Flower of science
5 A zero dezenove
Notas iniciais
POV´S AUTORA:
Ele estava sentado em sua cama olhando para o lado de fora da janela,o céu estava cinza e as gotas de chuva caiam raivosamente empurradas pelo forte vento.
Cebola não podia parar de pensar que seu interior estava exatamente como aquela tempestade, triste e cinzento,suas lágrimas eram como a chuva raivosa,ele nunca tinha chorado tanto em um só dia:
–Não a Mônica...isso não pode ter acontecido.-repetia para si mesmo enquanto os seus olhos ainda ardiam.
Ele não queria aceitar essa realidade,Cebola sempre esteve certo de que a Mônica estaria ao seu lado,não importava em que situação,e agora...:
–Eu nem ao menos sei a onde você está,e nem o que estão fazendo com você.-ele diz com um risco de voz,doía pensar que algo de ruim poderia estar acontecendo.
Isso estava acontecendo com a Mônica que sempre foi tão forte,nem em milhões de ideias que passaram em sua cabeça ele poderia imaginar isso.
Suas duras palavras repetiam como um eco impiedoso “ vai embora! Eu não quero mais saber de você e nem de nada que tenha haver contigo”,ah se ele soubesse que seria as prováveis ultimas palavras que havia dirigido para a Mônica...
Cebola ouve a porta de seu quarto ser aberta:
–O jantar está pronto querido.-sua mãe fala cautelosamente com pena do estado do filho.
–Não quero comer.-diz com uma voz embargada,ele estava sentindo algo forte no peito,um vazio.
–Eu sei que esta muito abalado mas...
–Pare!-ele a interrompe,não queria ouvir,já bastava o que estava sentindo.-Por favor mãe,eu não quero nada.
Dona Cebola sai um pouco relutante,sabia que hora ou outra o filho teria que comer mas respeitava seu espaço:
–Esta bem,vou deixar a comida na geladeira,quando estiver com fome pode esquentar.-ela diz com doçura e fecha a porta logo atrás de si ao sair.
Cebola suspira alto e se joga suas costas na cama,o rosto de Mônica o seguia por todo lugar,ele não conseguia tirar sua expressão cheia de magoas no dia do jantar.
Cebola olha para o teto e suas lágrimas caiam livremente:
–Que merda eu fiz?
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POV´S MÔNICA
Estou dentro de uma espécie de laboratório,era uma sala completamente branca,as únicas cores diferentes no espaço eram as dos frascos de substancias e alguns objetos pretos que eu não consigo identificar.
Os dois homens me acompanham,meu coração parece que vai soltar pela boca,eu ainda estava com muito medo.”não resista Mônica” foi o que Angel me pediu,e eu tentava com todas minhas forças lembrar disso:
–Quantos anos você tem?-um dos caras me pergunta com um olhar pervertido.
Percebo logo de cara que ele tem um sotaque americano mesmo que falasse muito bem o português,ainda sim enrolava em algumas palavras:
–Quinze.-respondo um pouco tremula.
–Uma criança.-o outro cara ri com malicia,ele também tinha o mesmo sotaque.
O primeiro cara me olha como se estivesse se divertindo:
–O negocio é o seguinte...você vai ficar quietinha e deixar agente brincar um pouquinho.-ele pega um negocio longo de ferro e na ponta tinha uma espécie de chapa com números,não era tão grande.-Se não se comportar agente pode fazer isso doer muito mais
Dou um passo para trás e meus olhos se arregalam,faço um negativo com a cabeça,eu não queria que me queimassem,só de imaginar eu já podia sentir o ferro quente agredindo minha pele:
–Ora não seja teimosa,vai ser pior para você.-o segundo cara fala enquanto me lança um sorrisinho sádico.
–Eu...não quero,por favor não façam isso.-quase imploro enquanto sinto meus olhos arderem,eu preciso do abraço de minha mãe agora,eu quero apenas voltar para minha casa e esquecer tudo isso.
