Notas iniciais
Esse capítulo (o melhor capítulo, na minha opinião) vai pros meus novos leitores :33

–Chegamos. – disse Josh. Ele abriu a porta, desceu do carro e abriu a porta de traz, do lado contrario que estava Leah. – Leah! Acorde. Acorde e venha.

A garota abriu os olhos e olhou rapidamente para o Anjo, depois olhou para fora. As árvores eram as mais altas que ela já havia visto. Tinham a altura de enormes arranha-céus, e em grande diversidade. Quando foi que saíram da cidade e foram parar no bosque da Branca de Neve?

Assim que saiu do carro coçou os olhos e bocejou. O jeito que se encostara na porta do carro enquanto dormia deixou seu pescoço dolorido. Olhou para baixo eu viu que o chão era de asfalto.

–Onde estamos? – perguntou ela.

–Na casa de um velho, e bota velho nisso, amigo da sua mãe. – Respondeu Rick.

–Quem?

–Você vai ver. – respondeu Josh com um sorriso torto.

Então eles foram até uma casa muito bonita do outro lado da rua, com paredes externas azuis e um acabamento em volta das janelas e portas que dava à casa uma aparência delicada. Bateram à porta, e depois notaram que havia uma campainha, que Leah tocou. Em menos de meio minuto depois lá estava aquele homem de 1,90 de altura e 1,25 de ombro abrindo a porta. Ele era um armário! Tinha a pele negra, olhos castanhos, e não tinha cabelos. Ele parecia ser um homem muito rígido, severo, mas assim que olhou para Josh escancarou a boca num sorriso assustador – pelo menos era assustador para Leah – e disse animadamente:

–Josh Carter! Há quanto tempo não nos vemos, campeão? – os dois se abraçaram, e Josh perto do armário em pessoa parecia um anão. Ele tomou a palavra.

–Há muito tempo Eliot! Escute. Precisamos de sua ajuda. – Ele fez uma pausa e depois se lembrou: — Oh. Onde eu estava com a cabeça. Gente, esse é meu amigo Eliot Armandez. Eliot, esses são meus amigos, Richard Smith, e... Bem, você vai achar o nome dela familiar; Leah Tompson.

Eliot arregalou os olhos e se virou para a garota que estava sem reação. Ela abriu a boca para dizer algo, mas desistiu e engoliu em seco as palavras. O armário se aproximou dela e tomou seu rosto em mãos – ela se sentiu tão pequena e indefesa quanto antes, quando ele havia aberto a porta. O homem soltou uma gargalhada estrondosa, que fez os ouvidos dela apitarem.

–Eu não posso acreditar! – disse Eliot maravilhado – Você é filha de Madeleine? A Madeleine?! – O jeito com que ele falou “A Madeleine” fez Leah querer mentir e dizer que não, mas não o fez. Assentiu com a cabeça e olhou de soslaio para Rick, ele estava segurando a risada com a mão na frente da boca. –Oh meu Deus! Por favor, entrem vocês todos. Com certeza precisamos conversar.

Aquele ar de ameaça que Leah sentiu quando viu Eliot abrir a porta sumiu completamente quando começou a conversa com ele. Ao contrario do que a pequena garota havia pensado a primeira vista, o grandão era um cara gentil e atencioso. Conheceu a família Armandez, sua esposa Karoline e seu filho de nove anos Pedro. Todos eles eram altos e de pele morena, a única diferença eram os olhos. Karoline assim como Angélica tinha heterocromia – isso deveria ser mais comum do que Leah imaginava entre os seres Celestiais –, um olho castanho e o outro verde. E o menininho tinha olhos verdes.

A esposa e o filho não ficaram muito tempo lá com eles; se retiraram do cômodo para deixa-los conversarem em paz. Então, Eliot perguntou como estava a mãe de Leah – Josh explicou a ela que o grandão era amigo de Madeleine quando eles eram jovens, o que era relativo já que a idade dos anjos era diferente da idade dos humanos – e eles começaram a explicar tudo o que havia acontecido com Madeleine e Leah desde que os anjos conseguiram acha-las. Eliot escutou tudo com muita atenção e depois que eles terminaram de explicar tudo ele respirou fundo e disse:

–Sinto muito pela sua mãe, garota. Como posso ajudar vocês?

–Precisamos de um lugar para nos esconder por um tempo e planejar o que vamos fazer para salvar Leah e a mãe dela. Por favor. – pediu Josh.

