Fly
7 VII - The Getaway
Capítulo 7 – The Getaway
Os primeiros raios de sol acordaram Riku, e o fizera sentir uma maldita dor nas costas. Resmungou baixo antes de tentar abrir os olhos. Porém, não precisou enxergar para saber que não estava sozinho.
Quando finalmente conseguiu acordar e reparar onde estava, ele se encontrou sentado em cima de uma cama. Sobre o seu colo, um rapaz de cabelos espetados dormia serenamente. Esboçou um sorriso ao ver que o outro descansava bem.
E as lembranças da noite anterior vieram como um furacão. Ele não havia ido para casa. Apenas se recordava de que conversava com Sora. Com certeza devia ter apagado em algum momento.
Com delicadeza, o rapaz de cabelos prateados levou a cabeça do amigo para um travesseiro, onde seria bem mais confortável do que o colo dele. Tratou de se levantar silenciosamente para deixar o quarto. Ao tocar a maçaneta da porta, ele ouviu o moreno grunhir alguma coisa, enquanto se remexia. Aliviou ao ver que o outro não acordara. Esboçou um leve sorriso, e deixou o cômodo.
Seguiu pelo corredor na ponta dos pés, para que pudesse passar por despercebido. Desceu as escadas e tomou o corredor em direção a saída.
- Já acordou meu querido? – e Nadeshiko surgiu da entrada da cozinha.
- T-tia?! Bom dia, eu acho.
- Para onde pensa que vai a essa hora? – ela perguntou num tom severo, que fez o garoto encolher onde estava. Logo, a mãe de Sora abriu um sorriso e se aproximou do outro. – Não se preocupe querido. Yumi sabe que você passou a noite aqui. Quer tomar café?
- Ah não. Eu tenho que ir para casa tia Nadeshiko. Tem a escola, sabe? E mesmo que a mamãe saiba que eu estou aqui, eu acho que ela vai querer me ver em casa na hora do café.
- Certo então, meu querido. Mande lembranças à sua mãe. E mais tarde venha aqui buscar o seu terno. Eu tomei a liberdade de lavá-lo.
- Obrigado!
E dando um abraço na mulher, Riku deixou a casa dos Uematsu e ganhou as ruas.
Ainda estava frio, mesmo que o sol começava a banhar mais intensamente as ruas. Alguns quarteirões depois, e o rapaz finalmente havia chegado a casa.
Não havia nenhum sinal de vida, segundo o rapaz pôde constar. Sua mãe ainda não deveria ter levantado da cama. Mesmo assim, ele caminhou até a entrada de sua residência. Procurou num jarro próximo à porta e sentiu o metal da chave reserva. Pegou-a e adentrou no local.
Caminhou pelo corredor, e encontrou a porta do quarto de sua mãe entreaberta. Aproximou-se e bateu na madeira. Não esperou uma resposta, e abriu vagarosamente o cômodo.
Yumi estava dormindo profundamente. Sobre o seu colo estava algo que parecia um álbum de fotos. Caminhou até ela e tomou o objeto em mãos. Aparentemente, a sua mãe relembrava de seu ex-marido. Fotos durante a juventude do casal. O nascimento do rapaz. Todos aqueles detalhes registrados ali.
Riku guardou o livro na mesa de cabeceira, ao lado do abajur. Depositou um leve beijo na testa da mulher e se dirigiu para fora do quarto.
- Riku...? – uma voz embargada pelo sono o chamou.
Voltou a andar para a cama, onde a sua mãe se remexia na cama e o fitava. Ela o chamou para que ele se deitasse ao lado dela.
- Achei que estaria na casa do Sora. Kouji me ligou ontem para avisar que você dormiria lá.
- Ora mãe, e quem você vislumbraria quando acordasse? – ele questionou risonho.
Sentou-se na cama, do lado onde seu pai costumava dormir. Aqueles pensamentos o entristeciam. As duas mortes pareciam atingi-lo com uma dor inimaginável. Perguntava-se até quando teria aquela postura de força e firmeza que exibia a todos.
- Você me lembra a ele, sabia? – Yumi comentou após um tempo encarando o filho.