O primeiro cara liga uma máquina estranha afunilada,e de cima sai uma chama,ele apoia o chapa com números em cima do funil enquanto espera que esquente:
–Vou ser legal com você,posso deixar com que escolha o lugar da sua nova tatuagem.-ele diz com deboche.co assustada com seu toque inesperado,NINGUÉM ia encostar um dedo sequer em mim:
–NÃO!! EU NÃO QUERO!!-o empurro fortemente contra a parede.
Angel pediu para que eu não resistisse,mas eu não podia ficar parada esperando que me machucassem.
Dou um murro no outro cara que tenta me agarrar e um chute bem nas partes do segundo que estava caído no chão.
Aproveito para correr até a porta,meu coração estava rápido como nunca,o suor escorria pela minha testa e minha cabeça só estava concentrada em fugir,não havendo espaço para o medo:
–FILHA DA...!!!-o cara que levou o chute nas partes esta azoelhado com os olhos apertados de dor.-Pega ela Alic!!
Alic levanta rangendo os dentes em minha direção,giro a maçaneta da porta,DROGA!!! Esses filhas da mãe trancaram:
–AGORA VOCÊ ESTÁ MORTA!-ele diz e tenta me agarrar mas dou um soco em sua barriga.
Corro para o outro lado do laboratório,não tinha saída! O mínimo que eu poderia fazer era não deixar que eles me alcancem e pegar a chave.
Alic vem coberto de raiva em minha direção, corro para trás de um dos balcões prateados e derrubo vários frascos no chão:
–FUCK!!!(porra!!)-ele grita irritadíssimo em sua língua.-
Corro para o outro lado do balcão o mais rápido que posso e bato com força uma bandeja de alumínio contra sua cabeça,ele cai no chão,aproveito e pulo uma das mesas indo até onde a chave estava pendurada.
Mas antes que eu a alcançasse o outro cara aparece do nada e me pega completamente desprevenida:
–ME SOLTAAAAA!!!! ME SOLTAAAA.-luto contra suas mãos,eu era forte e estava quase conseguindo me livrar daquele panaca,mas Alic me segura também,eu não tinha chance contra dois homens mais velhos do que eu.-ME SOLTAAAAAAAAAA!!!!!
Alic e o outro cara me arrastam para uma espécie de maca metálica com ataduras de couro para as mãos e os pés.
Tento dar outro chute em suas partes mas sem sucesso dessa vez:
Eles me deitam naquela maca bruscamente enquanto ainda tento me debater,mas os dois conseguem atar meu pés e mãos a tempo:
–MEEEE LARGAAAAA!!!-grito com um misto de medo e raiva.
O outro cara parece relaxar quando me vê finalmente imobilizada,ele parece enfurecido:
–Porra!!!-esbraveja.-Ela deu um chute no meu saco!!!
–E dou outro!!!!!-rosno já vermelha de fúria enquanto tentava libertar minhas mãos em vão.
–Olha só Peter,ela é brabinha!-Alic curte com minha cara.
–TÃO BRABINHA QUE TE DEI UMAS SURRAS ,SEU ANIMAL!!!!
Ele não parece gostar do que eu digo e segura meu rosto com uma das mãos bruscamente:
–Mais uma gracinha e eu juro que faço você agonizar.-ele grita junto de meu rosto,fico pálida de medo.-Pega essa porra logo Peter!
Peter sorri claramente se divertindo,ele vai até aquele instrumento de ferro,a chapa com os números estava laranja,sinal que estava muito quente:
Alic estica a mão para que o amigo lhe entregasse o objeto,mas Peter não o faz:
–Não é melhor esperarmos esfriar um pouco?-ele pergunta vendo que estava quente até demais.
Alic lhe lança um olhar furioso:
–Me dá essa porcaria logo ou eu mesmo vou te dar um chute sabe a onde!
Peter engole seco e entrega o objeto para o amigo,estava saindo fumaça.Arregalo os olhos e começo a tremer freneticamente,a cor esvai do meu rosto e meus olhos começam a arder:
–Esta com medo?-Alic pergunta sorrindo.-Vai ser rápido.
Ele segura meu braço e mira a chapa no meu pulso:
–Aqui vai ficar ótimo.-ele lança um olhar maligno para mim.
