Floresça-me
18 Capítulo Extra
Graças a Deus nós terminamos com a guerra, penso, feliz. Gosto de ter uma lua de mel.
Estamos viajando em direção à Itália, setor que foi pacificado há alguns anos.
Kenji apoiou a viagem. “Vocês esperaram sete anos. Vocês esperaram as crianças crescerem. Então, vão viajar, se divertir, tomar um vinho... Nós cuidamos das crianças para vocês.”
“Cuidamos mesmo, Juliette Ferrars, Comandante. Prometo deixá-las vendo TV e comendo besteiras o dia inteiro!”
As crianças vibraram com isso, e todos saíram correndo até a cama, para brincar de guerra de travesseiros.
Meu coração está apertado por deixá-los sozinhos. Nunca me afastei deles, não mais do que algumas horas, apenas. E Eli, tão pequeno, pode precisar de mim.
Olho para Aaron e vejo-o me observando. Ele sorri e pega minha mão esquerda, beijando a aliança. – Eles ficarão bem, amor. E James e Adam estarão lá, caso eles precisem.
Não basta eu me preocupar com eles, preocupo-me também com esta viagem de avião que parece não terminar nunca.
– Você está muito nervosa, senhora Warner – Aaron diz, sorrindo. Preferimos passar o sobrenome de sua mãe para nossos filhos e para meu nome.
– Você poderia me ajudar a relaxar, senhor Warner.
Aaron sorri ainda mais, seu sorriso tornando-se malicioso e sexy e irresistível.
– Sei alguns meios de fazê-la relaxar, meu amor.
– Sabe?
– Sim.
– E quais são eles?
Aaron me vira um pouco e se posiciona atrás de mim, começando a fazer massagem em minhas costas, meus ombros.
Não posso segurar o gemido que vem aos meus lábios. A massagem é tão deliciosa e relaxante. Suas mãos são tão fortes e suaves ao mesmo tempo.
– Primeiramente, começarei com uma massagem nas suas lindas costas – ele diz no meu ouvido. Os pelos do meu corpo se arrepiam com o timbre de sua voz, com a proximidade de sua boca em minha pele, com a carícia leve que seu hálito faz em meu pescoço. – Depois, farei massagem em seus ombros. Em seus pés. E em cada lugar do seu corpo. Minhas mãos serão as únicas coisas que tocarão você.
A esta altura, minha respiração já está superficial. Achei que, com o passar dos anos, Aaron pararia de exercer tal poder sobre mim. Achei errado.
Suas palavras fazem por mim o que a droga faz em um viciado. Saciam. Deixam-me feliz. Excitada. E então, elas me fazem querer mais. Mais palavras. Mais palavras e carícias e momentos como este em que posso me entregar completamente a ele.
– Quando você estiver com seu corpo perfeito total e completamente relaxado, amor, irei despir você. – Ele continua a dizer no meu ouvido, ainda massageando, ainda deixando-me perdida em suas palavras e em suas ágeis mãos. – Irei tirar peça por peça, roupa por roupa. Começarei desabotoando suas costas deste lindo vestido de noiva, amor. – Aaron pensa um pouco, passando o polegar lânguida e lentamente por seu lábio inferior. – Pensando melhor, acho que te deixarei de vestido.
De algum modo, fico mais arrepiada. Estico o pescoço, dando-lhe passe livre para explorá-lo. Seus lábios tocam meu ombro. Chegam na curva do meu pescoço. Na minha nuca. No meu ouvido, onde ele sussurra – Você está tão bonita neste vestido, Juliette. Tão bonita que quero você nele, quero você nele enquanto te beijo. Enquanto beijo seus lábios e seu queixo e seu pescoço e cada pedaço de você, amor. Mas também quero tirá-lo de você. Cuidadosamente. Como se ele fosse a embalagem e você o presente. Quero aproveitar cada segundo, amor. Cada breve e ínfimo e demorado segundo.
