FoREVer
1 Carta sem Destinatário (Capítulo Único)
Notas iniciais
Espero que gostem :]
FoREVer
Hoje é um dia comum para todos. A rotina se repete sem alterações. Talvez aconteça um algo bacana ou um incidente, mas tirando isso tudo está normal. Exceto para mim.
Hoje é um dia que significa perda e dor. Perda, porque perdi alguém que amava. Dor, por saber que esse alguém não vai voltar.
Jimmy, ele se chamava Jimmy. Eu o conheço desde que ele entrou no meu colégio, no fim do primário, e confesso, o odiava mortalmente. Ele era conhecido por toda a cidade, mas não por ser um exemplo e sim por ser uma peste. Seu sobrenome era Black, talvez isso influenciasse um pouco.
Eu o odiava porque ele dedicava boa parte do seu tempo para me atormentar. Fazia coisas como colocar cola no meu cabelo, roubar meu lanche (quando não era sanduíche de manteiga de amendoim. Se fosse, ele passava pó de giz, dizendo que era a cobertura), jogar meus livros no chão e bater na minha cabeça com suas baquetas. Nunca fiz nada para revidar, apenas o meu desprezo era suficiente. No entanto, ele sempre me pegava de surpresa com suas declarações toscas. Lembro de quando ele foi assistir o ensaio da banda do colégio na qual eu tocava piano. No final, ele pegou um cartaz com as escritas “Eu te amo, Angel” e me mostrou, jogando beijinhos. Ah, como eu o detestava..
As coisas começaram a mudar quando um garoto chamado Brian Scott se mudou para o colégio que eu e Jimmy frequentávamos. Estávamos no período fundamental, ou ginásio, e Jimmy insistiu em ir para o mesmo colégio que eu.
Brian parecia ser um bom garoto. Assim que entrou na sala que eu estava, lançou um pequeno sorriso amigável para mim. Se eu tivesse idade e já entendesse como é gostar de alguém, esse alguém seria ele. Jimmy logo de cara detestou o garoto e decidiu que naquele instante seu alvo seria o novato. Só que diferente de mim, o novato não deixou que Jimmy fizesse o que queria com ele. Os dois começaram a brigar enquanto o resto dos alunos incentivava a briga. Eu fiquei contente em ver que Jimmy estava pagando pelo que sempre fizera, mas quando vi que as coisas estavam ficando sérias decidi interferir. Joguei um dos meus cadernos na cara do Jimmy, que acabou com a briga, assustado. Segundos depois, o professor entrou na sala e soube da briga. Jimmy e Brian foram expulsos da sala, porém continuaram brigando nas semanas que se seguiram. Pouco tempo depois me surpreendi quando cheguei ao colégio e vi os dois conversando amigavelmente.
Certo dia, Brian veio falar comigo. Eu era incrivelmente tímida, mas gostava do garoto. Lembro bem do que ele disse:
- Hey garotinha, Jim disse que você toca piano muito bem.
- Er.. Eu gosto muito de tocar.
- Quer bater um papo com a gente? Vamos conversar sobre músicas e bandas que gostamos.
- Não gosto do Black.
- Eu também não gostava, mas ele é um bom garoto.
Ele sorriu para mim como no seu primeiro dia no colégio. Aquele sorriso acabou me convencendo a ir conversar com eles. Conversamos durante todo o intervalo e nos dias seguintes. Perguntei ao Jimmy porque ele me irritava tanto. Ele simplesmente disse:
- Porque eu te amo, só isso.
Naquele dia eu não levei isso a sério. Só hoje eu sei que o que ele dizia era verdade.
Anos depois, quando estávamos no primeiro ano do ensino médio, conhecemos Matthew Sur e Zachary Oliver. Jimmy conhecia Matt de um colégio que ambos frequentaram quando crianças. Zachary era o melhor amigo de Matt e resolveu estudar no mesmo colégio que ele.
Jimmy já não era mais “a peste da cidade”. Apesar de continuar tirando sarro de algumas pessoas e fazendo coisas infantis, como jogar ovos em carros, ele mostrou que era muito afetuoso. Adorava nos abraçar e dar beijinhos no meu rosto. No fundo, eu gostava dele e gostava de como ele me tratava, mas não pensava em aprofundar nossa relação.
Brian era meu melhor amigo, Matt e Zachary eram meus irmãos. Já Jimmy era meu amigo e meu irmão. Mas essa mudança no meu pensamento sobre ele só foi acontecer após roubarmos uma loja de eletrônicos. Fugimos loucamente da polícia e do dono da loja e acabamos passando o fim da tarde em uma casa abandonada. Jimmy adorava aquilo, eu sentia medo, nunca havia feito algo assim antes. Para me acalmar, ele disse:
- Fique tranquila anjinho, se eles nos acharem, eu defenderei você.
Nunca vou esquecer aquele dia. Descobri que a companhia de Jimmy era maravilhosa, que uma forma de chamar atenção para si era tirando sarro da cara das pessoas e que ele era muito emotivo, amava muito sua família, seus amigos e sabia demonstrar isso. Nesse dia eu ganhei meu primeiro beijo.
Foi depois disso que eu me descobri apaixonada por ele. Não conseguia parar de pensar nele, mesmo com minha mente insistindo que eu não deveria aceitar esse novo sentimento.
