai hoje, não?

_ Hoje não. TÁXI! – Bia esticava o braço para chamar a atenção de algum veículo.

Quando o táxi parou, as duas entraram e foram de encontro à nova boatee. Ao chegar Du ficou impressionada com a fachada que nada parecia com uma boate de strippers, e sim com uma balada comum. Quem não conhecesse poderia mesmo confundir a Magnum com uma festa dançante.

_ Fiquei sabendo que tá rolando uma boa grana aí, tá ligada? – Bia comentou com Du. – Coisa nova, gente nova na parada, acho que é um novo empresário. O chefe me indicou e aceitaram.

Du assentiu e acompanhou a amiga até a entrada de funcionários.

Ainda era cedo, lá dentro só tinham os funcionários da boate, garçons, barmans, seguranças bem armados e algumas moças se aqueciam no pole dance. Só abriria depois da meia noite. Du se sentou em uma mesa vazia enquanto a amiga ia ao camarim se trocar. A luz fraca lhe dava a sensação de que era um lugar aconchegante e ao mesmo tempo, quente.

Du se aproximou do bar quando os homens começaram a chegar e tentou passar despercebida. Em poucos minutos o local estava lotado de testosterona, uma barwoman simpática percebeu o seu desconforto e tentava distraí-la cada vez que se aproximava do balcão para buscar um drinque para os clientes.

Quando os shows começaram, ela só pedia em silêncio para que Bia ou, melhor dizendo, Marcela se apresentasse logo. Mas parecia que aquele pedido não ia se realizar. Ao passar da noite, homens bêbados e até mesmo drogados se aproximavam do balcão tentando chamar atenção da ruiva. Ela tentava os ignorar o máximo possível e sentia o rosto queimar a cada investida daqueles babacas.

Eduarda estava sempre pronta, carregava consigo na bolsa um spray de pimenta. Desde cedo tinha aprendido a se defender e se fosse preciso colocaria suas habilidades em prática.

João Lucas estava sentado em uma das mesas do camarote da boate, observava do andar acima as mesas do local. Mal tinha chegado e sua mesa já estava repleta das bebidas mais deliciosas, caras e importadas. Uma morena vestida somente com um top e uma microssaia estava sentada ao seu lado direito, e uma loira também com pouca roupa lhe massageava os ombros. Mas, nada parecia relaxa-lo.

Ele ainda se lembrava de quando resolveu sair e deu de cara com o seu pai na sala, o esperando. Como de praxe, discutiram feio. E com a discussão vieram as ameaças de deixa-lo na miséria, caso não abandonasse “essa vida”. Mas, que vida?

Mal sabia o pai que João Lucas era um peixe grande da vida noturna carioca. Tinha investido dinheiro na Magnum e hoje era um dos VIP’s recebido feito um rei pelo dono da casa, Lobão. Lobão além de “empresário da noite” também era “empresário da loucura” ou alucinação, como preferirem.

Aos 19 anos, Lucas jamais iria admitir que é um usuário de drogas, ele era um apreciador das coisas boas que as drogas ofereciam. Principalmente daquela sensação de estar fora de si, de ser feliz sem motivo. Aquela depressão após aquele êxtase pouco importava pra ele. A alucinação da felicidade era mais poderosa.

Ele bebia um copo de whisky, o efeito do ecstasy estava começando a fazer efeito, foi quando ele reparou no bar da boate. Ele não sabia se era alucinação ou real, mas algo vermelho se movia sob a luz baixa, ao tentar prestar atenção outra coisa o fazia se distrair. As mulheres lhe falando obscenidades nos ouvidos lhe faziam rir alto, tudo estava feliz, tudo estava envolto em uma bolha de animação.

Lucas resolveu descer até o bar, perseguiu aquela bola vermelha até encontra-la envolta por homens famintos. Era uma mulher. Uma menina de cabelos vermelhos. Ele percebia que ela estava desconfortável com aqueles babacas sobrevoando ao seu redor feito urubus. Ela não chamava atenção por suas roupas largadas ou seu jeito desleixado. Deve ser a cor do cabelo, ele pensou.

A pele da menina era a mais branca que ele já vira em toda vida, quase brilhava, parecia uma porcelana. Seus olhos fortemente delineados demonstravam medo quando um homem grande lhe pegou pelo braço. Os seguranças da boate se aproximaram, mas Lucas chegou primeiro.

_Solta ela! – ele gritou, chamando a atenção do homem que estava totalmente bêbado.

Ele não soube de onde veio tanta coragem, talvez aquela adrenalina fosse efeito da droga também.

Eduarda olhava assustava para o rapaz que se aproximou, ainda tentava soltar seu braço da mão grande do homem. Os dois começaram a discutir, mas ela não conseguiu se concentrar nas palavras. O homem a soltou com força a fazendo cair sentada no chão. Só conseguiu vê-lo avançando contra o rapaz claramente alterado.