Fogo
1 Capítulo 1 – Negando ajuda
Sou uma moça sem recato
Desacato a autoridade e me dou mal
Sou o que resta da cidade
Respirando liberdade por igual
– Merda! – praguejou a garota em voz baixa.
Eram duas e meia da manhã e Manuela podia jurar que sua cabeça ia explodir. Sua visão estava embaçada e seus sentidos quase entorpecidos. Ela andava com dificuldade pela calçada, pensando em um modo de adentrar – ou invadir, se fosse preciso – a casa, sem que acordasse os próprios pais.
A loira piscou os olhos e recuou alguns passos, fitando com os olhos verdes estreitos a janela do próprio quarto. Ela tinha deixado uma escada ali, ela tinha certeza. Não estava ficando louca nem nada do gênero: ela realmente colocou a porra da escada ali. Mordeu com força os lábios, passando as mãos pelos cabelos. Poderia entrar pela porta da frente, sem sombra de duvidas... Se estivesse com a maldita chave. Voltou a praguejar.
Porra! Pensou aborrecidamente. Como ia entrar dentro de casa? Rapidamente, olhou de soslaio para a casa ao lado da sua, suspirando fundo. Voltou a passar as mãos pelos cabelos. Por que infernos os Albers tinham que ser seus vizinhos? Por que? Será que Deus já não achava castigo o suficiente o fato dela ser da mesma sala de aula do Vinni? Irrompeu os próprios pensamentos ao perceber que estava sendo observada.
O maldito loiro observava-a, da janela de seu quarto com um sorriso desdenhoso e cínico nos lábios.
– Esqueceu a chave, Lohmann?
Ela mandaria ele tomar no cu. Se, infelizmente, não estivesse precisando da ajuda do mesmo.
– Sim. – ela bufou. Estava bêbada mas não o suficiente para se deixar iludir, com a idéia de que Vinicius iria ajudá-la. – Eu preciso que você me ajude. – ouviu-se dizer. Ela estava ansiosa e agitada.
– Por que eu a ajudaria? – replicou o mauricinho, mordendo um pedaço da maçã. Ela estreitou os olhos.
– Porque se não o fizer, eu vou atear fogo em você. – dissera acida. – Por favor. – ela estava vendo três Vinicius e seu estomago começou a reagir, agitando-se de maneira desagradável.
Ele riu.
– Eu acho que não. – e fechou abruptamente as cortinas, dirigindo-se até sua cama. A loira ficou paralisada, com os olhos arregalados. Por que infernos ela ainda tinha esperanças?
Era uma completa imbecil, pensou desgostosamente, enquanto pensava numa forma de entrar em casa sem fazer barulho. Seus pais tinham o sono leve, o que a fazia descartar imediatamente a idéia de entrar pela porta dos fundos... Bufou novamente. Ela não tinha saída.
Ou será que tinha? Um sorriso malicioso surgiu nos lábios da loira. Ela sabia onde os pais do desagradável Vinni guardavam a chave. Era tão pateticamente óbvio, que ela se xingou mentalmente por não ter pensado naquilo antes.
---X---
Vinicius estava agarrando-se ferozmente com uma garota, quando a porta de seu quarto fora violentamente aberta. Ele sobressaltou-se, exatamente como a líder de torcida.
– Ei! – ele gritou, enfurecido ao ver Manuela ali. A gótica de cabelos dourados sorriu-lhe falsamente e andou em direção a janela lateral dele, que ficava de frente para a sua. Havia uma arvore separando as casas, o que servia para facilitar ainda mais a vida da garota. – O que pensa que está fazendo, imbecil?
– Ah por favor, Albers. – ela revirou os olhos ao ver que ele estava se cobrindo. – Não tem nada ai que eu já não tenha visto antes. – e piscando marotamente para a ruivinha anoréxica que estava ao lado do marrento, voltou sua atenção para a janela, abrindo-a o máximo possível e então, passando a perna esquerda para fora e apoiando-se no galho da arvore. Repetiu o movimento com a outra perna e, quando dera por si já estava dentro do próprio quarto. Ainda sorrindo descaradamente para o mauricinho de olhos amêndoas, ela exclamou.
– Era mais fácil você abrir porta, não é mesmo Albers? – e então fechou a janela apressadamente. Não queria mais ter de encarar aquela visão infernal.
Dentro do quarto, o playboy da família Albers tinha uma expressão de puro ódio estampada na face. Esqueceu-se completamente da chave debaixo do tapete. Caralho!
– Hm...Vinni? – a garota ao seu lado, chamou-o timidamente. Suas bochechas estavam coradas, sua respiração descompassada e definitivamente ela não queria que aquilo tivesse fim.
Ele piscou os olhos e voltou a encará-la, sorrindo maliciosamente.
– A onde é que eu estava? – e sem mais, voltou a beijá-la ardentemente.
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