Flores Para Alemanha

8 Flor de Rosa Negra


Notas iniciais
Olá!^^

Postando sempre final de semana xDD

Segundo o significado das rosas, a rosa negra representa separação e tristeza, morte e noturnidade; pelo lado positivo também pode significar seriedade, nobreza e amor.

As rosas negras são oferecidas somente as pessoas que as conhecem e que conhecem seu significado. Uma vez tenha dado ou recebido algumas, te estará dizendo que estarão juntos até o final ( ou morte ).

Gilbert estava triste, seu namorado teria que ir embora e ele teria que lutar na guerra. Não tinha mais um sorriso em seu rosto, na verdade o albino estava bastante abatido e aquilo não era bom.

Lara, por sua vez, tentava animá-lo, mas tudo o que conseguia era uma cara séria ou até um pequeno sorriso forçado no canto da boca. Ela suspirou se rendendo, fazer seu irmão sorrir era mais difícil do que ela pensara.

Foi então que teve uma ideia, podia parecer absurda, mas aquela era a sua única chance. Foi até Ludwig e perguntou a ele o que podia ser feito para alegrar Gilbert e a resposta não foi muito satisfatória, no entanto, concordou em deixar Roderich tocar algo para ele, talvez assim ele ficasse feliz.

Quando o austríaco se sentou no banco do piano pensou em várias músicas que podiam animar a casa, então se lembrou de algo, uma antiga música que ele havia tocado uma vez e foi neste dia que conheceu o alemão. Sorriu saudoso e melancólico, pois se lembrou da promessa que havia feito de apenas tocar essa música em épocas especiais. Porém, não quis esperar, aos poucos tecla por tecla era pressionada, produzindo uma melodia estranha e maravilhosa que preenchia a casa.

A música parecia se triste e bela ao mesmo tempo, não tinha voz com letras, mas a cada parte tocada parecia ainda mais bela e encantadora. E, para a felicidade de todos, Gilbert ia sorrindo cada vez mais, aquela música era realmente especial. Quando enfim acabou, todos ficaram felizes.

– Obrigado. — O austríaco sorriu ao ouvir o elogio de Antônio.

– Ele é muito bom mesmo. — Gilbert havia voltado a falar com toda aquela animação que sempre tinha.

Todos riram ao verem a face corada do músico, ele parecia ser tão fofo naqueles momentos.

– Não faça isso, se não vão querer te roubar de mim. — O albino tinha o seu típico sorriso maroto no rosto.

– Pare de dizer bobagens. — O castanho estava ainda mais vermelho, mas já estava acostumado àquelas ações do menor.

– Por favor, temos gente inocente na sala. — Antônio apontou para Feliciano enquanto ria com todos.

Logo ia anoitecer e com isso eles teriam que dizer "Adeus", naquele momento não importava a guerra ou a louca dos homens, eles estavam apenas se divertindo e vivendo com tristeza seus últimos momentos juntos.

Darem se distanciou dos outros e calmamente foi até o quarto preparar sua mala, logo teria que está em um trem para ir à sua casa. As passagens já estavam compradas, tanto para ele quanto para ela, não ia dar trabalho fazer as malas, podiam levar pouca coisa que tudo seria comprado depois, afinal, de todos os membros da família Beillschmidt, ele era o mais rico.

– Darem? — Por sua sorte, ele foi seguido por Fernanda.

– Sim, querida? — Ele olhou para a italiana, tinha amado o fato de chamá-la de "querida".

– Está tudo bem? — Ela o encarava de forma preocupada, gostava dele, mas ainda era estranha a sensação que tinha em relação a guerra.

– Está sim. — Ele estendeu a mão para que ela se aproximasse.

Ela obedeceu e, quando segurou a mão dele, foi puxada para perto de seu corpo e pode sentir um abraço confortável e possessivo, recebendo um leve carinho em sua cabeça.

– Vai ficar tudo bem, eles estarão seguros para onde vão. — Ele tentava deixá-la confortável, não queria que ela ficasse nervosa, podia ser prejudicial à sua saúde e à saúde do bebê.

Ele gostava daquela situação, poder chamá-la de "sua querida" e poder ser chamado de "pai". Darem sempre quis ter uma família, e ele sentia que aquilo ia ser ótimo, já estava com tudo planejado, desde o quarto da criança às escolas que seu "filho" ia estudar, podia parecer absurdo, mas era seu desejo.

xxx

Lovino estava tendo um grande problema, diferente dos irmãos ele não iria ficar na Europa, ele iria para o Continente Americano e sequer sabia ao certo que língua devia aprender para poder viver lá. Olhou para a pequena mala que ia levar consigo e pensou em desistir, talvez Roderich aceitasse levar mais um Vargas com ele, mas então quem iria cuidar daquele espanhol idiota? Quem ia impedir que ele só se alimentasse de tomates? E quem ia tirar aquelas mulheres de perto dele?