–Tudo bem, vocês podem ficar aqui. Mas não por muito tempo, porque eu não quero por minha família em perigo. E também não vou deixar que vocês, crianças, vão atrás da mãe de Leah sozinhos sendo que ela está nas mãos dos Arcanjos. Eles podem e vão matar vocês, sem cogitar. – Os três se entreolharam e aceitaram o que Eliot tinha determinado.

–Está bem. Muito obrigado. – Respondeu Leah pelos três.

–Vou pedir para que Karoline arranje quartos para vocês. Se importam em dividir um quarto? – perguntou Eliot. Todos negaram, alegando não se importarem.

***

Mais tarde quando descobriram que havia apenas dois quartos vagos na casa de Eliot, os três discutiram sobre quem dividiria o quarto com quem. E por fim decidiram de forma madura o que iriam fazer: Jokenpô.

Leah e Josh iriam dividir o quarto.

–Não foi dessa vez, Josh meu amor – disse Rick fazendo beicinho – quem sabe da próxima a gente não possa... Você sabe. Consumar o nosso amor.

Josh revirou os olhos e eles riram. Foram conferir seus quartos. O quarto de Josh e Leah era simples, mas sem deixa de ser bonito. A luz era boa para ler, as paredes eram salmões, tinha um guarda-roupa, uma janela que dava para a frente da casa e... Uma cama de casal! Quando disseram que alguém teria de dividir o quarto eles não imaginaram que teriam que dividir a cama também. Leah, com a ponta dos dedos, puxou os cabelos soltos do rabo de cavalo para traz da orelha, e olhou para Josh que estava de olhos arregalados focados nela. Ela corou.

–Eu... posso dormir no sofá se você preferir... – disse Josh totalmente sem graça e encabulado.

–Não, não. Imagina! Você pode ficar. Hã... – ela não sabia o que dizer. Colocou as mãos no rosto para esconder suas bochechas totalmente vermelhas e quentes. – Tudo bem. Eu não ligo.

Era mentira. Leah nunca tinha dividido a cama com nenhum garoto. Mas era apenas para dormir, então ela decidiu que não havia problema.

Josh se sentou no lado direito da cama macia. Tirou os coturnos, colocou a lâmina – que Leah não tinha notado que estava com ele desde quando estava na casa de Rick – pendurada na cabeceira da cama, e suspirou. Leah sentou do outro lado da cama e não tirou os seus tênis, não queria ficar descalça já que era visita, e estava lá de favor. Ela notou que sua blusa estava um pouco suja de sangue seco e levantou-a para ver como estavam as faixas que enrolavam seu corpo. A ferida não doía mais e parecia não estar sangrando. Mesmo assim não arriscou remover as faixas.

Ela parou para pensar o quanto Josh deveria estar cansado. Carregara ela até a casa de Rick, lutara com o Anjo que quase a matou. Ele realmente estava cuidando dela. Cuidando de uma desconhecida. Dentro dela, sentiu algo muito forte. Algo bom que veio de repente. Gratidão, talvez? Era uma ligação repentina com Josh. Ela sentiu vontade de abraça-lo e se reconfortar em suas asas, assim como no sonho. Mesmo sem conhecê-lo direito, ela confiava nele cegamente e sabia que ele estaria ao lado dela nos próximos dias. Porque ela tinha esse desejo tão grande de tocar nele? De pegar sua mão e beijar cada nó de seus dedos? Da onde veio todo esse sentimento, por alguém que conheceu há horas atrás? Ela não sabia, mas era uma vontade intensa.

Rick foi ao seu quarto e viu a cama de casal. Ele ia ter uma cama de casal apenas para ele, mas mesmo assim não estava feliz. Queria ter ficado ao lado de Leah. Estava irritado e quando se sentou pensou que Leah e Josh também deveriam ter uma cama de casal igual à dele. Ficou nervoso e cogitou em ir lá e bater no Anjo. Ele que não tinha a obrigação de estar ajudando Leah, um Elfo que não tinha absolutamente nada a ver com aquela história toda e estava arriscando sua vida por ela, ele queria ser recompensado por aquilo. O Anjinho só por que tinha lutado com o quase assassino de Leah havia ficado no quarto junto com ela. Não era justo.

