Flormosura

2 Flormosura Letter


Acordei com a luz da janela me devorando. A única e simples coisa que eu desejaria naquele momento, era morrer. Eu não podia acreditar, não podia imaginar que Kane estava namorando. Ainda mais aquela garota lá, a qual nunca vi na vida. Gostaria, realmente que minha mente estivesse vazia, para poder reocupá-la com poesias, como a de um poeta brasileiro, chamado Paulo Leminski. A poesia batucava em minha cabeça, mas não consegui arranjar nela, espaço suficiente para parar de pensar em Kane. Se eu tivesse dito, nada disso aconteceria. Poderia eu, estar com ele agora. Mas e essa Ellie ? Aquela garota loura ? Quem era ? Eu precisava saber. Mas antes de qualquer coisa, precisava procurar um colégio novo. Hoje já é sábado, Tenho mais um dia para procurar minha matrícula. Levantei daquela cama que parecia me puxar para si. Puxei a escova da cabeceira da cama, dei uma escovada nos cabelos, e fui até a cozinha. Sim, eu era vaidosa, adorava me vestir, adorava olhar vitrines — mesmo não tendo dinheiro para comprar oque nela estaria — mas naquela hora, me sentir confortável, bastaria.

– Mãe, eu vou me vestir e sair para procurar uma escola aí, falou ? — " gírias e mais gírias " pensei, enquanto mexia no celular.
– Tá bom, Jú, mas não quer que eu vá junto ?
– Ah não, não precisa. Obrigada. — abri a geladeira, tirei um iogurte, tomei rápido e fui me vestir. Joguei a bolsinha desfarçada ne câmera no ombro — Era como uma capinha, mas em forma de bolsa, e havia um bolso fora para guardar celular, elástico de cabelo, essas coisas. Apesar das roupas simples, eu me sentia bem. Ou tentava.
Busquei pelas ruas, informações, placas, até passar em frente a um colégio, com um placa na frente do portão, escrito " Universidade de Princeton ". A aparência era boa, resolvi entrar. Não vi ninguém atrás da parede de vidro, só ouvia teclas sendo apertadas. Certo, eu não tinha computador, mas eu sabia que um teclado, de fato, faria esse som. Apoiei a bolsa na bancada, à espera de atendimento, quando ouvi um barulho de banco sendo arrastado, e uma mulher gordinha, baixinha, de cabelo chanel e óculos na ponta do nariz surgiu, lá de baixo. Meu Deus ! Meus 1,68 fariam ela sentir-se uma anã.
– Em que posso ajudá-la ? — ela tinha uma voz solenemente rasgada, eu gostei.
– Ahn ... Matrícula ?
– Ah, claro. Preciso do seu nome, certidão de nascimento, identidade e um comprovante de residência -, conclui a gordinha, sem desviar o olhar da tela do computador. Por sorte, peguei sorrateiramente, ao sair de casa, a conta de luz, que estava em cima da mesa de centro. Coloquei todos os itens solicitados em cima da bancada de mármore, ela deu um pulo do banco para alcançar os documentos. Segurei a risada.
– Me chamo Jullia. Jullia Turner. — respondi, com os olhos fixos no coturno.
– Huuummmm. — ela disse, sem dar importância. — Tá bom, Jullia, é só você comprar o uniforme, sua sala é o 3° ano D — já ? Que rápido !
– Ahn... Eu posso... dar uma olhada na escola ?
– Pode, peça para Janete abrir a porta, e diga: " Princeton número 12 ", ela irá te atender. — " Princeton número 12 ? Tá bom... " pensei, estranhando. Fiz oque ela pediu, e Janete abriu a porta para mim. A escola era grande, um pátio aberto, mas a direita, escada para baixo, que levavam para duas quadras de futebol, uma de vôlei, a uma casinha, um bosque e a um refeitório. Aquele bosque me chamou atenção. Desci as escadas, correndo, sem tirar os olhos daquelas árvores enormes. Quando cruzei a primeira árvore, senti uma pureza incondicional. Sentei-me de baixo de uma das árvores, talvez a menor de lá, encostando as costas em seu tronco. Fechei os olhos, e quando dei-me por mim, eu estava com um sorriso bobo no rosto. Não me preocupei em desfazê-lo, aquilo realmente me agradou. Aquele bosque, aquelas árvores, eu poderia ficar ali para sempre. Vi um esquilo correr em minha direção, ele entrou no bolso aberto de minha bolsa, e lá ficou — algo que achei estranho para um esquilo, são bichos tímidos, medrosos. Olhei no bolso, e lá estava ele, dormindo. Talvez só quisesse um lugar para descansar em meio aqueles enormes estróbilos. Peguei a bolsa cuidadosamente, e saí. Subi as escadas, e Janete abriu o portão para mim. Ainda estava pensando na imensidão daquele bosque, estava alucinada com aquela beleza. Minha mãe sempre diz: " Jullia, você é do mato ", e agora, eu tenho certeza disso. Aquele esquilo não sabia, mas eu estava levando-o comigo, e pretendia devolvê-lo apenas segunda-feira, na aula. Que criatura maravilhosa !
Estava quase dobrando a esquina de casa, quando ouvi alguém bater palmas em frente a minha casa e gritar meu nome: " Juuuuuullia ! Juuullia ! " Dei passos mais lentos a perceber que era Kane. Ele não olhou para mim, e eu fingi que não o vi. Eu sentia ódio dele, por namorar aquela loirinha azeda, que só estava com ele por ser o capitão de Futebol Americano, do colégio. Coloquei a chave na porta, e girei, sem olhar para ele.

– Ahn... Oi, Jullia. Eu só.. é... vim entregar esse bilhete da Lisa, você sabe, a bibliotecária... — eu ri nos pensamentos. Ele veio da Flórida até a Califórnia para me entregar um bilhete ? Ah, tá. Estendi a mão, ainda sem olhar para seu rosto. ele me entregou uma carta, jogou a mochila nos ombros e saiu.

– É... Tchau, qualquer dia a gente se fala.

– Se depender de mim, não, nunca mais. — murmurei ao sua saída. Terminei, finalmente de abrir a porta, joguei a bolsa — com cuidado, para me certificar que os danos não apareceriam — e abri a carta da Lisa. Lisa gostava bastante de mim, me considerava um exemplo de aluna, e, previ que ela escreveria uma carta para mim.

Jullia, Querida, escrevo para você para avisar que sinto saudades.A biblioteca virou uma bagunça sem você para me ajudar a organizar todos esses livros, mas, a partir de agora, preciso me virar, hahaha. Então, flor, volte em breve para me fazer uma visita, já estou com saudades !

Com amor, Lisa.

Não. Não foi a Lisa quem escreveu esta carta. Conheço muito bem a letra dela, preciso saber quem foi, preciso saber. E outra: Lisa nunca, nunca riria como hahaha,sua risada numa carta, ou na internet é hehehe. Sim, eu sou observadora o bastante para notar essas coisas, mas e agora: QUEM. MANDOU. ESTA. CARTA ?

Notas finais
Era para eu ter postado esse capítulo ontem, mas atrasou um pouquinho por causa dessa merda de internet. Não faz mal, né ? Haha, o.k. ! Espero que tenham gostado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.