– Você sabe de quanto tempo você está? — Kenji pergunta.

Abro a boca para responder. Paro.

Eu não sei.

Penso um pouco.

Tudo ocorreu antes de a guerra ser organizada. Antes de Leila morrer. Isso totaliza...

– Quatro meses. — Digo, surpresa. Meu filho, meu pequenino, com quatro meses...

– E você não começou a engordar ainda, J? — Kenji me olha — Porque logo a barriga irá aparecer. Pense nisso.

Droga. É verdade. Lembro-me de hoje de manhã, ao trocar de roupa, que achei que as peças estavam ligeiramente mais apertadas. E eu só vou engordar mais. Isso quer dizer que...

– O Warner vai perceber — Kenji diz, em sintonia com meus pensamentos. — O que me leva a pensar... Por que você ainda não contou a ele?

– Estamos em perigo ainda. Não quero preocupá-lo ainda mais.

Kenji me olha fixamente, analisando-me.

– É só esse o seu medo? — Ele pergunta, sério.

Kenji e sua mania de ler pensamentos.

Medo. Esta palavra tão pequena, com duas vogais e duas consoantes que, mesmo isolada, nos causa pavor, horror, medo. Medo, companheiro fiel de todo ser humano. Medo de ser amado e de não sê-lo. Medo de viver e de morrer. Medo de não ter paz e ser solitário. Medo medo medo qual é o seu medo?

Venha brincar comigo, mamãe.

Vejo meu doce menino em meus braços, seus olhos cinzas e seu cabelo loiro. Meu filho. A mistura de minha essência com a de Aaron. Meu DNA, meus aminoácidos, entrelaçados com os de Aaron.

Medo... qual é o meu medo?

– Tenho medo de Aaron não querer um filho. — admito — Esse medo supera qualquer outro, Kenji. O que farei se ele não quiser o bebê?

Abraço minha barriga, querendo proteger a minha criança.

– O bebê? É um garotão? — Kenji pergunta, colocando a mão sobre meu braço.

Sorrio. — É como o vejo. Com os cabelos de Aaron e meus olhos.

Kenji sorri e põe as duas mãos na minha barriga. Meus olhos se inundam com lágrimas imediatamente. Ele abaixa, de joelhos, e diz — Ei, criança. Quero que você saiba que você sempre terá sua mãe e a mim. Não importa o que aconteça. E, apesar de sua mãe dizer que você é um menino, sei que você é uma menininha. Mas shhh, não conte para ela. — Rio, achando graça. As lágrimas já estão escorrendo pelo meu rosto, pelo meu pescoço. — Sempre estarei aqui. Estarei aqui para chutar as bundas dos garotos que ficarão atrás de você. Te darei doces e balas mesmo quando sua mãe disser que você ficará com cáries. E ah! Antes que eu me esqueça: se você não me chamar de titio Kenny, você não receberá as dez bonecas que comprarei no seu aniversário. Nem as dez bonecas que comprarei de Natal. Essa quantidade será reduzida consideravelmente, mocinha! Com sorte eu te dê... nove bonecas. Viu como serei malvado com você? Então não esqueça. — Ele passa de leve os polegares pela minha barriga. Suspira. — Tenho que ir agora. Infelizmente, terei que fingir que você não existe por um tempo, até sua mãe contar tudo para seu pai. Aliás, não se preocupe com ele. — Kenji ergue o olhar, observando-me — Ele pode ser o Comandante do Setor 45, mas ele amará você, pequena. Assim como eu amo. Assim como sua mãe ama. Logo, logo. Você verá.

Kenji levanta, enxuga minhas lágrimas e diz — Vamos lá ver como o senhor perfeição e o James estão?

Sorrio largamente, agradecendo-o. Kenji pode ser insuportável às vezes, mas eu o amo. Entrelaço meu braço com o dele, e digo — Vamos lá, titio Kenny.

Notas finais
Ok, observações finais: Leila é o nome da mãe do War. Deixei a Ju com quatro meses porque não queria que fosse o início arriscado da gravidez, com a chance dela perder o bebê. Também não poderia ser o final, porque os sintomas estariam aparentes. E quero dizer que eu me emocionei muito escrevendo esse capítulo, então espero que vocês gostem.