Flores

4 Ratos de laboratório


Notas iniciais
Olá! Como estão? Espero que tudo tenha transcorrido na mais perfeita paz desde o nosso último encontro... Desde já, peço desculpas pela demora (de novo). Infelizmente, não será possível prosseguir postando com uma maior frequência. Entretanto, existe um ótimo motivo para isso! Eu fui chamado para dar aula de química em um cursinho pré-vestibular! Tecnicamente, eu ainda não sou um professor, pois não tenho o certificado e talz, mas já estou dando aulas há umas três semanas. Eu estou muito feliz por poder exercer esta profissão tão linda com a matéria que eu mais amo ♥. Então, amigos, espero que vocês entendam... vida de professor é corrida! Enfim, eu espero que gostem deste capítulo!

— Ao todo foram quatro cortes, está vendo? Dois deles bem profundos.

Nito apontou para a foto do rosto machucado de Helle, tirada antes do atendimento com a finalidade de documentação.

— Este aqui na sobrancelha esquerda e este outro perto do olho esquerdo. Os outros dois são estes no lábio inferior e na bochecha direita. O crânio, que já tinha resquícios de choques, sofreu vários danos, porém apenas um foi grave. Em um de seus socos, Aiden conseguiu quebrar o nariz de Helle, por causa disso ele deve ficar com aquele curativo por alguns meses. Já Aiden não sofreu danos graves, apenas foi nocauteado com o que chamamos de “choque mecânico”. Ele apenas deve sentir algum incomodo ao caminhar, já que o choque ocorreu nos...

— Já entendemos, Nito, obrigado. — disse Robert, interrompendo-o.

O senhor Robert não escondia sua expressão de decepção. Ele alternava sua visão entre a foto e os olhares dos dois rapazes que mais cedo foram integrantes de um confronto violento. Ficou assim por alguns minutos, enquanto andava de um lado para o outro na sala de atendimento. Às vezes, quando olhava para os dois, sentados lado a lado a sua frente, parava, cruzava os braços e, antes que voltasse a andar, fazia a maior cara de dúvida.

Batendo a sola da bota freneticamente no chão, Aiden demonstrava sinais de impaciência, além de gerar um barulho irritante que perturbava o silêncio da sala. Helle, ao contrário, apenas soprava a fumaça do cigarro e a via dissipar-se no ar. Até que, para surpresa mútua, o diretor do asilo Saint parou. Após entregar a foto nas mãos de Nito, começou:

— A pessoa com quem você tentou falar, Aiden, era Avlon, um jovem rapaz que perdeu sua família no dia do massacre. De acordo com ele, Helle deu o primeiro soco. É verdade, Helle?

— Esse filho da...

— Calado, Aiden! Eu quero ouvir o que ele tem a dizer.

— Sim, senhor. Eu dei o primeiro soco.

Neste momento a mente do velho homem pareceu se confundir ainda mais. Ele simplesmente não entendia como alguém tão pacífico quanto Helle poderia iniciar tudo aquilo, ainda mais contra Aiden, que era fisicamente mais forte e robusto. Misturando sentimentos de dúvida e decepção, ele questionou:

— Por que, Helle? Logo você que detesta violência, que é sempre tão calmo. Diga-me, o que aconteceu?

— Tudo que o senhor falou é verdade, porém quando mexem com pessoas que eu me importo eu não penso duas vezes.

— Então esse tal de “Avlon” era seu namorado? — provocou Aiden, irritado. Helle apenas jogou sua cabeça para trás lentamente enquanto fechava os olhos.

— Eu não entendi, Helle.

— Olha, senhor Robert, essa ideia estupida de revolução atinge mais pessoas do que esse babaca pode imaginar. É aí que as pessoas que eu amo entram. Elas podem se envolver nas consequências dessa merda.

Agora ficava claro para Robert a razão de alguém como Helle optar por violência. Ele sabia o quanto o rapaz gostava da sua nação de origem e sabia que mesmo ela sendo a causadora de todo esse sofrimento na Nação Branca, Bremen ainda amava cada pedacinho dela.

