Flower Girls

1 Rose, sem piadas, por favor!


Notas iniciais
Oii povoo! Minha primeira fic sobre Kpop. Entrei nesse mundo purpurinado, e não saio nunca mais kkkk. Espero que gostem! XOXO >_

Sabe... Quando eu digo que não aguento mais, é por que eu realmente não aguento mais! Não sei se já cheguei a mencionar esse fato para alguém, mas eu sou “meio” claustrofóbica. Na verdade, não existe isso de “meio”, eu sou claustrofóbica. E ficar dentro de um avião por doze horas, para alguém como eu, é o cúmulo! Já estamos aqui à 6 horas, Jasmine está dormindo ao meu lado esquerdo, enquanto Rose lê algo em seu celular, ao meu lado direito. Além de não encontrar nada para fazer, sinto constantemente as paredes se fechando ao meu redor. Quanta alegria!

Remexo-me desconfortável em meu assento, não aguentava mais ficar sentada, mas era preciso. A todo o momento, eu ditava frases de encorajamento à mim mesma, como “Hey Violet, lembre-se do porque de estar passando por tudo isso.” “Você vai para a Coreia do Sul!” “Vai ser uma Trainee!” “Aguente mais um pouco...” — Eu estou tentando!– converso com minha consciência pela milésima vez naquele dia. Virei-me para minha amiga Rose, e comecei a encará-la. Lembrei-me de como nos conhecemos. Não foi uma das melhores ocasiões, mas agora rende altas risadas. Para não me alongar, digamos apenas que eu acabei coberta de Coca-Cola, enquanto ela tentava retirar um caranguejo do seu cabelo. Sim, um caranguejo. Isso aconteceu quando fomos apresentadas umas as outras, em um restaurante de frutos do mar. Havíamos sido selecionadas, entre montes e montes de garotas, para sermos trainees. Jasmine apenas assistiu à nossa cena com um discreto sorriso de divertimento no rosto. Aquele dia ficará para sempre marcado na história. Isso tudo aconteceu há pouco tempo atrás, mas mesmo assim, fizemos amizade com facilidade, apesar da desavença inicial. Percebi que ainda à encarava, enquanto flutuava em meus pensamentos, e a mesma me lançava um olhar confuso agora, como se dissesse “o que diabos está olhando?” . Eu apenas lhe lancei um sorriso amarelo, enquanto procurava um assunto para cortar o silêncio.

– Estou entediada... Não consigo dormir e sinto falta de ar. – Resmunguei.

– Nossa! Credo! Que reclamona! – A mesma resmungou de volta, ainda olhando para o celular e eu soltei uma risadinha. – Sabe o que isso pede? –Perguntou ela, agora deixando o aparelho de lado e me encarando com um sorriso travesso no rosto.

– Ah não! Não, não, não! – Neguei já prevendo o que viria pela frente. Mas antes que pudesse tampar sua boca, a mesma terminou a frase.

– Uma piadaaaa! – Exclamou animada, enquanto eu fazia o possível e o impossível para não escutar o que ela falaria a seguir. Só para esclarecer, Rose é a rainha das piadas ruins. – Quem é o rei da horta???? – Perguntou ela, esperando uma resposta. E, vendo que não à teria, respondeu à si mesma. – O “Reipolho”! – Depois disso ela caiu na gargalhada. Eu ri junto, mas não por conta da piada, e sim por conta de sua risada. Imagine uma hiena tendo dor de barriga... Seria mais ou menos assim.

Decidi que não adiantaria conversar com ela, já que segundos depois, a mesma voltou a olhar o celular, ignorando completamente minhas lamúrias. Insensível!

Apanhei meu celular dentro da minha bolsa, e conectei o fone de ouvido. Logo em seguida escolhi a Playlist “Kpop” para tocar, e deixei minha mente vagar, relembrando fatos, revivendo memórias. Lembrei-me desta manhã, quando eu estava descabelada, andando para lá e para cá, tentando arrumar minha mala, já que havia deixado para a última hora (Como sempre). Lembrei-me também de minha mãe, e de como ela estava triste com a minha partida. Mas, era por ela que eu estava indo. Por ela, eu estava largando a escola. Pode parecer estranho falar isso, enquanto o que realmente parece é que estou à abandonando. Mas, se eu conseguir debutar, se eu fizer sucesso, ganhar dinheiro, tudo terá valido a pena. Estou indo para dar à ela e meu irmãozinho, uma vida melhor. E foi no meio desse pensamento, que eu consegui finalmente adormecer.