O italiano podia não conhecer muito sobre o Brasil, porém, sabia que lá tinha mulheres bonitas, comida a vontade e festas, sem falar que tudo o que plantava dava, as histórias que ouvia sobre lá era o fazia pensar em um tipo de país que mais parecia um paraíso. "Paraíso... Acho que não vai ficar assim por muito tempo se essa guerra se prolongar", pensou enquanto dobrava a sua roupa para pôr na mala.

Ele se perguntava que tipo de clima eles teriam lá, por isso levava um pouco de cada coisa e, quando se abaixou para continuar ajeitando as roupas, sentiu alguém o abraçando por trás.

– Você devia estar preparando suas coisas para a viagem — Ele falou de forma dura, mas não tentou se soltar do outro.

– E eu estou, essa é a coisa mais preciosa que levarei. — Ele apertou o abraço e beijou a nuca do italiano.

– Seu idiota. — Lovino podia estar ofendendo o maior, porém, sua face estava vermelha e ele gostou de ouvir aquilo.

– Sim, seu idiota. — O espanhol continuou a apertá-lo contra seu peito, amava aquele italiano e não queria perdê-lo.

Antônio deu uma olhada na mala do menor, as roupas escolhidas pareciam ser boas para levar e então ele se lembrou de algo importante.

– Sabe, lá no Brasil eles tomam banho¹ todos os dias, às vezes até mais de duas vezes no dia — Ele disse aquilo sorrindo, ia amar tomar banho com Lovino todos os dias.

– O QUE?! — Lovino ficou assustado, como as pessoas podiam tomar banhos todos os dias? Na Alemanha se tomava um banho a cada dois meses e estava de bom tamanho!

– Eu também fiquei assustado quando soube, um amigo que veio de lá me contou, lá eles são muito limpos — Tinha um sorriso no rosto enquanto falava, tinha gostado de ver aquela face no rosto do namorado.

Lovino ficou parado por mais alguns minutos pensando como devia ser estranho tomar vários banhos por dia e então ele se lembrou de uma dúvida que tinha.

– Antônio, que tipo de língua eles falam lá? — A pergunta foi dita de forma baixa, não gostava de admitir a sua própria ignorância.

– Português, — O outro falou de forma simples e completou. — é um pouco parecido com o espanhol da Espanha, mas é ainda mais complicado ²

– Como você sabe sobre isso? — A curiosidade do menor era grande, ele estava admirado com a inteligência do outro.

– Eu conheci um marinheiro português uma vez e ele me contou que tinha um sobrinho brasileiro. — Falava para o outro como se aquilo não tivesse importância. — Ah! Vai ser esse marinheiro que irá nos levar até lá ³.

Enquanto Antônio contava ao menor sobre o que tinha ouvido do amigo português, o outro ouvia calmo e fazia perguntas às vezes, arrumando suas malas.

xxx

Quando a noite chegou, todos se reuniram na sala de jantar, afinal de contas estava havendo o casamento entre Darem e Fernanda. Não era nada exagerado, era apenas um pequeno jantar para todos que estavam naquela casa.

Fernanda usava um simples vestido branco e Darem seu terno negro, após eles dizerem o "sim" todos sentaram e comeram. Foi um jantar silencioso, não teve piadas e nem provocações e assim que todos beberam o vinho e comeram um pedaço de bolo, despediram-se e foram embora.

Roderich ajeitou a malas na parte de trás do carro enquanto Feliciano e Lovino se preparavam para ir. Gilbert dirigiu o carro de Roderich e Feliciano; Lovino e Antônio foram junto de Fernanda e Darem, enfim iam todos para o mesmo local.

Lara olhou ao seu redor e percebeu que a casa estava ficando vazia, aquela mansão tinha voltado a ser a fria e temida casa do general Beillschmidt, o que foi muito triste admitir. Sabia que seu irmão estava no escritório e, por este motivo, foi até lá.

Encontrou o outro sentado em sua cadeira lendo um livro, ele permanecia com a roupa de general, a mesma roupa na qual ele tinha assistido o casamento do tio e de Fernanda.

– Você não comeu nada, então eu lhe fiz um chá e trouxe um pedaço de bolo para você. — Ela colocou a bandeja em cima da escrivaninha.

– Não estou com fome, mas obrigado. — Ele não a olhou, apenas ajeitou o óculos e continuou a ler.

Ela deu uma olhada para o livro nas mãos dele e suspirou, Ludwig estava agindo de forma "ilegal".

