Flor do deserto
12 Capítulo 11- Conversas no hospital
Notas iniciais
Era hora do almoço e o grandioso Big Ben ressoava ao anunciar à toda Londres que já era meio-dia. Na ponte Westminster, onde o Big Ben estava localizado, as pessoas iam e vinham, e a velha cidade se movimentava. Não tão longe dali, dois homens caminhavam também a passos rápidos, indo para o seu destino. John desistiu de tentar acompanhar os passos de Sherlock, e andava a alguns passos atrás do amigo.
— Vamos John, se for for mais rápido que isso só vamos chegar amanhã -disse Sherlock pela quarta vez para o amigo desde que saíram do prédio do falecido Said.
— Pegue um táxi então! Estou cansado! Ainda estou me recuperando de um atentado, estou com dor, passei a noite mal dormida e ainda estou com fome e frio! -rosnou John, aborrecido com a provocação de Sherlock.
— Calma John, foi Mary quem acabou de parir, e não você.
John parou de caminhar. Estava claramente furioso, e se controlando para não socar ali mesmo o detetive. O médico olhou para o céu e respirou fundo, tentando manter a calma, quando sentiu um cheiro típico de hambúrguer e queijo. Seguindo o cheiro, ele olhou para sua direita e viu uma lanchonete e, sem pensar duas vezes se dirigiu para ela, enquanto já falava alto o suficiente para o detetive escutar, dada a distância que ele já se encontrava:
— Pode até ser, mas estou com a fome de um recém-nascido! Vou comer! -disse já cruzando a porta da lanchonete. Sherlock parou e voltou, bufando pela parada imprevista.
***
Na Baker Street, a pequena lanchonete, antes vazia, agora estava lotada. Jovens e adultos encheram o balcão e as mesas do estabelecimento. Dentre tantas pessoas,Wilson passaria despercebido, enquanto monitorava a tela no notebook, como também seu celular. Sentara no mesmo lugar que de manhã, tendo uma boa visão do que acontecia no 221b. Um táxi parou, e porta se abriu no prédio em questão. A sra Hudson saia com uma bolsa grande e uma pequena, trancando a porta atrás até as si. O taxista, vendo a dificuldade da senhora, desceu para ajudá-la. “Uma senhora bondosa -pensou Wilson- pena ser tão tola”, lembrou-se de sua conversa com ela, de manhã.
Algumas horas antes:
“Wilson foi em direção ao 221b, bateu na porta, e quem atendeu fora a senhora Hudson, perguntando o que desejava.
— Bom dia senhora -disse Wilson, retirando a touca da cabeça, em sinal de respeito- desculpe interromper sua manhã, é que eu soube que neste prédio tem um quarto para alugar, e gostaria de saber se essa informação é verdadeira.
— Ah, sinto muito querido -respondeu com um sorriso doce- o quarto já foi alugado faz alguns meses.
Wilson fez seu semblante cair, de uma maneira exagerada, demonstrando extrema tristeza. A sra Hudson, comovida, falou:
— Mas, se você quiser, tem outros apartamentos para alugar, e até para vender aqui nessa mesma rua. Se você quiser, eu lhe mostro onde é.
— Sim, eu adoraria -falou animado, olhando para o relógio- mas eu já estou atrasado para o trabalho. Posso voltar mais tarde?
— Infelizmente não, vou sair daqui a algumas horas.
— Entendi. E que tal amanhã?
— Eu só volto de viajem amanhã de tarde.
— Ah, certo. Não tem problema, eu passo aqui depois então para a senhora me mostrar os apartamentos -abriu um sorriso gentil- daqui até lá, vou tentar desbravar sozinho.
— Sinto muito não poder ajudar.
— De forma nenhuma, a senhora ajudou muito. Tenha uma boa viagem.
E, tendo dito isso, deu as costas, e caminhou para o fim da rua.”
Wilson foi trazido de volta de seus pensamentos, quando seu celular vibrou, avisando uma nova mensagem: “pararam para comer, permaneço em contato visual. Mantenho você informado. Qualquer intervenção necessária, por favor informe”.Ele sorriu discretamente, triunfante por estar tudo dando certo até o momento. Depois de acomodar as malas, a senhora entrou no táxi, e o motorista deu partida. “Está tudo caminhando bem -pensou, enquanto puxava discretamente do bolso a foto de Emanuelle- até mais tarde, gracinha”.
