Flower Vanilla

1 Um Homem Encantador


Notas iniciais
Desculpem-me qualquer erro de português, boa leitura!

Capítulo um — Um Homem Encantador

As ondas de fumaça branca do chocolate quente rodopiavam como bailarinas ao vento, enquanto os marshmellows de cor do algodão flutuavam na xícara de porcelana fina. Barcelona não poderia estar melhor, pensei ao observar o céu pálido colorido com azul e branco da janela da cafeteria onde estava. O inverno dava seus primeiros sinais do ano, enquanto eu sentia-me congelada há muito tempo.

Arrepiei-me com a rajada de vento cortante e frio, esfregando as luvas de lã pretas na calça jeans. Mal havia adaptado-me ao apartamento comprado recentemente na cidade, próximo ao chafariz principal da praça, que já queria recolher as malas de couro italiano e voltar para Paris, cidade em que estive por longos e tortuosos oito anos.

Gemi desgostosa ao constatar pelo relógio pregado na parede do estabelecimento que dali a alguns poucos minutos deveria retirar-me e visitar meu querido pai em sua relojoaria, o velho otimista que era extremamente religioso, que flertava sem parar com a viúva do chapeleiro falecido há mais de uma década.

Um tilintar de sinos fez-me despertar de meus devaneios, dirigindo o olhar para a porta de vidro, onde estavam duas crianças. Crianças barulhentas, com uma virtude que me causou inveja. Suspirei e ajeitei a touca, arrumando alguns fios do cabelo rosa comprido. Levantei-me sem pressa, pensando na ilustre presença de meu pai, olhando-me estranho quando comentava sobre como eu era semelhante à minha mãe.

Pousei algumas notas na mesa de madeira clara, partindo em direção a porta e deixando para trás uma xícara de chocolate quente pela metade.

Assim que abandonei a cafeteria senti minha pele congelar com os ares frios de Barcelona, procurando preguiçosamente o celular no bolso esquerdo de minha calça. Arregalei levemente os olhos ao notar que já se passavam das seis e meia, horário que meu pai me esperava.

Balancei a cabeça enquanto apertava o passo pelas calçadas rochosas. Nunca vou mudar mesmo, pensei em divertimento. As pessoas que caminhavam pelas ruas da metrópole procuravam avidamente por lanchonetes ou qualquer estabelecimento que os mantivessem aquecidos pelo ar condicionado, invés de expostos ao frio contínuo que chicoteava em seus rostos dolorosamente.

Os anos em Paris foram duros, pensei, porém também pude usufruir de minha vida após completar a escola e finalmente sair do internato cristão em que meu pai havia me matriculado. A cidade luz realmente me encantou, principalmente o fato de eu morar com minha mãe e meu novo padrasto. Anos mais tarde Mebuki deu luz a um menininho lindo, Adriàn. Uma das coisas que eu mais sentia gosto em fazer na França era levar meu irmãozinho ao parque nos fins de semana.

Logo senti-me algum tipo de intrusa na família que minha mãe havia construído, comprando imediatamente um apartamento em Barcelona, com a desculpa de querer viver com papai. O que não era totalmente mentira. Mesmo com todas as insinuações, eu o entendia, meu pai estava com o coração partido desde que sua ex-esposa abandonou-o, por mais que soubesse que errou com a mesma. Ele descontava em mim, mas sempre tive a plena consciência de que meu pai me amava com todas as suas forças, geralmente expressando isso em forma de piadinhas de escárnio e atos de ciúmes.

Também senti falta da Espanha. Foi neste lugar que cresci, assistindo os clientes de Tomás Walker elogiarem os ótimos sistemas dos relógios cintilantes metalizados.

Logo avistei a loja de relógios e bugigangas estranhas de meu pai sobre o escurecer do dia, suspirando em derrota dirigi-me até lá. Até os meus quatorze anos, sempre que papai me via reclamava de alguma coisa, seria isto a roupa, o cabelo, o porque ele achava que eu sempre viveria à suas custas pois eu não continha beleza suficiente para encantar um homem, e adiante.

E agora, tais palavras insensatas fluíam em mim, deixando-me desesperada e insegura. A opinião de meu pai era importante, eu estava com medo de sua reação após longos oito anos de separação – mas que ele esperava que fossem somente três anos. A placa de madeira em verniz destacava as letras escritas do tipo de forma Harrington, com contornos em verde musgo.

