Fly
3 III - Little Voice
- Eu não acredito. – começou Nadeshiko surpresa. – Riku Ishiyama? – deixou a tigela na mesa de jantar e retirou o avental, jogando por cima do móvel. – Quando você voltou? Vai ficar por muito tempo?- Olá tia Nadeshiko. – cumprimentou Riku sorridente, que logo em seguida abraçou a mãe de Sora. – Eu voltei há uns dois dias. Hoje foi meu primeiro dia na escola nova. E segundo minha mãe, a nossa estada é definitiva.- É bom ouvir isso, meu querido. – falou a mulher sorrindo docemente, como Sora se lembrava de quando eles eram pequenos. – Espero que ainda goste de lasanha e bolinhos de frango.- Eu ainda adoro qualquer comida que a tia faça. – ele comentou brincalhão.- Certo então. Pois bem, vocês dois podem subir e descansar um pouco. Só não vão brincar na lama, está certo? – disse Nadeshiko rindo levemente.
- Mãe! – falou Sora em tom de ofendido. – Não temos mais 6 anos!A mãe do rapaz riu mais uma vez, e Riku fez o mesmo, fazendo o garoto ficar com a cara emburrada e as orelhas coradas. Ele puxou o amigo pelo pulso e o levou escada à cima.- Seu quarto não mudou tanto. – comentou o rapaz de cabelos prateados. – Só a cama que não tem mais o jogo dos personagens de anime.- Cara, você ainda se lembra dessas coisas?! – perguntou Sora incrédulo.- Ora, como eu poderia se esquecer de seus momentos... Eu diria constrangedores. – respondeu o outro rindo da situação, e olhou para a escrivaninha.Seu olhar encontrou o porta-retrato sobre a mesa. Aproximou-se do móvel e fitou o objeto, esboçando involuntariamente um sorriso na face. Pegou o porta-retrato e viu a foto de dois garotos sujos em cima de um galho sorrindo para a câmera.Sora percebeu que o amigo estava distraído e um pouco distante. Parou ao seu lado e fitou o retrato de quando a dupla era criança.- Às vezes, eu queria poder voltar no tempo. – Riku comentou distraidamente.O outro sorriu e pôs a sua mão sobre o ombro dele, enquanto o rapaz de cabelos prateados ainda sorria para seus rostos alegres no retrato. - Vai dar tudo certo, Riku. – disse Sora. – Eu estarei aqui ao seu lado. Saiba que pode contar também com a Kairi e os meus pais.- Sabe Sora, — o outro começou, e passou a fitar o garoto de cabelos castanhos e rebeldes. – Você é o meu melhor amigo para a vida toda.- Essa frase é minha, sabia? – falou Sora calmamente, fazendo o amigo rir levemente.Os dois ficaram conversando sobre várias coisas. Muitas das vezes, Riku contava como era a nova moradia e a escola onde estudava. Quando Sora dizia algo, era na maioria das vezes sobre o tempo em que passara com Kairi e como as coisas não haviam mudado muito em nove anos.O jantar já estava pronto quando os rapazes desceram, e o pai do Sora já estava em casa. Ao ver Riku, Kouji fora cumprimentar o rapaz e eles conversaram um pouco, até Nadeshiko trazer a lasanha e os bolinhos e colocá-los na mesa para todos se servirem.O momento fora bastante animado. Riku contava várias coisas sobre o que acontecera e tocou no assunto do pai, no qual os pais de Sora apenas lamentaram pela perda e prestando total apoio ao garoto, que ficou feliz por aquilo.- Bem, eu acho que já tenho que ir. – disse Riku após o jantar. – Mamãe pode estar preocupada comigo.- Certo querido. – assentiu Nadeshiko, com o seu sorriso doce de sempre. – E lembre-se de mandar lembranças à sua mãe. E diga também para que ela venha nos visitar.- Direi tia Nadeshiko. – falou ele sorrindo também e se levantando da mesa.Sora foi acompanhá-lo até a porta.