– Você sabe muito bem que ele mandaria te matar se descobrisse seus livros do estrangeiro. — Lara estava visivelmente irritada, ele sabia dos riscos, então por que desobedecer?

– Eu gosto de ler, e ele não vai descobrir. — Ludwig falou calmo.

Ela não discutiu, achava que seria muito trabalho para ele e até que seu irmão estava certo. Como ela ia embora na manhã seguinte, disse seu “boa noite” acompanhado de uma despedida, não poderia ficar muito tempo na casa do irmão já que a guerra se aproximava de forma assustadora.

Deixou-o sozinho com o seu livro sobre o Império Romano, afinal não tinham o que conversar.

xxx

Já estava de noite e pela janela o general Ludwig Beillschmidt observava o céu, ele se perguntava se Feliciano estava bem e se ele ia ficar bem. Aquela estava sendo uma noite muito complicada, Roderich havia ido embora com Feliciano após o pequeno jantar de casamento de Darem e Fernanda — que também já tinham partido -, Antônio e Lovino saíram um pouco mais cedo, afinal para chegar nas Américas eles tinham que parar em certos locais primeiro.

Aquilo deixava o loiro preocupado, sabia que o seu amado Feliciano era um ser carinhoso e inocente, temia que alguém resolvesse se aproveitar dele, mas tinha que confiar em Roderich e em sua capacidade para cuidar de pessoas, sabia que o austríaco era um bom médico então não tinha o que temer, tinha?

Balançou a cabeça para tentar tirar aquela ideia, não ia acontecer nada de ruim com Feliciano e os outros Vargas, todos estariam bens e ficariam assim até o término da guerra. Olhando mais uma vez para o relógio da parede, teve certeza que precisava dormir, Luddy sabia que não ia demorar muito para o partido*, na qual servia, logo mandaria lhe chamar, o que não o deixava muito tranquilo ou feliz, contudo, era seu trabalho como general, então ele ia ter que servir de qualquer forma.

Enquanto ia para o quarto pensava em seu irmão caçula, sim, ele pensava em Gilbert, o mais novo estava sozinho naquele momento e logo não poderiam mais se ver; suspirou cansado ao perceber o triste rumo que o mundo tomava. E se deitando na cama, sorriu de leve e saudoso ao perceber o cheiro suave do jovem jardineiro que permanecia em sua cama.

– Quando tudo acabar, eu vou te ver. — Sussurrou para si mesmo ao encostar os dedos no lábios.

A lembrança do beijo estava bastante viva em sua mente. Não gostava da forma que teve que se separar do menor, queria passar mais tempo com Feliciano, mais tempo para fazer carinho em sua cabeça e mais tempo para poder beijar aqueles lábios doces até ficarem vermelhos.

Um sorriso maroto estava em sua face, nunca havia pensando que em sua vida ele ia se apaixonar e muito menos por um homem estrangeiro.

Não se contendo, deixou seu quarto e foi para a porta da casa; esticando sua mão, pegou seu grosso casaco e saiu. Ele precisava sair daquela casa por algumas horas.

xxx

O céu estava escuro, o que ajudava ainda mais a sessão de frio que sentiam. Feliciano Vargas estava segurando seu gato e na outra mão sua bagagem enquanto Roderich comprava as passagens para o trem.

O jovem estrangeiro estava bastante confuso e até cansado, se ele não tivesse dormido a tarde, talvez não tivesse conseguido sair de casa. E ao pensar em casa, especificamente no quarto do general, suas bochechas coraram, ele não estava acostumado com aquele tipo de carinho e tentava imaginar o que Luddy estaria pensando.

Olhou para o austríaco, que estava na fila para comprar passagens, Roderich parecia tão nervoso era como se a qualquer momento alguém pudesse matá-lo. Aquela expressão no rosto do castanho assustava um pouco o italiano, mas por educação resolveu não comentar nada, afinal ele já devia está estressado com o trânsito que teve que enfrentar para chegar ali, "Talvez seja o estresse da estrada", pensou antes de sorrir para o felino em seu braço.

Quando Roderich se aproximou parecia um pouco mais calmo, havia conseguido as duas passagens e tinha ainda mais uma coisa escondida, e ao se aproximar mais de Feliciano ficou mais confuso do que antes.

– Isso é um gato? — Feliciano encarava o pequeno felino de pelo escuro, parecia ser fofo.

– Sim, eu achei ele e pensei que poderia te fazer companhia. — O jovem médico tentou sorrir, não foi uma ideia muito boa arrumar outro gato, mas talvez pudesse alegrar Feliciano ainda mais.

– Obrigado.