Resolvi que deveria falar com alguém a respeito disso. Poderia até falar com Brian, mas como ele e Jimmy eram muito próximos, pensei que fosse melhor falar com Matt ou Zachary. Só que acabei encontrando Brian e Jimmy no caminho. Lembro que Jimmy me deu um lindo sorriso, o sorriso mais lindo que ele já havia dado. Brian me abraçou e decidiu que eles iriam me acompanhar até a casa do Zachary. Ele segurou uma de minhas mãos e Jimmy ficou rubro quando viu isso. Acabei caminhando pelas ruas de mãos dadas com dois garotos adolescentes e bobos. Matt estava na casa do Zachary e eles ficaram muito felizes com nossa chegada, porém não pude contar a eles o que estava acontecendo comigo porque Jimmy e Brian estavam presentes.
Mais tarde, eles me deixaram em casa e foram até um bar que ficava na esquina da minha rua. Jimmy se sentou no balanço de pneu que ficava no meu quintal e começou a cantar uma música que eu não conhecia.
(Um anjo sem asas caiu no meu jardim essa noite)
(Ela chorava, eu não conseguia dormir)
(Sai para olhá-la e vi a criatura mais linda do mundo)
(Ela estava assustada e me disse que não tinha para onde ir)
(Prometi a ela que nunca a faria nenhum mal e que cuidaria dela)
(Ela sorriu lindamente, disse que não me deixaria, que ficaria comigo para sempre)
(Eu concordei e em seguida me apaixonei por ela e por seus olhos)
- Acabei de compor. Sou um gênio, não é?
- É, é sim.
- Vou chamar essa música de “Meu Anjo Sem Asas”
- Belo nome! Ficará perfeita quando os instrumentos entrarem.
- Que tal compormos a melodia no seu piano?
- Boa ideia!
Entramos na minha casa e fomos para a sala do piano. Outra noite inesquecível, sem dúvidas.
Ele me abraçou de lado enquanto eu tocava as notas no piano. Sussurrou no meu ouvido:
- Vai ficar comigo para sempre?
- Sim, para sempre.
E após esse dia, oficializamos o namoro para nossos amigos e parentes.
Jimmy desistiu dos estudos e investiu na carreira musical. Matt e Zachary formaram uma banda e convidaram Jimmy, Brian e Jonathan Gregory. Johnny, como era chamado por todos, era um garoto baixinho que Jimmy sempre zombava.
Apesar de eu ter preferido ficar fora da banda, sempre estava ao lado deles. Desde shows em barzinhos a shows em estádios.
Foram anos felizes que eu nunca vou esquecer. Tudo ia bem, até Jimmy ir embora.
Iríamos nos casar em janeiro do ano seguinte. Estava tudo pronto, inclusive a papelada, mas por causa de alguns problemas de saúde e uso excessivo de remédios e drogas ilícitas ele acabou falecendo num dia simples como esse.
Foi tão rápido que no começo eu não acreditei, na verdade ainda não acredito. E é muito triste acordar de manhã e não receber suas ligações, ouvir sua voz doce ou ganhar um de seus beijos e abraços carinhosos.
Esta manhã foi até seu apartamento, como sempre fazia. Gostava de ir lá, ver suas coisas, sentir seu cheiro, ver fotos, limpar suas baquetas favoritas... Mas confesso que vou lá por ainda ter na minha mente a ilusão de que quando eu abrir a porta vou encontrá-lo no seu sofá, sorrindo para mim. Só que isso não vai acontecer, infelizmente.
Após tirar poeira dos móveis como sempre faço, resolvi deitar na sua cama. O cheiro dos lençóis era tão bom que eu acabei me emocionando. Chorei. E enquanto aquelas lágrimas quentes molhavam meu rosto e seu travesseiro, acabei notando um envelope embaixo deste travesseiro. Peguei e li para quem estava destinado.
Para Angel Claire Stone, futura senhora Black
Meu anjo sem asas.
Meu coração batia acelerado. Estava ansiosa para ler o que havia ali. Era um bilhete que guardava um pequeno texto.
“ Darling Angel,
(Querida Angel)
I know you'll find your own way when I'm not with you tonight.
(Eu sei que você vai encontrar seu próprio caminho quando eu não estiver com você esta noite)
Dear God,
The only thing I ask of you is to hold her when I’m not around, when I’m much too far away.
(Caro Deus, a única coisa que eu te peço é para cuidar dela quando eu não estiver por perto, quando eu estiver muito longe)
I Love You, Angel
Forever.”
(Eu amo você, Angel)
(Para sempre)
27 de dezembro de 2009
Dessa vez as lágrimas percorreram furiosamente pelo meu rosto. Nós nos amávamos tanto, porque isso foi acontecer?
Sinto falta dele, assim como Brian, Matthew, Zachary e Johnny também sentem.
Queria ter feito mais por ele, amado mais... Só que agora ele está tão longe, não sei se vou encontrá-lo.
Só sei que ele sempre estará comigo e eu sempre estarei com ele, como prometemos quando jovens.
Vou sentir tanta falta do garoto chato e encrenqueiro que sempre me incomodava e depois dizia que me amava.
Vou sentir falta dos seus abraços, beijos, das palavras doces...
Vou sentir falta do meu amor.
Mas prometo que para sempre vou amá-lo.
Para sempre.
Angel Claire Stone
28 de dezembro de 2013
Notas finais
Até mais o/
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