Florescer
1 Prefácio
A claridade ofuscou sua visão.
Os olhos arderam e parecia que as pálpebras pesavam toneladas.
Todo o corpo estava dormente e a boca seca.
A respiração estava irregular, dando a impressão de que teria uma parada respiratória a qualquer momento.
O nariz foi o primeiro a trabalhar, sendo capaz de captar o aroma ao redor, e com certeza não era o aroma de nenhum local do qual já havia estado.
Quando conseguiu -enfim- abrir os olhos e virar a cabeça para reconhecer o lugar, a única coisa que era capaz de ver eram vultos e atrás um fundo todo branco.
Seu ouvido captou um zunido, mas não conseguia distinguir o que era. O crânio pareceu ser pressionado e uma dor de cabeça praticamente insuportável a atingiu. Alguém segurou sua mão, mas ela não era capaz de retribuir o toque.
Não soube quanto tempo se passou, mas quando finalmente conseguiu focalizar a pessoa que segurava sua mão, percebeu que quem a apertava era a madrinha, que a olhava e falava seu nome calmamente.
– Tsu-Tsu...
A garganta parecia ter se fechado. Chegava a ser agonizante. Se esforçava para falar, mas tudo lhe doía.
– Fique calma querida, está tudo bem.
Mas ela sabia que não estava.
Que lugar era aquele? O que estava fazendo ali?
A pressão na cabeça se intensificou. Sentiu lágrimas escorrendo de seus olhos à medida que seu cérebro lhe transmitia imagens dos últimos acontecimentos.
– Ma-mãe...
– Fique calma querida.
– Pa-pai...
Uma lágrima escorreu pela face de sua madrinha. Foi a última coisa que viu antes de tudo escurecer.
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