Florence: Entre dois reinos

5 Capítulo IV: A morte do amor e o nascimento de uma vida


Notas iniciais
Boa tarde! Fiquei muito tempo sem postar capítulo, será que ainda tem alguém aí? Se tiver, desculpem. Fiquei muito tempo sem computador e quando voltei me perdi totalmente do andamento da história, porém já tem capítulos prontos a bastante tempo. Irei retornar postando semanalmente, quero muito finalizá-la. Agradeço a quem se interessa por essa história, é algo feito com total de mim haha. Enfim, se quiser entrar em contato, estou a total disposição. Boa leitura e beijos de magia!

Meses depois:

— Você quer casar comigo? — Oliver sorriu ajoelhando-se em frente à sua amada.

Havia arrumado a sala com vários tipos de flores que formavam corações, e o mais interessante foi que ele preferiu fazer tudo manual, nada com magia. O anel que ele apontava para ela havia sido feito de raízes das flores, Zara ajudou nisto.

Ambre observou nervosa enquanto as palavras de Oliver saíam. Como havia acabado de acordar, não conseguia distinguir direito a realidade do sonho.

— Ambre? Está ai? — perguntou sem entender o porquê de ela está lhe encarando sem falar absolutamente nada.

— Eu... — suspirou.

(...)

Um pulo no F u tu r o

— Dizia uma lenda que quando uma fada chorava de alegria, nascia um amor... — Ambre cantarolava alisando sua barriga rechonchuda, tentando sentir o neném se mexer. — O bebê que nascesse com essa graça seria o mais especial! — Sorriu. —, você, pequena Florence, será a mais especial... Por isto, ganhou este nome tão bonito.

Oliver entrou no quarto e viu Ambre babando por seu neném que ainda não havia saído de sua barriga.

— Será que consegue ouvir? — disse se aproximando.

— Espero que sim... Quero que ela se lembre de minha voz como se fosse a primeira que ela ouviu na vida.

— Como pode ter tanta certeza de que é “ela” e não “ele”?

— Eu sinto que é... Apenas sinto, Oliver. — Sorriu. — Zara disse que talvez eu sinta isso por que a neném tenta me dizer.

Oliver passou suas mãos na barriga rechonchuda e sorriu achando meio fantasioso ela dizer que o bebê falava com ela.

— Florence... Gostei.

Naquela noite havia bastante silêncio, estava tudo tão calmo e com o ar fresco. Entretanto, uma sombra negra iria acabar com o sossego da noite... Ela se arrastou até a casa de Ambre e Oliver, derrubando a porta com brutalidade. O barulho estrondoso entrou pelo quarto onde eles estavam, assustando-os.

— Que merda é esta? — Oliver perguntou retoricamente.

A sombra se transformou em uma criatura horrenda, totalmente desfigurada e se formando aos poucos em Callus...

— Callus... — Ambre sussurrou —, não!!! Meu bebê!!

Callus apenas sorriu gostando de ouvir seu nome de uma forma tão apavorada. Sussurrou algumas palavras em outra língua formando um feitiço das sombras. Apontou sua varinha diretamente para o coração de Ambre que estava em prantos sem ter muito o que fazer, pois seu peso agora valia por dois.

Oliver tentou impedir, porém Callus tinha uma magia inigualável com a de um mero príncipe que apenas sabia poucos feitiços. Logo, com um feitiço poderoso vindo da varinha em formato de cobra, Oliver foi jogado de escanteio, desmaiando no canto do quarto.

— Agora sou só eu e você... Novamente. — disse se aproximando. — Olha o que você fez comigo, Ambre Oeste! Agora chegou sua hora de pagar, não acha?

A sombra negra soltou gargalhadas raivosas e novamente disse palavras impossíveis de se ouvir, formando um novo feitiço.

— Chegou minha hora de libertar Hadassa!!!

— Florence, sobreviva... — Ambre sussurrou planejando um feitiço de proteção.

(...)

— Ambre? Ambre, me responda! — Oliver disse se levantando.

— Você tem certeza de que quer se casar comigo? — respondeu nervosa — Nós ainda somos muito jovens... Temos muitas coisas para conhecer, muitos dias para viver.

— Ambre, eu quero viver com você para sempre... — respondeu sorrindo — Mesmo que eu seja jovem, já sei o que quero e eu quero você.

Zara começou a chorar soluçando, aparecendo entre a janela.

— Zara? — Eles a encararam.

—Ah!!!! Não se preocupem comigo!!! — Sorriu entre as lágrimas. — É apenas alegria, tá?

Mal sabiam eles que seus destinos haviam sido colados permanentemente assim que Zara chorou de alegria, todo amor de todas as fadas se reuniu entre eles, assim como uma antiga lenda conhecida entre os moradores de Viena, onde diz que quando uma fada chora de alegria, nasce um novo amor, o amor de uma feiticeira e um príncipe que se amariam até o último respirar.

