Notas iniciais
Oiii. Espero que gostem. Abraços.

Ao olhar ao redor percebeu algo que o assustou. Seu amigo havia sumido.

— Mark? Mark!- gritou Caleb chamando o amigo. Não poderia o perder naquele lugar assustador. Estava sozinho na neve.

“Então, acredite em mim

Vou lhes dar abrigo”

Ouviu uma canção vim da floresta. Era a voz da sua mãe que entoava a música. Correu em sua direção se esquecendo momentaneamente do amigo.Aquela floresta dava arrepios, mas estava tão focado na voz que nem ligou. A medida que corria parecia clarear. Encontrou sua mãe e seu amigo. Ficou paralisado.

A aparência deles era assustadora. Sua mãe estava com um vestido preto e em suas mãos segurava um buquê de flores murchas. Mas quem assustava mais era Mark. Seu amigo estava com a cabeça enfaixada com ataduras ensopadas de sangue e as roupas cheias de sangue seco e terra. Lhe olhava melancólico.

—Acho que nunca terminaremos a nossa conversa, filho.- disse sua mãe com dor na voz sem o olhar nos olhos. Olhava para as flores. –Sinto muito.-falou e sua presença foi sumindo junto com as palavras. Tentou a tocar, mas foi como tentar pegar o vento. Lágrimas vieram sem serem convidadas.

—Veja como fiquei... -falou Mark meio triste. — O acidente foi sua culpa, cara.

— Do que está falando? Que acidente? Quem lhe machucou?- disse recuando alguns passos para trás. Sentiu seu corpo se chocar com outro corpo. Se virou lentamente e viu seu padrasto lhe sorrindo cruelmente. Ficou sem reação. Aquilo não podia ser real! Devia ser um pesadelo!

—Está na hora de lembrar do que esqueceu.- disse a criatura que dizia ser Mark lhe agarrando pelo pulso. Uma série de imagens se passou por sua mente. Ele subindo no carro com o celular na mão. Falava com sua mãe por um aplicativo de mensagens e depois por meio de uma ligação. Mark colocando aquela música que parecia anunciar algo. O alerta para que prestasse atenção. Sua mãe relembrando os dias difíceis na mão do padrasto dele e dizendo que o inverno a deixava deprimida por lembrar dos episódios triste. A curva fechada. A menina de vermelho que viu pelo retrovisor segundos antes da batida nas árvores.

—Eu sinto muito, Mark. Era muito importante falar com minha mãe naquele momento... Eu... Mark, cadê o Mark?- gritou ao ver que quem segurava seu braço não era seu amigo, mas uma idosa com o rosto cheio de cicatrizes. Um de seus olhos era totalmente branco e parecia ter um certo brilho. Sua boca parecia mais torta para um lado. Não conseguia a encarar por muito tempo devido a sua aparência, mas um vislumbre de seu olhar o surpreendeu. Ela estaria sentindo pena dele? Tinham crocodilos que choravam antes de devorar suas vítimas...

Tentou lutar, mas lutar porque? Havia provavelmente os matado naquele acidente... Por culpa dele foram parar naquele mundo com aquela criatura. Se ao menos ainda tivesse Mark, mas aquela figura assustadora havia feito algo com ele. Estava sozinho e pior de tudo havia deixado sua mãe sozinha... Seu irmão Karl sozinho... Mas não queria lutar. Se seu amigo que era inocente na história sofreu nas mãos daquela criatura ele merecia o mesmo.

— Me dê a mão!- uma idosa com aparência de avó gentil lhe estendeu a mão em tom de desespero e depois gritando para a irmã- O solte! Você não pode o obrigar a ir com você! Nenhuma de nós pode!

—Não!

— Sua mãe precisa de você! Se você for com minha irmã nunca mais vai a ver. Ela quer a sua vida! Pense na sua carreira também! Ainda tem muito o que viver, rapaz! Vamos!

