Fluxo - JuGil

6 Capítulo 6


Notas iniciais
Novo capítulo saindo! Boa leitura!

(Pov Ju)

Cheguei em casa e fui direto para a cama. Olhando fixamente para o teto, comecei a pensar em alguns detalhes que no calor do momento haviam passado despercebidos. Ele estava careca, e era engraçado pensar nele daquela forma. Ele também estava aparentemente mais forte. Parecia que um pouco do brilho dos seus olhos tinha-se perdido, não sei se pela situação ou permanentemente. Ele estava furioso, e eu era a razão. Mas não era só isso. Parecia estar com vergonha, mas pensando bem, eu também ficaria. Me lembrei do olhar que ele me lançou, e aquilo foi como se mais uma faca tivesse atravessado meu peito. Ele sentia nojo de mim. "Como você conseguiu ser tão vadia a ponto de ficar com um cara, mesmo depois de olhar nos meus olhos e me jurar fidelidade?". Vadia. Ele tinha me chamado de vadia. Mas se ele queria tanto uma explicação, por que não me deu tempo de explicar? Pensei em tanta coisa, que não consegui refletir sobre nada.

Nesse momento, o Bruno entrou no meu quarto, sentou-se do meu lado me e abraçou. Ele provavelmente estava esperando que eu desse um sinal de que queria conversar, e foi o que eu fiz, depois de enxugar algumas lágrimas que teimavam em cair:

– Você viu?

– Vi. Tudo. E eu peço desculpas pelo que o Nélio fez, mas eu não consegui evitar, ele já chegou no Misturama bêbado.

– Não adianta você pedir desculpas, ele precisa se arrepender. Mas você não viu tudo. Você não viu o olhar de nojo que ele me mandou.

– Pensa comigo, Ju: se fosse o Gil, seu namorado, ficando com uma garota em um estado lamentável como o Nélio tava, no dia em que você voltava de um lugar onde você ficou meio que "isolado" do mundo durante um ano, eu tenho certeza que você não ficaria menos furiosa que ele.

– Mas eu não tava beijando o Nélio porque eu queria!

– Eu sei. E eu sei também que o Gil vai entender isso quando ficar mais calmo e vocês conversarem.

– Assim seja, meu irmão, assim seja.

(Fim do Pov Ju)

(Pov Gil)

Eu cheguei em uma balada onde as luzes eram escuras e todas as garotas estavam com vestidos curtos, tentando a todo custo um minuto da atenção de um garoto, qualquer um servia. Se algum dia tinha entrado em um lugar desses, não lembrava.

Mas de qualquer maneira, fui em direção ao balcão. Bebi, bebi de novo, e bebi mais algumas vezes. Quando levantei de meu lugar, tudo estava meio que girando. Fui em direção a pista de dança e comecei a dançar com uma garota. Ela não era nem um pouco bonita em comparação com a Ju. Mas eu não queria pensar nela, porque doía. A menina enlaçou seus braços em volta do meu pescoço e chegou mais perto. Não sei porque, mas a cabeça dela se mexia muito rápido, e aquelas luzes fortes me cegavam. Olhei para baixo, e quando voltei meu olhar para cima, a garota tentou me beijar. E eu beije-a, mas apenas por alguns instantes, pois me deu vontade de vomitar.

E eu vomitei. Em cima dela.

Muitas teriam enlouquecido, mas ela me guiou para o banheiro. Quando eu saí, mais limpo, ela me levou para a rua, para conversarmos melhor. Lá eu contei, lentamente, pois o meu raciocínio estava meio lento, tudo o que havia acontecido desde minha chegada do quartel. Quando eu pedi um conselho, ela me disse, com toda a sabedoria e calma possível:

– Eu acho que você deve ir para casa, porque os seus pais devem estar preocupados, e amanhã, mais calmo e sóbrio, conversar com essa garota, afinal, tá na cara que você gosta dela.

Comecei a rir. Ria muito. Muito além do que o normal, já que o motivo nem era tão engraçado assim, mas eu estava meio louco. Ela não entendeu nada, então eu expliquei, assim que parei de rir:

– Eu não tenho pais! — e comecei a rir de novo. Eu me levantei, e sai andando mas não sem antes falar: — Desculpa pelo vestido.

Peguei meus últimos reais e comprei uma garrafa de alguma coisa que tinha álcool num bar próximo. Fui cambaleando até em casa. Bebendo continuamente e vomitando algumas vezes. Minha mente estava uma bagunça e todas as outras coisas insistiam em girar. Alguns raios de sol raiavam, quando chegou a um ponto que eu não aguentei tanta coisa e desabei no chão, já perto de casa. Senti que alguém me ajudou a levantar. Quando vi quem era, não acreditei. Era ela.

(Fim do Pov Gil)

(Pov Ju)

No início da manhã, a Lia havia mandado uma mensagem:

" O Gil sumiu ontem de noite, e até agora nada.

Tem notícias?"

Nem respondi, fui direto em direção ao sobrado. Será que tinha acontecido alguma coisa? Senti uma culpa gigante tomando conta de mim. No meio do caminho, vi alguém cambaleando, em um estado deplorável. O cheiro de bebida exalava de longe. Quando a pessoa caiu, automaticamente me aproximei para ajudá-lo. Era ele. Como ele tinha ficado naquele estado?

Quando viu quem o ajudava, começou a chorar. E ele chorava muito. E entre soluços, murmurou:

– Por que você fez aquilo? Eu acreditei em você! Eu te amava!

Não respondi, levei-o para o sobrado, onde a Lia, o Nando e a Raquel esperavam por notícias. Levaram ele para o banho e eu fiquei esperando-o no seu quarto. Quando ele voltou, parecia mais calmo, porém seus olhos ainda estavam vermelhos. Assim que me viu, me abraçou. Forte, com muita saudade. Por um momento eu sorri, mas então pareceu que ele se lembrou de tudo e me largou.

– Você me traiu, me enganou. — seu tom de voz não era alto. Nem acusador. Ele só estava constatando.

– Por que você saiu sem dar satisfação a ninguém? Todo mundo ficou preocupado! E por que bebeu tanto?

– Pra tentar esquecer a dor que uma certa menina, de quem eu costumo gostar, me causou. Mas não deu certo. — uma lágrima caiu em seu rosto.

Aquilo me doeu. E como eu sabia que uma conversa séria não era possível naquele momento, eu resolvi sair e deixar que ele curasse seu porre sozinho.

(Fim do Pov Ju)

(Pov Gil)

Quem me acordou foi a Lia. Eu estava com uma dor de cabeça dos infernos. Eu não me lembrava de nada depois da décima dose. E a Lia comentou:

– A Ju saiu bem chateada daqui ontem. O que aconteceu?

– A Ju esteve aqui ontem? Por quê?

– Ih cara, tem muita coisa que você precisa saber. Mas pode ter certeza: se você não agir rápido, vai perder a Ju, porque eu acho que ela deve estar meio cansada já.

Não sabia o que havia acontecido, e mesmo ainda com raiva da Ju, a ideia de perdê-la me deu medo. Ainda mais depois do que a Lia me contaria.

Notas finais
O que acharam do Gil bêbado? Críticas? Sugestões? Elogios? Podem comentar, meus fantasminhas!!! hahahah