Flor do deserto

27 Capítulo 26- St Barts


“Boa noite a todos os telespectadores que estão nos assistindo em toda a Inglaterra. Começamos o nosso telejornal com a seguinte notícia: no início desta manhã, a Scotland Yard iniciou uma mega operação de prisões preventivas de suspeitos. Liderados pelo Chefe de Segurança da Federação, Harrison, os quase cinquenta policiais bateram na porta de várias casas espalhadas por toda a cidade, levando seus ocupantes algemados para a Scotland para serem interrogados. Entretanto, essa ação não ocorreu de forma pacífica. Muitos suspeitos estavam resistentes à prisão, resultando em agressão e muita violência entre polícia e suspeitos. Os familiares dos custodiados não receberam justificativas das prisões, gerando uma onda de revolta em toda a cidade. Muitos deles enfrentaram a polícia e mostraram resistência quando viram seus parentes sendo levados à força e algemados, acabando por serem presos também.

Recebemos também a informação de que um grupo liderado pela policial Donovan, ao entrar numa residência, foram recebidos a tiros. Houve cerca de dez minutos de troca de tiros entre policiais e três suspeitos dentro de uma casa. Após chegarem reforços, a equipe conseguiu dominar os suspeitos, levando-os sob custódia. A polícia informou que foram achados dentro da casa vários explosivos e armamentos pesados, como também mapas demarcados, rádios e vários celulares.

Além desse, ocorreram mais três confrontos dessa natureza, envolvendo mais duas equipes de policiais e suspeitos. Um dos meliantes foi morto em confronto, os demais foram presos. Ao adentrarem na casa acharam também várias armas e rádios de comunicação militar, além de sacos de matéria prima para explosivos.

Os fatos se espalharam rapidamente pela cidade, e a população foi tomada pelo medo e pela revolta. Os londrinos declararam reprovação a forma com que a operação foi feita. “Muita gente inocente foi presa! Eu soube que houveram alguns que trocaram tiros com a polícia,o que justifica serem presos, mas os outros não!”, disse uma senhora que teve o neto levado sob custódia para a Scotland.

Como resultado da onda de reprovação, no início dessa tarde, dezenas de manifestantes se reuniram em frente a Scotland Yard, pedindo por uma transparência por parte das autoridades sobre o que estava acontecendo e porque levaram seus parentes custodiados. Eles impediram a chegada de viaturas e de policiais ao prédio, e gritavam suas reivindicações. Com o passar do tempo, mais e mais pessoas se uniam ao movimento; mas o clamor não era mais único. Logo surgiram cartazes ofensivos à polícia, e manifestantes contrários ao governo urravam ofensivas e ameaças. No final da tarde novamente deu-se início ao confronto violento entre a polícia e manifestantes. As forças pacificadoras usavam de balas de borracha e bombas de efeito moral contra vários coquetel molotov atirados contra os policiais. A multidão foi dissipada, mas a custa de prisões e muita violência. Testemunhas disseram que alguns carros que estavam nas proximidades do conflito foram queimados antes da chegada da polícia pacificadora. Um motorista de Uber que estava perto do local teve seu carro queimado. Ele resolveu falar conosco e contar o que aconteceu:

“- Alguns homens com o rosto coberto retiraram à mim e à minha cliente à força do carro. Eles nos ameaçavam com pedaços de paus e canos, então resolvemos sair. Eles queimaram meu carro! Minha fonte de renda! Era tudo o que eu tinha e esses marginais acabaram com tudo!

— O senhor foi ferido?

— Graças à Deus não, mas minha cliente ficou em pânico e passou mal. Mas nem assim esses miseráveis tiveram pena, e a largaram no chão, enquanto ela perdia a consciência. Eu liguei para um número que tinha no celular dela e logo dois amigos vinheram buscá-la: um homem loiro baixo e outro alto de cabelos escuros. Eu espero que essa jovem esteja bem.”

