Flowers
1 Prólogo
Notas iniciais
— Não faz sentido acreditar no amor.
Provavelmente aquela era a discussão mais boba que já teve em toda a vida.
Estava cansada, na verdade, exausta de tudo. Só queria cair no sofá por uma música melodramática e comer alguma porcaria que achasse na geladeira. Mas parecia que seu novo vizinho estava decidido a atrapalhar seus planos. Talvez fosse uma vingança, por não ter sido simpática com ele. Ou até mesmo um castigo dos céus por não ter cumprido a promessa que fez a irmã (o que não vem ao caso).
Se não estivesse tão cansada, prestaria atenção nas covinhas do rapaz. Ou os dentes brancos e perfeitamente alinhados. Até mesmo no bíceps exposto pela regata branca que o mesmo usava.
Mas ali estava. Com os pés doendo por conta do salto de cano fino que não usava a décadas, com o estomago rodando, e o humor nada alegre.
– As vizinhas já foram falar de mim? – O sorriso que brincava nos seus lábios era sarcástico. Mas o olhar ameaçador. So queria choramingar e ir dormir. – Ou será que foi o porteiro?
Ele parecia estar se divertindo com a situação. Os olhos sorriam apesar do rosto estar sério. Ele parecia realmente querer saber por que ela não acreditava no amor. Se fosse algo convencional, com uma apresentação decente, e com uma pergunta educada e nada invasiva ela até poderia tentar lhe dar uma resposta. Mas ele simplesmente tinha chegado nela e despachado a pergunta.
– Por que não responde minha pergunta? – o timbre de voz que ele usava o denunciava. Julie teve vontade de fazer ele engolir o salto que usava.
Pensou em responder o oportuno. Mas ai se perguntou: por que não acreditava no amor? Aquilo estava enterrado a tanto tempo que nem ela mesma dava importância. Deu de ombros se voltando para a porta do seu apartamento, já aberto de chave.
– Este assunto ainda não está acabado minha querida Julie.
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