Quando Leah não estava falando com ninguém na sala de aula ele estava lá. Ele sabia que ela também gostava dele. O jeito como o olhava, como falava com ele. Então porque não ir falar com ela? Ele se decidiu. Iria falar com ela, dizer que gostava dela e... E o que? Perguntar se ela queria dormir com ele? Não pareceu uma boa ideia. Ele deixou tudo isso para lá. Deitou a cabeça no travesseiro confortável e sentiu uma lágrima de raiva escorrer pelo seu rosto. Fechou a mão em punho e bateu na cama.

Eram 11:00 da manhã. Eles todos tinham ficado no quarto o tempo todo. Uns descansando, outros conversando. Karoline estava sendo muito benevolente para com os visitantes e preparou um almoço maravilhoso para todos.

Rick não saiu do quarto depois do almoço. Mas os outros passaram a tarde no quintal de Eliot conversando e se descontraindo. Era um quintal imenso, com um playground e árvores frutíferas. Pedro estava subindo em uma árvore e os pais dele estavam ajudando-o. Josh e Leah se deitaram no gramado e observaram as nuvens, imaginando com o que elas pareciam. Ele olhava para ela frequentemente pelo canto do olho para vê-la sorrir. Ela gargalhou quando ele disse que “uma nuvem parecia com uma nuvem, oras”, e ela retrucou dizendo que ele não tinha imaginação. A gargalhada dela era harmoniosa aos ouvidos. E aquele sorriso de quem parecia ter usado aparelho por anos, mas quando ele perguntou a ela, sempre respondia que nunca havia usado. Sortuda ele pensava. E olhando para ela enquanto observava as nuvens ele dormiu. Assim que Leah notou deu-lhe um beijinho na testa e tirou-lhe os cabelos dos olhos. Tão belo. Tão sereno. Com certeza parecia um Anjo. Leah foi para dentro da casa de Eliot e pegou um livro, voltando lá para o quintal e se sentando ao lado do Anjo. “Água para elefantes” o nome do livro. Um romance que começava com rapaz fugindo de sua vida na cidade agora que seus pais haviam morrido, não tinha mais casa e nem dinheiro para pagar a faculdade. Ele fora para o circo e começara uma nova vida.

Até a hora do jantar Leah ficou lendo e, hora ou outra, olhando Josh dormir. O jantar estava tão maravilhoso quanto o almoço. Karoline cozinhava muito bem.

–Amor, pode emprestar umas roupas limpas para Leah usar? – perguntou Eliot.

–Claro. – Respondeu Karoline – Leah, querida, venha comigo.

Elas foram para o quarto do casal Armandez, e quando Karol abriu o guarda-roupa estava incrivelmente cheio de todo tipo de peça; desde roupas para ficar brincando com o filho de nove anos no quintal, até vestidos para usar em bailes de gala. Leah ficou meio desconfiada de que as roupas de Karol não servissem nela, pois a senhora Armandez tinha um corpo esbelto e cheio de curvas, já ela nem tanto.

Leah ficou surpresa a principio quando Karol disse que não usava pijama, mas depois a menina se lembrou de ela era casada... Leah disse que se contentava com qualquer coisinha que servisse nela, então acabou ficando com um short e uma camiseta que por acaso haviam sido achados ali no meio de tanta roupa.

–Se precisar – disse Karol – tem algumas coisinhas na ultima gaveta do guarda-roupa que você pode precisar.

–Muito obrigado.

Leah se dirigiu ao banheiro, para tomar banho, lavando seus cabelos suados, e tirando as faixas que a enrolavam. O ferimento já parara de sangrar e de arder. Assim que ela estava saindo do Box alguém abriu a porta. Ela pegou a toalha, mas se enroscou toda de vergonha e pressa que acabou a deixando cair, tendo que tampar... Tudo... Com as mãos. Era Rick que entrara no banheiro, e agora ele estava ali parado de boca aberta olhando para Leah, totalmente paralisado. Leah gritou “AHHHHHHH! SAI DAQUI!”, mas ele não moveu um músculo. Ela voltou para o Box, pegou a toalha, se enrolou e depois foi empurrando ele para fora do banheiro, xingando-o de todos os nomes possíveis. Ele gargalhou. Ficou rindo do lado de fora do banheiro, enquanto ela se vestia e depois saía de cara amarrada. Riu tanto que seus olhos lacrimejaram e sua barriga e bochechas doeram. Ele entrou no banheiro e foi tomar seu banho.