Após a polícia ter conseguido dissipar o protesto violento, as viaturas e os oficiais tiveram acesso ao local; e trataram de fixar uma barreira em frente ao prédio para impedir que novas manifestações assim acontecessem.

O chefe de segurança Harrison prometeu dar uma coletiva de emergência no início desta noite. Ele pede desculpas pelo ocorrido e promete que irá dar todas as explicações necessárias na coletiva.

Vale lembrar, caro telespectador, que não fazem nem dois dias do protesto no mesmo lugar de hoje; e novamente vemos o mesmo cenário de destruição e conflito abalar as estruturas da nossa grande cidade.

Entramos ao vivo com nosso correspondente agora na sala de coletiva de imprensa da Scotland Yard, a reunião começou e o Chefe de Segurança subiu agora no púlpito e dará sua declaração, vamos acompanhar:

—Cidadãos ingleses, boa noite. Creio que todos vocês tomaram conhecimento dos acontecimentos desse fatídico dia. Quero pedir desculpas pela falta de esclarecimentos, mas quero já adiantar para vocês que foi necessário. Tivemos acesso a uma série de nomes de possíveis participantes do Hukm Allah. Decidimos então agir usando a vantagem do fator surpresa, e graças à isso apreendemos alguns deles e um foi morto. A participação foi provada por uma marca que todos os integrantes desse grupo carregam no corpo. Bom, explicado as razões, gostaria de pedir calma e colaboração por parte da população. Estamos fazendo todo o possível para devolver a paz para a nossa cidade. Alguma pergunta?

— Senhor Harrison, eu tenho! Eu represento o telejornal das seis, e tenho alguns questionamentos. Temos consciência da necessidade do sigilo quanto às razões das prisões. Mas acredito que o motivo maior do distúrbio hoje foi a truculência aplicada nas abordagens diretas.

— Explique-se, não estou entendendo.

— Tivemos acesso à forma como foi organizada toda a equipe de oficiais. Soubemos que cinco agentes federais não pertencentes à Scotland Yard e uma pertencente lideraram as equipes de apreensão. Entretanto, as queixas de violência e truculência vinheram somente dos agentes federais, que acredito estarem sob seu comando já que o senhor os constituiu.

— Quem lhe cedeu essas informações? Isso é informação interna!

— Uma fonte segura senhor. Já a equipe liderada pela policial da Scotland, não apresentou prisões, a não ser dos meliantes posteriormente comprovados participantes do Hukm Allah.

— Onde você quer chegar?

— À dúvida de todos aqui nessa sala: havia provas suficientes para o senhor declarar prisão preventiva para tanta gente? Não haveria algum tipo de sinal, ou marca que o senhor mesmo falou, que poderia ter “filtrado” essas prisões?

— Você é um mero jornalista! Você não entende nada das políticas e medidas de segurança nacional. Se eu disse que era necessária todas as prisões, é porque eram necessárias! Coletiva encerrada!!

— Senhor espere!!

— Por favor senhor Harrison, só mais uma pergunta!”

A sala da coletiva virou um mar de agitação, enquanto Harrison saía do palco e os repórteres avançavam para cima dele. Seus agentes continham os jornalistas e seus microfones estendidos para Harrison. A televisão continuava transmitindo Harrison tentando sair da sala inteiro. Emanuelle assistiu a toda reportagem envolta num grosso cobertor, sentada numa corfortável poltrona perto da lareira. Ela tomava a terceira xícara de chá que a sra Hudson preparou. Depois que ela chegou em casa semiconsciente, carregada por John e Sherlock, ela foi levada para o 221b; recebendo os cuidados necessários. Logo ela recobrou a consciência e se tranquilizou ao notar que estava longe da confusão. Algum tempo depois, Lestrade chegou ao apartamento para buscar mais fichas traduzidas pelo sr Shelton. Sherlock consciente da confusão que se deu na cidade, questionou Lestrade de como aquelas fichas foram parar na mão de Harrison, ao que Lestrade explicou tudo a todos eles, inclusive à jovem doutora. O inspetor passou o fim da tarde e o início da noite na casa do detetive, até que chegou a hora da coletiva, e todos assistiram ao que se passou na televisão. O inspetor, o detetive e o médico militar sentaram-se à mesa após a coletiva. Ficaram calados por um tempo. Emanuelle permanecia sentada no mesmo lugar, agora olhando para as labaredas que dançavam na lareira. Lestrade folheava as fichas impressas e traduzidas do restante dos suspeitos. Ele contou, eram cerca de 140 pessoas dessa vez.