Meu corpo já não responde mais aos meus comandos. Quero que meu coração se acalme, que minhas pernas parem de se mover, desesperadas; que meus dedos aliviem o aperto que eles fazem na palma da minha mão, minhas unhas marcando-a e machucando-a; que meus pulmões voltem a controlar a quantidade certa de ar a sair e entrar pela minha narina, pela minha boca; que minhas glândulas sudoríparas parem de produzir suor, que elas parem de tentar controlar o calor intenso que me invade; que meu corpo pare de produzir estímulos cada vez mais fortes; que minha mente pare de pintar imagens de nós dois, nossos corpos, juntos; que a dopamina pare de ser liberada do meu sistema, que seja ao menos reduzida, porque o prazer já está em todo lugar, em cada espaço e superfície e área do meu corpo. Da cabeça aos pés.
– O que você prefere, amor? – Ele pergunta, passando as pontas dos dedos no meu pescoço, descendo até o decote do vestido. – Gosto tanto deste vestido e de como ele se adapta a seu corpo. Como ele afina na cintura e contorna sua silhueta. E esse decote... esse decote me faz ter pensamentos muito impuros, Juliette. E me desconcentra. Desconcentra-me e distrai-me e não consigo decidir. Então, você terá que decidir por mim.
– Decidir o quê, Aaron? – Pergunto, sem saber mais do que estamos falando. Sabendo apenas de suas mãos em mim, de seus lábios se movendo em meu pescoço, indo em direção ao meu ombro direito agora, levando-me em direção a um precipício que não tem fim. Um precipício em que não há volta. Um precipício do qual não quero voltar.
– Você quer que eu tire o vestido de você? Ou quer ficar com o vestido?
– Aaron... – gemo baixinho – Estamos em um avião.
– Mas estamos só nós dois aqui atrás. E não estamos fazendo nada demais, amor.
– Nada demais? – Olho feio para ele – Nada demais? E acabar com meus nervos e com minha resistência assim não é nada demais?
– Chama-se preliminares, amor. – Ele diz, sorrindo. Pega uma taça com vinho e me oferece. – Aqui, tome um gole desse vinho.
Ergo minha mão para pegar a taça, mas não era isso que Aaron pretendia. Ele a traz até meus lábios. Inclina-a levemente, fazendo o líquido escorrer por minha boca, minha garganta. Aprecio seu sabor, seu toque de uva, sua textura e cheiro. Degusto-o na minha boca. Aaron afasta a taça para então ocupar com os lábios o lugar dela. Ele me beija, sentindo o gosto do vinho na minha boca. Ele parece gostar, já que leva muito tempo para se afastar, já que me deixa ofegante, já que me deixa louca novamente.
– O melhor vinho que já provei – Aaron comenta.
– É a primeira vez que tomo – Digo, ainda ofegante.
– E o que você achou, amor?
– Que foi muito bom para uma primeira vez.
Aaron me olha desconfiado, com uma sobrancelha erguida.
– Espero que todas as suas primeiras vezes tenham sido boas, amor. Porque todas as minhas foram. – Ele diz, tomando um gole da taça. Ele parece tão sexy aqui, neste avião, com este terno e este lenço no bolso.
– Por que você está com este lenço, Aaron?
Aaron olha para o bolso, como se verificasse se o lenço ainda estava lá.
– Tenho planos para ele mais tarde.
É a minha vez de olhá-lo desconfiada.
– Planos?
– Sim, amor. Imagine este lenço em seus olhos. Imagine ele em seus olhos enquanto amo você, enquanto cuido de você, enquanto minhas atenções estiverem centradas totalmente em você.
Suspiro, novamente arrepiada.
– Mais uma primeira vez. – Comento.
Aaron sorri. – Sim, amor. Mais uma primeira vez. Mais uma primeira vez com você.
Olho-o por um tempo e pergunto – Qual foi a primeira vez que mais te marcou, Aaron?