Leah foi para o quarto e viu que Josh estava lá. Parou na porta, respirou fundo e entrou. Era normal para ela usar short, mas perto dele parecia que era diferente. Josh olhou para ela e tentou disfarçar – fracassando – que estava abobalhado. Realmente as pernas de Leah eram lindas. Compridas, torneadas, nem grandes, nem pequenas, do tamanho certo. Ele assobiou e disse um longo:

–Uaaaaaaaaau!

Mais uma vez, Leah fez-se cor de pitanga e se sentou na cama, pondo as pernas embaixo do lençol para escondê-las. Josh soltou uma risadinha e fez menção de que ia sair do quarto, mas Leah o interrompeu.

–Se estiver indo tomar banho desista. Rick está lá.

–Droga! – exclamou ele – Qual foi o motivo de toda aquela gargalhada sinistra dele?

Leah não queria dizer. Estava ficando vermelha só de lembra da cena, imagina se contasse para ele. Mas mesmo assim ela disse o que tinha acontecido, e achou que Josh ia ter a mesma reação de Rick: rir. Mas não foi isso o que aconteceu. O rosto dele se fechou, como uma tempestade que chega de repente. Ele tentou não ficar daquele jeito, tentou voltar ao normal, mas não conseguiu então saiu do quarto, ignorando os chamados de Leah.

Ela foi atrás dele enquanto ele saía da casa e ia para o quintal. Sem mais se importar com o shortinho e ainda descalça, andou pelo gramado e viu Josh sentado no balanço. Ela sentou no segundo balanço e ficou olhando para ele. Seu cabelo estava bagunçado e colado na testa suja e suada. Estava sério olhando para baixo e não disse uma palavra.

–Josh, o que deu em você? – Leah quebrou o silencio.

–Nada. Só me irritei um pouco. – falou ele lentamente. Ela ficou sem palavras, então mudou de assunto:

–Vamos entrar? Está frio aqui.

–Vamos sim. – ele curvou seus lábios, mas tão fracamente que não chegou a ser um sorriso. Ela se levantou do balanço e pegou a mão dele, como queria ter feito àquela manhã. Puxou-o para dentro da casa e ele foi tomar banho.

Quando entrou no quarto viu que Leah estava lendo. Se sentou vagarosamente na beirada da cama ficou observando-a. Estava tão linda. Com um coque no cabelo castanho ainda úmido com alguns fios soltos.

–Não me leve a mau – disse Josh –, mas eu gostaria de dormir, e eu não consigo quando a luz está acesa. Por favor.

–Ah. Claro, desculpe. – Leah apagou a luz e se ajeitou para dormir.

Ficou um silêncio incrível, mas Leah não conseguiu fechar os olhos.

–Leah? – sussurrou Josh.

–Estou acordada. – ela respondeu.

–Você está sentindo o mesmo que eu?

Do que ele está falando? Será que...

–Sentindo o que?

–Leah – ele disse rapidamente – quero te beijar. Mas não queria se você não quisesse, queria que você quisesse também. Entende? Você também quer?

Leah então virou para o lado e acendeu a luz, em seguida olhou para Josh. Seus olhos estavam brilhando de esperança, e mãos dele estavam entrelaçadas uma na outra. Ela ficou olhando fixamente nos olhos dele, esquecendo novamente de que o mundo existia. Queria agora mais que tudo tocar em seu rosto e sentir a macies de sua pele, sabendo que Josh queria o mesmo. Ela separou as mãos dele uma da outra, e segurou-as. Ele pegou uma das mãos dela e colocou em seu próprio pescoço, depois segurou na cintura dela, ainda deitados na cama, os lábios dele encostaram-se nos dela, e tão logo estavam em um beijo apaixonado e perfeito. Não foi babado demais, nem seco demais. As mãos dele estavam firmes na cintura dela e ela sentiu que podia mergulhar naquele momento se esquecendo de todo o resto. Ela enfiou seus dedos esguios no cabelo de Josh, e segurou-os. Aquele beijo durou apenas mais que um momento. Mas se repetiu. Várias vezes.

A perna dela se enroscou na dele, e quando pararam de se beijar resolveram ir dormir. Ela deitou sua cabeça – cabelos com o coque já desfeito – no peito dele. Estava sem camisa, ela notou. Com a mão acariciando o cabelo dela, eles dormiram. No calor dos braços um do outro.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.