—Esse cara é um imbecil -Watson rompeu o silêncio.

—Nem me fale -disse Lestrade- novamente tivemos um confronto sangrento entre população e polícia por causa da incompetência desse miserável. E se isso aconteceu hoje por causa de oitenta abordagens, imagina com essas tantas aqui. Eu sinceramente não sei o que fazer.

—Não sabe o que fazer? -respondeu Sherlock rispidamente- simples! Não entregue isso à ele.

— Não é tão simples assim. Ele está esperando o resto delas, agora que ele soube da existência dessas fichas.

— Enrole ele, minta, qualquer coisa que nos dê tempo de saber desses quem é criminoso e quem não é.

— Não temos esse tempo Sherlock! Depois da “ameaça de uma semana”, ele veio no outro dia me cobrar. No outro dia!! -Sherlock levantou-se. Estava claramente agitado. Lestrade continuou- se não dermos algo para ele logo, ele vai dar ao povo aquilo que eles querem: a identidade de Emanuelle. Não poderemos mais protegê-la se isso acontecer, a não ser que a trancafiemos numa ilha.

Emanuelle se inclinou na cadeira para olhar para Lestrade.

—É só uma forma de expressão, não vou trancar você.

— E quanto à Donovan? -perguntou Watson- você disse que ela está liderando uma equipe de policiais fiéis à você.

— Donovan cumpriu bem o seu papel, como também minha equipe. Mas eles não são suficientes para abordar todos esses suspeitos.

— Mas deve haver algum outro filtro além da tatuagem.

— Não há. Pensamos em tudo. Mas não achamos nada que os conectasse.

— Alergia…-cochichou Sherlock para si mesmo, arregalando os olhos com a conclusão que chegara em sua mente.

— Como? -perguntou Lestrade, ao que Sherlock respondeu na velocidade de uma bala.

— A tinta das tatuagens é de fabricação clandestina, como sua aplicação. O alto teor da química nociva pode ter causado uma reação alérgica ou inflamatória em alguns deles! -Emanuelle se inclinou na cadeira para ouvir o que era dito. Todos prestavam atenção e raciocinavam com ele- se cruzarmos os dados daqueles que foram para emergência com uma crise alérgica ou inflamatória, ou que compraram alguma medicação com receita médica para isso, com os nomes presentes nessas fichas, temos…

— Os nomes dos prováveis terroristas! -completou Lestrade, triunfante.

— Pode dar certo -comentou Watson.

— Vai ter que dar -disse Sherlock baixinho.

— Bom, o que estamos esperando? Vamos para a Scotland acessar logo o sistema e acabar de uma vez com isso, antes que Harrison aparece pegando todas as fichas de nossas mãos.

Dito isso, os três se levantaram, buscando seus casacos para sair. Começou a chover novamente naquele início de noite, indicando que seria bem fria. Emanuelle se levantou da poltrona também, recolhendo suas coisas.

—Vai conosco também doutora? -perguntou Lestrade. Sherlock parou o que estava fazendo, não dizendo nada, apenas esperando a resposta dela.

— Não, não. Deixo isso com vocês. Eu vou subir agora para o meu apartamento para me organizar. Tenho plantão hoje às oito.

— Você vai para o plantão? Mas passou mal no meio da rua! -comentou Watson, preocupado.

— Ele está certo Emanuelle, não é uma boa idéia -disse Sherlock enquanto colocava o casaco.

— Eu já estou bem. Foi somente um susto. E além do mais, vou ficar num setor tranquilo, meu chefe me prometeu.