“Relojoaria Walker”

As portas de vidro estavam embaçadas, de maneira tal que não poderia enxergar o lado de dentro. Abri-a hesitantemente, como se um dragão estivesse a ponto de incendiar-me se entrasse abruptadamente naquele local.

O velho sino de porta despertou, quando adentrei a relojoaria e avistei-a bem melhor do que era antes de meu pai expulsar-me para França.

O pulôver negro e o cachecol do mesmo tom não foram o suficiente para esquentar-me naquele momento, por mais que a relojoaria promovesse um clima agradável e quente. Fui andando em passos lentos, observando os “trequinhos” que meu pai adorava.

O chão de madeira nobre era claro e brilhante, as prateleiras erguiam-se como pedestais até o teto, as paredes continham pequenos símbolos detalhados nas cores da placa que estava instalada na rua, e o lustre visivelmente caro habitava o centro do teto, simetricamente. O que antes era somente uma estrutura seca transformou-se em uma loja luxuriosa, enriquecida com detalhes magníficos.

– Posso ajudá-la? – Uma voz grave me assustou, ecoando de maneira forte em meus ouvidos quando constatei que era um rapaz moreno, absurdamente lindo, por sinal. Sorri, tentando não parecer ridícula.

– Oh! Oui, je veux parler à la propriétaire ... – Falei em francês, como era de meu costume, mas ao olhar a expressão confusa do homem corrigi-me, xingando internamente minha desatenção.

– Desculpe, estou acostumada com francês... Mas eu queria falar com o dono, Tomás Walker. – Falei pausadamente, percebendo que não estava mais acostumada ao Espanhol, e com um leve sotaque francês. O homem sorriu, pedindo-me educadamente para que esperasse, enquanto encaminhava-se aos fundos da loja.

Não pude evitar corar em extremo ao perceber que este era o rapaz mais bonito que já vira na vida, com certeza. Afastei os pensamentos maliciosos e concentrei-me nas relíquias das prateleiras, avistando uma caixinha de música familiar aos meus olhos.

Encantei-me com a lembrança de que amava aquele objeto desde que papai o comprara de uma loja comum na avenida del Tibidabo, e feliz ao constatar que ninguém havia comprado-a. A bailarina encontrava-se em sua posição glacial, com a magnitude intacta, como se o passar dos anos fosse para ela somente alguns minutos. Seu braço esquerdo erguido na altura dos olhos passava a impressão de que os movimentos nunca acabariam, a pele de porcelana frágil encantando a todo o par de olhos que pousassem sobre ela.

O som de passos pesados machucando o assoalho alcançou meus ouvidos, quando percebi estar em frente a papai. Parecia-me que como a bailarina, oito anos não o causaram efeito algum.

– Sakura, você nunca vai se ajeitar na vida mesmo! Sabe que horas são? – Perguntou-me possesso, ajeitando os óculos de grau retangulares.

– Desculpe-me, acabei demorando um pouco na cafeteria dos Valentine... Mas é bom vê-lo, pai. – Perguntei com a intenção de desviar o assunto, insegura e tímida.

– Huh, como eu disse: você nunca vai se ajeitar na vida! Pensei que nunca sairia de Paris, mas aqui está você. E a vagabunda de sua mãe? Já deve ter corneado o marido engomadinho dela, disto tenho certeza! – Falou convicto, fazendo-me suspirar.

– Como está sua vida, papai? – Perguntei casualmente, enquanto o velho sorria, repreendi-me mentalmente quando fiquei surpresa ao constatar que nenhum dente seu faltava.

– Bem, eu e Carlota estamos juntos, e a relojoaria está indo de vento em poupa! Tudo graças a este gênio que contratei já faz um bom tempo, – deu tapas nas costas do homem que antes me atendera. – Sasuke Uchiha. Você deve se lembrar de que a família deste moço é dona da imobiliária, mas não sei, do jeito que esta sua cabeça dá nó, pode ser difícil. – Caçoou risonho.

Quando estava pronta para comentar algo conveniente, meu pai se pôs de costas, alcançando as chaves no balcão de atendimento e tagarelando como nunca havia visto antes.

