Fluorescent Adolescents
13 Claire Chase
1 ANO DEPOIS
– Que foi, baixinho? — Ian bagunçou o cabelo cor de areia de Colin sendo recebido com um tapa.
– Nada. Só estou com sono. — ele disse se sentando na mesa para tomar café e esfregando os olhos com as mãos.
– Talvez você devesse parar de ficar fora de casa até tarde em enterros de pessoas que você nem conhece... — eu disse enquanto a empregada colocava uma jarra de suco de laranja na longa mesa de vidro.
– Onde está a Allison? Será que o Crawley passou a noite aqui de novo? — Ian se sentou na minha frente.
– Tony? — levantei meus olhos ao ouvir seu sobrenome.
– Não. Não vi ele saindo e ele não seria tão discreto. — Colin me olhou com preocupação.
Desviei meu olhar para uma pilha de cartas no canto direito da mesa e não disse mais nada.
– O concurso de dança estadual será em quatro meses... — disse nervosa. Finalmente realizaria meu sonho e isso era assustador. Ninguém além de Colin se importava com isso, é claro.
Escutamos o barulho do salto de Allison batendo nos degraus de mármore branco da escada. Ela usava um vestido bege com a saia em camadas. Aquele para ocasiões "especiais".
– Bom dia família! Adivinhem! Papai foi eleito senador e voltará para morar com a gente! Acabei de falar com ele, chegará em instantes. — ela disse sorrindo e se sentou ao lado de Ian. Todos nos entreolhamos, mas não dissemos nada.
– Colin, você não se sente sufocado com todas essas roupas pretas? — Allison perguntou sem levantar os olhos dos waffles.
– Estou bem. — ele respondeu friamente.
– Bom, assim que acabarem o café vão todos tomar um bom banho e se arrumar para receber o papai! — Allison continuou.
– Para que tudo isso Allison? Você acha que se nos vestirmos bem, papai vai dar uma mesada extra pra você como mérito por ter cuidado tão bem dos seus irmãos? — disse em um tom sarcástico. Colin se esforçou para não rir.
– Está bem, Claire. Se quiser se vestir como uma mendiga vá em frente. Afinal, seu estilo não é muito diferente do que o de uma moradora de rua.
Joguei o guardanapo de seda na mesa e me levantei provocando um grande barulho com a cadeira.
– Cuidado para não riscar o chão, querida. — ela disse sem nem se dar ao trabalho de olhar para mim. Saí da sala de jantar ardendo em raiva e segui para o meu quarto. Abri a porta com um chute, me joguei na cama, me agarrei com todas as forças ao travesseiro vermelho e comecei a gritar o mais alto que podia. Tudo de errado estava acontecendo. Allison e Tony nem sequer aparentavam terminar o namoro, meu pai estava voltando e Allison me tratava como se eu fosse inferior a ela. Comecei a chorar de raiva à medida que minha voz sumia de tanto gritar. Ouvi a porta abrindo bem devagar e me virei para ver quem estava me enchendo o saco dessa vez.
– Claire, o papai chegou. — Colin ainda estava na porta. Ele era única pessoa que eu poderia ver naquele momento sem ter vontade de jogar meu abajur nele.
– Já vou descer... — disse me sentando na cama e limpando as lágrimas. Ele foi embora como se entendesse o recado que eu não queria ninguém ali naquela hora. Depois de algum tempo eu desci e ouvi a voz grave do meu pai na sala de estar.
– E agora que eu sou senador, posso morar aqui e passar mais tempo com vocês meus queridos filhos! — ele deu aquele sorriso que eu conhecia muito bem e abraçou Allison.
– Não se iluda papai. Você só tem uma filha querida. — disse sarcástica olhando para Allison.
– Claire! Sempre carregando pedras nas mãos para nossos encontros. — ele me abraçou. — Pois saiba que eu amo igualmente minhas duas filhas!
Não o abracei de volta e me afastei.
– Bom, tenho duas notícias importantes... — ele disse. — A primeira é que vocês poderão ter acesso à herança que a mãe de vocês lhes deixou em pouco tempo. No caso de Colin e Claire, o advogado disse que somente quando completarem dezesseis anos.
– Eu TENHO dezesseis anos... — disse revirando os olhos.
– Ah, sim. Claro que sim. Bom, acho que em quatro meses vocês já poderão ter acesso à herança de vocês. Quanto à outra notícia, eu vou precisar do carro todos os dias para trabalhar, portanto tomei a liberdade de contratar um motorista para vocês. Sr. Branson, pode entrar.
O nome fez meu corpo congelar. Não poderia ser. Branson era uma nome até comum e deveriam ter milhares deles nos Estados Unidos. Além do mais já fazia muito tempo...
Mas, minha angustiante dúvida chegou ao fim quando um garoto de cabelos cor de areia e olhos azuis entrou na sala com um casaco de capuz, calça jeans, mãos nos bolsos e um sorriso torto que não mostrava seus dentes. Olhei para ele, mas não podia acreditar. Meu coração acelerou.
– Nick... — foi tudo que consegui dizer.
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