— E se você surtar de novo? -perguntou Watson.

— Não vou surtar, tomei tanto chá que ficarei tranquila até amanhã.

— Vamos estar ocupados e longe. Não poderemos te proteger -comentou Holmes.

— Eu vou ficar bem. E acredite -disse ela se aproximando de Holmes- se eu não sentir que estou fazendo algo para ajudar, aí sim vou surtar.

— Você ajudaria mais ficando em casa e não correndo riscos na rua -Sherlock falava baixo, ao ponto da conversa estar apenas entre os dois agora.

— Não se preocupe Sr Holmes. Me manterei viva...pelo menos até o término das investigações.

Dito isso, Emanuelle passou pelos três homens, subiu as escadas, indo para seu apartamento.

***

O celular tocou pela milésima vez. Carl atendeu e repetiu as mesmas explicações dadas durante todo aquele dia. Desde que as prisões aos seus colegas terroristas foram feitas naquele início de tarde, o telefone do mestre do Hukm Allah não parou de tocar. De tempo em tempo, alguns integrantes ligavam atualizando as informações sobre o andamento daquela operação que realmente os pegou de surpresa. Já outros ligavam pedindo orientações sobre como prosseguir. Assim que recebera a notícia, Carl ligou para o chefe, pedindo instruções. Depois de as receber, ele a repassou a todos quanto pôde, deixando a cargo também de alguns dos seus mais próximos a tarefa de repassar as instruções. Carl sentou-se na poltrona velha, massageava as têmporas. O telefone tocou de novo. Carl praguejou e levantou-se para atender novamente a ligação.

— Alô?

— Olá Carl.

— Chefe! Que bom que ligou! Estou repassando para todos as instruções dadas.

— Excelente. Alguma notícia de seu filho?

— Falei com ele faz alguns minutos, ele está se aproximando do alvo. Logo cumprirá sua missão.

— Ótimo. Assim que tiver notícias dele me avise.

— Sim. Ah...chefe?

— Qual o problema Carl?

— Eu não quero questionar suas ordens, mas as pessoas não irão desconfiar ao ver tanta gente saindo de casa para “viajar”?

— Ora meu aprendiz...não esqueça que estamos a poucos dias do Natal, é normal as pessoas viajarem nessa época. Não se preocupe. E além disso, não são todos que cumprirão esse desígnio, lembre-se do que combinamos para amanhã.

— Não me esquecerei chefe.

Se o homem do outro lado da linha pudesse ver o rosto de Carl, se orgulharia. Ao lembrar no plano arquitetado para o outro dia, o ex-militar sorriu de forma maníaca. A operação surpresa liderada por Harrison naquela manhã, deixou os nervos do mestre à flor da pele. Carl acalmou-se ao ligar para o chefe mais cedo e receber as instruções. Ele gostou do plano sangrento, e do que isso acarretaria depois. Ele desligou o telefone, colocou um pouco de chá e sentou-se em sua velha poltrona, sentiu-se relaxado. Agora era só esperar.

***

— Eu não sabia que vocês tinham acesso à esse tipo de informação -disse Watson para Lestrade, enquanto ambos cruzavam os dados na sala de computadores na Scotland.

—Nós temos sim. Fica arquivado no nosso sistema e no do hospital o registro de cada paciente e o motivo do atendimento. É quase que instantânea a atualização dos dados. Por isso é que conseguimos pegar nossos delinquentes fujões quando eles dão entrada em algum hospital.

— Ah, entendi -disse Watson sem tirar os olhos da tela onde trabalhava.

Além de Lestrade e Watson, havia também naquela sala mais alguns policiais da equipe de Lestrade, pelo menos aqueles que estavam disponíveis naquela noite. Cada um trabalhava com as fichas em um computador diferente, numa tentativa de fazer o resultado ser o mais rápido possível. Depois de algumas horas de trabalho, Lestrade comentou:

— Seria mais rápido de o Sherlock tivesse ficado para ajudar.

