Florence: Entre dois reinos

7 Capítulo VI: Feitiço do sussurro


Notas iniciais
Olá, boa noite, tem alguém aí? Irei postar dois capítulos de uma vez essa semana. Boa leitura.

No outro dia,

Florence planejava como faria para roubar o livro de seu pai. Como Analu havia ficado de castigo sendo proibida de sair, e tendo de fazer todos os trabalhos da casa junto com as outras fadas que a Zara também tinha castigado, Florence estaria sozinha nessa.

Respirou fundo e encarou a árvore anã que ficava à frente de sua casa. Seus lábios abriram-se e ela sussurrou um feitiço que veio em mente, a luz de sua varinha avermelhada incendiou toda a árvore. Respirou fundo e pensamentos do dia passado vieram a sua mente.

— Queria ver as raízes novamente. — murmurou olhando para seus braços.

— FLORENCE!!! — Solar gritou olhando para a árvore que virava cinzas — Por que fez isso?

— Estou tentando treinar... Algum problema?

— Seu pai não disse que não quer você usando feitiços perigosos?

Florence revirou os olhos.

— Eu... Eu preciso aprender de qualquer maneira. — Apontou sua varinha para Solar — Não vejo nada de errado nisto.

— Você está brincando com magia perigosa, isso é errado!

— E se eu for da sombra? — Respondeu apontando a varinha para Solar.

Solar frangiu a testa e respirou fundo, pensativa sobre aquela situação em que se encontrava, claramente era apenas rebeldia da idade.

— Não diga isso, Florence! — Oliver gritou tomando a varinha da mão direta dela. — Não se esqueça de que sua mãe abominava as sombras!

Ela o fitou tentando compreender o que dizia.

— Você tem um poder muito grande aí dentro, Florence. Olhe sua cor, lembra a cor de sangue, existem poucas pessoas com essa cor de magia por aí.

Oliver a abraçou na esperança de acalmá-la.

Revoltada, ela se soltou do abraço de seu pai:

— Eu não aguento mais você me privando de ser quem eu sou, Oliver.— Respondeu se soltando do abraço de seu pai e puxando a varinha de volta para si.

Olhou para ele com raiva e saiu correndo em direção a saída da floresta.

— Florence, volta aqui!! — Oliver gritou.

— Ela é tão teimosa... — Solar suspirou.

— Ela se parece comigo... — murmurou Oliver — Solar vá atrás dela! Vou buscar a minha varinha no quarto e logo irei ao seu encontro.

— Ok! Mande-me um sinal para te encontrar. — Sorriu.

Ele fez que sim com a cabeça e correu para dentro de casa. Solar foi atrás de Florence tentando encontrar sua energia, dizem que fadas são boas em sentir magia de longe.

Florence rasgou seu vestido longo azul escuro na altura de suas coxas, para que pudesse correr melhor. Seus cabelos quase albinos voavam em movimentos brutos enquanto ela corria pela floresta Oeste. Estava confusa e precisava de respostas e sabia mais ou menos onde as encontrariam.

— FLORENCE!! — Gritou Solar que foi se aproximando cada vez mais. — Não adianta fugir!!

Florence virou-se e apontou a varinha para a direção onde achava que estaria Solar, murmurou um feitiço e sua luz avermelhada correu como fogo e atingiu na mira a fada, que ficou atordoada por segundos, assim Florence conseguiu se afastar mais.

— Florence!!! — Solar continuou gritando. — Larga de ser teimosa!!!

Ela olhou para o céu e viu a luz dourada de Oliver, logo mostrou sua luz para que ele pudesse a encontrar.

A feiticeira-mirim correu em direção a um poço antigo feito de pedras de diamante negro e com um pulo jogou-se dentro dele. Sentiu um frio em sua barriga e pensou que estaria louca por ter optado por este caminho.

— DROGAAAAAA! — Gritou fechando os olhos.