— Com quem você se importa afinal? Me diz! — Aiden gritou. — Você não sabe o que é ter que se despedir da sua mãe enquanto ela ainda está em seus braços! Você não sabe o que sentir o corpo de uma pessoa parar de respirar! Você não sabe o que é perder alguém com quem se importa! Você não sabe!

Aiden gritava tão alto que o som da sua voz pode ser ouvido por todo o corredor. E depois de toda aquela gritaria, Helle abaixou a cabeça. Logo depois, viam-se suas lagrimas caindo no chão. Nito, que assistia a cena em silêncio, começava a criar uma indignação dentro de si, pois sabia que Aiden não conhecia o passado de seu amigo. “Como pode uma pessoa ser tão arrogante?”, perguntava-se.

— Acalmem-se, filhos. Vocês dois têm muito em comum. Ambos tiveram perdas terríveis. Ambos tem sentimentos intensos. Travam uma batalha diária para continuar sonhando com dias melhores. Eu entendo cada um de vocês. Porém, infelizmente, a minha sentença é a mesma para os dois. Não há o que possa ser feito agora. Estamos contando com a nova descoberta da Trindade, e isto é tudo o que temos.

Robert olhou para os dois, ambos cabisbaixos. Helle punha as mãos no rosto e Aiden demonstrava sinais de inquietação.

— Sejam amigos e trabalhem juntos. Sei que vai ser difícil realizar o meu pedido, mas, por favor, tentem. É só o que eu lhes peço.

Vendo que nada mais poderia ser feito, com um gesto, Robert pede que Nito o acompanhe para fora da sala, deixando ambos sozinhos. Fora dela, o diretor do asilo, ainda olhando para os dois através janela na porta, solta um suspiro pesado.

— Estes dois são, de longe, as pessoas que mais sofrem com suas perdas. É claro que todas as pessoas sofreram muito, mas estes dois...

— Eu entendo. Também concordo.

— Todos os dias eu me pergunto quando este inferno vai acabar.

— Se depender de nós, em breve, senhor! — exclamou Nito, tentando animar a situação.

— Sim! Vocês vão apresentar hoje, não vão?

— Claro! Eu só vou arrumar essa bagunça na sala e esterilizar alguns materiais. Em seguida eu entro em contato com a FAT e com o resto do pessoal.

— Ótimo. Estarei rezando por vocês.

Após receber a boa notícia, Robert foi em direção à saída do ala hospitalar. Nito voltou para sala e encontrou os dois com posturas mais calmas. Aproximou-se e falou:

— Eu concordo com que o senhor Robert falou, sabe? Vocês são muito parecidos, querem a mesma coisa. Eu penso: “Por que não unirmos o útil ao agradável?”.

— O que quer dizer com isso? — perguntou Aiden.

Nito olhou para Helle e disse:

— Eu acho que nós precisamos contar a ele o que sabemos. Para o bem de todos.

Bremen não reagiu bem a ideia de seu amigo. Percebendo sua discordância, Nito insistiu:

— Vamos lá, Helle. É a única boa ação que podemos fazer. Se deixarmos ele ir, cedo ou tarde, vai acontecer o que aconteceu de novo.

— Vai mesmo! Acham que eu desisti? Assim que eu sair daqui eu vou...

— Cala a boca, cara. Por favor. — Helle implorou, calmamente.

Para recuperar a calma, passou a mão em seus cabelos e respirou fundo.

— E se a gente contar? Só Deus sabe como esse maluco vai reagir.

— Como ele vai reagir? Bem, se ele sair falando, com certeza vai acabar morto por qualquer soldado negro.

— E nós também, idiota.

— É, acho que sim...

Sem ter ideia do que ser tratava, Aiden só ficava mais ansioso. Queria saber quais informações aqueles dois escondiam.

— Aí, eu ainda estou aqui! Será que alguém pode me dizer o que tá acontecendo?

— É o seguinte, cara. Eu não faço isso com desconhecidos como você, mas tem muita coisa que você precisa saber para entender do que estamos falando. Eu vou me esforçar ao extremo pra te contar estas coisas, então por favor, eu só te peço dez minutos de completo silêncio, tá bom?

Aiden não disse nada, apenas viu Helle inclinar-se em sua direção.

— Você quer se livrar dessa ditadura, não quer? Nós também. Então, se quer fazer algo para conquistar isso, vai ter que fazer direito.

