Florescer
1 Capítulo 1
A arqueóloga já havia percebido o início do relacionamento entre Luffy e Nami, apesar de seus melhores esforços em esconder do bando. Os olhares cheios de significado, o riso solto, o rubor ocasional, os toques discretos enquanto ninguém estava olhando... Bem, alguém estava olhando. Robin passou a maior parte de sua vida fugindo e estando atenta a tudo e a todos a sua volta, alguns costumes não são fáceis de mudar.
O tempo passou e Robin percebeu o amor entre os dois aumentando, os encontros às escondidas se tornaram cada vez mais frequentes e mais desleixados. Assim, outra pessoa também notou. O espadachim costumava passar horas no ninho do corvo e, de lá de cima, ele conseguia ver muita coisa.
—x-x-x-x
Era um dia anormalmente frio, o que levou todos a se recolherem cedo. Robin havia ficado na biblioteca lendo e, ao perceber-se sem café, resolveu dar uma pausa para esticar as pernas e reabastecer sua xícara. Viu uma claridade vindo do ninho do corvo e sentiu-se ruborizar, encheu uma garrafa térmica com café e preparou um lanche rápido para dividir com seu nakama de cabelo esverdeado. Ao subir as escadas, utilizando seu poder para poder carregar tudo sem dificuldade, a arqueóloga sentiu seu coração acelerar ao imaginar como seria recebida. Eles haviam superado a fase de desconfiança, haviam se aproximado e por fim, se distanciaram novamente.
Ela entrou no ninho do corvo e percebeu que ele estava sentado e imóvel, com os olhos fechados e a respiração compassada. Não sabia ao certo se ele estava dormindo ou meditando, então começou a dar meia volta.
— Algum problema? – Perguntou, ainda de olhos fechados.
— Não queria incomodar, achei que estivesse treinando. Trouxe algo, caso esteja com fome.
Robin respondeu sorrindo, seu coração estava ainda mais acelerado. Zoro então abriu os olhos com um leve sorriso, caminhou até ela e pegou os pratos que até então carregava, fazendo com que dois braços sumissem em uma nuvem de pétalas, deixando o aroma de flores no ar. Respire fundo, mantenha a compostura. Ao perceber a companheira parada, ele ergueu uma sobrancelha, intrigado.
— Você não vem?
A que ela se ateve a sorrir e acenar, sentando próxima dele, ela pegou um sanduíche e começou a comer. Ficaram um tempo ali, aproveitando a companhia do outro, conversando ocasionalmente sobre os livros que ela havia lido, sobre a rotina de treino dele, sobre os nakamas e o que mais viesse a cabeça.
— Se eu soubesse utilizar as espadas, eu poderia dominar a técnica com quatro espadas. Acho que assim eu conseguiria te derrotar. – Ao que ambos riram de maneira divertida.
— Acho que você precisaria de ao menos 10 espadas.
— Eu precisaria de tudo isso para derrotar o melhor espadachim do mundo? – Zoro também estava rindo, mas de repente parou. Ruborizado, coçou a cabeça. – O que houve?
— Nada. Eu deveria ter ficado calado. Essa mulher...
— Isso não se parece com um nada. – Zoro ficou um tempo em silêncio, ao passo em que Robin estudava suas feições. Ele parecia constrangido, após um longo suspiro, enfim, voltou a falar.
— Eu já consegui utilizar nove espadas. Em Enies Lobby. Meu adversário era forte, mas estávamos sem tempo, não poderíamos deixar que te levassem.
— Como? Ele conseguiu fazer isso por minha causa?
— Eu não sei, eu só fiz. Parecia uma ilusão, não sei ao certo, mas eu sentia todas as espadas cortando.
A morena segurou a mão dele, que levantou o olhar para encarar aqueles belos olhos azuis. Ela estava corada e Zoro sentiu vontade de beijá-la, com a mão livre, afastou uma mecha de cabelo e acariciou o rosto dela. Estavam tão próximos, que sentiam a respiração um do outro, sem esperar mais um segundo, entregaram-se a um beijo apaixonado. Sem desgrudar os lábios, os corpos se aproximaram ainda mais, até que ouviram uma risada alta vindo do deque.
— Shhh, você vai acordar todo mundo assim!
Nami e Luffy trouxeram o outro casal à realidade. O espadachim se empertigou e se afastou, pedindo desculpas de maneira breve. Ele foi até a janela e Robin o seguiu, viram o casal lá embaixo, indo em direção à cozinha. O capitão estava apenas de bermuda e com um largo sorriso no rosto, enquanto a navegadora vestia uma das camisas dele, sorrindo da mesma forma. A arqueóloga percebeu então uma careta vindo do seu nakama, que se afastou dela com um resmungo.
— Está tudo bem, Zoro?
— É melhor você ir. — Ela continuou parada, tentando compreender o que levou a tal mudança de comportamento.
— Você não sabia que eles estavam juntos? – Com outra careta, ele respondeu.
— Sabia. É melhor você ir. Ele está com ciúmes? Será que entendi tudo errado? Ele gosta dela?
Mil pensamentos passavam pela cabeça da morena nesse momento, sentiu seu coração ficar apertado, mas ainda assim respirou fundo e sorriu de maneira educada.
— Boa noite, Kenshin-san. – Ele passou a mão pelo rosto, sentindo seu coração também se apertar. Merda, estreguei tudo. Ele virou-se, querendo pará-la, segurá-la em seus braços e beijá-la mais uma vez, mas era tarde. Ela já havia sumido, deixando como rastro seu cheiro de flores. Eu vou atrás dela.
Notas finais
Me avisem caso haja algum erro que não percebi!
Fale com o autor