***
Emanuelle estava sentada na poltrona do quarto onde Mary estava internada. Estava preenchendo palavras cruzadas, Mary dormia. Uma claridade incômoda invadia o quarto através das persianas da janela. A doutora resolveu então se levantar, e fechou as persianas, deixando apenas uma pequena fresta aberta, o suficiente para dar ao ambiente um ar aconchegante. Emanuelle andou de volta em direção da poltrona quando uns ruídos no corredor chamaram a sua atenção. Ela olhou para Mary, que continuava dormindo. Gritos de repente surgiram, seguido de vários tiros. A doutora congelou perto da porta, ela sentiu um terrível frio descer pela sua espinha, e seus músculos ficaram rígidos. Sua respiração ficou pesada. Ela olhou para Mary, que ainda dormia. Resolveu se aproximar devagar e abrir um pouco a porta, para ver o que estava acontecendo. A passos curtos, ela foi se aproximando da porta, o barulho cada vez mais intenso. A doutora colocou a mão na maçaneta, e todo o barulho sumiu. Um incômodo silêncio invadiu o ambiente, quando ela decidiu girar a maçaneta. Abruptamente, e com grande força, a porta foi aberta para dentro do quarto, lançando Emanuelle para trás, derrubando-a no chão. Ela sentou-se rapidamente para ver quem tinha a derrubado, e o que ela viu fez o seu sangue congelar. Um homem com roupa árabe preta estava parado na porta, estava com uma AK-45 na mão. Ele não tinha rosto, apenas uma face cheia de escritos em árabe que significavam “Hukm Allah”. Era o homem que tentou violentá-la no seu sonho. Emanuelle não conseguia se mexer, era como se seus músculos tivessem congelado. Mary, que até o momento dormia, despertou e levantou-se do leito, assustada com o que estava vendo. O homem se virou e disparou várias vezes contra a sra Watson, deixando o leito inundado em sangue. Emanuelle, como reflexo, gritou e foi em direção ao homem. Rapidamente ele apontou a potente arma para o peito da doutora, e puxou o gatilho. Emanuelle sentiu seu peito arder e sua respiração falhar. Caiu de joelhos no chão, enquanto via uma poça de sangue se formar na sua frente. O homem deu alguns passos para trás, e de repente o quarto começou a ser inundado de areia pela janela e pela porta. Ainda ajoelhada, ela sentia a areia quente envolvendo seu corpo, e rapidamente já estava no pescoço, e em seguida na cabeça. Ela sentia o calor e o sufoco, a escuridão a envolveu e ela se debatia. Lutava para abrir os olhos, sentia seus membros imobilizados. Então, num sobressalto, acordou e lançou -se para frente, e acabou por cair com o braço direito sobre o chão frio. A dor e o frio, a despertaram, fazendo perceber que tinha pego no sono na poltrona. Viu que estava enrolada por um cobertor, provavelmente Mary quem a cobriu. “Mary” a doutora pensou, e olhou para a cama, que estava vazia. Emanuelle levantou-se rapidamente do chão, sentindo o braço dolorido. Foi para perto do leito, viu que estava desarrumado, e ,ainda com a respiração ofegante, chamou por Mary. Ninguém respondeu. A ansiedade tomou conta da doutora e ela sentia seu coração bater na boca. Gritou o nome da Sra Watson a plenos pulmões, chamando a atenção do posto de enfermagem ali perto. Uma voz atrás dela trouxe alívio para sua alma, era Mary, que estava saindo do banheiro.
— Você está bem querida? -perguntou Mary, preocupada com a expressão de desespero estampada no rosto da doutora.
— Estou...estou -respondeu, levando as mãos ao rosto, controlando a respiração e puxando o ar para os pulmões lentamente- fiquei preocupada. Você não respondeu.
— Fui no banheiro, não queria acordar você, parecia cansada -disse enquanto voltava lentamente para a cama.
Uma enfermeira apareceu na porta, perguntando se estava tudo bem. Emanuelle fez que sim com a cabeça, dizendo que não foi nada, foi só um susto. Aproveitando a enfermeira ali, Emanuelle tirou uma receita da carteira e entregou para a enfermeira.
— O que é isso?- perguntou a jovem.
— É um calmante, poderia ir buscar na farmácia para mim, por favor?
— Sinto muito, não posso pegar sem um carimbo médico.
— Ah, claro, desculpe -disse enquanto tirava da bolsa um carimbo, usando-o no receituário- tome, pode ir buscá-lo agora.