~//~

Senti alguém me chacoalhando bruscamente, era a Rose. Delicada como o coice de um cavalo.

– Ya! Acorda sua seborreia satânica! – Rose e seus xingamentos cada vez mais esquisitos. Decidi nem comentar. Eu estava em um estado “dorme-acorda”, e quando fico assim, não controlo as palavras que saem da minha boca.

– Ah... Você já voltou... – Murmurei sem nem saber do que estava falando.

– Voltou da onde sua maluca? – Ela perguntou confusa e nesse instante eu acordei completamente.

– Do que você está falando? – Perguntei sem entender. Eu não lembrava de nada do que havia falado segundos atrás.

– Do que você estava falando? – Ela se referiu a mim, deixando-nos duplamente confusas.

– Aish! Vocês duas! Não dá para se apressarem? Somos as únicas aqui dentro! – Jasmine resolveu se pronunciar. E só então percebi que o avião estava vazio, apenas conosco dentro, e a pobre comissária de bordo, que deveria esperar todos os passageiros descer para finalmente poder sair também.

– Eu já estou pronta. Só estava tentando acordar essa lambisgoia dorminhoca! – Rose se defendeu.

– Puxa, eu também te amo! – Retruquei com a voz arrastada por conta do sono. Para não prolongar a discussão, fui pegando minhas coisas largadas pelo assento, e andando em direção à saída. – Vocês não vêm? – Perguntei as duas garotas que ficaram para trás. A ruiva irritada, Rose, bufou e me seguiu, e Jasmine, apenas andou até nós, passiva como sempre.

Seguimos caminho, indo para a área de despache de bagagens (realmente não lembro o nome agora). Não foi difícil encontrar nossas malas, já que as mesmas estavam uma atrás da outra na esteira, e a minha era, digamos... Um pouco chamativa. O que? Não posso ter uma mala verde fluorescente com um desenho da Tinker Bell sem ser julgada?

Depois de pegar os trambolh... Digo, as malas, andamos em direção à ala de desembarque. Lá, avistamos um sujeito alto, careca, usando um terno Armani preto, sapatos sociais, um óculos escuro Ray-ban e uma escuta discreta. O mesmo segurava uma placa com o nome do nosso grupo. Parecia até um daqueles clichês que lemos em fanfics. Fiquei com um pouco de receio de ir de encontro à ele, já que o mesmo parecia estar vestido para ir à um funeral.

Já em sua frente, ele nos pergunta:

– Flower Girls? – Assentimos com a cabeça, todas ao mesmo tempo. Percebi que o mesmo era bem mais alto de perto, devia chegar a medir 1,80. Senti-me desanimada com esse pensamento. Será que eu era a única baixinha por ali? Ter 1,60 de altura é mesmo um castigo. – Olá, eu sou Woo-Bi e serei seu segurança a partir deste momento. – Ele falou e fez uma reverência, que retribuímos sem hesitação.

– Olá, nós somos... – Ia continuar falando, quando o mesmo me cortou.

– Já sei seus nomes, agora me sigam, por favor. – Pediu em tom sério, totalmente indiferente à nossas apresentações.

Vi Rose gesticular com as mãos e fazer caretas, como se dissesse: “Que cara chato”. Jasmine apenas revirou os olhos com a encenação da amiga, e seguiu Woo-Bi, como o mesmo havia pedido. Decidi seguir seu exemplo e, Rose, sem muita alternativa, fez o mesmo.

Entramos em uma mini-van preta (Gente, esses caras gostam de preto!),e eu consegui sentar na janela. Jasmine foi ao meu lado dessa vez, e nós duas entramos em uma conversa animada, tentando adivinhar o que aconteceria assim que chegássemos à BigHit. Pensamos também em como seriam as outras duas meninas que fariam parte do grupo. Elas foram escolhidas aqui na Coreia mesmo, então nem sequer sabíamos de sua aparência. Rose estava com a cara fechada. Ela era sempre assim, ficava irritada até com o vento, e logo depois estava distribuindo gargalhadas aqui e ali. Por isso sempre dizíamos que ela se encontra em uma TPM eterna. E como o próprio nome artístico já diz, ela é como uma rosa: Bonita, porém cheia de espinhos.

