Flower Girls
5 Sou resgatada por um biscoito.
Notas iniciais
Fui acordando aos poucos. Onde raios eu estava? Levantei com tudo, o que me deixou um pouco tonta. Minha visão foi normalizando e percebi estar em um pequeno quarto quase todo branco. O que havia acontecido mesmo? Pense Violet. Você entrou no refeitório, se escondeu em Camellia, as duas ficaram atrás de bandejas e... Droga! Acabei de lembrar o porquê de estar aqui. Levantei rapidamente, pronta para sair dali, mas antes que eu pudesse passar pela porta, uma senhora vestindo jaleco branco veio em minha direção.
— Opa, opa, opa! Aonde a senhorita pensa que vai? – Perguntou.
— Para... O meu quarto? – O que era para ser uma resposta convicta virou uma pergunta hesitante.
— Não sem antes fazer um check up*! – Exclamou autoritária. – Também poderia me contar como fez para chegar até aqui, e ainda por cima com uma lata de lixo na cabeça. – Puxa, acordei tão confusa que até esqueci que estava com a cabeça presa naquele trambolho antes de desmaiar. A senhora me guiou até a cama e eu fui contando minha história à ela, enquanto a mesma me examinava. Ela me contou que havia sido um sacrifício tirar o lixo da minha cabeça, que de algum jeito eu consegui fincar o negócio ali de modo que foram precisos outros dois ajudantes para arrancar. Disse também que eu não parava de me mexer, alegando que fazia cócegas. Mesmo desmaiada eu consigo pagar mico, eu mereço! Ela explicou tudo isso enquanto testou meus pulmões e colocou aquela lanterninha irritante sobre meus olhos. – Pronto, nada de anormal. Já pode sair agora. – Ela falou me dirigindo um sorriso gentil. Gostei dela.
— Mas, uma coisa me deixou intrigada... Como eu vim parar aqui? – Perguntei de costas para a senhora, enquanto calçava meus sapatos, que haviam sido tirados assim que comecei o tal “check up”.
— Eu te trouxe. – Ouvi uma voz vinda da porta, e posso jurar que congelei na posição em que estava. Eu conheço aquela voz. Conheço muito bem. E somente a ideia de ter sido carregada naqueles braços me deixou envergonhadíssima.
— A-ah... – Foi tudo que consegui pronunciar no momento. Meu coração estava quase saindo pela boca.
— Bem, acho que vou checar a prateleira de remédios. – Falou a enfermeira. Maligna! Era o mesmo que dizer “vou deixar vocês sozinhos, assim você pode ter uma parada cardíaca sem eu estar por perto.” Ela saiu pela única porta presente no aposento, e eu criei coragem para me virar e encarar o rostinho lindo parado à minha frente. Seus cabelos estavam um pouco molhados, provavelmente de suor, e espalhados por sua testa. Devia estar ensaiando. Ele usava uma blusa branca simples, e uma bermuda larga preta. Desviei o olhar, estava corada.
— O-obrigada JungKook. – Agradeci.
— Não há de qu... – Ele mesmo se interrompeu. – Espera aí! – Falou dando um passo para mais perto, ao mesmo tempo em que eu dava um para trás. – Você não é aquela garota de ontem? A que estava apanhando?
— Eu não estava apan...! – Parei de falar. Quase grito na cara dele. – Sim, sou eu mesma.
— Não foi nada legal o que você fez com a sua amiga. Erguer a cabeça de alguém puxando seus cabelos não parece ser muito confortável.
— Isso por que você não viu o que ela fez com o meu cabelo. – Murmurei.
— Não sei se você esqueceu, mas a porta do refeitório é de vidro, todos lá dentro viram o que estava acontecendo antes de vocês entrarem desgovernadas. – Ele falou soltando um risinho.
— Ah, que ótimo. Já vi que sou famosa por aqui agora. – Resmunguei.
— Ah, e isso é seu. Deve ter caído no chão no meio da confusão. – Ele ignorou meu comentário, me entregando um celular. Só então percebi que não estava com ele no bolso da calça.
— Obrigada. – Agradeci novamente.
— Não precisa agradecer. – Falou. – Só quero saber seu nome. – Fiquei sem graça e olhei para meu celular, tentando desviar a atenção dele. Foquei no relógio e, Santa tia Cleide! Já são dez e trinta e cinco! Estou atrasada, precisava estar na sala do manager junto com as outras garotas!