Não tenho tempo de me preparar para aquilo,sinto algo extremamente quente tocar meu pulso em uma forte agressão contra minha pele.Sinto meu braço praticamente arder com o calor extremo,era mil vezes pior que se queimar com água fervente:
–AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH-grito com todo o ar do meu pulmão.
Várias lágrimas caem livremente sobre meu rosto sem que eu permita.Alic comprime ainda mais aquela chapa contra minha pele:
–Isso é por ter resistido.-ele sorri e aperta ainda mais.
–PARAAAAAAA!!! PARAAAAA POR FAVOR....- grito em total desespero e dor
Ele comprime com toda a força aquela chapa contra meu pulso,minha visão fica embaçada,era uma dor em que eu não conseguiria suportar por muito tempo.
Alic finalmente puxa a chapa fortemente,retirando-a sobre minha pele,a dor é ainda maior,pois a chapa havia grudado na minha pele de tão quente que estava.
Deixo minha cabeça cair bruscamente contra a maca,minha respiração estava curta e rápida,meu coração parecia explodir dentro de meu corpo,minha cabeça gira desorientada com todas aquelas sensações brutais e desconhecidas:
Peter sorri satisfeito ao me ver atordoada e horrorizada,tremendo de dor sem comando do meu próprio corpo que pedia ajuda:
–É bom estar preparada...esse é apenas o começo princesa.
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Alic me carrega para dentro do quarto,minha mão estava insuportavelmente dolorida,eles haviam esterilizado para evitar infecções.
Ele me deita na cama e sai fechando a porta e a grade.Vejo Angel correr até minha cama assim que eles vão embora:
–Ta tudo bem??-ela pergunta preocupada.
–Foi...-tento dizer mas um nó se fixa na minha garganta.-Foi horrível.-não aguento mais segurar toda aquela dor e começo a chorar.
Esse lugar era alguma espécie de inferno na terra,eu estava longe da minha família e dos meus amigos e além das saudades vou ter que suportar todas aquelas agressões sobre-humanas,eu não sentia nada além de dor,uma dor que parecia não ter mais fim,física e sentimental,eu estava acabada de todos os jeitos e sei que aquele era apenas o começo de tudo isso.
Soluço enquanto penso na minha mãe e meu pai saindo como uma família normal e logo depois nos meus amigos tirando onda de tudo e de todos enquanto saiamos nos finais de semana,isso havia acabado e eu não sabia se um dia eu teria esses momentos de volta.
Angel me olha e seus olhos parecem refletir minhas tristezas,ela toca de leve meu cabelo fazendo um leve cafuné,essa menina era uma garotinha meiga e doce:
–Eu sei,eu sei.-seus olhos parecem arder também,ela segura minha mão machucada.-Deixa eu dar uma olhada nisso.
Vejo aquela queimadura coberta por remédios que dava uma cor alaranjada em minha pele, tinha os números “019”,era uma marca pequena em meu pulso,dava para esconder com aquelas pulseiras mais grossas de roqueiras:
–Já passou!-Angel diz docemente tentando fazer com que eu parasse de chorar de um jeito tão doloroso.
Soluço:
–Eles ainda vão fazer muitas coisas comigo...não vão?- pergunto apesar de já saber a resposta.
Ela me olha e uma lágrima solitária rola pelo seu rosto,ela abaixa a cabeça e olha para meu lençol :
–Sinto muito.-ela diz se sentindo culpada por ter que dizer a verdade.
Sinto uma enorme dor em meu peito e meu desespero parece apenas crescer,em um impulso abraço Angel na minha frente,ela era a única pessoa em que eu sabia que podia confiar nesse lugar,era uma pessoa boa e reconfortante,eu me sentia em casa ao lado dela.
Ela parece surpresa e me abraça também enquanto eu choro:
–Não importa o que eles fizerem com você,lembre que toda vez que você acordar eu vou estar aqui e agente vai poder brincar.-ela sorri e fala com sua voz infantil.