– Rose, o que houve? – Perguntei, desviando um pouco o foco da conversa para ela.

– Já parou para pensar que podemos estar sendo sequestradas neste exato momento? – Perguntou ela com certo desespero perceptível em sua voz. Ela falava em português, o que significava que não queria que mais ninguém além de nós entendesse. Não consegui segurar a risada. Jasmine deu uma risadinha fraca, o que, para ela, equivalia a morrer de tanto gargalhar. – O que foi? Estou falando sério! Isso pode ser algum tipo de golpe, eu sei lá! – Ela pareceu indignada conosco, mas depois de alguns segundos, se rendeu e começou a rir também. – Eu exagerei, não foi? – Perguntou ela, ainda em meio às risadas. Como eu disse antes, ela é meio inconstante.

– Sim. – Eu e Jasmine respondemos ao mesmo tempo.

– Acho que estou nervosa pelo que vem a seguir. – Ela revelou.

– Todas nós estamos. – Falei. – Mesmo as meninas que já estão aqui. Presumo que elas não estejam tão tranquilas assim. Mas, nós vamos enfrentar isso juntas!

– Ok. Juntas! – Ela repetiu, tentando ficar mais calma. – Mas, me explica uma coisa Violet...

– O que foi? – Perguntei.

– Por que raios você pintou seu cabelo de violeta? – Ela indagou. Quase havia me esquecido desse fato. Eu havia pintado o cabelo um dia antes da viagem, e minhas amigas ainda não tinham visto o novo visual.

– Ah! Isso! É que eu queria combinar com meu nome artístico. Sou a flor violeta, nada melhor do que pintar o cabelo dessa cor! – Expliquei.

– Isso significa que terei que pintar meu cabelo de branco? – Perguntou Jasmine, que como o nome dizia, era a flor de Jasmin.

– Não. – Dei uma risada fraca com o espanto dela. – Eu fiz por que eu quis. Tirei inspiração da Rose.

– Como assim tirou inspiração de mim? – Perguntou ela confusa.

– É que eu reparei que você é uma rosa, e tem o cabelo vermelho. Só queria combinar.

– Ah, sua copiona! – Reclamou ela. – Eu já sabia que você queria o meu brilho. “Eu sou a diva que você quer copiar!”. – Ela falou convencida e eu soltei uma risada um pouco irônica.

– Não viaja querida! – Falei.

– É, até por que, a única que brilha aqui sou eu!- Jasmine falou, e nós rimos surpresas com seu comentário. Ela raramente fazia brincadeirinhas. Deveria estar mesmo animada.

O carro parou bruscamente, alertando que já havíamos chegado. A tensão que surgiu era quase palpável. O silêncio pairou sobre o local. Nossa porta foi aberta revelando o mesmo segurança de antes. Woo-Bi, se não me engano.

– Chegamos, vocês já podem descer. – O obedecemos, dando de cara com o prédio da BigHit bem à nossa frente. Ele não aparentava ser muito grande do lado de fora, mas quando entramos nos surpreendemos. O espaço era bem aberto, pessoas caminhavam de um lado para o outro, na correria do dia a dia.

Woo-Bi foi em direção à um balcão, falar com a recepcionista que ali se encontrava. Ficamos paradas, sem saber o que fazer. O mesmo se virou para trás, e vendo que não estávamos perto dele, fez um sinal com as mãos para nos aproximarmos. Fomos meio hesitantes até eles e esperamos que a recepcionista se pronunciasse.

– Vou precisar de seus documentos, tais como certidão de nascimento e RG, só para comprovarmos que são mesmo as garotas certas. – Ela sorriu gentilmente. Todas nós remexemos nossas próprias bolsas, em busca do que havia sido pedido. Depois de verificar as informações, ela deu ordens para o segurança sair. – Esperem só um minuto garotas, o Jang PD-nim já está vindo encontrá-las. Ele irá guiá-las, e passar as instruções de como as coisas irão funcionar por aqui. Tudo bem? – Ela perguntou. Acho que já estava acostumada a orientar pessoas novas, já que falava com tanta paciência e sutileza.

– Ne, obrigada. – Respondi formalmente, enquanto esperava pelo tal PD-nim.

Notas finais
E aí? Muito legal? Muito chato? Digam o que acharam. Também estou aberta a sugestões. Os próximos 3 capítulos já estão prontos, só estão esperando para serem postados. XOXO >_