- Sente muita falta dele, né?
- Claro que sim, meu filho. Mas sei que ele estará conosco, não importa onde. – e esboçou um sorriso cansado para o garoto.
Em seguida, o rapaz abriu os braços para a mãe, esperando que ela não recusasse o gesto. A viúva apenas abraçou o filho e descansou a cabeça no peito dele, enquanto ele afagava os cabelos meio ruivos meio grisalho.
Eles ficaram assim por tempo indeterminado.
- Filho? – chamou a mulher, que quase adormecia ali. – Você não tem que ir para a escola hoje?
Riku olhou para o relógio na mesa de cabeceira da sua mãe. Já eram sete e quinze da manhã. Sua aula começaria as oito em ponto. Apenas quarenta e cinco minutos para se arrumar e correr até o colégio.
Assustado, o jovem de cabelos prateados se livrou do abraço da mãe e saltou da cama, o que atraiu um riso da outra.
- Mãe, isso não é engraçado! Eu vou me atrasar! – ele disse tentando não perder a paciência com o que estava acontecendo.
- Então vá logo. Eu vou fazer o seu café. – Yumi comentou, enquanto se levantava. – Quer ovos ou bacon?
- Tanto faz. – gritou já do corredor, em direção ao quarto para pegar o uniforme e se dirigir ao banheiro.
Arrumou-se da melhor maneira que podia, procurou todo o material escolar, jogando-o de qualquer jeito na mochila, e desceu para a cozinha. A mãe do rapaz havia acabado de colocar o bacon com duas fatias de torrada que tinha num prato. Apressou-se em comer, tomando cuidado para não engasgar.
Dirigiu-se a cafeteira e encheu a sua caneca de café, que estava fumegante. Colocou um pouco de leite e misturou, tratando de tomar tudo num gole só, quase derramando algumas gotas na camisa branca.
- Assim você vai acabar morrendo, sabia?
- Ok, ok mãe. Já vou indo. – Riku falou abraçando a mãe, enquanto ela beijava a sua bochecha.
Saiu de casa e começou a correr pelas ruas. Olhou o relógio de pulso e viu que tinha um pouco mais de dez minutos para atravessar os portões da escola.
Quando finalmente avistou o conjunto de prédios brancos, ele se apressou ainda mais. Mal atravessara a passagem, e o sinal tocara, ecoando pelos terrenos do local. Sua primeira aula naquele dia era de física, o que o fez bufar internamente, enquanto abria caminho pelos corredores.
Quando irrompeu pela porta da sala de aula, todos os alunos o olharam assustado. Ele pediu perdão e se sentou, no exato momento que a senhora Anze entrara no recinto e cumprimentava a turma.
A aula continuou um pouco tediosa, antes que a professora começasse a fazer a chamada.
- Ishiyama? – ela chamou.
- Presente. – o rapaz respondeu cansado.
Continuou a chamada até o último nome, que chamou a atenção de Riku.
- Uematsu? – chamou. E não houve resposta e a professora levantou o rosto para encarar a turma, antes de voltar para a listagem.
O garoto de cabelos prateados olhou em volta pela sala. Sora não havia comparecido naquele dia. Provavelmente ainda estava abalado para ir à escola. Amanhã ou depois ele apareceria.
Por enquanto, o melhor que poderia fazer era respeitar o silêncio dele e estar com eles nos momentos de dificuldade que ele encontraria.
No almoço, ele iria se dirigir a uma mesa mais ao fundo, quando percebeu que uma das amigas da Kairi que vira no velório, a tal Selphie, estava sentada sozinha com uma cara péssima.
- Oi?! – ele a cumprimentou, se aproximando dela. Ela apenas lançou um sorriso rápido em resposta. – Posso sentar?
A outra assentiu.
O silêncio que predominou era constrangedor na mesa. Ambos reviravam a comida na bandeja, mas sem comê-la.
- Ela sofreu muito quando morreu? – perguntou a garota de cabelos castanhos de maneira tímida.
- Não. Pareceu até que aceitou bem toda a situação, por mais triste que fosse.
