Flores Murchas e Queimadas
30 Capítulo 30
Notas iniciais
Os dragões estavam perdendo a guerra.
Japhde chorou quando ouviu. Não porque se importava. Mas porque sabia o significado que tinham aquelas palavras.
Não queria mais soltar-se de Zahse, e fazia de tudo para que não muito se afastassem. Dormiam juntos. Andavam de mãos dadas. Japhde não suportava pensar em perdê-lo. Zahse era tudo o que lhe restava. Tinha de fazê-lo ficar.
Durante as noites, quando Japhde chorava abraçado a ele, Zahse o confortava com beijos. Pequenos toques de seus lábios contra a pele de seu ombro, de seu pescoço, de seu rosto. Não para fazê-lo parar. Aquela era apenas uma forma de mostrar que estava ali e que sentia muito. Mas Japhde sabia que era também um pedido de desculpas adiantado.
Japhde não queria desculpas adiantadas. Japhde não queria desculpas. Japhde ansiava por seus toques e pelo sorriso cálido que Zahse exibia ao vê-lo todas as manhãs. Japhde esperava as palavras sinceras e o olhar rotundo que o fazia esquecer do medo. Japhde desejava que ele fosse feliz.
E Japhde o amava.
Só queria qualquer coisa que fizesse o dragão mudar de ideia.
Porque Zahse voltara a olhar para o céu. E, dessa vez, Japhde não queria vê-lo voar.
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