***

Estavam os três sentados no centro da sala. Finalmente, Aiden estava prestes a ouvir o que Helle tinha a dizer sobre o que de fato estava acontecendo.

— Eu nasci e me criei em Turon. Depois da morte dos meus pais eu fui morar com os meus tios na Rua da fumaça, lugar onde as indústrias de minério são mais ativas na nação. Meus tios, meus dois primos e Kale, a cadela, eram minha família. — Helle esboça um leve sorriso ao falar deles. — Eu vivia em paz, sabe? Eu adorava sair na rua e ver o céu cinza, adorava o clima levemente frio de lá, eu adorava as pessoas da minha nação que, apesar de sofrerem um forte preconceito por parte dos habitantes de Thonis, não se deixavam abater. Nós seguíamos com a cabeça erguida. Depois disso eu fui ficando mais velho, passei a morar sozinho e eu não parava de me sentir feliz. Eu estava como eu queria. Até que um dia, quando eu estava em casa, de folga, assistindo TV, eu vejo o que o meu povo estava causando naquele momento. Eu fiquei extremamente desapontado e triste de ver a nação que eu amo causando tanta dor e sofrimento para tantas pessoas. Eu fiquei sabendo da existência do abrigo e vim imediatamente para cá. Todos os dias que eu faço algo por alguém neste abrigo, eu tenho a mesma sensação. O mesmo desgosto e descontentamento com o meu próprio povo. Todos os dias eu convenço a mim mesmo de que tenho que fazer alguma coisa para que tudo isso acabe.

Por ter um coração tão sensível quanto uma pedra, Aiden ainda não conseguia entender bem os motivos de Helle, porém entendia que ele possuía a mesma ambição.

— E o que você está tentando fazer?

— Quando eu entrei aqui no abrigo foi para ajudar as pessoas. Fazer o que precisasse ser feito para amenizar a dor delas. Mas as coisas são exatamente como você disse. Não dá pra acabar com uma coisa dessas se não for de uma vez.

— É isso! É disso que eu estou falando!

— É, Aiden, nós sabemos. — afirmou Nito. — Porém não podemos fazer isso de forma barulhenta, como você propõe.

— Exato. Foi por isso que eu estudei, cuidadosamente, cada pessoa deste abrigo. Li e reli suas fichas, analisei seus comportamentos e os submeti a certas situações, só para ver quais seriam suas atitudes. Fiz tudo isso com a intenção de achar as pessoas certas, pessoas em quem eu pudesse confiar.

— E qual foi seu resultado?

— Reuni um grupo pequeno de pessoas e acabei descobrindo certas coisas.

— Que coisas?

Naquele momento, Helle e Nito se olharam e compartilharam o mesmo olhar de fé.

— Essa é a parte em que você não conta nada pra ninguém, ouviu?

— Claro. Fala logo!

— Vamos começar com o óbvio primeiro. Você já deve ter ouvido falar que a FAT está por todo prédio, não é?

— Não, eu não sabia. Mas isso não me deixa surpreso.

— É. Eles estão por toda parte. Temos sorte de sermos só nós aqui nesta sala.

— Eles viram nossa briga?

— E daí se viram? Pouco se importam com o que acontece com a gente. Exceto se a gente correr risco de vida. Os cientistas que estão em busca da cura recomendaram que nos deixassem vivos pois poderíamos sermos peças importantes na descoberta da cura. É claro que isso é mentira, mas eles caem fácil quando citamos a palavra “cura”.

— Entendo.

— Eles também são responsáveis pela doação de alguns recursos. Atualmente, são eles quem mantem o abrigo.

— Mas as coisas só pioram. — completou Nito.

— Infelizmente. Nós descobrimos, por meio de fontes seguras, que Turon abriu um programa que selecionou todas as pessoas sem o Vírus de Prata e as trouxe, disfarçadas, aqui para Yotõn. Pelo o que parece, rumores sobre revoluções começaram a se espalhar pela nação até chegar aos ouvidos de Nimrod. Com medo de que alguma coisa pudesse acontecer, o Rei Cinzento espalhou espiões por toda parte, inclusive aqui no abrigo. Você entende agora por que é tão perigoso sair falando com qualquer um?

