Fluorescent Adolescents
1 Natalya Flyorov
Notas iniciais
Escrito por: Angel of Silence
SEIS ANOS ATRÁS
Natasha odiava hospitais. Ela odiava cada pedacinho miserável deles. Tinha apenas 11 anos, mas isso não queria dizer que seu coração não podia borbulhar de ódio. Seu pulso estava acelerado à uma velocidade assustadora, seus olhos piscando mais do que o necessário em uma tentativa de lutar o choro. Ela olhou com raiva para o médico na frente dela, querendo, mais que tudo, que fosse ele a parar naquela cama nojenta de hospital. Poucas palavras que ele dizia eram registradas. Afinal, ele a deixou sozinha no quarto com a mãe. Do que ele disse, entendeu pouco, simplesmente por que a raiva cobrindo seus sentidos como uma cortina era muito grossa. Ela sabia que ele havia pedido desculpas, e estava tentando ligar para seus irmãos e pai. Era o que ela precisava saber. Não dava a mínima para desculpas. Ele não havia salvado Alexandra Flyorov.Natasha andou até a mãe na ponta dos pés, e aproximou a mão da dela, temerosa de tocar, como se a mãe fosse de vidro. "Mamãe", ela murmurou, a visão ficando embaçada por conta das lágrimas. "Olá, querida" respondeu Alexandra, como se não estivesse morrendo de câncer. "Papai já está vindo" Natasha disse. "Só... Aguenta mais um pouco.""Você vai cuidar do seu irmão, não vai?" Perguntou Alexandra, a voz fraca. "Claro que vou. Nem precisa perguntar." E era verdade. Desde que a mãe de Natasha adoecera, o pai dela foi ficando cada vez mais ausente e distante, aos poucos negligenciando suas crianças. E aos poucos, foi crescendo a responsabilidade de Natasha sobre o irmão mais novo, Sam. Ela sabia tudo sobre ele, desde como ele tinha preguiça de amarrar os cadarços a como ele gostava de seu chocolate quente (quase queimando, com cinco marshmallows por cima e creme). Era a única que conseguia acalmá-lo quando ele começava a chorar e a primeira pessoa à quem ele recorria por qualquer motivo que fosse era ela. "Você não pode morrer do nada, mãe, não é justo!" Natasha protestou. "Meu psicólogo disse que eu preciso de apoio para superar minha doença, e você não pode me apoiar morta!""A vida é raramente justa, Natasha, querida." Ela fechou os olhos. "Estou cansada."E foi então que a verdade atingiu Natasha em cheio no peito. Era isso. Não tinha como curar a mãe dela. Esse era o epílogo de Alexandra Flyorov, isso era incontestável, inegável. "Vá dormir" Tasha murmurou. "Eu vou ficar aqui."Ela não adicionou que estaria ali quando Alexandra acordasse, porque ela sabia, Alexandra nunca acordaria daquele sono sem sonhos. E depois que ela fechou os olhos, nunca mais os abriu.
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