O sorriso do italiano ficou ainda maior, ele colocou a mala no chão e passou a mão no pelo do gato preto. Aquela cena alegrou um pouco Roderich, que pegou o italiano e foi andando para dentro do trem quando escutou o apito.

Por seus irmãos irem para locais diferentes, eles tinham pegado trens diferentes, Lovino tinha pegado um trem com Antônio e depois ia pegar um barco com destino ao Brasil; Fernanda estava indo embora com Darem para tentar viver a vida na Bavária e agora ele ia com Roderich para a Áustria, sentia-se sozinho e um pouco triste com tudo aquilo.

Assim que entraram no trem, Feliciano foi andando calmo até o local que iam ficar, era um chique trem de viagem então tinha partes separadas para os passageiros se acomodarem e descansarem. Feliciano apenas seguia o austríaco e assim que o outro disse "É aqui", ele adentrou no compartimento, sentando-se perto da janela e arrumando um canto para os gatos dormirem.

Roderich riu de leve com aquilo, enquanto pedia a Deus para que nada desse errado com aquela viagem. Observou mais um pouco o italiano, ele parecia estar se divertindo um pouco olhando as pessoas do lado de fora; o trem ainda não tinha começado a correr, as pessoas ainda entravam e andavam pelos corredores a procura do local para ficarem. Olhando para o seu relógio de pulso resolveu ler um livro, era o que tinha para passar o tempo naquele local chato.

Feliciano permanecia a olhar pela janela da locomotiva até que viu algo que fez seu corpo estremecer, não esperava ver aquilo e antes que pudesse dizer ou fazer algo o trem apitou e começou a andar. O italiano ficou nervoso, queria descer naquele momento, queria ter certeza do que havia entendido, queria poder olhar para aqueles olhos azuis mais uma vez, mas não deu, o trem já estava pegando velocidade e logo a imagem da estação foi desaparecendo de sua visão ficando apenas com as passagens de campo. Seus olhos ficaram úmidos e algumas finas lágrimas escorreram sobre seu rosto.

Posto de pé, lá parado, no meio das pessoas que corriam para pegar seus devidos trens, estava o general alemão de farda e tudo. Ludwig tinha ido até lá para ver pela última vez Feliciano; pela última vez antes do tormento começar ele queria ver aqueles belos olhos que demonstravam inocência e gentileza. Ele tinha ido lá apenas para isso e agora ainda estava parado no mesmo lugar olhando para aonde o trem tinha ido, não acreditava no que havia dito baixo para o italiano, um sorriso sereno se formou em seu rosto. Dando as costas, foi embora calmo, sabia que um dia voltaria a ver aquele belo italiano, nem que para isso tivesse de matar Hitler.

Pois, naquele momento que seus olhos encontraram os do menor, ele havia dito "Eu te amo", as palavras tinham sido ditas no silêncio, apenas sua boca havia se mexido, no entanto, pela a face que o menor fez, ele teve a certeza que Feliciano havia entendido o recado.

Notas finais

¹ Essa parte do banho é interessante, os Europeus não costumam tomar tanto banho quanto a gente, o tempo que eles ficam sem banho varia de cada casa e cada cultura ^^

² Um fato interessante que é poucos estrangeiros sabem qual é a nossa língua, alguns acreditam que é espanhol (?) e outros até falam brasileiro, o fato é que somos ignorados pelo resto do mundo ...

³ Outro fato interessante sobre nossa língua: E a língua mais difícil do mundo '-' serio gente sem zoera, é a pior língua para si aprender, nem o português de Portugal é tão difícil assim, tenho pena dos estrangeiros que tentam aprender nossa amada e complexa linguá ^^'

* Com a perda na Primeira Guerra Mundial a Alemanha foi proibida de criar exércitos, por conta disso eles criam partidos, e é por este motivo que eles tinham um grande e forte exército.

Olá!^^ (De novo xD)

Eu tive a ideia de por o capítulo com esse nome por causa de um comentário da nova leitora a boku-tachi (digam "Oi" para ela gente xD)
Bom como vocês devem perceber eu diminui, novamente, os capítulos, motivo? Para inicio de conversa eu tinha deixando grande porque a senhorita Shirayukihime havia dito em seu comentário que não se importaria de ler um capítulo meu com mais de 3000 palavras, acontece que eu não sei mais se vocês estão gostando ou não então eu diminui novamente...
Como continuou sem saber de vocês eu vou escrever dessa forma, e como não ando muito animada os capítulos podem ficar curtos e estranhos ( é, eu escrevo porque fico animada '-') ou talvez não, vai depender da minha paciência no dia ^^
E mais uma coisa, eu estou pensando em postar algumas outras fics de outros casais aqui, o que acha?
Beijos~