Fluorescent Adolescents
8 James Waters
Notas iniciais
Pois é, eles não se entenderam.
A despeito da crença de Natasha que tudo iria se resolver, nada foi como planejado, e a relação de pai e filho foi piorando. James não dava a mínima para o pai, culpando-o por, entre outras coisas, nunca o ter procurado quando era menor. Ele estava mais magoado do que qualquer outra coisa, e com o passar dos anos, a mágoa foi se transformando em raiva, e a relação, deteriorando. Nem mesmo Natasha podia ver uma luz no fim do túnel, agora — não que ela fosse a pessoa mais positiva de todas.
Claro, sendo um adolescente de 16 anos que se mete em brigas na escola e bebe e não se dá bem com o pai, não seria uma surpresa se Jim fizesse uma festa enquanto o pai médico está fora da cidade, seria?
A casa estava uma zona. Havia barulho e gente para todo lado, e a bem da verdade, Jim odiava a maioria daqueles rostos, cerca de 90%. As festas que ele dava eram geralmente com outras três pessoas: Natasha, Chuck e Tessa. As únicas pessoas que ele considerava seus amigos.
E eles não estavam lá.
Tessa havia ido visitar a avó, Chuck quebrara a perna, e Natasha... bem, Natasha estivera internada no hospício há duas semanas.
O pensamento o entristeceu, e sua expressão caiu. O hospital a levou quando descobriu que ela estava pulando refeições, jogando fora os antipsicóticos e antidepressivos, para não falar do "incidente" na escola. Ela teve algum tipo de alucinação, e, resumindo a história, foi encontrada no armário de produtos de limpeza, encolhida como uma bola e dizendo que não estava bem, alguém chame a minha mãe.
Jim nem conseguiu se despedir. Claro, ele conseguiu fazer com que ela se acalmasse o suficiente para ser colocada na maca, mas o quanto ela ouviu, o quanto ela entendeu e se ela sabia que era ele, era impossível dizer.
Uma mão bateu em seu ombro, e ele se virou, dando de cara com um jogador de futebol da escola.
Okay, como uma regra, Jim odiava jogadores de futebol da escolar. A maioria era pretensiosa, ignorante, e cometia o erro de achar que poderia se dar melhor em uma briga com Natalya Flyorov. Cujos irmãos mais velhos, assim como ela própria, faziam aulas de lutas marciais.
Mas aquele era uma exceção. Carter até que era um cara legal.
"Bela festa, Waters", ele disse, enquanto Jim vasculhava sua mente semi-embrigada em busca do primeiro nome do jogador.
"Huh... valeu", ele disse. "Não sabia que você viria."
"É, bem..." Carter esfregou a nuca. "Não fui convidado" confessou.
Jim sorriu. "Ninguém foi", falou com sinceridade, e um sorriso travesso no rosto. "Só espalhei a notícia pela escola."
Carter riu, e era aquele tipo de risada que fazia os outros rirem também. Mark! pensou Jim. Esse é o nome dele. Sorriu com a sua vitória.
"Cadê a sua amiga?" perguntou Mark, em tom casual. "Natasha — é esse o nome dela?"
Jim se sentiu imediatamente na defensiva. "O que tem ela?", perguntou, sem se arrepender do tom ríspido.
Mark pareceu perceber que havia tocado em um ponto sensível. Todo mundo sabia da amizade de Jim e Natasha — eles andavam juntos o tempo todo, e se um estava esperando para falar com o diretor, pode apostar que o outro estava lá dentro — mas ninguém lhes prestava muita atenção. Nenhum deles era muito sociável, mesmo Jim estando no time de basquete.
"Nada", Mark disse. "Eu só..." ele baixou o tom de voz, e Jim teve que se inclinar um pouco para ouvi-lo por cima do som do DJ. "Eu vi o que aconteceu umas semanas atrás. Só estava preocupado. Ela é a parceira de química do meu irmão, Isaac."
As suspeitas evaporaram da cabeça de Jim. Ele se lembrava de Natasha mencionar o parceiro de laboratório dela. Ele examinou Mark. Não tinha nada a ver com Isaac. Enquanto o segundo era magro, de peito fundo, alto, com óculos que aumentavam seus olhos azuis trinta vezes e cabelo comprido, loiro-sujo, Mark era forte, de peito largo, cabelos castanhos.
E foi então que a última peça se encaixou no quebra-cabeça. Natasha havia mencionado que Isaac tinha um irmão adotivo. Do time de futebol.
"Não tenho falado com ela", Jim disse, tomando cuidado com as palavras. Ele não tinha 100% de certeza do que era permitido falar. "Não desde aquele dia. Ela..." ele baixou a voz, quase murmurando. "Bem, ela foi internada. Por causa disso."
Ele achou que iria ser pressionado para obter mais respostas, mas Mark pareceu captar a mensagem que Jim estava inseguro sobre o assunto. Então, ele sorriu, quebrando a tensão. "Espero que ela melhore."
Jim anuiu. Eu também, pensou. "Isaac sabe um pouco sobre o assunto. Não sei quanto. Mas sei que a Tasha gosta dele."
Mark assentiu. "Okay, valeu."
"Por que ele não veio?" perguntou Jim, franzindo o cenho. Se Isaac tivesse vindo, com certeza teria vindo ele mesmo perguntado.
Mark riu de novo, sua risada sonora virando algumas cabeças. "Isaac, em uma festa?" e então sacudiu a cabeça. "Te vejo por aí, James Waters."
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