Mas seu medo não durou muito tempo, seu corpo caiu e se chocou contra um chão feito de pedras duras. Quando o atingiu, colocou suas mãos a frente de seu rosto para tentar se proteger, porém sua testa abriu-se um corte médio e sangue escorreu pelo seu rosto, enquanto seus joelhos haviam ralado bastante. Lágrimas caíram de seus olhos, demonstrando a dor que estava sentindo.

— Tudo bem... Vou descobrir como regenerar meu corpo e logo estarei bem. — Disse se levantando com um pouco de dificuldade.

Arrumou seus cabelos para trás, para que não pudesse se incomodar e foi mancando até uma porta de madeira que tinha no lugar. Havia caído em uma sala toda feita de pedras de chumbo e presumiu que estaria certa de onde estava indo. Colocou a mão direita na maçaneta e tentou abrir a porta, porém ela não se abria com sua força.

— Por que tudo tem que ser tão difícil? — murmurou revirando os olhos.

Apontou sua varinha para a porta e murmurou um feitiço:

— Lentetino! — sua luz brilhou e a porta foi se transformando em pó.

A sua frente havia outra sala que estava quase toda escura, sendo iluminada apenas com uma vela acesa de cor verde de um candelabro dourado. Guiou-se através de uma sombra que estava ao lado do candelabro.

— Florence, não é? — uma voz feminina disse animada.

— Onde está? — Florence respondeu se assustando.

As velas foram se acendendo magicamente e iluminaram o lugar com as suas cores verdes. Havia estantes de livros por toda a expansão, e ao lado do candelabro tinha uma cadeirinha de madeira que balançava, onde estava sentada uma senhora de cabelos azulados.

— Me encontrou? — a senhora disse se levantando.

— Preciso de sua ajuda...

— Se machucou muito, hein? Menina danada. — Disse se aproximando — Igualzinha sua mãe.

— O que você sabe sobre ela?

— O que quer saber, menina?

— Minha mãe... Ela tinha traços de magia das sombras?

— Não! De maneira alguma... Sua mãe sempre foi da luz, cheia de personalidade e muito boa. — Sorriu — Por quê?

— Eu acho que tenho traços de sombras em mim...

A senhora se aproximou de Florence e começou a observar as mãos da menina.

— Mostre-me.

Ela encarou a senhora sem entender nada, mas suas raízes começaram a aparecer magicamente.

— Eu não sei muito bem como te ajudar, minha querida. — Sorriu descontraída. — Mas, essa é você. Sua magia é forte, você precisa descobrir se sabe controlar essas raízes em você... Existiu uma feiticeira que tinha essas raízes, o nome dela era Hadassa.

— Hadassa não foi à feiticeira que fez os feitiços de amor do livro?

— Exatamente! Ela usou suas raízes para o bem.

— E por que isso acontece? Eu não fiz nada para despertá-las.

— Hadassa conseguiu essas raízes que fortaleciam seus poderes porque ela havia se envolvido com Callus. Quando alguém da luz tem muito contato com as sombras podem acontecer algumas modificações no poder.

— Mas... Até hoje não tive contato com nenhum feiticeiro das sombras.

— Tem haver com seu nascimento, Florence, Callus interrompeu a gravidez de sua mãe, com toda certeza você deve ter tido contato com a magia dele.

Florence olhou para seus braços e tentou absorver toda aquela informação que ela já havia pensado desde sempre.

— Não tem algo a mais? Meu pai vive dizendo que meu poder é muito forte... Não entendo a diferença do meu poder para o de minha mãe, mesmo que tenha essas raízes, tive pouco contato com Callus.

A senhora a encarou e com sua varinha fiz um feitiço que começou a regenerar os machucados de Florence, fazendo as raízes negras sumirem de seus braços.

— Existe uma lenda que diz que quando um feiticeiro tem contato com o sangue dourado, sangue da realeza, seu poder multiplica. Mas, isso não é válido no seu caso, explicaria suas raízes e o fato de seu pai achar que seu poder é forte e precisa de cuidados, entretanto, você nunca conheceu nenhum sangue dourado, certo?

— Eles são de outro reino, não é? Longe de nossa realidade.

