Flower Girls
17 No final das contas, não somos tão diferentes.
Notas iniciais
— Daisy, eu não acredito no quão desastrada você tem a capacidade de ser! – Jasmine me deu uma bronca maternal, enquanto eu encolhia a cabeça, e escondia minhas mãos atrás das minhas costas.
— Mas, foi sem querer! – Me defendi.
— Ande logo! Deixe-me ver seu dedo. – Acenei freneticamente a cabeça, negando. Não queria que ela visse o machucado que ali eu fiz. – Aish, você parece uma criança, sabia? – Repreendeu-me.
— Aigo! Omma, eu não sou uma criança. – Retruquei.
— Então pare de agir como uma, e me deixe ver seu dedo.
— Mas, eu preciso limpar os cacos de vidro que estão no chão! – Fiz menção de agachar para juntar os mesmos com as mãos, mas Jasmine me impediu.
— Deixe que eu faça isso! – Exclamou, tentando evitar outros possíveis desastres. – Vai procurar alguém para te ajudar com esse dedo, enquanto eu arrumo as coisas aqui e vou comprar outro pote para guardar comida, já que você quebrou o último que nós possuíamos.
— Omo... – Choraminguei enquanto saía do quarto.
Ainda é de manhãzinha, e por esse motivo, ainda não há tantas pessoas caminhando pelos corredores. Decidi acordar cedo para lavar a louça, já que era minha vez de limpá-la. Porém, enquanto eu lavava, digamos que aconteceu um acidente. Um acidente bem barulhento. Eu derrubei nosso querido “comilão”. Não estão entendendo? Eu explico. Comilão foi o nome que demos ao nosso pote de vidro, pois, já que não havia outro lugar para armazenar nossa comida, jogávamos todo tipo de coisa comestível ali dentro. Agora o pobre coitado não existe mais, e tudo por minha culpa.
Enfim, Jasmine acordou com o estardalhaço e veio ver o que estava acontecendo, à essa hora eu já havia me cortado.
Parei por algum tempo no meio do corredor e me perguntei para onde eu estava indo. Bufei, frustrada comigo mesma, e me escorei na parede, deslizando até o chão, e no mesmo sentando, tampando automaticamente a passagem de qualquer pessoa que por ali resolvesse andar. Perguntei-me quem estaria acordado à essa hora da manhã para me ajudar, e me decepcionei quando cheguei a conclusão de que ninguém que eu conhecia estaria ativo no momento.
Levantei-me, e caminhei em direção ao refeitório, segurando meu dedo entre o polegar e o indicador da outra mão, tentando ao máximo estancar o sangue. O corte não era tão feio, mas parecia ser profundo.
Pensei que algumas das senhoras da cozinha poderiam estar acordadas, preparando o café ou algo do tipo, e foi com esse pensamento que tive a ideia de pedir ajuda a alguma delas. Confesso que não foi a solução mais plausível para o meu problema, já que elas são cozinheiras e não enfermeiras (Eu acho), mas talvez alguma delas possa me ajudar.
Chegando lá, uma ajhumma muito bondosa disse que iria pegar um kit de primeiros socorros que ela havia guardado para ocasiões assim, e já voltava. Enquanto isso fiquei sentada em uma cadeira dentro da cozinha, vendo as outras senhoras fazendo seu trabalho. Todas me pareceram muito simpáticas, perguntando se eu estava bem ou se eu gostaria de algo para comer.
Logo, a outra ajhumma voltou e começou a desinfetar com cuidado a minha mão. Ela percebeu que eu estava sentindo dor, então começou a conversar comigo.
— Eu sempre tenho um desses kits guardados comigo, pois nossa estagiária vive se cortado. – Comentou com um sorriso meigo no rosto, enquanto suas mãos um tanto enrugadas pela idade passavam delicadamente um algodão com álcool em meu ferimento. – Pobre garota! – Suspirou.
— Eu acho que entendo como essa estagiária se sente. – Dei risada. – Eu vivo me metendo em confusão, e isso rende uns bons machucados. – Expliquei e a senhora balançou a cabeça negativamente, soltando alguns risinhos.
Ela parecia prestes à falar mais alguma coisa, quando a porta da cozinha foi aberta, e um Taehyung sorridente passou pela mesma.
— Olá Young Ja! – Cumprimentou-a sorridente, e a mesma retribui. Porém assim que me viu, sua expressão passou de feliz a confusa. – O que ela faz aqui? — Apontou para mim.
— Taehyung, olhe os modos! – Repreendeu-o. – É feio apontar. – O mesmo só deu de ombros.
— Precisa de ajuda com alguma coisa? – Questionou-a.