— Avlon era um deles?

— Não. Se fosse você já estaria morto. Ele contaria para os soldados na primeira oportunidade que tivesse.

— Mas como vocês sabem de tudo isso?

— Nós temos alguém que sai do abrigo disfarçado e passa um tempo observando as coisas nas outras nações.

— Tudo bem. Então o que nós faremos agora?

— A Trindade, grupo de cientistas formado por Nito, Rin e Adar, descobriram uma possível cura. Como ainda não testaram, levará alguns meses para que se tenha resultados. É a nossa melhor chance.

Aquele anuncio frustrou Aiden. Estava tudo indo tão bem, até que “alguns meses” ressoaram em seus ouvidos. Ele não estava disposto a esperar mais. Percebendo o descontentamento estampado no rosto dele, Helle finalizou:

— Eu sei. Eu também não queria que demorasse tanto. Mas esta é a melhor a forma de trazer liberdade sem pôr em risco a vida de pessoas inocentes.

— Você entende? — perguntou Nito.

— Eu entendo, mas não me conformo.

— A única coisa que precisamos que você faça agora é esperar. E agora que nós falamos tudo que sabemos, precisamos da sua palavra. Precisamos que você espere sem contar nada a ninguém. O que você nos diz?

Aiden não queria esperar, não queria demorar mais um segundo desde que decidiu que estava disposto a fazer isso. Ele também começava a perceber que não queria apenas a liberdade do povo de Yotõn. Não. Como Robert disse, aquela vontade, no fundo de seu coração, era movida por um sentimento bem diferente, algo mais pesado e escuro que amor. Era ódio e vingança. Entretanto, ele sabia bem onde sentimentos como estes podiam leva-lo. Decidiu então dar uma chance ao tempo.

— Eu espero. — declarou.

***

Com a transformação do asilo em abrigo, o local perdeu muitas de suas disponibilidades. O espaço, por exemplo, praticamente não existia, já que o prédio recebeu mais pessoas do que podia comportar. Era por causa deste, e de outros fatores, que as pessoas não tinham muita coisa pra fazer por lá, principalmente à noite, quando as portas eram fechadas. Claro que os voluntários tinham seus modos de distrair as pessoas, como faziam quando se reuniam no salão com alguns violões e outros instrumentos para realizar um singelo show.

Entretanto, aquela noite teria uma atração bem mais interessante. A apresentação de algo que poderia ser a chave para a libertação daquele povo oprimido e desamparado. O salão se encheu de pessoas. Nunca houvera tamanha aglomeração naquele local. Todos se reuniram em frente às escadas que levavam até o primeiro andar. Nela, a Trindade, alguns soldados da FAT e o senhor Robert se preparavam para dar a notícia da tão esperada cura. Um pouco longe dali, no meio da multidão, Aiden e Helle aguardavam, ansiosos, o começo do pronunciamento.

Com a ajuda de um megafone, o diretor do asilo deu início àquela apresentação.

— Boa noite a todos. Há alguns dias atrás, eu recebi uma notícia que me deixou bastante feliz. O grupo de cientistas conhecido como Trindade, e a sua equipe de pesquisadores, pode ter descoberto a cura definitiva para o vírus causador da Síndrome de Prata!

A multidão se animou imediatamente. Finalmente, depois de um longo tempo, algo que trazia esperanças ao povo que vivia todos os dias como se fossem os mesmos. Depois que os gritos de euforia cessaram, Robert continuou:

— Sim, sim! Esta descoberta pode salvar a vida de inúmeras pessoas afetadas pelo vírus e garantir a liberdade da nossa nação. Adar Fler, um dos integrantes da Trindade, vai esclarecer algumas dúvidas e, em seguida, o capitão Pan, responsável pela FAT aqui no abrigo, vai dizer algumas palavras.

Entregando o megafone nas mãos de Adar, o senhor Robert ficou ao lado do rapaz. Adar, um homem alto e esguio de rosto fechado, era um dos poucos homens vivos capaz de descobrir a cura para a Síndrome de Prata. Por causa disto, de sua nacionalidade turoniana e de um histórico familiar com a FAT, Adar Fler Donavan era uma das pessoas mais respeitadas naquele abrigo.

