Fobias

17 Moléstia


Notas iniciais
Capítulo narrado pelo Alec o/

Nós cinco estávamos matando mais uma chata aula de música no terraço do colégio. É um lugar até grande. Estava batendo um sol bom ali, mas Daren preferiu se refugiar debaixo da sombra de um guarda-chuva.

É assim mesmo, tem dias que o Daren traz um guarda-chuva e fica usando ele pra se proteger do Sol como se a capa já não fizesse bastante sombra. Moleque esquisito.

Já faz uns dias que nós fomos ao parque de diversões, o corte no meu braço já sarou e agora só tem uma maldita cicatriz que me custa várias explicações.

Bem, estávamos ali no terraço falando de coisas aleatórias para passar o tempo. Uma coisa anda me incomodando bastante esses dias, a Naehe parece meio cabisbaixa, triste. Sempre pergunto se há algo de errado, mas ela sempre me responde que não, e que está tudo bem.

Passamos os dois tempos todos de música lá em cima, conversando e nos distraindo. Estávamos no momento olhando fixamente para o Sol, vendo quem agüentava mais olhar. Sei que é uma brincadeira retardada, mas somos cinco adolescentes desocupados que matam a aula no telhado do colégio, não temos muito o que fazer. Daren é claro, havia se recusado a jogar nossa brincadeira autista e estava girando o guarda-chuva acima de si.

Estávamos distraídos quando Nathan – um garoto do terceiro ano do ensino médio- se aproximou, chamando Naehe. Disse ignorantemente que queria falar com ela e, antes que ela pudesse dizer algo, ele já puxava-a pelo pulso discretamente e descia as escadas.

Os outros três pareceram não se incomodar tanto com ele quanto eu. Afinal, já faz uma semana que esse cara puxa Naehe para “conversar” longe de nós e ela sempre se recusa tristemente a dizer o que houve. Diz que não é nada, que ele só quer ajuda no dever, a cada dia era uma desculpa diferente.

Nós três deduzimos que eles estavam namorando, então preferimos não atrapalhá-los. Mas eu não consigo aceitar totalmente isso, pois ela está estranha todos esses dias. Triste, sem animação, meio... Murcha, sabe?

Mas também, pegaria mal eu ficar seguindo a Naehe. A última coisa que eu quero é ter fama de tarado, já me basta os apelidos por causa do meu ombro ferrado.

-Pessoal. –chamei os três que já tinham começado a conversar de outra coisa- Repararam que a Naehe tem agido estranho?

-Já não dissemos Alec? –Idan me olhou- Achamos que devem estar namorando, não deve ser nada de mais.

-Eu sei, mas... –olhei para as escadas que os dois haviam descido- Se estivessem namorando estariam sempre felizes um com o outro não é?

-Claro. –Daren disse, abraçando as costas de Idan.

-Já entendi Alec. –Sarae disse, acompanhando meu olhar- A Naê anda meio tristonha e o Nathan parece sempre furioso quando vem falar com ela.

Daren encostou o queixo no ombro de Idan e concordou com a Sara.

-Será que... –Idan pensou- Será que ele está fazendo alguma coisa com ela?

-É provável. –Sarae assentiu melancólica.

-Mas ela nunca nos diz nada sobre ele, como podemos provar alguma coisa? – Daren perguntou, suspirando.

-Podem deixar comigo. –falei- Tenho uns amigos que são da sala do Nathan, vou descobrir o que está acontecendo.

-Boa sorte, Alec. –Sara sorriu para mim. E o assunto morreu ali.

Passou-se um dia e nada descobri. Interroguei os caras do terceiro, mas a maioria não sabia nada disso. Somente Lut tinha alguma informação boa.

“Disseram que o Nathan fuma, e bebe também, mas esconde isso dos pais. Disseram também que ele briga muito com o pai por causa das notas, por isso ele tem estado tão irritado ultimamente.”, ele havia me dito e continuou “Seja lá o que ele quer com a sua amiga, não deve ser boa coisa Alec.”

O que será que aquele drogado quer com a Naehe? Não pode estar levando-a para o mau caminho, sei que ela é esperta e nunca se aproximou de drogas. Então o que é? Porcaria, isso está acabando comigo!

Estávamos na aula de geografia quando, no meio da lição, Nathan abriu discretamente a porta da sala e, sem o professor ver, chamou Naehe. Esta demorou um pouco para perceber, para mim ela estava tentando ignorá-lo. Mas acabou olhando.

Ele mandou – é, não pediu, mandou- ela ir até a quadra atrás do colégio de imediato e saiu. Logo Naehe estava falando ao professor que estava se sentindo mal, e foi liberada para ir à enfermaria.

Bastou ela sair e eu pedi ao professor que fosse também para trocar a atadura do meu ombro. Ele me liberou e foi discretamente atrás de Naehe. Ela nem me percebeu, que bom. Ela foi andando cabisbaixa pelos corredores vazios, seus olhos amarelados brilhavam e nesse momento seu rosto tinha um toque tão... Inocente.

Fiquei distraído e acabei por perdê-la de vista quando Naehe saiu e virou para ir aos fundos do colégio. Tentei me achar, mas demorei um pouco até encontrar ela de novo. Me guiei por um estranho som que parecia ser um tapa. Parei e olhei do que estava diante, meio assustado, meio com raiva, meio confuso.

O safado do Nathan estava prendendo Naehe à parede, sorrindo pervertidamente. Ela estava com os punhos presos pelas pesadas mãos do rapaz. Ele estava quase pressionando seu peito contra o dela. Ela estava com uma marca vermelha no rosto e seus olhos, cheios de lágrimas. Sua blusa estava com dois botões abertos.

Não agüentei e corri até Nathan, chutando-o e fazendo ele soltar Naehe e cair sentado. Ele xingou alguma coisa e se levantou, irritado. Olhou-me e gritou:

-Qual é a tua cara?

-Qual é a minha? –eu disse me aproximando dele- O que você pensa que estava fazendo!?

-Eu estava me divertindo, só isso! Agora dá licença?

Eu puxei-o pela gola da camisa e o suspendi.

-Se divertindo? É isso o que você tem feito com ela esses dias?

-Não –ele sorriu sinicamente- Eu faço bem pior.

Mas... O quê!? E ele ainda teve a cara-de-pau de dizer isso na minha frente. Ouvi baixinho uns soluços de Naehe e minha paciência chegou ao limite. Sabe, eu sou bem paciente, mas esse cara já está me tirando do sério.

Interrompi aquela risada idiota dele, dando-lhe um soco bem dado no rosto. Joguei-o longe e sorri ao ver o nariz dele sangrando. Me virei e agachei perto de Naehe, abraçando-a.

-A-Alec... –ela soluçou.

-Calma, tá tudo bem. –acariciei os longos cabelos dela- Ele não vai mais te incomodar, eu prometo.

Ela retribuiu meu abraço e chorou baixinho. Olhei para trás e fuzilei Nathan com um olhar macabro, fazendo-o ficar com medo. Haha, idiota.

No dia seguinte, deixei que Naehe contasse aos outros três o que aconteceu. Ela hesitou um pouco, mas conseguiu desabafar. Depois seu bom humor voltou como sempre, isso foi muito bom.

Enquanto a Nathan? Ah, soube que o nariz dele quebrou. Que bom, tomara que morra de anemia – ei, eu não sou mal, ok?

Depois disso nunca ouvi mais falar dele, deve ter se mudado. Medroso.


Notas finais
Estou meio sádica esses dias, né? hehe ^_^