Flowers Of Evil Always Bloom

2 Fire! - as vozes que nunca mais seriam ouvidas.


Ela saiu para a cidade, se aproveitando que o povo não sabia qual era o rosto de sua princesa. E alem de não conhecerem ela usava roupas de montaria para homens e escondia os cabelos com um chapéu. Parecia um menino qualquer vagabundeando pela rua.

Ela andou buscando o rapaz pelo qual havia caído em amores. Já o observava há meses, ele era bom, talvez isso tivesse feito a diferença.

Porém se ela estava apaixonada, ele a odiava, por ser a tirana que prendia o reino em uma tortura. Mesmo sendo de família a abastada e com vantagens por ser o preferido da princesa, o sentimento não mudava.

Ela o encontrou andando com seu pajem, pelas ruas precárias do vilarejo vizinho, o seguiu, olhando encantada para os cabelos negros bem cortados e o porte elegante do rapaz. Ele dispensou o pajem sem perceber que estava sendo seguido, se aproximou de uma entrada com portões de ferro. Não parecia ser uma casa rica, mas parecia ser uma casa de pessoas com algum negocio prospero.

Ele empurrou o grande portão e mal deu dez passos pra dentro do terreno quando uma bela jovem correu para seus braços exclamando com felicidade.

_ KYLE!- ela disse e então o beijou com ardor

Elyzabeth assistia tudo pasma, sentindo as lagrimas de ódio e traição virem para os olhos. Ela não podia acreditar no que havia presenciado, ela já havia falado pra ele de seu interesse, e ele a recusará!

Ela sentia uma indignação absurda e um ódio profundo, começou a chorar e saiu correndo. Esbarrando em vermes que não conhecia, entrou para a floresta que beirava o lugarejo. Correu imaginando sua vingança, chorando e soluçando, quando seu corpo foi envolvido por braços fortes e seguros.

_Mestra... — uma voz lenta e conhecida soou

_MATE-A!!- exclamou para seu servo Grimmjow. Não se importava do por que ele a seguira, só queria a vingança pelo seu nobre coração partido. E eles iriam pagar. -MATE!- ordenou novamente.

_Sim, minha princesa, mas, por favor, deixe-me leva-lá ao palácio.

Ela o olhou e então ficou em silencio deixando as lagrimas secarem, não tirou os olhos dele e viu o rosto dele mostrar um pouco de preocupação, ainda não sabia o porquê de tanta devoção. Ele hesitou mas então percebeu que o silencio era uma autorização, o silencio era uma das grandes respostas de sua mestra.

Ele a soltou dos braços e foi buscar o cavalo. O caminho até lá era um pouco estreito por que ele ficara chocado demais em ver sua mestra chorando daquela forma, nem em tempos difíceis ela havia desabado no choro em sua frente. Quando ele finalmente trouxe o cavalo até ela, Elyzabeth já havia limpado o rosto e maquinava mais e mais de sua vingança. Nada a impediria.

Ele a montou no cavalo tomando cuidado extra, quando ela estava segura em cima do corcel ele montou também, sentando atrás da princesa e a envolvendo com os braços. Ela não manteve a postura altiva que sempre se forçava a ter, só ficou ali pensando, utilizando os braços como apoio, olhando o horizonte, sendo o livro fechado de sempre.

Assim que entraram no castelo ela deu uma ordem fria, mais fria do que jamais ouvira.

_Traga-me o Ministro- Assim que ordenou observou seu servo se afastar, mas o impediu por poucos segundos falando- Traga chá também.

Com passadas largas ele se dirigiu para o quarto do ministro, bateu duas vezes com a mão em punho, o barulho era impossível de ser ignorado. O jovem ministro abriu a porta um pouco atordoado com os cabelos loiros embaraçados e as roupas amassadas.

_Minha senhorita quer falar com o senhor... O que andou fazendo? – falou Grimmjow levantando uma sobrancelha observando o estado do ministro.

_Eu não brinco de babá de princesa o dia inteiro, meu caro. — respondeu irritado- vou me arrumar e logo vou ao encontro da princesa.

_Seja breve. – respondeu indiferente, voltando às passadas rápidas em direção a cozinha dessa vez.