A enfermeira acenou com a cabeça e saiu para buscar a medicação. Mary já sentada na cama, fez uma expressão curiosa, e perguntou:
— Porque eu preciso de um calmante?
— Não é para você.É para mim. Uso ele quando estou em épocas de crise -disse, olhando para o chão- Não se preocupe, não vou ficar dopada. É só o suficiente para me acalmar e reduzir meu mal estar provocado pela ansiedade.
Emanuelle se jogou na poltrona, e respirou fundo.
— O que está lhe incomodando? -perguntou Mary num tom gentil.
— Fantasmas de um passado que estão me assombrando de novo.
— Entendo...e que tal exorcizá-los?
— Como?
— Às vezes, uma conversa alivia o coração. Muito mais até do que um calmante.
A doutora não se conteve, e com o rosto entre as mãos rompeu em lágrimas, ao ponto de soluçar feito uma criança. Mary se aproximou, e puxando outra cadeira sentou-se perto dela, e questionou o que aconteceu. Nesse momento, a enfermeira chegou com o vidro da medicação. Mary pegou o vidro, e, assim que a enfermeira saiu, Emanuelle falou, sem entrar em detalhes, sobre a sua infância difícil, e como os eventos das últimas 24 horas acabaram trazendo de volta toda a dor vivida no passado.
***
John devorava um hambúrguer duplo com algumas batatas fritas. Sherlock tentou puxar uma batata do pacote, ao que John deu um tapa na sua mão, fazendo o detetive recolher a mão aos bolsos novamente, rindo-se da infantilidade do doutor de não querer dividir suas batatas. Ao terminar, John ainda limpando a boca com o guardanapo, falou para Sherlock:
— Ligue para Emanuelle, quero saber como Mary está.
— Porque você não liga?
— Perdi meu celular naquela confusão ontem.
Sherlock entortou a boca, em sinal de insatisfação. Pegou seu celular, digitou alguns números e discou. Entregou o telefone para John:
— Tome, seja breve, já perdemos muito tempo aqui.
John pegou o telefone, e depois de alguns toques atenderam:
— Alô? Telefone da dra Emanuelle.
— Mary? É você?
— John! Meu querido -Mary sorria do outro lado da linha.
— Como você está? E a nossa Rosie?
— Estou bem, com um pouco de dor, nada demais. Rosie está dando trabalho para as enfermeiras da UTI.
Sherlock observava a expressão de alegria de John ao falar com a esposa. Ele parecia muito feliz. Por um momento ele pensou no que John disse. Será que ele não era feliz? Ou a felicidade é apenas um enganoso estado de espírito, movida por ondas cerebrais ligadas a substâncias no sangue? Ele não sabia a resposta de ambas questões, mas uma coisa é certa: seja o que fosse, trazia conforto, mesmo que enganoso, à existência humana.
— E como está Emanuelle?
— Ela está bem. Foi no banheiro, estávamos conversando sobre algo importante.
— Algo importante? -John arqueou a sobrancelha.
— Sim, depois eu e você falamos sobre isso.
— Entendo -John olhou para Sherlock, e este olhou de volta com a cara desconfiada- e você já sabe quando vai pra casa?
— A médica disse que vai me reavaliar no final da tarde, mas acredita que vou poder ir pra casa. E nossa Rosie também. A médica disse que apesar dela ter nascido duas semanas antes do esperado, está forte como um touro; e vai poder ir conosco para casa hoje mesmo.
— Isso é ótimo! Estarei aí no final da tarde. Assim que você tiver certeza disso, ligue para o Sherlock.
— Pode deixar, eu ligo.
— Vou desligar querida, vamos continuar nossa caçada. Te amo.
— Adeus querido, te amo também.
Watson desligou o celular e o entregou para o detetive, já dando a informação:
— Temos que estar de volta no hospital no final da tarde, Mary e Rosie vão receber alta.
Sherlock assentiu com a cabeça, enquanto olhava para fora da lanchonete. Depois de um tempo disse, resignado:
— Vamos falar com alguns contatos meus, e depois vamos ligar para o dono do apartamento. Depois disso você está livre para ir para o hospital -John concordou, e disse:
— E você?
— Vou continuar sozinho -disse enquanto se levantava, e, enrolando o cachecol no pescoço- pague sua conta e vamos.
