"Porque faço parte de você, assim como você faz de mim."

"Consegue sentir como se tudo estivesse... a um passo de mudar?"

Droga, Aaron. Quase perguntei se você não tem, entre seus muitos dons, o da clarividência.

Ele percebeu que há algo errado. Algo estranho que deixei de contar. Tenho certeza que minhas emoções estão me entregando completamente.

Por um lado estou ganhamos a guerra, estamos livres, podemos mudar tudo para melhor e oh meu Deus, estou grávida, grávida do Aaron, vou ter um filho dele e o outro lado está como vou comandar isto tudo agora se mal posso administrar a minha vida, como vou ajudar este povo que já sofreu tanto e pelo amor de Deus, ainda ter um filho do qual cuidar e como vou contar para o Aaron...

Minha mente não é um bom lugar para se estar agora. Ainda mais com o Aaron dizendo coisas que me fazem tremer, perder as forças e ao mesmo tempo sentir-me como se pudesse correr uma maratona.

Não sei como guardar este segredo de Aaron. Não consigo e não quero. Mas estamos correndo riscos ainda. Preciso saber se o perigo ainda está próximo.

Isso significa ter que adiar o convite de Aaron.

Terá que ficar para mais tarde.

Mal posso esperar.

Porém...

– Aaron, odeio ter que recusar ir para casa, mas antes quero conversar com os outros. Quero saber como foi para eles... a batalha.

– Tem que ser agora? — Ele pergunta, olhando-me meio desesperado, meio ansioso, meio angustiado. Não percebo quando ele põe o lábio inferior à frente do superior e... ele está fazendo bico?

Gemo interiormente. Posso resistir a uma guerra, a um Supremo ditador e terrível; posso resistir a um hospício, a soldados malucos e pessoas com poderes que não se considerariam possíveis; posso resistir a muitas coisas, mas não a esse biquinho.

Avanço e mordo seu lábio inferior, arrancando um gemido de nós dois. Minha língua encontra a sua e nada mais existe, não há guerra ou deveres ou coisas ruins ou tristezas e pesares, não há segredos nem gravidez nem

droga.

Interrompo o beijo, sem conseguir disfarçar. Fecho os olhos e respiro fundo.

– Juliette?

Droga novamente." Juliette", não "amor".

Olho-o e ele está tão preocupado, seus olhos estão desconfiados.

– Eu estou bem. Eu só... só... — respiro fundo, pensando no que dizer. — só preciso saber como os outros estão. — Não é mentira, entretanto.

Ele me olha mais um pouco, ainda em dúvida, ainda desconfiado.

– Ok. Vamos, então. — ele diz suavemente, se afastando.

– Ei! — chamo-o. Ele olha para mim e vejo insegurança em seu olhar. Mil vezes droga. Seguro sua mão e digo — Eu te amo.

Aaron sorri. Beija a minha mão. Diz:

– Vamos, amor. Veremos o que eles têm a dizer.

Solto a respiração que nem sabia que estava segurando.

Logo eu terei de contar.

Logo.

É possível eu estar ansiosa e não estar esperando por isso, ao mesmo tempo?

Sim, suspiro. Parece que sim.

– Tenho algo a fazer também. — diz Aaron.

– E o que é?

– James. Preciso ver James.

Notas finais
É isso, gente. Espero que vocês estejam gostando e, como sempre, aceito opiniões e sugestões. Espero também estar conseguindo manter a escrita da Tahereh. P.S.: Mais do que a Ju acha da gravidez vem por aí, aguardem.