— Boa noite. Como o senhor Robert disse, nós conseguimos descobrir uma possível cura para o Vírus de Prata, agente biológico responsável por inúmeras mortes em Turon e partes das nações vizinhas. — após tirar um frasco do bolso do seu jaleco, continuou. — Este frasco contem dez mililitros da substância pronta para testes. Ela age bloqueando a enzima responsável pela administração da Argônia, substância letal usada pelo Vírus de Prata. É esta a substância que causa a calcificação dos tecidos. Embora promissora, nós ainda não comprovamos a eficácia deste composto. No momento, nós ainda não temos materiais suficientes para iniciar os testes, mas...

Tirando abruptamente o megafone das mãos de Adar, Pan, capitão da FAT, interrompeu-o e falou:

— Na verdade os testes começaram agora.

Helle e Aiden, assim como o resto dos que assistiam, ficaram confusos com aquela declaração.

Nas escadas, os outros integrantes da Trindade e o diretor do asilo ficaram imediatamente desconfiados. Rin aproximou-se do capitão para esclarecer em que condições o teste deveria ser feito.

— Nós não podemos realizar o teste agora. Além de alguns materiais, que ainda não nos forneceram, nós precisamos de cobaias infectadas pelo Vírus de Prata.

— Exato, senhora. Nós montaremos o laboratório do jeito que vocês precisarem. Já as cobaias serão selecionadas agora.

Deixando a moça de cabelos púrpura confusa e aflita, Pan pegou a lista dos desamparados e começou a marcar, aleatoriamente, alguns nomes.

— Aquele que for chamado venha até aqui.

Pan iniciou a chamada e, lentamente, os chamados chegavam à frente das escadas. Rin pressentindo o que aconteceria, voltou para o lado Nito e, com um gesto, chamou o senhor Robert e Adar para perto de si. Quando os reuniu, ela explicou:

— Eles pretendem infectar as pessoas do abrigo!

O anúncio causou desespero instantâneo. Adar observou os soldados e viu que dois deles preparavam uma seringa.

— Desgraçados... — esbravejou.

Neste momento, Pan terminava sua convocação.

— Número quatro mil quinhentos e sessenta e oito, Elara Carpo. E por último, número vinte e sete, Kain Manthis.

Após alguns segundos, chagavam a frente uma idosa coberta por um agasalho e um jovem rapaz pálido de cabelos negros. Com estes dois, Pan chamou 10 pessoas ao todo. Helle e Aiden, que assistiam de longe, não conseguiam entender o motivo daquela chamada. Ambos também notaram uma movimentação estranha da trindade e do senhor Robert. Este estava visivelmente aflito.

Depois de conferir a quantidade de pessoas, Pan voltou a falar.

— Para que a eficácia da cura seja comprovada, os pesquisadores precisam de alguns equipamentos e de cobaias apropriadas, ou seja, infectadas pelo Vírus de Prata.

Aquela fez com que algumas pessoas já compreendessem o que estavam prestes a fazer. Quando perceberam uma movimentação geral, os soldados de Turon já começavam a apontar suas armas para o povo. Toda aquela situação deixavam as pessoas atormentadas. Como se já não bastassem as coisas que tinham que suportar, Turon estava disposta a superar seu nível de crueldade.

— Testemunhem, desamparados! Aqui estão os ratos de laboratório que darão liberdade a sua nação! Este será o preço da liberdade!

Após aterrorizar as pessoas com seu discurso obscuro, o capitão soltou o megafone e autorizou que os soldados iniciassem o processo de infecção. Kain, uma das pessoas selecionadas, não se moveu nem mudou sua postura emocional. Apenas viu o soldado injetar um pouco da substância prateada em sua veia.

Destruída emocionalmente, Rin caiu nos braços de Nito. O diretor do abrigo, por causa de sua idade avançada, abalou-se fortemente com o que estava acontecendo e, por causa disso, teve uma queda na pressão e passou mal. Adar atendia-o prontamente.

No meio da multidão aflita, sob a mira da FAT, Aiden e Helle alternavam seus olhares entre as pessoas ao seu redor. Naquele momento de desespero, eles viam-se sem esperanças e incapazes.