— Exatamente! A única feiticeira que teve contato com sangue dourado foi há séculos atrás e graças a ela Callus foi criado. Impossível essa opção.

— Compreendo...

— Florence, não fique fugindo de seu pai, ele só quer seu bem. É difícil cuidar de uma adolescente, sabia?

— Ele tem que entender que já sou grande o bastante para decidir sobre meus poderes... — Fechou a expressão de seu rosto.

— Você nasceu de um amor tão grande, Florence. Ele sabe sim o que é melhor para você, bobinha. Não queira ser como Callus, criado para causar dor.

— Pode me dizer o que você sabe sobre ele? — Perguntou interessando-se sobre o assunto.

— Callus foi criado pela feiticeira mais forte de Viena, totalmente das sombras. Ele era apenas uma criança comum quando ela o retirou de seu reino comum e lhe deu todos os ensinamentos que um feiticeiro precisava. Ela o corrompeu completamente para que se tornasse seu sucessor, pois ela sabia que assim que morresse as sombras acabariam. Posso te afirmar uma coisa... Callus não está morto!

— Não! Minha mãe o matou! — Respondeu se afastando.

— Não, Florence. Callus é quase imortal, para ele morrer exige um feitiço bastante perigoso! Ele vai voltar... E vai ser atrás de você.

— Eu vou matá-lo sem medo! — Respondeu em um tom alto e forte.

A senhora sorriu com incerteza, pois ela sabia que não seria fácil.

Florence saiu da casa da feiticeira dessa vez pela porta da frente, que dava no campo da floresta amarela. Andou pensativa por todo seu percurso até sua casa, pois agora sabia um pouco mais sobre sua magia e sua origem. Porém, sabia que precisava voltar na senhora para saber mais sobre a história de Callus e como era o feitiço que o matava.

— Sangue dourado?! — Sussurrou pensativa.

(...)

— FLORENCE?! — Oliver gritou vendo sua filha se aproximar de sua casa. — O que aconteceu com você?

— Eu fui conversar com a senhora de cabelos azuis... Ela me explicou um pouco sobre magia e me confortou... Desculpe ter fugido de você.

Oliver sorriu e a abraçou bem forte, esquecendo-se de sua raiva.

— Eu vou te ajudar com os feitiços, mas preciso que me prometa que não vai perder o controle de seus poderes. Espero que essa sua conversa com ela tenha espairecido sua mente.

Ele a entregou o livro de feitiços e deixou um sorriso escapar.

— Amadureça, Florence.

Ela sorriu demonstrando felicidade e confirmou com a cabeça.

No outro dia, Oliver levantou bem cedo e foi até o quarto dela lhe acordar. Entrou de fininho e a sacudiu para que pudesse se levantar, ela preguiçosamente o olhou com os olhos quase fechados e ele sussurrou:

— Você não quer se tornar a melhor feiticeira? Eu vou te ajudar, vou te ensinar tudo que eu sei.

Sorriu e se levantou para se arrumar e está pronta para a aula que seu pai daria. Em menos de meia hora já estava arrumada, colocou um vestido florido que batia em seus joelhos, em seus pés colocou uma bota de couro marrom e prendeu seus cabelos para que não lhe incomodasse.

— Estou pronta! — disse se aproximando dele que estava sentado no sofá da sala, tomando café.

— Engraçado que para isso você levantou rapidinho... Agora quando era para Solar lhe ensinar a escrever e ler demorava... — riu.

Ela começou a rir.

— Vou te ensinar, mas depois você vai tentar sozinha... Na verdade, junto com o livro, pois trabalho e não estou sempre disponível para lhe ajudar.

Ela fez que sim com a cabeça.

Eles foram para o lado de fora da casa e foram andando para o meio da floresta, pois ele queria se certificar de que Florence não queimaria sua casa.

— Você ainda vai me dar muito trabalho. — Disse enquanto a olhava. — Aponte sua varinha para mim, vamos treinar sua magia.

Assim ela fez, apontou sua varinha para ele, que começou a exalar sua cor avermelhada.

