Flores Murchas e Queimadas
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Voltaram em silêncio para a toca. Pelo caminho, Japhde percebeu Zahse mirando-o com olhos inseguros. Como se temesse expor seus pensamentos, mas também não aguentasse contê-los.
— Você sempre sopesa tanto suas perguntas antes de fazê-las?
Zahse encarou-o atônito, sem reação para a interrogação repentina.
— Eu... Eu não...
— Está tudo bem. Estou brincando. — Por mais cansado que estivesse, Japhde sentia-se mais calmo agora. Mais leve. — Pergunte.
Zahse respiro fundo, ainda receoso quanto às suas palavras.
— O que você me contou. Tudo isso foi antes de meus pais, de meus avós terem nascido.
Oh.
Japhde também precisou respirar fundo.
— Eu não sei quanto tempo faz. Mas eu sou velho, Zahse. — Fechou os olhos. — Havia os cervos e os elfos. Minha maldição é ser mestiço. Ligado à floresta. Preso à solidão. Assombrado pelas memórias de uma guerra passada.
Zahse sacudiu a cabeça, e suas mãos tremiam, fechadas em punhos.
— Ela nunca teve fim.
Japhde sabia. Desde que Zahse caíra ferido em sua vida, ele sabia. Ele assentiu, e Zahse continuou como se confessando seu maior pecado. Seus cabelos caíam sobre o rosto, escondendo o semblante amargo.
— Nunca houve herói algum.
Japhde tomou a mão dele nas suas e beijou-lhe os nós dos dedos.
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