Fobias

26 Vizinha


Notas iniciais
WTH de Nyah novo, to toda perdida nessa budega meu @_@ Desculpa quem gostou, mas eu odiei o novo Layout u_u Estamos de sinopse nova minha gente /o/ {a antiga tava podre, pode falar~} Perdoem a demora, quem acompanhou-me por conversas sabe que o Nyah bugou o texto do nada e esperei pra ver se passa x_x Agradecimento especial à minha grande amiga Mah que deu a idéia do capítulo~

Depois de passar quase toda a meia hora do intervalo limpando a carteira, gastando uma de suas infinitas caixinhas de lenços úmidos, Tomás sorriu para sua obra-prima. Comparado às outras mesas imundas da sala, a do ruivo estava limpinha, sem borrões de lápis, nem mensagens de canetinha, praticamente brilhava.

Mas a felicidade dele acabou quando Daren chegou na sala encharcado e com a barra da calça, mãos, rosto e mochila sujos de lama. Ele estava visivelmente cansado, topando com as mesas até chegar na de Tomás e jogar a mochila ali em cima.

-Não! Minha limpeza! Agora está cheio de germes! –o ruivo choramingou.

-Nossa Daren, você tá acabado. –Sarae comentou.

-Obrigado. –o garoto rosnou.

-E chegou só no intervalo, o que houve? –Idan perguntou se aproximando do namorado.

-A casa vizinha aconteceu!

-Aquela velhinha simpática? –Alec se meteu na conversa.

-Não, é a do outro lado da rua. –Daren suspirou cansado, limpando as mãos na blusa- É uma família que estava de mudanças e estava marcado pra semana passada, mas mesmo com a casa vazia, eu fico ouvindo uns sons vindos de lá e não consigo dormir.

-Uh, uma casa mal assombrada! –Naehe brincou.

-E o que tem a ver com o seu estado? –Idan disse puxando levemente a manga encharcada.

-Eu virei a noite acordado e só consegui dormir dentro do metrô –ele contou, também dizendo que foi o pior dia para pedir pra mãe pra ir sozinho para a escola-, mas quando acordei eu já tava no ponto final, do outro lado da cidade!

-Isso é que é sorte hein? –Alec disse enquanto empurrava a mochila de Daren de cima da mesa de Tomás, para que o ruivo pudesse recomeçar a limpeza.

-Nem brinca! –Daren continuou- E começou a cair o maior pé d’água enquanto eu vinha correndo pra escola, eu tropecei em tanta poça que fiquei todo sujo!

-Vem, vamos à enfermaria. –Idan puxou o braço dele- Lá tem blusas novas, e tem que ver se você não ficou resfriado.

-Ah, eu vou também! Dar a desculpa de que estava acompanhando vocês na enfermaria é uma boa pra fugir da aula de música. –Alec riu.

-Epa, é aula de música? Eu vou com vocês também. –Naehe seguiu os três.

-Vocês realmente usam qualquer desculpa pra faltar às aulas, não é? –Sarae olhou-os desapontada.

-Até parece que não quer vir com a gente. –Idan disse sorrindo.

-Se vocês podem, eu também quero. –Sarae cedeu e olhou Tomás, que olhava tristemente sua mesa- Vem também?

-Uhn, sim, lá é perto da sala do zelador, aí eu pego um desinfetante... –o ruivo se levantou e foi com eles.

-Ele está um pouco quente, mas não é nada grave. –a enfermeira disse tirando a mão da testa de Daren com cuidado.

-Obrigado. –Daren disse assoando o nariz.

-Ah, que bom, nós ficamos tão preocupados que ele ficasse doente! –Alec disse num tom dramático abraçando Daren- Não é Naehe?

-Uhn? Ah, claro! –ela disse no mesmo tom- Não poderíamos permitir que acontecesse alguma coisa à ele.

“Na verdade eles só queriam uma desculpa pra faltar à aula”, Daren afirmou em pensamento, suspirando.

-Agora vou ir pegar roupas secas e ver se aquele garoto achou o desinfetante que queria. –a enfermeira disse saindo da sala.

Um silêncio pairou por uns instantes.

-Alec, larga do Daren. –Idan disse de cara feia.