— Que continue assim... — Oliver sussurrou para si.

— ATTACK!— Gritou.

E Oliver se esquivou, criando uma proteção dourada.

— ATTACK!— gritou novamente.

— Desse jeito você nunca vai me acertar. — riu.

— Sei... — murmurou.

Abriu seus lábios e sussurrou mais um feitiço de ataque. Sua magia avermelhada logo acertou a perna direita de Oliver.

— Hum... — Oliver riu. — Faça melhor!!

Ela andou para o lado direito e levantou sua varinha pensando em tudo que havia acontecido na noite anterior e com sua magia levantou a árvore que onde Oliver estava encostado, espalhando fogo para cima dele e da árvore, que logo se protegeu com seu escudo dourado.

— Cuidado para não matar seu pai!! — Solar disse se aproximando.

— Só estou aquecendo. — riu.

Oliver começou a rir também.

Eles passaram dias e mais dias treinando, e a noite quando seu pai estava ausente, Florence lia e relia cada capítulo de seu livro tentando decorar todos os feitiços que achava importantes e interessantes. Ás vezes, a tarde saía para encontrar Analu, e juntas elas treinavam também, para alcançarem juntas o máximo de seus poderes.

— Eu vou te ajudar a ser melhor que a Annie cara de rato. — Sorriu animando Analu.

Florence estava deitada em sua cama, falando com Analu através de um portal mágico que aprendera no livro.

— Vamos juntas conseguir ser muito melhor que a cara de rato. — Analu respondeu soltando gargalhadas.

Florence apontou sua mão para o portal e Analu fez o mesmo, as duas tentaram tocar suas mãos em um gesto de carinho.

— Espero que dê tudo certo... Eu não quero ser corrompida pelas sombras... Pensei muito nisso esses dias em que treinei e li feitiços no livro.

— Você não vai, tenho certeza, Florence. Você vai derrotar Callus e toda essa sombra! — Sorriu.

Florence olhou para seus braços e desejou que as raízes tivessem ali.

Não quis compartilhar isso com Analu, pois não achou necessário preocupá-la com seus pensamentos banais.

— Boa noite, Analu.

— Boa noite, Florence.

O portal se fechou e o quarto de Florence escureceu-se totalmente. Deitou-se e fechou seus olhos negros.

(...)

No outro dia, ela acordou bem cedo e se levantou rapidamente para ir até seu pai treinar e pedir ajuda em feitiços que não conseguia gravar, porém, quando chegou ao quarto dele viu apenas a sua cama bagunçada, percebendo que Oliver já havia saído fazia tempo.

— Tão cedo... — Sussurrou para si.

Andou até seu quarto novamente e foi para perto do livro que estava em cima da mesinha ao lado de sua cama e soltou um sorriso.

— Bem... Acho que hoje somos apenas nós dois, né?

Passou suas mãos acariciando as páginas do livro, e alguns instantes depois ele começou a corresponder sozinho... As folhas começaram a virar rapidamente até uma página de cor verde fluorescente com letras pretas brilhantes. Olhou para o título da página e um sorriso curioso abriu-se em seus lábios.

— Feitiços proibidos. — leu para si. — Você quer que eu os aprenda, é?

A curiosidade bateu e ela leu sorrateiramente algumas coisas que continha na página.

— Feitiço do amor proibido permite que a vítima a ser lançado o feitiço se apaixone até a morte, literalmente. — um arrepio subiu em sua barriga. — Por que alguém faria algo tão idiota?

Continuou a ler as páginas...

— Feitiço do sussurro...

No instante em que iria terminar a leitura, foi interrompida por seus braços que começaram a arder profundamente, sentiu uma dor em suas veias, e as raízes negras foram crescendo novamente. Florence as encarou com seus olhos negros brilhando e sentiu-se nervosa em tê-las ali novamente. Deixou escapar um sorriso curioso...

— Permite que todo o ódio acumulado no feiticeiro mate tudo o que lhe machucou. — sussurrou. — Você gosta disso?

Olhou para suas raízes negras...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.