— E-eu tenho que ir! – Falei me apressando.
— Você não me respondeu. – Observou ele, quando eu já estava cruzando a porta. Virei-me e o mesmo estava parado ao lado da cama.
— Sou a Violet.
Falei quase saindo, mas não sem antes escutar:
— Você é engraçada, e nos deve uma salada! – Cobrou rindo, enquanto eu me afastava cada vez mais. Sorri com o pensamento de comer uma salada junto com os meninos.
Passei correndo por vários corredores, cruzando escadas e esbarrando em algumas pessoas e só quando estava parada em frente á uma sala de ensaio qualquer, percebi que eu não tinha nenhuma noção de para onde estava indo. Bufei e encostei-me à parede mais próxima, esbaforida. Olhei meu relógio no celular, dez e quarenta e cinco. Só um milagre para me fazer chegar à sala. E, talvez, por ironia do destino, encontrei a moça que apelidara de tia Cleide, passando perto de mim.
— Com licença, senhora! – Chamei-a e a mesma veio em minha direção. Acho que me reconheceu, pois sua feição não fora uma das mais felizes. Pelo menos ela foi educada.
— O que quer? – Talvez não tão educada assim, mas pelo menos não me ignorou.
— Preciso chegar à sala do Jang PD-nim, mas não consigo encontrá-la. Poderia me indicar o caminho? – Perguntei com o meu melhor sorriso doce, e a mesma só revirou os olhos, me puxando pelo braço enquanto andávamos até o elevador.
~//~
— Obrigada tia Cleide! – Agradeci, enquanto lhe dava um abraço rápido e entrava na sala.
— Tia Cl...? – Não dei nem tempo dela terminar a frase e bati a porta em sua cara. Desculpe, mas eu estou atrasada.
Já dentro da sala, avistei todas as minhas colegas espalhadas entre os sofás e poltronas do local, e o PD-nim de costas para mim, falando com elas. Limpei a garganta, tentando chamar sua atenção, e funcionou.
— Está atrasada! – Ele falou, mas não de um jeito severo, e sim cantarolando, o que eu achei estranho. Esse cara é estranho. Mas, estou começando a gostar da loucura dele. Talvez seja igual a minha.
— Miane PD-nim! – Falei embaraçada. – É que aconteceram uns... acidentes, — Olhei para Camellia, que me encarava de um jeito raivoso. Se olhos tivessem lasers, eu já teria sido fuzilada. – E eu me perdi no caminho, me desculpe.
— Tudo bem. Dessa vez vou tolerar. Sente-se ao lado de Camellia! – Falou animado e eu engoli em seco. Fiz o que ele mandou. – Agora que todas estão aqui, vou explicar como tudo irá funcionar. – Ele assumiu uma posição séria, de frente para nós.
— No dormitório você vai ouvir poucas e boas. – Camellia sussurrou em meu ouvido, e eu só assenti com a cabeça. Não sou louca de discordar.
— Entre hoje e amanhã, vocês passarão por testes, pelos quais será definida a função de cada uma no grupo. Esses então serão os dias onde terão um descanso à mais. Depois de definidas suas funções, o trabalho árduo começa. Vocês terão aulas de dança e de canto, e aprenderão técnicas que serão muito utilizadas em palco. Podem ou não haver gravações de músicas e chats ao vivo. Vocês também farão mais exercícios, e será passada para cada uma de vocês, uma dieta equilibrada. Não posso dizer claramente quanto tempo durará seu período de trainee, dependerá de seu esforço e desempenho. Pessoas podem ser acrescentadas ao grupo conforme o tempo passa, como também poderão ser tiradas. Torçamos para que isso não aconteça, não é? – Todas nós concordamos, um pouco assustadas com a possibilidade de sermos “eliminadas”. – Neste instante, iremos para uma sala de ensaio. O professor irá passar uma coreografia, e de acordo com a facilidade de cada uma para aprendê-la, iremos definir o dançarino líder e o principal. Conforme vocês realizarem as tarefas, vou indicando o que irão fazer em seguida. Todas entenderam?
— Ne! – Falamos ao mesmo tempo, e eu, retardada do jeito que sou, bati continência.
— Agora, vão colocar uma roupa mais leve. Vocês vão precisar. – Disse ele, rindo.
Apenas fizemos o que mandou e fomos à sala de ensaio.
Que os jogos comecem! E que a sorte esteja sempre à seu favor!
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