Sherlock esperou do lado de fora da lanchonete enquanto John pagava a conta. Ele observava a movimentação naquela rua do subúrbio. Pessoas iam e vinham, um grupo de estudantes passava do outro lado da rua, gargalhavam embrulhados em seus casacos padronizados. Pareciam rir de algo na tela do smartphone daquele que estava no centro do grupo, e em passadas descontraídas, iam para o fim da rua. Uma mulher passava com o carrinho de bebê, enquanto gritava em espanhol no celular com alguém do outro lado da linha. Nada escapava aos olhos do detetive. Ele sondava rapidamente cada pedestre, cada atitude. Era sua diversão. “Se as pessoas soubessem que estão sendo dissecadas...”. O detetive foi trazido de volta de seus pensamentos por John que colocou-se ao seu lado, dizendo: “vamos?”
***
“Bom dia senhoras! hora do almoço!” Disse a sorridente enfermeira que empurrava um carrinho cheio de marmitas quentes enquanto entrava no apartamento do hospital. Mary levantou-se da cama devagar, enquanto Emanuelle ia em direção à enfermeira buscar as duas marmitas. A doutora agradeceu, e a funcionária se retirou.
— Sente-se aqui querida -disse Mary, afastando o lençol, convidando a doutora para sentar-se com ela na cama.
— Obrigada -respondeu Emanuelle, já sentando-se no leito.
— Minha nossa -disse Mary quando viu a refeição- não estou doente para eles me darem arroz branco e galinha seca, olhe só para o seu! Lasanha!!- Emanuelle riu do comentário de Mary. De fato, a sra Watson estava decepcionada com sua comida. Então a doutora falou:
— Eu não deveria...mas prometo dividir minha lasanha com você, se você não contar para ninguém -disse dando um sorriso sapeca.
— Está bem -disse Mary já colocando o garfo dentro da marmita da doutora.
Emanuelle riu ao ver a voracidade com que Mary comia, ela estava mesmo com fome. Quando a lasanha chegou pela metade, Mary estendeu o prato de volta para Emanuelle, ao que a doutora disse:
— Ah, não, pode comer, de verdade. Você precisa mais do que eu.
— Mas e você?
— Acredite -disse quase num cochicho- nunca gostei da comida desse hospital. Vou lá na cantina comprar algo pra mim -disse se levantando da cama- vai conseguir se virar sem mim?
— Eu já sou bem crescidinha, sei até comer sozinha -disse rindo, colocando a mão na frente da boca.
— Certo, daqui a pouco volto.
A doutora entregou o celular para Mary, descendo ela só com a carteira.
Rapidamente ela chegou na cantina, onde se dirigiu para o balcão e fez seu pedido, sentando-se em seguida numa das mesas da cantina para esperar. A cantina estava relativamente cheia, devido à hora de almoço. Ao passar os olhos pela multidão ela viu seu colega Marcus. A doutora levantou a mão chamando o nome dele, ao que ele se virou e viu a médica sentada perto do balcão, indo em direção à ela.
— O que está fazendo aqui? -perguntou o médico com um sorriso cansado.
— O que estou fazendo aqui? e quanto à você? pensei que estivesse de folga...bom dia para você também.
— Resolvi pegar dois plantões seguidos, tenho coisas para resolver nesse fim de semana- disse enquanto se sentava na mesa.
— Ah...entendo -disse, arqueando a sobrancelha.
— Me desculpe -disse, respirando fundo- estou cansado, o dia de ontem não foi fácil,e ainda tenho um dia inteiro hoje de plantão.
— Tudo bem. E eu estou aqui acompanhando minha paciente de ontem.
— A gestante que era esposa daquele policial, certo?
— Ele é do exército.
— Ah sim, John Watson, lembro dele, afinal suturei sua testa -os dois riram.
O pedido da doutora tinha acabado de sair, ao que ela se levantou para buscá-lo, se despedindo do médico:
— Tenho que ir agora, vou subir para almoçar com ela.
— Certo. Até a próxima -disse dando um largo sorriso.
— Até.
Emanuelle se levantou e, dando as costas, foi ao balcão. Ao pegar a comida e se virar para sair, se assustou com Marcus em pé, à poucos centímetros dela. Ele falou, mal percebendo o susto que ela levou:
— Olha, me desculpe por tê-la tratado assim. Quero compensá-la. O que acha de irmos jantar hoje de noite?