– Vamos tomar chá, é isso que você gosta, certo Sakura? Você e sua mãe são japonesas... Sasuke também é, acabei me acostumando com chás. – Dirigiu seu olhar ao Uchiha. — Feche a loja e depois suba para meu apartamento, vamos comemorar o fim de Marx Lustein! – Sasuke sorriu balançando a cabeça. Estranhei a atitude mais dócil do que o normal de meu pai, enquanto o acompanhava subindo as escadas internas que levavam a seu apartamento em cima da loja de relógios, fundada pelo meu falecido avô maluco e contador de histórias.

Atravessamos o corredor luminoso, e quando meu pai estancou diante de uma porta, lembrei-me vagamente de que aquela era a entrada para o apartamento. Não pude deixar de surpreender-me, pois o clima que rodeava meu pai não era mais árido e grotesco, algumas de suas palavras ainda eram duras, mas com o passar dos anos meu velho pareceu-me agora descontrair-se mais e preocupar-se menos – ou ele estava feliz apenas por ter derrotado seu rival, Marx, qual eu acreditava ser o homem mais inteligente que conheci.

Ele introduziu a chave banhada em bronze na trinca, abrindo a porta para mim. Logo se dispôs a esquentar a água na chaleira, deixando-me só, perdida em lembranças ruins.

Meus pais viviam em zona de guerra, um ferindo mais a si próprio do que ao outro ao soltar frases falsas causadas pela irritação momentânea. O ar que pairava como um peso sobre nós era pútrido e insuportável, tanto que minha mãe não agüentou mais as saídas noturnas de Tomás às esquinas famosas de Barcelona, e em uma destas saídas que a faziam sofrer arrumou as roupas em três malas de couro barato e se foi, alegando a mim que meu pai cuidaria melhor de uma criança do que ela, uma mulher que estava sem dinheiro e precisaria de tempo para estabelecer-se. Ela prometeu vir me buscar quando estivesse em pé de novo, mas nunca aconteceu. Ela simplesmente casou-se com outro e foi para França.

Aproximei-me de uma mesinha decorativa, olhando fixamente para a foto de minha antiga família. Minha mãe sorria enganchando seu braço com o de meu pai, que bagunçava os cabelos róseos de uma garotinha... Meu passado estava tão distante como Paris, lamentei por isto.

– Com licença – Sasuke, recém chegado ao lugar, foi cortado abruptadamente por meu pai, gritando da cozinha.

– Ei, vocês vão querer chá de quê? Carlota ama chá. Ela me ensinou a fazer vários tipos, até comprou para minha cozinha mais de oitenta caixas de chá. Podem escolher qualquer sabor, tenho certeza que vou encontrar aqui! – Proferia alegremente, erguendo dois pacotes brancos.

– Qualquer um, papai. Lembro que o senhor gostava muito de camomila, ou estou enganada? – Perguntei confusa.

– Os anos na cidade luz não lhe fizeram bem, Sakura. Eu gostava demasiado de chá de boldo... – Sua última frase saiu como um murmúrio, enquanto entretinha-se com as caixinhas coloridas da estante aérea. Ouvi uma gargalhada estrondosa da cozinha, constatei ser de papai.

– Sua cabeça deve estar cheia de bobagens ditas pelos bichas parisienses! Aqueles sim que são homossexuais de primeira! Romancistas... Nunca ouvi tal idiotice! Mulheres experientes gostam mesmo é de bons beliscões no traseiro! Esses parisienses não vão tirar nada recitando poesias inúteis à virgenzinhas como você, minha filha! O máximo que você deve ter feito, proponho eu, que foi um beijo na bochecha! – Envergonhei-me ao máximo com a fala de meu pai, mas ignorei-a.

– Esta Carlota... Ela gosta destes beliscões, como você diz, papai? – Alfinetei, vendo-o rir em demasia. Senti que minhas bochechas incendiavam, e a vermelhidão apenas aumentou depois que percebi que Sasuke olhava para mim abafando o riso.

– Gosta sim! Seu pai pode estar velho, mas tem capacidade para mais quatro filhos! – Retrucou sem delongas, vangloriando-se.

– O que você disse, Tomás? – Perguntou uma voz ao fundo, reconheci pertencer a uma mulher, ao inclinar a cabeça pude avistar a imagem de uma moça magra, já em seus quarenta anos, com as mãos na cintura. Supus ser a tal Carlota.

