Flores Murchas e Queimadas
25 Capítulo 25
Notas iniciais
As coisas não eram mais como antes. Japhde não queria que fossem.
Teve ajuda para reconstruir a toca. Japhde pediu perdão à terra e aos poucos as flores voltaram a crescer. As fadas cuidavam para que retornassem ao seu estado prévio ao descontrole, mas Ivryt fez questão de que as plantas fossem mais coloridas ainda. Japhde se maravilhava com os desenhos que ela fazia nas pétalas. Eram como constelações.
Zahse fazia o que podia. Não era muito. Mas as fadas viam. Elas entendiam. Não mais o hostilizavam, e Japhde poderia dizer que sentiu-se feliz.
Dias depois, observavam o mar à beira do penhasco, ele e Zahse. Não diziam muito. Aproveitavam a companhia um do outro, apenas, e sentiam o vento beijar os seus rostos.
— Às vezes me pergunto se elas ainda estão vivas — Japhde falou, recordando-se de quando encontrara o corpo de uma sereia na praia. Ainda se lembrava da mortalha que bordara para ela. Mas imaginou que seria muito egoísmo enterrá-la, então devolveu-a ao mar.
Zahse parecia triste.
— Espero que estejam. O mar é vasto. Talvez elas tenham fugido para bem, bem longe.
Japhde concordou, e voltaram a observar as ondas em silêncio.
Ambos sabiam que não era verdade.
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