Fobias

1 Primeiro Dia de Aula


Notas iniciais
Olá leitores! Espero que gostem dessa história, ela me veio na cabeça quando eu estava fuxicando a lista de fobias na wikipédia, hehe.

Ah, o primeiro dia de aula. Pode ser uma grande decepo voc olhar para o calendrio e ver que no poder mais dormir tarde, nem ir com os amigos para qualquer lugar sem ter que se preocupar com lio de casa. Mas animador rever os amigos de turma, incomodar os professores, explodir coisas na aula de qumica dentre outras coisas que s se faz no colgio mesmo.

O colgio tambm uma boa opo para voc, que tem um pai ou me super protetor e que no te deixa fazer nada. Nada melhor que burlar as leis no prprio local de ensino, no?

O porto do colgio estava lotado de pessoas. Crianas, adolescentes, professores. Alguns solitrios, outros em grupos, outros em casais. Cada um se distraa de um jeito diferente. Uma figura um tanto peculiar vagava na multido e, pelo incrvel que parea no se destacava tanto.

O garoto usava uma capa preta que cobria-lhe da cabea at a cintura. Ele correu at uma rea debaixo da sombra de uma rvore, onde o forte sol no podia queim-lo. Aquela tranqilidade durou pouco, quando o sinal tocou todos se agitaram mais ainda. O estranho da capa foi quase arrastado para dentro do grande prdio principal do colgio pela multido de alunos.

Foi uma confuso s para os inspetores dividirem os alunos nas turmas. Aquela multido pra l e pra c demorou mais ou menos meia hora para ser domada. Ento, finalmente, todos estavam indo calmamente leia-se correndo feito animais- para suas respectivas salas.

Uma das que mais deu briga para organizar os alunos foi a turma 2-C, segundo ano C. Muitos no concordavam com a separao dos alunos, rolaram at uns socos entre inspetor e aluno, mas nada sangrento.

Enquanto alguns alunos insatisfeitos brigavam l fora, o resto da turma conversava, esperava, ou fazia outras coisas. Dentre estes, cinco sero principalmente fitados nesta histria.

A primeira era uma garota que estava sentada do lado de uma janela, olhando para o lado de fora, pensativa. Ela tinha os cabelos castanhos claros, olhos amarelados, ela magra e parecia ser alta. Esta, caro leitor, Naehe.

O segundo, Alec, tinha uma cabeleira preta e pouco longa, seus olhos eram cinza claros. Tinha olheiras profundas nos olhos, estava com a cabea deitada na carteira e repetia vagamente eu no quero dormir, eu no consigo dormir, eu no vou dormir..

Idan, o terceiro, estava de p, abrindo uma das maiores janelas da sala e se sentando na carteira mais prxima dela. Sorria ansioso pelas aulas, tinha um belo sorriso. Seus cabelos eram uma mistura de castanho claro e loiro e seus olhos, verdes.

Sarae era a quarta. Estava numa carteira do meio da sala, no parecia muito amigvel. Seus longos cabelos pretos estavam presos um frouxo rabo de cavalo com um lao roxo. Ela era um pouco mais baixinha que o resto dali e tinha belos olhos bem azuis. Estava agarrada a um bicho de pelcia preto, este com um rostinho fofamente diablico.

O quinto chegou correndo, saindo na pressa do meio da multido. Usava uma capa preta que cobria-lhe principalmente o rosto. Sentou-se na carteira mais afastada e no canto mais escuro da sala.

Ao se ver livre do sol escaldante, tirou a capa, relevando longos cabelos castanhos escuro. Seus olhos eram em azuis bem claros. Tinha uma pele incrivelmente clara tambm. Ah, sim, este Daren.

Mais uns minutos se passaram, e nada do professor. Idan desenhava numa folha de caderno, enquanto aproveitava a bela vista do andar do colgio — ok, nem to boa assim. Daren se sentiu incomodado com aquela forte luz invadindo a sala.

Ps a sua capa e, tomando cuidado para estar protegido pelas cortinas da sala, se aproximou da janela e fechou-a brutalmente. Idan levou um susto e olhou para o garoto.

