Flor de Lótus-edward e Bella

19 Capítulo 18- Rosas e Flores


Notas iniciais
Oie!!!
A música foi a minha honrada leitora mãe da Marília que me mandou. Eu amei a letra e a música. Obrigada minha leitora fiel. Fico muito feliz em saber que vc está aí desde as outras estórias. E até pensa em música para minha fic. Beiju.
Bom, gente, capítulo docinho. Sem fortes emoções. Eu precisava dele para desenvolver a estória.
Agradeço às últimas indicações da Iza Cullen e Cami_K. Obrigada por acreditar em mim. Beijus.
Boa leitura.
http://www.4shared.com/audio/eisSgjAp/Gloria_Estefan_-_Dont_Wanna_Lo.html

Capítulo 18- Rosas e Flores

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.

Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.

Augusto Cury

Depois de ouvir de seu pai um discurso moral sobre como seus filhos davam trabalho mesmo adultos, Edward foi liberado ― como um adolescente que vive sob o teto do pai―, para ir ao passeio programado. Isso após prometer que seria discreto, que não se exporia em público e nem faria novas demonstrações de posse, como no dia anterior... Edward comprometeu-se.

Com mais um motivo de preocupação, causado pelos inconseqüentes recém-casados, Edward mergulhou em sua introspecção pelo tempo seguinte em que caminharam nas ruas. Para ele, por mais que quisesse estar feliz e viver o momento, o desassossego era como uma larva que rastejava para sua mente. Uma tormenta cansativa e repetitiva, a qual ele almejava sobrepor. Mas a impotência o impedia de solucionar.

Seguiram silenciosos por algumas ruas olhando vitrines. Com os braços cruzados no peito, Bella observava-o de canto de olho vez ou outra, tentando desvendar pela matiz do seu rosto o que o preocupava. Não dava para saber o que sentia. Parecia distante. Queria ter um barômetro para medi-lo, já que ele mudava tão rapidamente.

Depois de um tempo de silêncio, já cansada do afastamento emocional dele, Bella resolveu interromper o silêncio.

“Será que o casamento irá acontecer?” Perguntou enquanto desviava seu interesse para uma vitrine.

“Acredito que sim. Jasper deve manter a cerimônia social hoje e depois resolver questões legais. Se ele quiser, nem precisa falar com Maria sobre o ocorrido. Seria melhor deixar o assunto para depois, quando esfriar.”

“Você acha que ele deve mentir para ela?” Especulou naturalmente.

“Não, exatamente.” Fez uma careta ao perceber a semelhança de situação. Ambas tratavam de mentiras. “Só acho que, se ele quer mesmo casar, esse ocorrido não vai mudar nada.”

“É sério que você pensa isso?” Questionou e inclinou-se para olhar uma sandália no manequim. “Que não vai mudar nada ele ter transado com outra? Ter se casado com outra?”

“Para eles, não. Eles têm um relacionamento adulto. Têm seus meios de ver as coisas. Eles consideram as coisas fáceis de resolver. Não vêem tudo pelo lado romântico, mas pelo lado prático.” Deu de ombros, indiferente.

“Ah, entendo. Coisas românticas são coisas de adolescentes sonhadores que não sabem de nada da vida.” Suspirou um pouco desencantada. “Gosto dessa roupa.” Apontou para um vestido de alças longuete verde bebê, justo, com bordados de renda na barriga e busto.

“Não está muito...” Moveu as mãos no ar, buscando palavras. “Juvenil?”

“Adolescente, você quer dizer?” Pegou em sua mão e afastaram-se daquela vitrine. “Escolha você, então, o que quer que eu vista.” Propôs com um dar de ombros, olharam mais alguns vestidos pelo vidro e ele apontou para o segundo andar da boutique, mostrando lá um modelo no manequim.

“Aquele é bonito.” Era um vestido verde musgo, longo, de alças, com as costas nuas. Por algum motivo Bella achou que aquele modelo parecia-se com o que a doutora usava na noite anterior.

“Tem certeza que está escolhendo para mim?” Apontou incrédula para o vestido.

“Aquele ali também é bonito.” Não prestou atenção em seu tom de voz e mostrou um vestido vinho, também de alças, mas dessa vez não tinha decote nas costas. Era liso e simples.

“Vamos entrar, Edward. Quero ver o que mais você escolheria para mim.” Puxou sua mão e entrou. A seguir, uma série de roupas foi exposta. Vestidos longos e escuros, saias lápis, vestidos tubinhos pretos, terninhos. Ao fim, com um suspiro triste, Bella sentou-se cansada no sofá e pediu o vestido verde bebê da vitrine. “Eu vou levá-lo. Não preciso experimentar. Me dê um tamanho b.” Indicou com a voz inanimada.