Rindo, o veterano soltou o meio-alemão, que logo foi abraçado por seu namorado. Depois de ser chamado de ciumento por Sarae, o loiro só ficou mais emburrado.

-Bem... Então, o que faremos? –Alec perguntou sentando-se no sofá branco da enfermaria.

-Hein? –os outros quatro se perguntaram.

-O que faremos a respeito da casa vizinha do Daren? –Alec alargou a pergunta- Se isso ficar acontecendo muito pode ser um problema não é?

-E desde quando isso é um problema nosso? –Naehe perguntou bufando.

-Desde que vocês “ficam tão preocupados que ele fique doente”. –Idan zombou.

-É, não é? –Sarae olhou Naehe segurando o riso.

-Droga.

Ficaram conversando, por um longo tempo até. O mais repetido som era o dos espirros de Daren, que murmurava pedidos que a enfermeira voltasse logo com a roupa, pois aquela molhada o fazia tremer de frio.

Deduziram que a casa podia ser mal assombrada, e decidiram que depois da aula tinham que ir descobrir o que era.

A porta da enfermaria se abriu devagar, e Tomás entrou com o desinfetante e a muda de roupas para Daren. Abriu a boca para falar que a moça tinha ido atender um aluno que passava mal, mas foi interrompido antes mesmo de começar.

-Nós vamos investigar uma casa mal assombrada depois da aula, então não fuga! –Alec disse apontando para o ruivo que, assustado, só conseguiu dizer “... Hein?”.

-Desde quando somos detetives? –Daren perguntou emburrado. Estava de braços cruzados encarando a casa, sem a mínima vontade de entrar.

Tomás estava preparado, usando luvas de borracha, máscara que tapava o nariz e boca, e com um avental branco.

-Que droga é essa, Tom? –Sarae olhou o garoto.

-Sabe-se lá o que tem de sujeira dentro dessa casa! Tenho que estar preparado. –o ruivo disse, com a voz abafada pela máscara.

-Mas eles se mudaram só a uma semana atrás, não é como uma casa abandonada de filmes de terror. –Idan disse apontando a casa, que só tinha marcas de sujeira aqui e ali, além de pichações em umas partes da parede de entrada.

-Prefiro não arriscar. –Tomás disse tirando um borrifador cheio d’água de dentro da mochila.

-Vamos logo, estou curioso pra saber o que tem aí. –Alec disse se aproximando da porta e agachando na frente do tapete azul de “Bem Vindo”- Você disse que eles guardam a chave aqui né?

-Sim, e faz uns dias que eles deixam uma aí escondida, só não sei por quê. –Daren disse pegando a chave- Já que eles se mudaram, deviam levar a chave.

-Tem cada doido nesse mundo, nem adianta falar nada. –Sarae disse tirando a chave das mãos de Daren e abrindo a porta.

A garota adentrou a casa, ligando as luzes que piscavam fracas.

-Espera aí Sara! A gente vai também! –Naehe entrou correndo atrás dela, seguida pelos outros quatro.

A sala era muito espaçosa, principalmente porque quase não tinham mais móveis, somente as marcas mais claras nas paredes e chão. Os seis caminharam e olharam cada canto da sala.

Nada. Estava somente um pesado silêncio. Então um som de passos vindos do segundo andar abriu espaço para outro som. Uma música meio que descompassada, mas era alta, bem alta. Algo como Dance of the Sugar Plum Fairy numa versão falhada.

-Ah droga, é esse som. Essa coisa não me deixa dormir de noite. –Daren disse tapando seus ouvidos, mas o som era muito alto.

-É o fantasma da ópera! –Tomás disse no desespero.

-Que fantasma da ópera que nada Tom. –Alec olhou-o rindo- Não imagine coisas.

-Ah! Para! –Naehe tapou os ouvidos e abaixou a cabeça- Para a música!

-Naehe...! –Alec olhou a garota e apontou a porta- É melhor você ficar lá fora.

Ela assentiu e correu para fora, fechando a porta com um estrondo. Mas ainda ouvia a música, o que a deixou mais assustada.

-Vamos logo ver o que é. –Sarae disse subindo as escadas junto de Alec.