E continuaram a conversar sobre Kairi, antes que o falatório mudasse de rumo e eles começassem a conversar sobre assuntos aleatórios.
O sinal logo bateu, anunciando o início das aulas da tarde.
Sem que percebesse, a semana havia passado correndo.
Sora não havia aparecido na escola durante aquela semana, o que era compreensível, pois era normal que ainda estivesse abalado com a morte recente.
Riku esperaria mais alguns dias para entregar todas as anotações e lições escolares. Ele não queria abalar o amigo ainda mais com o tamanho de coisa acumulada de uma semana.
Porém, o estranho foi que, na semana seguinte, o rapaz de cabelos castanhos não aparecera na escola. Sem falar que não havia mais ligado para a casa dele e saber como estava indo.
Na quarta-feira, após uma aula de literatura, a professora Yamashita pediu para que o rapaz permanecesse na sala de aula, que obedeceu sem questionar.
- Senhor Ishiyama... Eu sei que você é muito amigo do senhor Uematsu e... – ela olhou para os lados. – Estou preocupada com ele. Não aparece mais na escola, e tanta coisa acontecendo.
- Não se preocupe professora. Ele estará bem para o nacional...
- Ah Riku... Falando assim parece que não me preocupo pelo garoto. Eu temo pelo que pode ser de Sora daqui para frente. Ele tem estar preparado não só para o nacional, como também preparado para enfrentar o seu dia-a-dia aqui. – a mulher falou num tom sério, porém preocupado. – Diga a ele que todo o departamento de artes aguarda pela volta do garoto com expectativa.
- Eu avisarei. – o rapaz assentiu sorrindo.
A docente o dispensou, que saiu da sala após um aceno.
O garoto decidiu que após as aulas, ele iria à casa de Sora. Precisava ajudá-lo a superar tudo isso. Precisava trazê-lo de volta ao mundo real, mesmo que encará-lo seja uma tarefa bastante difícil.
Aquele dia foi de total distração. Riku olhava constantemente para a janela da sala de aula. O sol ainda se mantinha firme, mas nuvens, de chuva talvez, ameaçavam constantemente o seu brilho.
Quando o último sinal tocou, ele esperou a sala esvaziar antes de arrumar as coisas e deixar o recinto. Antes, porém, ele olhou a cadeira, minutos atrás vazia, onde o moreno costumava sentar.
Caminhou pelos corredores, quase vazios, em direção à saída. Rumou sem prestar muita atenção. Alguns quarteirões depois e ele percebeu que já se encontrava na rua onde se localizava a casa de Sora. Não fazia ideia do que falar para ele. Mas precisava, ao menos, tentar.
Pouco receoso, ele tocou a campainha da residência dos Uematsu.
- Tia Nadeshiko. – o garoto disse ao ver a mãe do amigo abrir a porta. – Como vai?
- Olá meu querido. Eu estou bem, obrigada. Entre! – e a mulher deu passagem para o visitante. – Deseja alguma coisa?
- Ah não. Sério, tia, eu estou bem. – ele se apressou em dizer. – Eu vim ver como o Sora está. Todos já estão preocupados com ele... – e parou, quando percebeu que a mulher exibia um semblante triste. – Alguma coisa aconteceu?
- Você não faz ideia do quão ele está mal Riku. Já tentamos tirá-lo do quarto, mas eu e Kouji fracassamos. Ele nem come mais direito. – ela confessou num semblante triste. – Não sabemos mais o que fazer...
- Não se preocupe! – o jovem de cabelos prateados a cortou. – Eu vou fazê-lo ficar melhor. Posso subir?
- É claro que pode. Quer comer alguma coisa ou deseja tomar um suco? – perguntou quando o rapaz começava a subir as escadas.
- Ah não. Mas prepare algo para o Sora. Eu o farei se alimentar! – disse num tom determinado, atraindo uma risada leve da mãe do amigo.
Continuou a subir as escadas, até ganhar o corredor do primeiro andar. A porta do quarto do moreno estava entreaberta, e dava para vê-lo sentado na cama, com uma expressão vazia e sem vida.