— Tá... Tá... Eu aceito. — Ela o empurrou de leve. — Eu não quero ficar longe de você.

Oliver começou a rir sabendo que este era o jeito de ela dizer que o amava.

— Do que está rindo? — Deu-lhe um soco no ombro. — Eu... Quero um bolo de casamento... Daqueles bem grandes com bastantes camadas.

—Você terá, minha feiticeira.

Oliver se aproximou aos poucos e a abraçou com todo carinho, aos poucos seus lábios foram se colando e ele pôde sentir o gosto verde de sua energia, deixando Ambre nervosa.

— Quê??? — Solar entrou pela janela gritando. — Isso é um pedido de casamento??

— Ah, Solar... Você já sabia que eles iriam ficar juntos... — Zara respondeu tentando acalmá-la.

— Não!! Eu não aceito... Não! — respondeu se metendo entre os dois. — Não, Oliver!!!

— Solar... Saía!!! — Ambre se irritou, dando um peteleco nela.

Solar em reação jogou magia em Ambre, cobrindo-a de lava esverdeada.

— Sua...!

Oliver e Zara começaram a rir.

Por mais que parecesse mera brincadeira, Solar realmente estava triste com essa situação. Sabia desde o principio que Oliver amava Ambre, mas não achou que eles iriam se casar tão cedo. Desejava que tivesse o conhecido antes dela.

Mais tarde, o casal de noivos caminhava pelas florestas procurando algumas confusões para se meter.

— Sabe, nunca mais quero voltar para Antenom... A melhor coisa que me aconteceu foi ter vindo para Viena, foi ter te conhecido — disse pegando nas mãos de sua amada.

— Que bom que gosta daqui... Também não quero que vá embora. —Sorriu com o rosto avermelhado.

— Eu não vou embora! — Ele sorriu.

— Promete?

— Prometo!

Eles se entreolharam retribuindo sorrisos. Ambre imaginou que agora sua vida estava se completando e ela tinha finalmente alguém do seu lado, depois de todo esse tempo vivendo apenas com fadas, encontrou alguém para ser seu parceiro. Seus olhos cor de mel se dilataram observando a cor negra dos olhos de Oliver.

— Se um dia tivermos um filho quero que tenha seus olhos. — disse mudando completamente do foco do assunto —, eles são lindos.

Oliver sorriu não concordando com o que ela dizia, pois para ele seus olhos eram sem graça.

— Mas, a beleza tem que ser sua, feiticeira.

Ela o abraçou e desejou que apenas dias bons surgissem, não queria ser mimada, entretanto, estava tão satisfeita que não podia existir nada para estragar.

— Meu príncipe... — sussurrou no ouvido dele — Eu sou sua.

Ele deixou um sorriso bobo escapar e em sincronia começou a beijar todas as partes do rosto até o pescoço de Ambre.

— O que você acha de aprontar mais um pouco essa noite? — respondeu animada.

Naquela noite o céu estava preto carvão, lembrando os olhos de Oliver. Os dois estavam muito felizes se divertindo na noite fria, que para eles estava quente até demais. Tomaram banho no lago onde haviam se conhecido e se beijaram apaixonadamente, deixando fluir todo o sentimento que estava guardado entre si. Eles se tocaram intensamente, tudo em conexão, as suas mãos desejavam navegar por cada parte de seus corpos e os seus beijos deslizavam a cada contado, e ao final de tudo, adormeceram abraçados em sua cama. Definitivamente, não conseguiam mais se ver sem estarem juntos.

Ao contrário de Solar, que aos poucos entrava em profunda tristeza, deitada em sua cama fria e adormecendo com seus pensamentos sombrios.

— Vai passar... — sussurrou para si.— Vai passar, Solar.

No ano seguinte, ambos estavam com seus dezoito anos, com sua casa reformada para que os dois pudessem viver em harmonia e melhor conforto. Havia juntado o quarto dos dois e acrescentado mais um cômodo para quando Ambre tivesse um bebê. Suas roupas ocupavam o mesmo guarda-roupa, suas camas viraram uma de casal, tudo estava definitivamente em dobro.

A cerimônia foi concretizada em uma manhã de primavera, no dia sete de novembro.

— Você aceita ser minha esposa? — Oliver perguntou a olhando apaixonadamente.

A floresta rosada estava cheia de fadas e animais que festejavam pelo casamento dos dois.

Ambre usava o padrão vestido branco, com uma grinalda enorme e um pequeno véu que tampava metade de seu rosto. Seu vestido tinha um pequeno decote e cobria até seus pés, todo feito de magia e com flores brancas por fadas. Já Oliver estava simples, usava um terno branco que uma feiticeira idosa havia costurado para ele.

Zara e suas fadinhas haviam organizado toda a cerimônia, queriam tudo conforme os casamentos de princesas.

— Sim... — Sorriu. — E você, Oliver, aceita ser meu esposo?