Edward pagou a conta, pegaram a embalagem e saíram. Lá fora, após ver a expressão desentendida no rosto dele, viu-se obrigada a se explicar o porquê de sua escolha. “O casamento é de dia. Posso usar roupas claras.”

“Não sei por que você pediu que eu escolhesse, se já sabia o que queria.” Comentou sem humor.

“Você não entende, não é?” Parou e acariciou seu rosto, compreensiva. “Não entende que eu gosto de ser quem eu sou. Tenho dezesseis anos e nada muda isso.”

Ele não disse nada para contestar sua assertiva, mesmo percebendo um traço de desapontamento. Seguiram para um restaurante francês, fizeram seus pedidos, e ela ficou calada, pensativa... Talvez, se ele a amasse, não teria vergonha de deixá-la ser quem era. Às vezes tinha impressão de que ele queria que ela fosse diferente. E isso piorou com o sermão do pai hoje sobre os filhos, a idade dela e exposição.

Por instantes, enquanto comia sua salada, observava-o meditativa. Por que se apaixonou por ele tão facilmente? O que ele tinha que lhe ganhou? Talvez porque em sua visão indulgente, idealizou que ele fosse frágil, carente. Quando o viu a primeira vez, teve vontade de colocá-lo no colo, e então vigiar o seu sono, só para expulsar os fantasmas que o assombravam. Mas então descobriu o paradoxo que ele é. Como alguém podia ser tão desigual? Uma fragilidade duelava com fortaleza. Como exemplo, quando imobilizou aqueles ladrões no shopping. Ali não viu receio, a não ser um olhar felino de defensor. Ele é confuso.

“Daria o mundo para saber em que você pensa.” Ele estendeu a mão sobre a mesa e tocou o seu rosto carinhosamente.

“Penso em você.” Sorriu meiga, virou o rosto e beijou sua mão. “Eu queria saber mais sobre você... Quantas coisas suas eu perdi... Queria saber mais de sua história, sonhos, conquistas.” Revelou saudosa, e levou um garfo com alface americana a boca.

“Hmmm, isso?” Sorriu e temperou tomates secos com azeite, oportunidade em que processava mentalmente respostas. “Eu era meio desligado quando era mais novo. Não tinha grandes sonhos. Sempre me mantive isolado. Um expectador, ao invés de participante. Não tinha amigos. Era muito ligado à minha família, às pessoas que viviam na minha casa.” Deu de ombros com um sorriso, disposto a se abrir um pouco e ver se melhorava o clima que não sabia o porquê ou quando ficou distante. “Meu maior sonho era me formar e trabalhar com minha mãe... Porém, depois que ela morreu, eu perdi o estímulo... Não tive grandes conquistas.” Suspirou nostálgico, mastigando devagar.

Ela resolveu esmiuçar o tema, já que ele tinha tocado no assunto. “Você se conforma em ser somente um herdeiro? Não pretende fazer mais nada da vida? Seu irmão, por exemplo, é promotor, mesmo sendo beneficiado com a herança de sua mãe. Eu entendo que você demorou a superar o trauma da morte dela. Mas já devia ter voltado a viver. O que você espera do futuro?”

“Eu?” Abriu a boca espantado com a nova série de perguntas.

“Sim... Você concluiu a especialização que foi fazer na Capital, sim? Agora o que pretende fazer?”

Ele ficou sem palavras um minuto e serviu o prato novamente de mais uma porção de salada, ganhando tempo para concatenar pensamentos.

“Eu terminei a especialização.” Limpou a garganta. “Vou, er, tentar trabalhar na área.” Mexeu no prato, tenso.

“Vai manipular produtos químicos, como Emmett?” Quis saber, ansiosa.

“Não...” Negou, pensativo. Até hoje, nunca tinha tido uma oportunidade tão conveniente como esta para se expor, afinal, suas três semanas de namoro foram muito corridas. Também não teve oportunidade de falar antes de namorarem, visto que, sequer tinha certeza que ela não era amante de Emmett. Como, então, poderia ter confiado isso a ela? Mas, e agora? Como ela agiria se lhe revelasse que era Agente Federal? Seria compreensiva ou estragaria o fim de semana tranqüilo que poderiam ter?