— Na verdade sim. – A mesma replicou. – Preciso terminar de fazer a comida, pois logo o refeitório será aberto para o café da manhã. Será que você pode terminar de fazer o curativo na mão dessa linda jovem? – Pediu de forma doce, enquanto colocava de volta seu avental, e rumava para frente do fogão novamente.
Taehyung, vendo que não teria muita escolha, se sentou no banco aonde antes estava a senhora, de frente para mim.
— Dê-me sua mão. – Fiquei sem ação por um tempo. Não me julgue, ne? É como se eu fosse uma criancinha, que está prestes à conhecer a Xuxa. Comparação estranha? Para mim nem tanto.
O mesmo, vendo que eu não me mexeria, tomou minha mão na dele, e examinou meu dedo cortado.
— Todo esse alvoroço por conta de um corte no dedo? – Questionou de forma irônica, e eu apenas ignorei.
— Como conheceu a ajhumma? – Perguntei curiosa.
— Eu ralei meu joelho enquanto tentava pegar um mangá que estava na última prateleira do guarda-roupa, daí vim procurar ajuda aqui.
— Acho que não somos tão diferentes. – Soltei quase num sussurro, enquanto um sorriso tímido brotava em meus lábios. Experimentei olhar para o seu rosto, já que estava encarando somente o chão. Ele também sorria. Que droga Taehyung! Nem te conheço direito e você insiste em mexer com meu coração!
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POV. Violet
— Você fez o que?? – Praticamente gritei com o pobre do nosso manager.
— Marquei uma audição na *SOPA (School Of Performing Arts) para você. – Respondeu passivo e complacente.
— M-mas, eu não sou boa o suficiente para isso! – Exclamei, já sentindo a ansiedade se apossar de mim.
— Violet, olhe para mim. – Pediu de forma calma, e assim o fiz. – Se você não fosse boa o suficiente, nem teríamos te selecionado para participar do Flower girls. Você consegue! – Me encorajou. – Ah, outra coisa que eu tenho para te contar: JungKook cursa o terceiro ano lá. Não preciso nem dizer o resto. – Soltou um risinho. – De nada, viu? – Piscou de forma insinuadora para mim. Até tú, manager?
Ele saiu da sala, me deixando sozinha ali. Sem pensar duas vezes, caminhei até a sala de música, e me posicionei sentada de frente ao piano. Eu estava esgotada, física e mentalmente. Confesso que ir para a mesma escola em que Jungkook estuda foi uma ideia que me agradou um pouco. Mas, estamos ensaiando tanto, trabalhando tanto, que penso na escola como mais um problema para a minha cabeça neste momento. Sinto-me ansiosa quando penso que terei de fazer uma audição. Sinto-me nervosa pelo fato de compartilhar minha voz com pessoas que irão julgá-la boa ou ruim. Meu coração começa a apertar, e eu sei o que está por vir. Outra crise de ansiedade.
— Agora não, por favor... – Murmurei, afundando minha cabeça nas teclas do instrumento que estava prestes à tocar, deixando algumas lágrimas escorrerem.
Não sabia que seria tão cansativo ser uma trainee.
Tentei tocar alguma coisa, mas estava tão angustiada que não consegui me lembrar de nenhuma música que eu soubesse tocar, e como resultado, a única coisa que eu fiz foi bater meus dedos nas teclas, provocando uma horrível mistura de sons que preencheu a sala em que eu estava. Meus soluços logo se misturaram com o barulho, causando confusão maior ainda em minha mente. Eu não sabia o que fazer para acabar com essa inquietude. Eu nunca sabia.
Isolada em meu próprio mundo de desespero, quase não percebi quando uma mão começou a afagar minhas costas, com medo de ver quem era apenas escondi mais o rosto. Era vergonhoso saber que alguém estava me vendo naquela situação, mas, mesmo assim, não consegui contar meu choro, e, na verdade, comecei a soluçar mais ainda. Aquela carícia que eu estava recebendo, fez lembrar-me de minha mãe, e só então percebi o quanto ela fazia falta. Senti a pessoa se sentar ao meu lado no piano. Ela então me abraçou, fazendo-me encostar a cabeça em seu ombro.
— Chore o quanto quiser, ne? – Me surpreendi com o dono da voz, e finalmente criei coragem para encará-lo.
— J-Hope... – Sussurrei.
— Shhh! – Ele pediu silêncio, me puxando para si, e me fazendo entrar novamente no conforto de seus braços. – Você não precisa dizer nada. – Apoiou seu queixo em minha cabeça, e eu correspondi ao abraço, desesperada por um pouco mais de carinho. – Apenas ponha para fora tudo o que precisar. Se quiser me bater, me bata. Se quiser gritar até sua voz acabar, grite. Estou aqui para te consolar, e sempre estarei.
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