— Ele disse que iria resolver algum problema de ordem maior. Não entendi bem.

— Ordem maior? Ah essa não -bufou Lestrade.

— O que foi?

— Acabei de me lembrar que esqueci de dar entrada para a quebra de sigilo bancário da fábrica.

— Hein?

— Sherlock disse que tem alguém pagando a conta de luz da fábrica, o que está permitindo o Hukm Allah usá-la para alguma coisa.

— Ele suspeita que estão fazendo testes de explosivos lá.

— Testes de explosivos é?

— É. Porque vocês simplesmente não fecham aquele lugar e colocam policiais de vigia?

— Não é assim que funciona. Temos que ter um mandato, temos que ter provas para a justiça autorizar nossa invasão ao lugar. É muita burocracia que mais atrapalha do que ajuda.

— Entendo.

— E com Harrison na nossa cola, é que fica muito mais complicado. Se ele achasse isso desnecessário, nunca chegaríamos nem perto daquele lugar, sem falar no perigo de os terroristas ficarem sabendo que descobrimos seu esconderijo secreto.

— Eu sinceramente acho até que já sabem. Devem já ter mudado o local do seu clube sinistro de malucos.

— Ou eles simplesmente querem que a gente pense isso -uma voz grave ecoou pelo ambiente, surgindo atrás de Watson e Lestrade. Sherlock acabara de entrar na sala dos computadores.

— Onde esteve? -perguntou Watson, olhando para o relógio.

— Mobilizei toda a minha rede de mendigos ao redor da cidade para ficarem de olho em algo suspeito.

— Tipo o que?

— Depois do circo montado por Harrison hoje, creio que todos nós só acharemos casas vazias amanhã. Eles já devem ter ido embora.

— Então tudo o que estamos fazendo é em vão? -perguntou Lestrade.

— Não. Vocês estão dando alguma coisa para aquele pateta ter o que fazer. Quero ver a cara dele quando ver que todos fugiram -disse Sherlock quase para si mesmo, abrindo um sorriso debochado. O detetive olhou o relógio, e se dirigiu à sala para sair.

— Ei, onde vai? -perguntou Lestrade.

— Para meu palácio mental.

— Não, nada disso! Você nos meteu nisso, agora vai nos ajudar -protestou Watson.

Sherlock ia abrir a boca para rebater, mas seu celular tocou, o tirando da conversa. O detetive olhou de quem era a chamada e viu que era de Emanuelle. Algo em seu instinto o fez sentir que havia algo errado. Aconteceu alguma coisa, ele podia sentir. Por isso ao segundo toque atendeu ao telefone. “Sherlock falando”, disse, mas não obteve resposta, apenas uma pessoa chorava e soluçava do outro lado da linha. O rosto do detetive ficou inexpressivo, mas seu olhar assumiu um tom preocupado, urgente. Ele olhou para Watson e Lestrade, ambos perceberam a mudança repentina no olhar do detetive. Eles se levantaram de suas respectivas cadeiras, ansiosos para saber a causa da ligação. A médica chorava do outro lado da linha. Vários sons se misturavam ao choro da mulher. Sherlock saiu da sala a passos rápidos ao entender onde ela estava. John e Lestrade seguiram o detetive sala afora, ansiando por uma resposta.

— Sherlock -disse baixinho,entre soluços- eles vieram atrás de mim.

— Fique onde você está, estamos chegando.

Sherlock desligou o telefone e saiu a passos rápidos escada abaixo. Lestrade e Watson estavam logo atrás dele. “O que aconteceu?” perguntou Watson preocupado. Enquanto Sherlock estava ao telefone, ele ouvira o barulho de várias sirenes de ambulâncias, como também de um forte jato de água, que o detetive concluiu ser procedente do carro do corpo de bombeiros. Várias pessoas falavam, algumas dando comandos e orientações. Sherlock conseguiu pescar algumas palavras, levando-o à sua conclusão. Antes que John perguntasse novamente, Sherlock respondeu: “Atentado no St Barts”.