********************************************************************

http://www.4shared.com/audio/eisSgjAp/Gloria_Estefan_-_Dont_Wanna_Lo.html

Não quero te perder Gloria Estefan

As vezes é tão difícil tornar as coisas claras
Ou saber quando encarar a verdade.
E quando é chegada a hora
Eu vou abrir meu coração e te mostrar tudo ...
Meu amor não tem orgulho

Eu sinto por você, e não tenho nada para esconder
Portanto, abra seus olhos e veja quem sou eu ...
E não quem você quer que eu seja
Eu só sou eu mesmo, ... eu mesmo

Eu não quero lhe perder agora
Nós temos que dar um jeito nisso agora
Não quero lhe perder agora...nem nunca

Porque baby, finalmente encontrei
A coragem para defender meu espaço..
Mas se você me quiser,
eu estarei por perto pra sempre

Todos nós cometemos erros, Todos pegamos caminhos errados
Mas entendemos a lição e eu espero
Que deste jeito é que as coisas ficarão
Depende só de você agora, me dizer para ir embora
Porque não serei eu por mim mesmo que partirei
Quando você é tudo que eu conheço
E eu sei disso

************************************************************************************************

Sem resposta para suas perguntas e ainda deliberando prós e contras, continuou. “Eu pretendo trabalhar para o Governo.” Prosseguiu irresoluto. “A especialização que concluí foi em Química Forense, um curso ligado a técnicas de análise em investigação científica.” Ocultou o fato de que também foi fazer um curso na Academia.

“Tipo em CSI?” Juntou as sobrancelhas. “Você iria ajudar o investigador?”

Não, Bella, eu sou o investigador, pensou culpado.

“Mais ou menos.” Suspirou retesado. Ela era muito esperta. Foi um golpe de sorte que ela não tivesse descoberto ainda... Esteve tão perto na noite anterior.

“Para qual Agência do Governo? FBI?” Perguntou inexplicavelmente preocupada.

“Não. Eu prefiro a DEA. Gosto da área de entorpecentes.” Viu-se ansioso, estudando as suas reações. Daqui em diante era um tiro no escuro.

“Hmmm... Eu preferia que você não fosse da área policial. Além de ser perigoso, não sei... Eles acostumam-se tanto com o crime, que deixam de ter sentimentos.” Refletiu. “Por que você não trabalha com o Emmett, já que antes queria trabalhar no laboratório com sua mãe?” Sugeriu animadamente. “Ele faz pesquisas de remédios. Não deixaria de ser sua área. Seria interessante ter você trabalhando com ele. Quem sabe, virassem amigos.” Sorriu esperançosa.

“Não é uma boa idéia, Bella.” Cortou, notando que perdeu a fome. Suspirou frustrado. Sua tentativa de, quem sabe, falar, malogrou-se antes mesmo que tivesse oportunidade. De fato, não sabia por que tinha tentado. Ela desde sempre mostrou sua opinião.

“Bom, você tem que saber aonde quer chegar. Se não sabe ainda, qualquer lugar serve... Inclusive o laboratório de Emmett.” Tentou novamente, servindo-se de fricassê de bacalhau com batatas assadas.

“E você, Bella?” Desviou o foco, propositalmente. “Aonde quer chegar?”

“Hmmm, tudo meu está pré-arquitetado.” Sorriu, facilmente distraída. “Quero fazer uma graduação em arte quando eliminar o secundário. Serei uma artista.”

“E casar?” Sugeriu, lembrando-se do conselho de Jasper na noite anterior.

“Não penso tão cedo. Estou muito nova.” Respondeu naturalmente, entre uma mastigada e outra.

“Não tão nova assim.” Inclinou e tocou, brincalhão, sua testa. “Tem uma ruguinha aqui.”

“Devo ter mesmo.” Encolheu os ombros, brincalhona. “Alice diz que nasci com 20 anos. Se for verdade, tenho 36. Sou mais velha que você 10 anos.”

“Uh, minha coroa.” Gracejou e apertou sua bochecha. “Você até que está bem inteirona.” Piscou, sorriram coquetes e continuaram a refeição, carinhosos.

De volta ao Resort em que estavam hospedados, ela conseguiu uma vaga em um salão de beleza no primeiro andar para prender os cabelos em cachos e, enquanto isso, Edward deu uma volta pela cidade, incomodado com o movimento intenso de fim de semana. Rezou para não encontrar Rachell no decorrer das compras, e nisso foi feliz. Não tinha ânimo para mais pressão ou chantagens emocionais. Queria simplesmente atravessar o seu fim de semana em paz.

Encontraram-se às quatro horas novamente, quando ela lhe passou uma mensagem que já tinha terminado. Subiram para o quarto e chegaram a tempo de ouvir Alice descontar seu mau-humor de ressaca em Jasper.

“Você mijou o vaso todo!” Reclamou aborrecida. “Que merda, você não sabe que tem que levantar a tampa, não?! Falta de consideração. Agora minha bunda está toda molhada!”

“Hmmm, isso é tão sexy.” Jasper disse com voz arrastada. Devia estar com dor de cabeça, pelo modo como estava deitado de bruços na cama, tampando a cabeça com um travesseiro.

“Alice me mata de vergonha.” Bella sibilou no ouvido de Edward e continuaram parados, ouvindo.

“Que horas será que são agora?” Jasper perguntou a Alice.