– N-nada, querida. Sakura estava contando sobre seus namorados. Certo... – Olhou para mim, apenas sorri, mostrando que não iria ajudá-lo. Papai logo tomou outro rumo, olhando para o rapaz moreno. — Sasuke? – Este apenas sorriu.

– Prefiro não interferir... – Soltou, observando curioso o que papai faria.

– Pois escute bem, Tomás... Eu já estava aqui até mesmo quando você perguntou a estes jovens sobre o chá! E retire o que disse sobre parisienses, pois eles são mais românticos do que a maioria dos homens, que já chegam nos apalpando e acham que conseguem alguma coisa com moças de família! Desculpe-me Sasuke, sei que você não faz parte destes nojentos... E quem lhe disse que gosto destas depravações? – Carlota tinha cabelos castanhos e um ar de zelo, mas ao mesmo tempo um gênio amedrontador. Ela ameaçava meu pai, que pedia desculpas continuamente, arrependido de sua fala anterior.

– Desculpe-me Sakura, não era essa a primeira impressão que queria lhe passar... Vou fazer biscoitos, os jovens aceitam? – Declarou a moça, sorrindo.

– Eu amo seus biscoitos de baunilha, Carlotinha! – Bajulou meu pai, recebendo um olhar severo em troca.

– Eu disse jovens, Tomás. Agora se apresse e vá terminar o chá que a água já está fervendo. – Comandou a mulher, puxando-o para a cozinha.

– Ah, Sakura, eu preparei seu quarto antigo, espero que goste! – Abri a boca para avisá-la de que havia comprado um apartamento ali perto, mas seu entusiasmo não me deu chance. – Tomara que aprove, vai, pode ir! É a primeira porta a esquerda! Sasuke leve-a lá, ela mal deve se lembrar. – Concluiu, desaparecendo pela porta da cozinha. Fechei minha boca instantaneamente, concluindo que Carlota era mesmo um tipo invasivo, porém agradável.

– Vai vir? – Perguntou-me Sasuke, que já estava apoiado no marco do corredor. Assenti, girando os calcanhares em sua direção.

Meu antigo lar havia mudado, um exemplo notável eram os papéis de parede e os móveis, que antigamente eram velhos e simples. O moreno guiou-me até uma porta branca no fim do corredor, que reconheci por ser a do “meu quarto”.

Abri-a sem hesitar, observando a cama de solteiro, a escrivaninha e o pequeno guarda-roupa, que não haviam sido personalizados, decorados ou sofrido quaisquer tipos de mudanças. Agradeci por isto.

Em cima da cama bem arrumada com um lençol de malha cor-de-rosa estava aconchegada uma boneca de panos, não pude evitar rir ao contemplar tal cena.

Lizy foi minha melhor e única amiga até os nove anos, mesmo sendo um brinquedo simples. Eu contava tudo a ela, relatava cada parte de meus dias. Também contava a Lizy sobre como sentia falta da mamãe, às vezes meu pai me ouvia e chorava baixinho, eu fingia que não o via ou escutava.

Minha boneca acabou sendo deixada de lado após eu conhecer Luna Grigori, a italiana que havia acabado de chegar à escola. Mas sempre guardei Lizy muito bem, e a boneca sempre dormira comigo.

Aproximei-me da cama e alcancei a boneca, ninando a mesma em meu colo. As cortinas estavam abertas, e o vidro exterior da janela estava fechado devido ao frio horrível presente nas ruas.

Ouvi um barulho ensurdecedor de panelas caindo ao chão, e assustei-me, deixando a boneca de lado. Sasuke estava parado no batente da porta clara, alarmado.

– Acho melhor ver se Carlota não matou seu pai. – Riu, enquanto ouvíamos ecos de gritos agudos.

Concordei e saí do quarto, seguindo para cozinha. O moreno acompanhou-me, silencioso. Quando cheguei perto de Carlota, a mesma ameaçava atingir uma frigideira na cabeça de meu pai, que alternava entre rir ou choramingar pelos tapas desferidos pelas mãos fortes da morena no alto de sua cabeça.

Ri baixinho, adentrando a sala de estar e quase sendo arrastada pelo cheiro adocicado dos prováveis biscoitos de baunilha de Carlota.