Ela era tão calorosa,uma garotinha como essas em um lugar horrível como esses deveria ser protegida,eu não deixaria nada acontecer com a Angel,eu não deixaria nenhum daqueles caras levantarem um dedo em sua direção:
–Eu também vou estar com você,se precisar de mim é só chamar.-sorrio melancolicamente entre minhas lagrimas.-Quero ser sua irmã mais velha,aceita?
Angel sorri de orelha a orelha,seus olhos brilham radiantes como um farol iluminando toda aquela escuridão,eu estava disposta a proteger-la:
–Eu nunca tive uma irmã-diz quase pulando de alegria e emoção,ela me abraça forte.-Claro que aceito.
Sorrio,e esse era apenas o começo de uma amizade verdadeira.
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POV´S AUTORA
Uma viatura da policia estava parada na frente da casa dos Souza o que despertou a atenção dos vizinhos.
Dentro da casa haviam dois policiais altos e musculosos e alguns amigos da desaparecida,além de seus pais que estavam abalados e sem rumo.
Dona Luisa estava sentada e abraçada com seu marido no sofá,o rosto de ambos estavam inchados e pálidos,a dor no peito de cada um era incalculável,levaram seu único e mais precioso tesouro,sua filha:
–Quantos dias exatamente sua filha esta desaparecida?-o policial moreno pergunta a qualquer um dos seus pais.
–Dois,foi antes de ontem.-seu Souza responde pois sua mulher estava abalada em seu braços.
Cebola batia os pés impaciente,ele havia sido chamado para contar os detalhes da noite do crime,mas tudo que ele queria era as respostas e soluções,aquilo estava muito enrolado,ele não queria perder tempo,quanto antes achassem a Mônica melhor:
–Vocês ainda não tem informações?-ele pergunta impaciente.
O policial moreno dá um longo suspiro,Magali mordia os lábios apreensiva:
–Eu vou ser sincero quanto ao caso.-ele diz bastante sério o que não havia soado nada bem.-Estavamos tentando chegar a uma conclusão mais concreta sobre nossa suspeita mas....
–Mas??-dona Luisa pergunta cada vez mais nervosa e seu marido a encolhe ainda mais em seus braços.
Os dois policiais se olham indecisos,aquilo bastou para que seu Souza perdesse a paciência de vez:
–Por favor,se tiver alguma coisa acontecendo com minha filha eu quero saber!!
O moreno se dá por vencido:
–Como eu lhes falei não é nada concreto...,mas até agora o grupo não ligou fazendo chantagens ou coisa do tipo,o que é muito estranho,também não há muitas provas, o que quer dizer que se trata de um grupo experiente e organizado e não uma simples quadrilha,além disso não há nenhuma filmagem que mostra o momento do crime...eles provavelmente escolheram uma rua sem esses recursos ,talvez uma rua escura ou deserta que dificulta a imagem das filmagens.
O outro policial loiro completa:
–O que ele quer dizer é que esses tipos de crime são mais comuns quando se trata de programas inteligentes,o fato de não terem ligado pedindo dinheiro é mais uma evidencia,o que quer dizer que eles já tem uma ultilidade muito bem elaborada e definida para a filha de vocês e para todas as outras vitimas,é um sistema clandestino mas bem elaborado.
Cebola arregala os olhos.Sistema inteligente?
–Mas que tipo de sistema inteligente?-pergunta Magali tentando segurar seu choro.
O moreno dá de ombros:
–Não sabemos ainda,pode ser trafico de órgãos, um sistema de trabalho forçado...ainda estamos investigando a fundo o caso.
Ao ouvir todos aquelas possibilidades horríveis e cruéis dona Luisa começa a chorar de medo,não queria que sua filha passasse por coisas horríveis,estava inconsolável.As lagrimas também lavam o rosto de Magali,era angustiante não saber onde sua amiga estava e se estava bem.
Cebola pergunta com um fio de esperança e rosto completamente molhado:
–O que isso quer dizer?
O policial loiro dá um suspiro enquanto tem uma pose exausta ao mesmo tempo que profissional:
–Quer dizer que será muito difícil,temos um longo caminho pela frente.
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