Flores Murchas e Queimadas
28 Capítulo 28
Notas iniciais
Ele estava no inferno pela segunda vez.
O fogo estalava ao consumir as árvores, derrubando galhos, troncos, e saqueando as vidas de animais inocentes. A floresta era toda uma enorme candeia, recolhendo os espíritos que nela deveriam ter encontrado abrigo. Japhde sentia o último suspiro de cada um. Lamentava por cada um, ciente a todo momento de que depois daqueles viriam outros.
Acima deles, gritos e rugidos ressoavam além das chamas caóticas. Os estrondos e bramidos eram eco horroroso dos monstros que destruíam-se a si mesmos no céu. Eram vários contra um.
Mas Japhde não tinha tempo de olhar. Tentava sufocar o incêndio, isolando-o com árvores que cresciam e morriam, cresciam e morriam. Mas assim isolava também os animais que tentavam fugir, e, por mais que tentasse, não conseguia salvar todos. Seu corpo queimava junto da floresta. Sua alma queimava junto dos animais.
E tudo doía, doía, doía tanto. Mas precisava continuar ou então toda a floresta seria engolida pelas chamas. As fadas ajudavam, invocando desesperadas a chuva. Japhde precisava continuar. Precisava continuar.
Quando as primeiras gotas caíram sobre seu rosto, o trovão ecoou com o rugido dos monstros. Depois disso, sua visão tornou-se escura como uma noite sem estrelas.
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