Flores Murchas e Queimadas
20 Capítulo 20
Notas iniciais
Não importava o quanto corresse, monstros sempre seriam mais rápidos. Japhde sabia disso. Havia tentado uma vez.
Zahse alcançou-o em segundos, implorando para que Japhde o ouvisse. Mas ele não ouvia, tropeçando nas duas patas e pedindo para que Zahse o deixasse em paz.
— Japhde, por favor! — pediu, segurando-o pela mão. — Você tem que entender, eu...
— Eu sei!
Fugiu do toque como se queimasse. Zahse se calou.
— Eu sei. Você é um predador. Tenho ciência disso. — Respirou fundo. — E mesmo assim te deixei ficar. Eu...
Eu quero que vá embora, deveria dizer, mas não conseguia. Japhde deveria cumprir seu dever. Deveria fazer o certo, deveria proteger a floresta dos montros.
Mas Zahse não era um monstro.
Zahse era carinhoso, era gentil. Zahse fazia-o rir mesmo quando Japhde pensara já ter se esquecido como. Era alguém novo naquele mundo acinzentado pelo luto.
Japhde não queria mandá-lo embora. Não queria perdê-lo. Sempre soubera, desde o começo, que nada daquilo poderia durar. Cedo ou tarde, o mundo deveria voltar a girar. E mesmo assim Japhde insistira, insistira tanto...
— Eu...
Era tudo tão puxativo. Estava cansado.
— Eu sou tão hipócrita... — murmurou num fio de voz, e flores cresceram onde suas lágrimas atingiram o chão.
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