***
John e Sherlock seguiam a passos rápidos para o metrô. Apesar da hora, não haviam tantas pessoas, como o de costume. O atentado do dia anterior fez a população temer lugares fechados, preferindo meios alternativos para chegar ao trabalho. Sherlock se aproximou de uma máquina de refrigerantes, e comprou uma lata.
— Se você estivesse com sede, poderíamos ter dividido o refrigerante -comentou John.
— Não é para mim -respondeu Sherlock, sem olhar para o amigo, continuando a caminhar.
Dentre todas as fileiras dos bancos daquela estação, havia um mendigo barbudo sentado na mais afastada de todas, bem no canto da parede. Ele usava um gorro preto, que algum dia já foi cinza, e o seu casaco surrado pelo tempo, apresentava várias marcas de remendo. Seu olhar era distante, cansado; mas ao ver Sherlock, seus olhar voltou ao tempo presente, e, surpreendendo a John, o homem tirou o gorro e saudou o detetive com a postura de um nobre cavalheiro britânico. Sherlock respondeu acenando com a cabeça, e mostrando para ele a lata de refrigerante que comprou. O homem abriu um sorriso cheio de dentes amarelos, com alguns faltando, pegando a latinha da mão dele, abrindo-a em seguida. Enquanto o homem se deliciava com a bebida gaseificada, o Holmes mais novo falou:
— Preciso de informações. Mande seu pessoal buscar sobre esse homem -falou enquanto tirava a foto do porta-retrato que até então estava em seu bolso- ele alugava um apartamento à alguns quarteirões daqui, mas quero saber onde era sua casa de verdade. Mobilize seu pessoal e me traga respostas.
O homem não disse nada, apenas olhou para a foto, bebeu o último gole do refrigerante e amassou a latinha contra seu crânio, jogando-a num lixeiro mais próximo. Em seguida pegou a foto das mãos do detetive, olhou para um lado e para o outro, e colocou-a no bolso. O homem acenou com a cabeça para o detetive, se retirando em seguida, saindo do metrô.
John, com um tom duvidoso, perguntou ao detetive:
— Podemos confiar nesse homem?- Sherlock se afastou alguns passos, e sentando-se onde o mendigo estava, começou a escrever uma mensagem no celular e ,sem olhar para John, respondeu:
— Talvez.
***
Emanuelle voltou para o quarto com um grande cheeseburger nas mãos, e um copão de café. Ao voltar, encontrou Mary em pé, caminhando pelo quarto. Ao ver a doutora entrando no quarto, falou:
— A médica disse que era bom eu caminhar, mesmo que devagarinho, para evitar que eu tenha trombose, ela chamou de “deambulação precoce”.
— Hum...certo -a doutora estava angustiada, chamando a atenção de Mary.
— Você está bem, minha querida? -a jovem respirou fundo e sentou-se na cadeira, colocando a comida numa pequena mesinha perto dela, então respondeu:
— Na verdade não?
— O que houve?
— Um colega meu me chamou para sair. E eu acabei aceitando.
— Hum, entendo. E você não gosta dele.
— Não é que eu não goste...eu só...só quero me manter longe dessas coisas. Ele é uma boa pessoa, e é muito bonito, e acho que está interessado em mim. Mas eu não sei lidar bem com esse tipo de coisa, e por isso quero distância.
— Se você não queria, porque aceitou?
— Porque ele está insistindo desde ontem. Então pensei que se sairmos e eu conversar e demonstrar para ele que não estou interessada, pode ser que ele desista de querer ter algo comigo.
— Hum, então você aceitou sair com ele, para dizer que você não quer sair com ele.
— Você falando assim, fica parecendo que eu tomei uma decisão bem idiota.
— Não, não que eu esteja chamando você de idiota, mas se você não quer sair com ele, diga não então.
Emanuelle respirou fundo, e tomou um grande gole de café, continuando:
— O problema é que eu não sei se quero que isso pare. Oh Mary...estou tão confusa- a doutora colocou o rosto entre as mãos, resmungando seu cansaço- a minha cabeça manda eu me afastar dele e de qualquer homem que se aproxime de mim, mas meu coração me manda arriscar, e tentar ser feliz...nunca me senti tão dividida.
— Do que você tem medo? -Emanuelle encarou Mary com um olhar triste, mas antes que pudesse responder, uma senhora de jaleco branco bateu na porta, que estava entre aberta. Era a médica que Mary estava esperando para avaliá-la, para que pudesse ser dada a alta.
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