— Sim...

— Beija a noiva! Beija! — Algumas fadas gritaram.

— Coloca os anéis!!! — Zara respondeu nervosa.

Os dois começaram a rir e com cuidado colocaram o anel em seus dedos, logo após, se beijaram para a alegria de todos.

Oliver deixou algumas lágrimas de felicidade saírem de seus olhos e aos poucos foi se lembrando de que gostaria que seus pais estivessem ali para ver como estava feliz, especialmente sua mãe, queria que ela pudesse ver como Ambre estava linda de vestido de noiva.

— Agora é para sempre. — Oliver disse sorrindo para sua amada —, até o ultimo suspirar serei seu e te amarei na mesma intensidade.

— Isso não estava programado para ser dito. — Zara sussurrou observando os dois junto das outras fadas.

— Para sempre e até o ultimo suspirar te desejarei ao meu lado. — Continuou. — Porque finalmente encontrei a pessoa que foi feita perfeitamente para mim, Ambre Oeste.

Ambre começou a sorrir deixando todo seu corpo avermelhar-se.

— Isso foi à coisa mais linda que alguém poderia ter me dito em toda minha vida.

Ela o abraçou tão forte que foi possível ouvir os estalos do corpo de Oliver se contraindo no dela.

— Ele terá que aguentar essa garota bruta, coitado. — Uma fada rosada disse para Zara que começou a rir entre suas lágrimas de felicidade.

Cinco fadas azuis tocaram instrumentos improvisados, fazendo um som animado, pois agora seria a hora da festa e dos “comes e bebes”.

Oliver e sua noiva dançaram juntos e isso alegrou os outros convidados a dançarem também, exceto Solar que chorava de tristeza em seu canto, havia ido ao casamento, porque queria ver se tudo iria realmente acontecer, não que estivesse triste por tudo, pois a felicidade de Oliver a deixava feliz, contudo, achava que era ela quem deveria está se casando com ele.

— O amor dói... — Zara disse limpando suas lágrimas e se aproximando de Solar. — Depois você nem irá se lembrar de que foi apaixonada por ele.

— Isso só vai acontecer se você fizer um feitiço em mim para esquecê-lo. — respondeu cabisbaixa.

— E você quer esquecê-lo?

— Jamais... — respondeu sorrindo — Sempre vou amá-lo.

Zara se preocupou com o que acabara de ouvir, não por achar que Solar faria algum mal a eles, mas por achar que realmente ela não se esqueceria dele e isso a faria um mal danado.

Solar observou a felicidade no olhar e no sorriso radiante de Oliver e logo depois sorriu também. Doía não poder tê-lo, contudo, vê sua felicidade diminuía o efeito da dor. Ele a olhou e exibiu seu sorriso enorme.

— Que facada... — disse baixinho em um tom irónico.

— Vamos comer um pouco, Solar. — Zara disse tentando tirar ela das sombras.

Ambre cortou seu bolo na maior felicidade, afinal, estavam casados agora, usando seus anéis de raízes que selavam essa união e iriam comer o bolo de casamento que tanto queria. Seus dias de felicidade estavam extrapolando todas as suas expectativas e ela desejou que isso nunca acabasse. Olhando para Oliver festejando, percebeu o quão bem faziam um para o outro e assim teve a certeza de estava começando uma nova rotina, uma mais feliz.

Este seria um ótimo final feliz, daqueles contos de fada onde príncipes rebeldes se casavam com feiticeiras, isso se existir outras histórias assim... Mas, este não foi o final feliz, até porque não vim contar sobre o romance de Oliver e Ambre...

A história que vou contar é sobre Florence, o fruto desse amor contínuo e é daqui que começo a verdadeira história:

— Florence, sobreviva!! Por favor, sobreviva!! — continuou pensando em um feitiço de proteção.

Após isso, a dor foi mais rápida que os próprios gritos de Ambre. Callus a cobriu inteira com um feitiço tenebroso, roubando enfim sua alma.

— Finalmente, Hadassa!!! — Gargalhadas foram ouvidas e logo após não havia mais nada além do corpo pálido de Ambre.

Quando Oliver finalmente acordou, notou Zara e algumas outras fadas abrindo o corpo de Ambre para tirar Florence que por causa do feitiço de proteção de sua mãe permanecia viva.

— Oliver... Sinto muito. — Zara disse com o olhar triste. — Não consegui sentir o perigo a tempo.

Oliver caiu em tristeza, seu corpo imediatamente chocou-se sobre o chão de madeira. Havia perdido sua amada e viveria com a dor de não ter conseguido impedir. Perdera sua mãe e agora sua esposa...

— Oliver, Florence precisa de você... — disse uma fadinha verde de voz fina chamada Anabel.

Mas ele não respondeu, não tinha forças para isso. Queria permanecer no chão até Ambre voltar, mesmo que isso não fosse acontecer...

Para ele, Viena havia morrido.