Mesmo assim, o jovem bateu levemente contra a madeira da porta, para chamar a atenção do outro. Sora nem se mexera. Parecia nem ter ouvido.
Riku, inquieto, adentrou no cômodo mesmo assim. Sentou-se na beira da cama e esperou alguns minutos, que só vieram mais silêncio e frustração.
- Sora? – chamou. – Você está bem? – e se ajeitou mais na cama, esperando uma resposta.
Nada.
Aquilo estava enlouquecendo o rapaz de cabelos prateados. Porque o outro não o respondia? Não via que todos estavam preocupados com ele?
Aproximou-se e levou sua mão ao ombro dele, mas ele recebeu uma tapa do moreno.
- Cai fora. – Sora sussurrou.
- Como é que é?
- Não ouviu Riku? – o amigo questionou com sarcasmo, subindo a cabeça para encará-lo. – Cai fora!
Os orbes azuis do moreno estavam opacos, e inchados. Ele provavelmente estava chorando algumas horas antes.
- O que aconteceu com você? – o garoto perguntou confuso. – Não vê que está todo preocupado com você?
- Agora pergunta se eu me importo. – o outro rebateu indiferente.
- Ora Sora, sem infantilidade, por favor. A Kairi morreu, sim, e foi triste, mas sua vida não pode parar por causa disso. Ela não gostaria de vê-lo assim!
- Não fale dela! Você não sabe nada sobre ela! – o moreno vociferou.
- Sora, você não pode fugir da realidade para sempre. Terá que encará-la alguma hora!
- Eu não só posso como eu vou! Agora cai fora Riku! Me deixa em paz! – e cerrou os dentes ao falar a última frase.
O rapaz de cabelos prateados sabia que aquela discussão seria inútil. O moreno precisava de mais algum tempo para pensar e esfriar a cabeça. Talvez amanhã ou depois voltasse. Quem sabe não teria algum progresso?
Levantou-se da cama e ganhou o corredor, que o levaria até a escada.
Nadeshiko estava se preparando para subir as escadas, com um semblante preocupado, quando avistou o outro.
- E então?
- Sem sucesso. Ele ainda precisa de mais algum tempo para superar. – Riku relatou pesaroso. – Mas não desista. Terá que ceder alguma hora. Amanhã eu virei para vê-lo. E já está na minha hora. Tenho que ir. – ele comentou, caminhando em direção à porta.
- Obrigada, meu querido. Vai querer ficar para o jantar?
- Ah não tia. A minha mãe me espera em casa.
- Ok então. Mande lembranças a Yumi.
- Mandarei! – e o garoto acenou em despedida para a mãe do amigo, antes de sair para a rua.
Foi na hora do almoço em que a chuva começou a cair. De início, fina. Porém, ao decorrer da tarde, ela parecia piorar. Tudo bem que o outono estava em alta, e o inverno não tardaria a chegar, mas com todos os acontecimentos das últimas semanas, Riku não poderia dizer que era apenas um fenômeno que a mãe natureza proporcionara.
- Quanta bobagem para se pensar nessas horas, hein?! – o rapaz se repreendeu com tédio por causa dos pensamentos.
Estava sozinho na mesa do almoço naquela hora. A tal Selphie, com quem conversava bastante nos intervalos das aulas e nas refeições, estava na biblioteca terminando algum trabalho de história. Ele havia terminado na noite anterior, após chegar da casa de Sora.
Sora.
Pedia mentalmente para que ele estivesse bem.
Após remexer o que sobrou da comida, ele terminou a refeição e se dirigiu para a sala de aula.
Mal prestara atenção nas aulas. Seu olhar estava perdido, fitando a chuva que caía lá fora. De vez em quando ele se atrevia a olhar o quadro e fazer as anotações. Mesmo que não tivesse afim, o seu amigo precisaria daquilo para repor o tempo perdido.
Quando o último sinal daquele dia tocou, Riku foi um dos primeiros a deixar a sala, já que não tivera a paciência de arrumar a sua bolsa, jogando todo o material de qualquer jeito ali dentro, e retirou o guarda-chuva.
Ele já estava próximo da casa do amigo quando notou algo diferente. A porta da frente estava aberta. Duas viaturas da polícia estavam estacionadas em frente à residência.