As escadas eram poucas até o segundo andar, que tinha um corredor pequeno e vazio. Após abrirem quase todas as portas possíveis, perceberam que lá só tinham antigos escritórios, possíveis quartos agora vazios e um banheiro que estava até arrumadinho.

A última porta estava entreaberta, era a do final do corredor. De lá saía a música extremamente alta.

Era um quarto simples e semi vazio. Uma cama no canto tinha uma sombra acima de si. A música parou subitamente.

-Quem são vocês? –perguntou uma voz.

Quando a pessoa que estava ali ligou a luz perto da cama, enxergava-se uma garota de curtos cabelos pretos, que tinha uma longa mecha maior que o resto do cabelo pintada de vermelho. Ela vestia um vestido simples branco.

-Quem são vocês? –repetiu assustada.

À sua frente tinha repousada uma delicada caixinha de música rosa e branca. A caixa estava aberta, com uma linda bailarina de porcelana na ponta dos pés. A porcelana era velha, por isso a boneca tinha rachaduras e falta de umas peças.

-Você... É o garoto daqui da vizinhança. –a menina olhou para Daren, apontando-lhe o dedo trêmulo- O que querem aqui? Saiam da minha casa!

Os cinco olhavam-na meio que espantados.

-Você tinha se mudado a uma semana, Taísa. –Daren disse meio confuso-... Não tinha?

-N-Não... Não fale de mudanças! O que fazem aqui!?

Sons abafados de passos apressados nas escadas chamaram a atenção dos seis para a porta aberta.

-Saiam do quarto dela, saiam! –a voz de Naehe parecia se aproximar cada vez mais.

-Quer dizer que ela tem Antropofobia¹ e Tropofobia²? –Alec perguntou curioso.

Os seis estavam na sala de estar alguns sentados no único sofá dali e outros de pé. Um casal estava de pé perto deles e explicaram tudo do ocorrido.

Taísa estava atrás de seus pais, abraçada à mãe.

-Sim, ela não quer se mudar daqui por nada. Faz uma semana que tentamos convencê-la, mas mesmo com até a venda da casa agendada ela insiste em ficar. –a mulher disse enquanto acariciava os cabelos da filha.

-E nos desculpe pelo som alto Daren, mas ela tem essa caixa de música desde bebê, e agora que está quase quebrada o som sai desse jeito. –o pai disse apontando a caixa que Taísa segurava.

Naehe e Daren não pareceram satisfeitos com as desculpas, mas Sarae foi mais rápida em responder.

-Não tem problema, nós que pedimos desculpas por sair entrando na casa de vocês. Não é pessoal? –ela se virou com um sorriso forçado, que fez os outros assentirem.

-Sim, isso foi realmente inesperado, e deve ter assustado a Taísa. –Tomás disse olhando para a garota, que ao perceber seu nome na conversa, se escondeu atrás da mãe.

Logo na porta aparecem os pais de Daren, com expressões furiosas fuzilando o filho com o olhar.

-Daren. –os dois chamaram sérios.

-Vai sobrar pra mim. –ele disse suspirando.

No dia seguinte lá estavam os seis de novo na enfermaria, mas dessa vez era Idan que tinha escorregado numa poça, caído e machucado o braço. Ou pelo menos foi isso o que disseram para matar a aula.

-E no final não é que conseguiram convencer ela a se mudar? –Alec disse animado- Uma pena que talvez não a vejamos mais.

-Uma pena que eu fiquei um mês de castigo por invadir a moradia do vizinho. –Daren falou emburrado.

-A coitada tinha só quatorze anos e já tinha duas fobias. –Sarae disse com pena.

-É, mas pelo menos não vou precisar ouvir aquela música horrível de novo. –Naehe disse massageando a cabeça.

-Então tiremos uma conclusão dessa coisa toda. –Idan disse cutucando o remédio que a enfermeira passou no seu braço- Nunca mais iremos invadir a casa alheia. Combinado?

-Combinado. –os outros disseram sorrindo.

¹ — medo de pessoas ou da sociedade.

² — medo de mudar ou fazer mudanças.

Notas finais
Pronto Vicky, agora pode parar de me ameaçar ;-; -medo