***

Depois dos momentos aterrorizantes, a FAT desfez a multidão e ordenou que todos voltassem aos seus quartos. Como muitos dormiam ali mesmo no salão, o lugar não esvaziou muito.

Aiden, assim como muitos, ditou-se mas não conseguia dormir, ele apenas pensava no que tinha acabado de acontecer. Há poucas horas atrás sentia a pior das sensações ruins: a terrível sensação de impotência tomando conta da sua vontade intensa. Pensando nisso, Aiden adentrou a madrugada sem dormir.

Quando finalmente estava sendo vencido pelo cansaço, recebeu um empurrão nas costas que o despertou repentinamente. Virando seu rosto ele viu, apesar da pouca luz no local, um soldado da FAT.

— Você. Levante-se.

Recobrando seus sentidos, Aiden ficou de pé. Observando mais atentamente o soldado, estranhou quando percebeu que seu corpo possuía uma silhueta feminina.

— Siga-me.

O soldado foi na frente iluminando o caminho com uma lanterna e Aiden, desconfiado, seguiu-o com cautela. Eles desceram as escadas, chegando no andar inferior. Os outros soldados presentes, que faziam a patrulha noturna, apenas observavam. Para eles, era um processo comum de escolta. Os dois andaram até chegarem na sala do deposito. O soldado, que ainda confundia Aiden com sua silhueta sedutora, retirou uma chave do bolso e abriu a porta.

— Entre.

Obedecendo, Aiden foi entrando vagarosamente na sala. Tentava verificava cada canto para se certificar de que não era uma armadilha. Depois de ter entrado, não conseguia ver nada no deposito. Poucos segundos depois de sua entrada, ele ouve o som abafado da porta se fechando logo atrás. Logo depois, uma voz familiar ecoa pela sala.

— Aiden? É você?

— Helle? O que estamos fazendo aqui?

Após pronunciar o nome do amigo, as luzes do deposito se acenderam, deixando-o cego por alguns segundos. Depois de retomar sua visão Aiden vê Helle sentado em uma caixa logo a sua frente. Este, soprando a fumaça do cigarro, sorri cinicamente e diz:

— Boa noite, Aiden!

Franzindo a testa, Aiden demonstra não fazer ideia do que esteja acontecendo.

— Mas o que é isso?

— Senta aí. Quero te apresentar uma pessoa. — disse Helle, dirigindo seu olhar para o soldado.

Olhando para trás, Aiden viu o “soldado” tirar o capacete e a viseira, revelando seus volumosos e ondulados fios ruivos. O soldado baixinho de silhueta atraente era uma garota com um olhar perigoso. Tinha olhos de cores diferentes, sendo o direito verde e o esquerdo azul. Ainda na parte esquerda do seu rosto, via-se uma cicatriz que ia de sua testa até sua bochecha rosada.

— Aiden, conheça Rolva Lenorya Klaus.

Notas finais
Okey, pessoal! Eu fiquei muito feliz com este capítulo, especialmente o ato final, porque, embora Aiden seja o protagonista (criado por mim) e a história esteja repleta de ótimos personagens, Rolva Lenorya Klaus é minha favorita! Vocês verão o potencial que ela tem! Eu não posso falar muito sobre ela porque se ficar falando o spoiler fica incontrolável e eu vou acabar falando do final da história.... (MDS, QUE VONTADADE DE SPOILAR!!!!!). Outro personagem que foi apresentado aqui foi Kain Manthis! Gosto muito dele também porque de todos os personagens, ele será o que vai sofrer uma mudança mais drástica, e isso envolve uma carga emocional muito grande em sua história. Então é isso, meus amigos! Espero que vocês tenham gostado! Até o próximo capítulo! o/ Créditos: Adar Fler Donavan – personagem original criado por SweetFantine Helle Bremen – personagem original criado por Slendon6336 Rin Murata – personagem original criado por Baka chan Uchira Nito Geth – personagem original criado por Hunter (primeira versão) Beta Geth – personagem original criado por Miss Nothing (primeira versão) Rolva Lenorya Klaus – personagem original criado por Syrma Kain Manthis – personagem original criado por Chosokabe Motochika PS: Um agradecimento especial para Fuinha, a nova leitora! Seja bem-vinda! Espero que você goste desta épica aventura em busca da liberdade!