Um nó na garganta surgiu no rapaz, que saiu correndo em direção ao destino. Nem batera direito na porta, e já se dirigia a sala, onde Nadeshiko, que chorava aos braços do marido, e Kouji pareciam conversar com dois policiais.
- O que está acontecendo? – ele perguntou, atraindo os olhares espantados de todos no local. Quando percebeu o que fizera, seu rosto ruborizou e se apressou logo em dizer. – Err... Eu sinto muito.
- Garoto, por favor, não...
- Não se preocupe senhor. – a mãe de Sora intervira. – Ele é um grande amigo, de infância, do meu filho. Tem o direito de saber.
- Saber o que? – arqueou uma das sobrancelhas, temendo a resposta.
- Sente-se senhor...
- Ishiyama. Riku Ishiyama.
- Pois bem, senhor Ishiyama. Aparentemente, o jovem senhor Uematsu desapareceu, aparentemente fugiu, esta tarde, enquanto os seus pais estavam trabalhando. – o homem explicou, atraindo o olhar preocupado do recém-chegado. – Estão fazendo a vistoria no quarto do garoto para saber se há algum bilhete ou qualquer indício de sua fuga. Os senhores Uematsu me disseram que o senhor falou com ele ontem.
- Sim. Mas o que isso pode ter a ver comigo?
- Eu não sei. Sabe me dizer se ele sofria de depressão ou era dependente químico?
Riku arqueou as sobrancelhas, espantado. Que tipo de perguntas eram aquelas? Seu amigo não era daquele jeito, e provavelmente seus pais haviam dito isso. O que confirmou foi Kouji intervindo pelo garoto.
- Nós já dissemos que ele não tem nada! – o homem exclamou indignado. – Nosso filho é uma pessoa extremamente saudável e alegre.
- Senhor, nós costumamos fazer essas perguntas para os amigos, pois os jovens hoje em dia costumam confiar mais nos outros do que nos próprios pais.
- O Sora é completamente normal, não é depressivo nem nada... – Riku se apressou em dizer, tentando não se irritar, quando algo ocorreu em sua mente. – Kairi, a ex-namorada dele, morreu há pouco mais de uma semana. Eu disse a ele que não podia fugir da realidade para sempre. Ele apenas rebateu dizendo que não só podia, mas como ia fazer isso. Porém, eu não pensei que ele falasse isso de verdade.
- O senhor tem alguma ideia de onde ele pode estar? – o policial questionou mais uma vez.
- Não, mas... – e não falou mais.
Sora podia estar agindo feito um burro, mas ele era previsível.
Sem nenhuma palavra a dizer, ele se levantou do sofá com pressa e saiu correndo em direção à saída. A chuva castigava as ruas sem piedade naquele momento. Mesmo assim, o rapaz precisava encontrá-lo. E depressa, antes que a polícia fizesse isso.
Só haveria um lugar, naquele momento, em que o moreno poderia estar.
Tão ocupado em pensamentos que nem sentira o cansaço pela corrida. Alguns minutos, ele já podia avistar o cemitério, aquele em que o corpo de Kairi descansava.
O corredor de lápides estava um pouco enlameado e escorregadio.
Num canto mais afastado, adiante, estava ele. Ajoelhado, com uma cara inexpressiva, sem o brilho típico nos orbes azuis.
- Sora!
O garoto de cabelos espetados nem ao menos se mexera. Sabia que Riku se aproximava, mas nada fizera para encará-lo ou repeli-lo dali.
- Sora, seu idiota, você vai ficar ai feito um panaca morto ou vai me ouvir?
- Quantas vezes vai querer que eu diga para me deixar sozinho?
- Quando você parar de ser um egoísta! – o rapaz disse irritado, e puxou o outro pela camisa, para que este o encarasse. – Você realmente acha que não tem pai ou mãe ou amigos que estão preocupados com você?
- E o que importa? Ela se foi!
E Riku não dissera mais nada, e sim agira. Ele socou o amigo, fazendo-o cair no chão lamacento. Não podia negar. A raiva subia a cabeça naquele momento.