- Foi bem legal. – disse Riku. – Obrigado Sora.O rapaz de cabelos castanhos sorriu alegremente, enquanto outro ria levemente da alegria eterna dele, quase que invejando. Virou-se e tomou a rua, por onde desapareceu na esquina.Sora passou pela sala e se despediu dos pais. Subiu para o quarto rapidamente e se jogou na cama com um largo sorriso no rosto. Olhando para o teto, ele fazia uma avaliação sobre aquele dia mentalmente. Seu melhor amigo estava de volta. Tudo voltaria a ser como antes, exceto pela parte de brincar e se sujar todo no quintal de casa. Riku havia crescido e conseguiu ficar maior que ele. Seu jeito travesso ainda se mantinha, mas seu sorriso alegre mudou. Agora seu sorriso expressava uma tristeza constante, mesmo com o esforço para tentar parecer feliz. Sora queria abraçá-lo, consolá-lo e fazê-lo sorrir como antes. Algo queimava em seu coração, porém, ele não sabia dizer o que era.E Sora acabou por adormecer em sua cama.- Mãe, eu já cheguei! – disse Riku ao abrir a porta de uma casa simples, no mesmo modelo que a casa de Sora, porém, com várias caixas ainda lacradas e espalhadas pelo chão da sala.- Filho? – e uma mulher de cabelos ruivos, com mechas grisalhas e olhos esverdeados, e de aparência não muito velha surgiu da cozinha. – Onde esteve?Riku nada respondera. Apenas guardara as suas coisas e foi ao encontro da Sra. Ishiyama na cozinha.- Você não me respondeu. – ela falou seriamente ao ver o filho entrar.- Mãe, você se lembra de Sora Uematsu? – ele perguntou contendo a animação. – Pois bem, ele estuda na mesma escola e está na mesma turma que eu.
- Isso é ótimo! – exclamou quase se esquecendo de saber sobre a demora do filho. – Ainda vejo que já se entenderam logo.- E eu demorei porque ele me convidou para jantar em sua casa. – Riku disse, sem fazer muito caso. – Posso chamá-lo para jantar aqui?- Pode sim. – ela concordou sorrindo. – Mas não amanhã. No final de semana talvez, pois dá tempo de terminar de pôr a casa no lugar.Ele riu levemente e assentiu para sua mãe. Aproximou-se dela e deu um grande abraço e beijou-lhe a testa. O rapaz anunciou que iria preparar as coisas para o dia seguinte na escola e iria dormir.Entrou no banho e esperou a água fria atingir o corpo antes de se sentir relaxado debaixo do chuveiro.Aquele dia foi o primeiro em que o rapaz sorria sem fingimentos desde o início dos problemas do pai já falecido. Passaram-se nove anos e Sora não havia mudado praticamente nada. Os cabelos revoltos, o sorriso sempre, seus olhos azuis profundos. Seu aroma característico ainda era o mesmo de anos atrás.Por um instante, quando Sora o consolou mais cedo na sala de desenho na escola, Riku sentiu um desejo inconsciente de uma pequena voz pertencente a sua mente de possuí-lo. Tê-lo em seus braços e roubar de todos aquele sorriso apenas para ele. Uma maneira egoísta de pensar, e ele sabia.Afugentou o pensamento ao pôr a cabeça debaixo do chuveiro, e sentir a água molhando aos poucos seus cabelos prateados. Ele deu um suspiro cansado antes de fechar o chuveiro.- Pare de pensar em besteiras. – o rapaz repreendeu a si mesmo em voz alta.Pegou a toalha próxima e se enxugou. Vestiu o pijama e caminhou vagarosamente em direção ao quarto. Deitou-se na cama, e olhou as estrelas pela janela de seu quarto.Não demorou a adormecer.
Notas finais
Perdoem-me caso haja algum erro de português >< Eu fiquei com preguiça de rodar o FLiP para corrigir xDD Anyway, em breve o capítulo 4 =DD
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