-O que est fazendo?

-Fechando a janela, oras. ele respondeu impaciente.

-Por qu?

-No gosto da luz, est muito forte.

Ao dizer isto, voltou para sua carteira. Todos desviaram suas atenes para os dois. Alguns riram e um grupo do canto da sala chamou Daren de vampiro, arrancando mais risadas do resto da turma. Bem, menos dos cinco.

Daren se sentou e abaixou a cabea. Alec, que olhava-o como o resto da turma, virou a cabea para a janela e fechou a cortina. Isso chamou a ateno de alguns alunos.

-O que houve? perguntou Daren, olhando Alec.

-U, voc no acabou de dizer que no gostava do sol? ele sorriu.

-Ah, sim... Obrigado.

-De nada.

Os alunos que faziam piadinhas com Daren pararam e olharam Alec. Este os olhou com uma expresso um tanto assustadora. Ento o silncio voltou.

O relgio acima do quadro negro marcava uma e quarenta e seis da tarde quando o professor de cincias entrou na sala, com o olho direito roxo e puxando um aluno pela gola da camisa. Muitos alunos da sala suspiraram tristemente, j que iria comear a aula. Outros riram da cara do professor e uns nem se importaram com sua chegada.

-Bom dia, meu nome George, sou o professor de cincias de vocs. ele disse, escrevendo o nome no quadro.

-No teremos aulas de qumica, fsica e biologia, em vez de cincias? perguntou uma garota que sentava na frente.

-Sim. Eu vou dar todas essas aulas. o professor tentou sorrir simpaticamente- Fica mais fcil dizer s cincias.

A garota soltou um ah e deixou o professor continuar. Este largou o giz na beira do quadro e ps as mos nos bolsos, comeando a explicao:

-Hoje vamos ter uma aula mais leve, j que o primeiro dia. Vamos falar sobre um fenmeno de medo que nasce como uma espcie de trauma em algumas pessoas. Isso se chama fobia. ele pegou o giz e escreveu fobia no quadro- Fui informado que nesta sala h alunos com fobias. No ?

Muitos alunos olharam Alec, que se distraa mexendo com um lpis numa borracha.

- Ah, sim, Alec. Ouvi falar de voc. J est aqui no colgio desde...?

-A primeira srie, professor. Quem t aqui a pelo menos um ano sabe da minha fobia. ele tranquilamente.

-Bem, entraram uns alunos novos este ano. Mas se no se sentir a vontade para falar, tudo bem. George disse, fitando alguns alunos.

Idan virou a cabea para trs, para ver Alec. Naehe parecia no se importar com a aula. Sarae olhara discretamente para Alec, segurando fortemente sua pelcia. Daren mexia no estojo, procurando uma caneta, mas ouvindo o professor falar. Alec deu de ombros e falou:

-Eu sou somnifbico, tenho medo de dormir.

Poucos alunos riram, mas logo pararam ao ver o olhar fuzilante que Alec lanava para eles. O professor sorriu satisfeito e voltou ao quadro.

-Existem vrias fobias diferentes. Desde a abissofobia at a zoofobia. ele escreveu alguns nomes no quadro- Estas so as fobias mais comuns.

No quadro estavam escritos: Agorafobia, Acrofobia, Claustrofobia, Nosofobia e Zoofobia. O professor explicou uma por uma e, por fim, as fobias em geral.

-Resumindo: uma fobia adquirida quando uma pessoa ganha uma espcie de trauma por alguma coisa. Algumas pessoas nascem com tendncias a ter certa fobia, mas ningum nasce fbico.

Alec j sabia de tudo aquilo, ento esperou pacientemente a aula acabar. Sarae no tirava os olhos de Alec, como se quisesse lhe dizer algo. Naehe olhava pela janela um esquilo e fazia caretas para o roedor, divertindo-se.

Ento, como se tivesse demorado uma eternidade, o sinal tocou. A aula seguinte a essa foi uma aula bem agitada de histria, em que a professora preferiu conversar com os alunos a dar aula. Quando o sinal para o recreio tocou, quase a turma toda se lanou para a porta.

Notas finais
Boa noite, Alec.