– Ah meus queridos, o chá de Tomás foi um desastre completo... Fiz outro, espero que gostem de chá de cidreira. Os biscoitos estão quase prontos! Sorte que eu precisava apenas assá-los, se não demoraria umas duas horas para servi-los... – Carlota seguiu para a mesa, servindo em três xícaras o líquido fumegante, para depois sentar-se, acompanhada por mim e por Sasuke.

Meu pai juntou-se a nós alguns instantes depois, recebendo um olhar subliminar da moça, qual eu não entendi muito bem. Ele se sentou, sorrindo e servindo-se.

– E então, Sakura, pensei que ficaria somente três anos em Paris. – Comentou ele. Seu olhar tornou-se vago, uma corrente de tristeza preencheu-me.

– Bem... Logo que saí da escola ganhei uma bolsa em uma das melhores universidades locais, então resolvi prolongar a data, já que mamãe insistiu para que cursasse jornalismo na França... – Respondi, um tanto quanto incerta sobre a reação anterior de meu pai.

– Sua mãe... – Murmurou ele, em tom odioso. – Mas então, você já trabalha, certo? – Perguntou-me, deixando de lado a raiva contida na fala anterior.

– Trabalhava. Eu abandonei o jornal em que escrevia uma coluna em Paris para voltar para cá. – Retruquei, sorrindo.

– Mas isso é perfeito! Você pode pegar uma vaga no jornal local, Sakura. Mas me diga, quer que eu mude algo em seu quarto? Acho que apesar do seu cabelo, não quer uma cama rosa e um tapete de coelhos para ver todo o dia... – Comentou Carlota, visivelmente animada com a idéia de trocar os móveis velhos de meus antigos aposentos.

– Não é necessário, Carlota. Mas agradeço. Eu comprei um apartamento aqui já tem alguns meses... – Falei, segurando o riso quando vi a expressão desapontada da morena.

– É uma pena mesmo. – Acrescentou, suspirando.

Fiquei feliz por meu pai ter consigo uma mulher como Carlota, divertida, boa cozinheira e amável – às vezes. Dentre os famosos biscoitos de baunilha e chá de cidreira a conversa tensa deu lugar às banalidades e brincadeiras, que perduraram firmes até conferir que já se passavam das dez e meia da noite.

Despedi-me dos mais velhos, Sasuke também iria acompanhar-me, pois descobrimos sermos vizinhos de porta. Já nas ruas da metrópole, tive certeza de que este inverno estava irremediavelmente tempestuoso. Para mim, fora um dos piores invernos de toda a Barcelona!

O prédio se localizava próximo dali, atributo qual agradeci fervorosamente logo que a temperatura baixou. Nós chegaríamos lá rapidamente, eram apenas duas quadras de distância da velha loja.

– Paris é realmente uma cidade encantadora. – A voz masculina fez-se presente, logo que atravessamos a rua larga. Sorri em concordância ao comentário, corando miseravelmente. Como odeio isso!

– Sim, realmente. Mas quando se praticamente mora em um internato parisiense comandado por freiras, a cidade toda perde a mágica. – Ele riu, e então percebi que já estávamos em frente ao prédio de arquitetura antiga. Dirigimo-nos até as respectivas portas, e quando fui despedir-me de Sasuke com um simples beijo na bochecha, o mesmo agarrou-me em pleno corredor!

Simplesmente perdi o ar. Seus braços apertavam-me a cintura, enquanto beijava-me ferozmente, trazendo meu corpo cada vez mais próximo ao seu. Levei minhas mãos até seus fios rebeldes, e então a falta de ar nos fez separarmo-nos.

Ambos estávamos ofegantes, e ouvimos um resmungo.

– Ei vocês, entrem em um apartamento ou vão a um motel! – Uma idosa de cabelos brancos tinha em mãos uma frigideira velha, e nos fitava carrancuda – e enquanto falava, pude constatar que a mesma estava sem a dentadura. Ela saiu de minha vista e então a voz dele soou.

– Boa noite. – Disse.

– B-boa noite. – Gaguejei, entrando imediatamente no apartamento.

Notas finais
Olá pessoal! Agradeço a quem leu até aqui, de verdade. A fanfic será curta, melosa e com um pingo (mínimo) de comédia. Fiz com carinho, mesmo que não seja lá essas coisas. Abraços!S.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.