O ministro girou os olhos e voltou a se fechar no seu cômodo. Quem o chamaria em um momento mais impróprio se não a babá?

Quando ele chegou à cozinha a falação das cozinheiras parou de repente e olhares preocupados se dirigiram para ele.

Ele deu uma risada sonora ficando com os olhos brilhando com a graça do acontecido. — não é nada meninas.

Uma das cozinheiras suspirou em alivio e deu uma colherada na cabeça do homem.

_Não me assuste desse jeito seu moleque matreiro!

Ele pegou um pedaço de pão que estava sobre uma mesa e falou de boca cheia- senhoras, chá na velocidade de um instante!

Ao ouvirem elas começaram a preparar um chá de imediato, e a cozinheira chefe o olhou com um olhar questionador, ele deu de ombros como resposta e entortou os lábios indicando que era momento para os preferidos da princesa. A cozinheira se aproximou e falou mais preocupada do que na hora que ele entrara.

_A princesa está mal meu caro?

Ele concordou com a cabeça continuando a mastigar enquanto observava curioso o movimento de formigas das mulheres.

Em instantes ele viu uma bandeja ser colocada na sua frente e em outro viu um chá completo ser colocado sobre a bandeja, nunca entendeu por que as mulheres eram tão apegadas pela princesa e a ele, mas eram as únicas com quem podia rir.

_Bem senhoras muito obrigado. — ele falou isso pegando a bandeja e se virando para partir.

_Espere!- gritou uma menininha que estava no fundo da cozinha- pode me dar uma moeda senhor Grimmjow?

Ele a olhou com o rosto desconfiado, com as sobrancelhas se juntando de desconfiança. — O que vai fazer com a moeda?

A menina piscou algumas vezes o olhando um pouco amedrontada. – Quero comprar uma boneca...

Ele suspirou e então disse:

_pegue dez moedas no meu bolso, sua sangue-ssugazinha.

_Dez!- ela exclamou buscando o bolso do cavaleiro – Obrigada!

Ela pegou as moedas e puxou a barra das vestes do monstro. Ele abaixou rindo para levar um beijo estalado da menina.

Ele continuou seu caminho após isso voltando ao rosto composto bateu duas vezes na porta das acomodações da princesa.

_Entre. — respondeu a voz suave que ele sempre ouvira.

Ele entrou e observou com calma o ministro mais arrumado e a princesa recuperada de sua dor. Eles haviam discutido muito tempo sobre a vingança da princesa, o ódio ardente dela não cessaria e o tempo só alimentá-lo-ia.

_Veja, é hora do chá. — ela observou calmamente.

Grimmjow se dirigiu para a pomposa mesinha de chá no meio do quarto, colocando a bandeja com elegância na mesa. Ela se levantou com destreza do trono confortável, e se aproximou da bandeja, pegando uma xícara com o chá quente. Ela se sentou confortavelmente em uma cadeira, levando a xícara aos lábios.

O ministro se aproximou de onde o chá era servido e se sentou de frente pra princesa.

_Minha senhorita, você tem certeza?- ele olhou com os olhos preocupados. Ele cruzou as pernas, com ares de desconforto.

_Natsume... — ela falou com a voz macia, com o rosto meio escondido pela xícara que continuava próxima aos lábios, o olhar brilhante com uma crueldade profunda, que descompassou as palavras do ministro.- eu quero que você tire tudo deles, não quero que lhes sobre uma única migalha de pão. Quero que decapitem o pai dele e destruam a vila dela. Quero que pilhem e queimem suas casas e quero rir ao ver a dor deles, me entendeu?

O ministro olhou algum tempo para a princesa e o servo a observava com olhos anuviados e mais escuros do que o de costume. Ali naquela sala eles planejavam a morte de muitas pessoas, de tomar suas riquezas e de matar os ricos.

Um sorriso cruel tomou a boca do ministro.

_Espero que tenha outras surpresas na manga princesa.

_Claro que tenho. – ela respondeu simplesmente. Colocou a xícara na mesa e sorriu com carisma, se dirigindo a Grimmjow. – vá fazer o que mandei Grimmjow.

E então foi assim, com esse discurso e com esse doce sorriso que seus dois cavaleiros do apocalipse foram ordenados, e logo partiriam para destruir seus inimigos.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.