- Você é um egoísta. E eu odeio isso! – ele murmurava, enquanto se aproximava do outro para socá-lo mais uma vez. – Fica todo tristinho por ela, e tudo o mais. Mas e nós? Como os seus pais ficam? A professora Yamashita? Como eu fico? Vai me deixar pra trás depois de tanto tempo?! Achei que éramos melhores amigos! – e não hesitou em batê-lo de novo.
- O que você está fazendo?
- Te dando um aviso. A sua fuga idiota preocupou demais a tia Nadeshiko e o tio Kouji. Até a polícia está te procurando. Se você não quiser voltar, tudo bem. Mas não pense que eu vou ficar feito um amigo idiota correndo atrás de gente que não quer ajuda! Isso me irrita! Você me irrita!
A fúria dentro de si era tão grande que ele apenas se concentrava em bater no outro. Bater nele por deixá-lo preocupado. Bater nele para descarregar aquele sentimento repentino.
Sem perceber, lágrimas quentes se fundiam a chuva gélida em seu rosto.
- Você é um idiota, Sora! – e o socou mais uma vez, antes de soltá-lo.
O moreno, após ser jogado no chão, ficou olhando o outro perplexo. Nem parecia notar a dor ou no filete de sangue que surgia em sua boca. Nunca o vira daquela forma. E aquilo mexeu com ele, só não sabia dizer o que.
- Se você quer morrer, tudo bem! Só não espere que eu venha lamentar em seu túmulo. – e Riku se virou, dando as costas para o menor, e começou a andar, antes de ser segurado pela barra da camisa branca, agora colada no peito por causa da chuva.
Ele se virou, e viu Sora segurá-lo. Estava cabisbaixo, como se temesse encarar os orbes esverdeados do maior.
- O que você quer? – perguntou rispidamente.
Não houve resposta. Nenhum dos dois ousou se mexer naquele instante. O silêncio predominou por um tempo incontável.
- Sinto... Muito... – garoto de cabelos espetados sussurrou.
Riku não respondeu. Nem pretendia. Estava de saco cheio de ver o amigo se lamentando por tudo quanto é lugar por causa dela. O que mais precisaria fazer para mostrar que nem tudo havia acabado como ele imaginava?
- Eu sinto muito, Riku. – o outro sussurrou mais uma vez, segurando a camisa dele com mais força. – Não me deixe. Não agora... Depois de nove anos.
O rapaz de cabelos prateados fez com que o amigo soltasse a camisa. Ajoelhou-se e segurou o rosto do outro com as duas mãos, fazendo-o encarar.
- Não vou te deixar. Mas para isso, você terá se ajudar. A Kairi não iria querer vê-lo desse jeito. E nós dois sabemos muito bem disso.
Sora assentiu, com uma expressão triste.
Seria difícil, mas o moreno precisava tentar. Era isso o que sua ex-namorada iria querer. Começar do zero. Não conseguiria sozinho. Mas não precisava fazer tudo isso só, precisava? Havia ele, ali na sua frente.
Puxou o outro para junto de si, e o abraçou com força. Não deixaria que ele fugisse justamente depois de tanto tempo.
Riku ficou um pouco surpreso, mas não pôde recusar aquele gesto. Apenas retribuiu, enquanto sentia o outro chorar mais uma vez, com o rosto escondido na curva de seu pescoço. Afagou os cabelos rebeldes, enquanto sentia que seus lábios esboçavam um sorriso.
E no ouvido do menor, ele pôde sussurrar.
- Eu sempre estarei ao seu lado. Afinal, nós somos melhores amigos para a vida toda. – e sorriu acolhedor, abraçando o amigo ainda mais.
Notas finais
Sério gente, não me batam, por favor! ><
Pelo menos eu compensei com um capítulo super fofo, lindo, cute-cute-kawaii-desu... Mentira!
Numa escala de 0 a 10 em nível de emocidade gay, essa fic leva nota 11, de tão emo que ficou ><
Eu espero que apreciem mais do que eu >.>
Após a demora de milênios, eu mereço coments? Comentem and be happy =DD
Bye Bye Beautiful!
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