Flores Murchas e Queimadas
22 Capítulo 22
Notas iniciais
— Por quê?
Japhde manteve-se em silêncio.
— Por quê? — Zahse repetiu, e Japhde não sabia como ler seu rosto. — Depois de tudo isso, você ainda... Você devia ter me deixado–
— Eu não devia nada! — explodiu Japhde, sentindo os olhos arderem outra vez. — Eu disse. Aqui não é nenhum cemitério.
Mas sacudiu a cabeça e caiu de joelhos logo que as palavras deixaram sua boca. E escondeu o rosto nas mãos, como se negando o que acabara de dizer. Pois sabia que aquela não era toda a verdade. Sua voz saiu fraca, trêmula, abafada pelas mãos que ele fazia de máscara.
— Eu queria... Eu precisava que você fosse diferente — murmurou. — Eu não aguentaria viver num mundo de monstros. Onde estivéssemos cercados de assassinos e não passássemos dos rebotalhos que vocês fizeram de nós.
Soltou o ar num suspiro instável, encarando Zahse pela fresta dos dedos.
— Você não é nenhum monstro, Zahse. Mas, quando eu te vi com aquele caderno, eu só conseguia pensar em como você iria arrancar tudo o que me resta. Eu...
Suspirou, exausto.
— Eu insisti para todos que você não é um monstro. Mas eu ainda te vejo como um.
Japhde não conseguia mais olhar para ele.
— Me desculpe.
Fale com o autor