Flores brancas
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Nos corredores sem fim do palácio do Império Kou, tentando adiar mais uma vez um encontro com Kouen, o garoto das tranças azuladas estava quase correndo, olhando para os lado desesperado procurando Alibabá, Morgiana ou alguma outra pessoa que não fosse o futuro rei.
Virou mais algumas curvas até se ver perdido, e sem encontrar ninguém. Já era tarde quando saiu do quarto, mas não pensou que poderia sair do outro lado da enorme construção, em um jardim florido, que provavelmente era obra da Kougyoku ou de Hakuei.
Ficou um tempo parado admirando as flores coloridas que ali estavam e, sem pensar duas vezes, deitou na grama verde e fofa, a trança espalhada em volta da cabeça como uma coroa enquanto se virava de lado a fim de ficar mais confortável naquele ambiente. A grama estava tão quente e aconchegante que sem querer, Aladdin adormeceu.
Do outro lado, procurando quase obsessivamente pelo Magi, Ren Kouen percorria pela terceira vez o palácio inteiro, perguntando-se onde diabos aquele garoto poderia estar. Da próxima vez pediria a alguém que ficasse de olho nele, para que mais acontecimentos como este não ocorram novamente.
O dia estava escurecendo depressa, e a temperatura baixando, todavia Kouen não descansara, e acabou parando no mesmo jardim que Aladdin estava, sem notar. Como estava olhando para frente, não viu aquele monte azul adormecido na grama, cercado de flores e de Rukhs brancos que aleatoriamente passavam por ali. Só notou quando tropeçou em alguma coisa, e acabou caindo em cima dela.
– Are... — Aladdin olhou em volta antes de notar a sombra o cobrindo.
Ele apertou os olhos, e ao ver dois pares de olhos alaranjados o encarando, e o cabelo vermelho, levou um susto.
– Ko-Kouen-san! O que faz... aqui? — perguntou, tremendo involuntariamente, tanto pela apreensão quando pela proximidade.
O maior saiu de cima dele, o ajudando a levantar logo depois. Ainda estava um pouco atordoado, quando finalmente encontrava o Magi, passava por uma situação constrangedora.
– Estava lhe procurando, Aladdin. Ainda há coisas que preciso conversar com você. — respondeu simplesmente.
O outro tremeu levemente, um pouco mais calmo, entretanto, nem tão calmo assim.
– Ah, claro... sinto muito, eu me perdi, e acabei dormindo aqui no jardim. Estou meio cansado, e o clima aqui está frio.
Kouen olhou para a figura magra e esguia que estava em sua frente, e observou os detalhes dela. O tremor tão característico quando ela falava consigo, os olhos grandes azuis bem abertos, os cabelos azulados balançando suavemente com o vento. Por que não notara antes? Aladdin era realmente bonit-- o que estava em sua mente? Deve ter sido tanto tempo o procurando. Mesmo assim, não podia parar de pensar nele fazia algum tempo... E nem parar de se preocupar.
– Vamos procurar um lugar para sentar, eu te cubro com minha capa. — E começou novamente a andar, em direção a um banco ali perto.
O menor o seguiu sem protestos, silenciosamente, o barulho dos pés pequenos contra as pequenas flores brancas era tão bonito, simples e doce aos ouvidos. Poderia se acostumar a ficar perto do Magi o tempo todo, ainda que o outro não pareça apreciar muito sua presença.
Sentou-se, e o outro sentou ao lado, um pouco longe e hesitante. Kouen estendeu a capa, e cobriu as costas de Aladdin, chegando perto deste. O brilho alaranjado e violeta dos últimos raios de Sol faziam a capa vermelha flamejar como fogo, uma contradição aceitável para os dois ali presentes.
– O que eu queria dizer era que... — ele começou, mas logo encontrou os olhos azuis brilhantes o olhando e tudo o que havia em sua mente se esvaiu. Como o outro tinha esse poder tão forte? Como conseguiu acessar as partes mais fechadas de sua mente, sem nem perceber?
– Sim?
Ren tomou fôlego, mas mais uma vez desistiu de falar. Ao invés disso, ele passou os braços pelos ombros finos e o trouxe para mais perto de si, onde estava mais quente, apertando o corpo menor em seu peito, tentando falar com gestos o que as palavras não diriam.
Ren Kouen não sabia quando, nem como, nem onde, nem exatamente o que aconteceu. Mas de uma coisa ele sabia, estava perdidamente apaixonado por aquele garoto, e seu senso de proteção e preocupação, além de sua sede de conhecimento, até dos mais inúteis, o fazia parecer uma pessoa intimidante perto dele.
No entanto nada importava, pois somente compartilhar desses poucos momentos que os dois estão juntos, mesmo que o sentimento não seja recíproco, já bastava.
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