—Então você é a morte?- perguntou Caleb olhando no fundo dos olhos da idosa com as cicatrizes. Queria ter a confirmação. Dizem que a morte é uma dura verdade, talvez por isso a aparência dela... Uma lágrima escorria pela sua bochecha. Não podia viver sabendo que provocou a morte de seu amigo. Não podia continuar sua carreira sabendo que acabou com a de Mark- A senhora levou meu amigo?

A idosa concordou com a cabeça. Caleb não sabe se foi para a primeira pergunta, para a segunda ou para ambas. Mas para ele foi o suficiente. Estendeu a sua mão.

*

Summer se jogou no chão logo que chegou no campo. Ficou recarregando suas forças nas rosas. A energia delas ia para ela na forma de um vapor rosado. Estava cansada. Doou sua força para manter Mark e Caleb instáveis após o acidente, principalmente Caleb, que ficou mais ferido. Ficou próxima até o socorro chegar.

Depois de tudo não chegou a conclusão de quem eram aquelas mulheres idosas, mas tinha suas suspeitas. Sabia que uma havia mentido para ela. Nenhuma de suas rosas havia murchado devido a sua ausência. Sobre o que mais teria mentido? Não importava mais...

Jogou o que sobrou do celular de Caleb longe. Ninguém precisava saber o que provocou o acidente. Os primeiros flocos de neve começaram a cair sob o aparelho. Logo o cobririam. Seria um inverno muito rigoroso, mas passaria. Esperaria a primavera para ver Mark e Caleb. Sentia que os veria novamente. Os dois acenariam e a enxergariam? Ela esperava que sim. Esperava os amigos.

*

Sua cabeça doía... Tudo estava confuso e turvo... Muito branco... Seria um hospital? Mark, onde estava? Tentou abrir a boca mais não tinha forças para isso. Seu peito também doía. Sentia que seu pescoço estava imobilizado.

—Mark... Onde...Está, Mark?-perguntou com dificuldade quando teve forças.

—Caleb?- ouviu a voz do amigo próxima dele, provavelmente da cama ao lado. Parecia igualmente fraco, mas estava vivo. Era tudo que precisava ouvir...Caiu no sono novamente. Acordou realmente só uns dias depois. Ainda estava meio dopado. Pegou o pior do acidente, mas estava se recuperando.

—Quero que saiba que não lhe culpo pelo acidente.- disse Mark da cama ao lado da sua. Quando notou que ele estava mais desperto. Falou isso sem lhe olhar diretamente. Só então percebeu que como consequência do acidente o amigo havia ficado com uma cicatriz meio feia no rosto. A cicatriz marcou sua bochecha.

—Mas eu me culpo.-disse olhando para a cicatriz no rosto do amigo.

—Ninguém morreu, Caleb. Relaxe.-disse lhe olhando diretamente pela primeira vez. Se passou um bom tempo. Nada. Nenhuma palavra. Não sabia como responder. Não sabia como se desculpar pela cicatriz. Mark querer o perdoar o deixava com mais culpa ainda... Muitos minutos.

Lembrou de uma coisa.

—Tinha uma menina de vermelho no banco de trás.-disse Caleb assustando o amigo muito tempo depois.

—Do que está falando, cara? Tinha só a gente.

—Ela estava lá...

—Você precisa descansar.

—Temos que voltar lá.

—Onde?

—Naquele campo de flores. Onde gravamos. Ela ainda deve está lá. Quero a ver novamente. Deve está esperando pela gente...

Notas finais
Parece que não é somente a Summer que quer os rever, mas será que o reencontro será como ela espera? Adianto que a história está só começando. Este é apenas o começo. Ainda falta saber mais do reino de onde a menina veio e outros mistérios mais. Agradeço a todos que acompanham e peço que continuem comigo nesse jornada. Abraços e até o próximo. Não se esqueçam de dizer se gostaram nos comentários. ♥