E ele me olha sério agora. Ele me olha sério e diz seriamente quando responde – Quando comecei a te amar, Juliette. Essa foi uma primeira vez. E decididamente me marcou – ele sorri. – Quando você disse pela primeira vez que me amava. Quando você, pela primeira vez, se deixou entregar. No Ponto Ômega. E quando você, pela primeira vez, trucidou meu coração, também no Ponto Ômega. – Aaron passa a mão na cabeça. – A primeira vez que você tomou banho na banheira comigo. A primeira vez que me contou que estava grávida.
Observo-o por um tempo.
– São muitas primeiras vezes – Digo, sorrindo.
– E haverá mais primeiras vezes, amor. – Ele olha intensamente nos meus olhos – Pelo resto da minha vida, quero passar tendo várias e várias primeiras vezes com você.
Pego a mão dele e a beijo.
– Quais primeiras vezes você tem em mente?
Aaron volta a sorrir. – Bem, a primeira vez que ficarei com você sendo a senhora Warner.
Rio dele. – E o que mais, senhor Warner?
– A primeira vez que te apresentarei como senhora Warner. – Ele olha para mim, admirando-me – A primeira vez que poderei fazer o que tanto quero fazer com você, Juliette, nesse vestido. A primeira vez que tirarei ele de você. – Ele pausa, pensando. – Alegra-me profundamente saber que muitas primeiras vezes minhas foram com você. Alegra-me mais ainda saber que minhas futuras primeiras vezes serão com você.
Beijo-o com força, com necessidade. Meu amor por Aaron só cresce a cada dia mais. Em sete anos, o amo como nunca pude imaginar que um dia seria capaz. Beijo-o mostrando que minhas primeiras vezes foram dele, que minhas primeiras vezes são dele.
Lembro-me da primeira vez que ele me beijou. Da primeira vez que fui realmente beijada – com amor, com luxúria, com paixão. Lembro-me da primeira vez que fui chamada de amor, também por ele. Lembro-me de quanto achei irritante na época. Lembro-me de quando ele disse que me amava, de quando ele disse que eu era forte, de quando ele me alimentou e me abrigou. Lembro-me de quando finalmente deixei de ser covarde e disse a ele que o amava. Lembro-me do desespero e da emoção de seus olhos. Lembro-me de quando ficamos realmente juntos pela primeira vez. De como nos unimos – duas pessoas, duas mentes, dois corpos, duas almas – pela primeira vez. Lembro-me de quando ele tocou minha barriga, na gravidez. Lembro de tudo e são tantas coisas e tantas primeiras vezes que mal posso contá-las.
Parando o beijo para respirar, pergunto – E qual é a primeira vez que você quer executar agora, Aaron?
Ele sorri, dizendo – É bem indecente.
– E o que é?
– E corremos o risco de sermos pegos.
– O que é, Aaron?
– Nós devíamos dar uns amassos no banheiro.
Olho para ele, surpresa.
– Amassos? No banheiro?
– Você já deu amassos em um avião alguma vez?
Paro e digo – Não.
– Justamente.
Olho para ele.
– Você me garante que serão amassos bem indecentes?
– Garanto.
Olho para ele, pensando.
– Ai, senhor Warner. Com licença, preciso ir ao banheiro. – Digo, piscando para ele.
Levanto-me e vou até o banheiro. Quando ponho a mão na maçaneta, Aaron chega atrás de mim, beijando minha nuca e meu pescoço e então virando-me para ele, enquanto andamos para dentro do banheiro e fechamos a porta.
Seus lábios estão desesperados, assim como os meus. Nossos corpos se encontram, também desesperados, prontos para essa primeira vez.
E pelo que vejo, prontos para qualquer primeira vez que surgir.
Nosso amasso no avião é tão grande que penso que nunca houve outro assim.
Foi uma bela primeira vez.
Não se pode esperar menos de Aaron Warner. Meu primeiro amor verdadeiro. Meu primeiro melhor amigo. O primeiro homem a compartilhar a minha cama – e o mundo dentro de minha cabeça e meu coração e meu quarto e minha casa e compartilhar comigo uma família. O primeiro homem a compartilhar comigo o seu sobrenome. O primeiro homem das primeiras vezes. Para sempre.
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