“Hora de você sair do meu quarto e ir casar.”

“Fale baixo, criança, minha cabeça dói.”

“Pula de ponta da cama!” E outros estalos foram ouvidos, porta se fechando ríspidas.

Edward e Bella entraram silenciosos e caminharam da saleta para o quarto, deparando-se com Alice escovando os dentes.

“Hei, por que você está escovando os dentes com a minha escova?” Edward inquiriu, parado na porta do banheiro.

“Eca!” Alice cuspiu. “É sua?” Jogou a escova de dente na pia.

“Sim.”

“O que sua escova de dente está fazendo no meu quarto?” Olhou em volta.

“Preste atenção, doidinha. Estamos no quarto dele!” Jasper disse e virou-se na cama, esfregando a testa de dor.

“Como viemos parar aqui?” Perguntou boquiaberta.

“Do mesmo jeito que se casaram: bêbados e arrastados.” Edward disse com um dar de ombros e pôs as sacolas de compras despreocupadamente no armário do quarto.

Alice ofegou alarmada e sentou-se no chão do quarto, atordoada. Jasper arregalou os olhos, surpreso.

“Como assim, casaram?” Jasper perguntou num fio de voz.

“Casaram. Homem e mulher em uma capela e um escrivão colhendo os dados. Temos até fotos.” Informou casualmente e caminhou até uma mesinha na sala, recolhendo lá as fotos e jogando a seguir na cama. Bella ria no canto da calma sardônica de Edward.

“Não pode ser.” Jasper sussurrou e fez outra careta. Alice sentou-se ao seu lado na cama e passou a olhar também as fotos em que sorriam, beijavam-se, eram aplaudidos. “Eu não me lembro de nada.” Ele balançou a cabeça e olhou atentamente para Alice, que pela primeira vez desde que acordou, estava amuada, quieta.

Ele não podia acreditar que cometeu essa loucura. Sim, tinha alguns flashes da noite, dos dois rindo deitados na calçada do prédio enquanto olhavam para o céu. Lembrava-se vagamente dela ter contado sua história e dito que quando era mais nova sonhava em se casar. Com um suspiro de derrota, lembrou-se por meio de flashs do momento em que propôs casar-se com ela, onde, surpreendida, ela disse que era mentira, que ele só estava tocado pela história dela. Foi então que lhe pegou no colo e entrou na capela, dizendo que iam casar.

Após repassar a lembrança, pôs a mão no bolso e lembrou-se do que ocorreu minutos antes da cerimônia. Ambos escreveram os votos em um papel, dizendo que se no dia seguinte não se lembrassem, aquele papel lembraria.

Eu prometo brigar todos os dias, gritar, reclamar, mas prometo também ser fiel, fazê-lo rir, cuidar de você, ainda que você seja tão velho que tenha cheiro de mofo. Sorriu distraído ao ler as letras garranchadas, e passou a ler os votos seguintes, os dele. Eu prometo revidar as brigas, dar palmadas. Mas também prometo cuidar, colocar para dormir e para tomar banho na hora certa. Prometo ser fiel e dar dinheiro para as compras. E, por fim, prometo sexo bom todas as noites.

Praguejando, jogou os votos para Alice ler e automaticamente lembrou-se que até agora não tinha escrito seus votos com Maria, e que isso fora motivo de discussão no dia anterior. Alice leu silenciosamente e sorriu fraco. Ele deu um gemido de dor de cabeça e apertou a fronte. Bella pegou um analgésico em seu nécessaire e lhe ofereceu com água.

“Você devia ir tomar banho.” Alice disse solícita, como se não tivesse ocorrido nada e passou os dedos, atenciosa, em sua testa. Queria deixar a situação menos tensa. “Está mal, para quem vai se casar daqui a duas horas, Zé pinguinha.” Gracejou, cautelosa. Não parecia a menina indócil de minutos atrás.

Mais um tempo de silêncio se fez, enquanto isso, Bella os observava, agora séria, enquanto media as novas reações da prima, que parecia triste. Edward estendeu a mão para Bella e a chamou para sentar-se de lado em seu colo.

“Que pena...” Edward sussurrou, encostando-se sob o queixo de Bella. Ela enfiou os dedos em seus cabelos, afagando-o. “Tinha feito planos de curtir a nossa tarde sozinhos, sem preocupações.” Resmungou insatisfeito.

“Temos uma vida pela frente.” Disse compassiva e o abraçou mais, carinhosa.

“Sei lá, eu tenho a impressão de que o tempo...” Interrompeu-se com um suspiro exasperado. “...De que o tempo corre. Não queria ter essa preocupação invadindo nosso fim de semana. Eu podia estar curtindo você.” Reclamou manhoso, em uma conversa íntima cheia de ternura.

“Eu estou com você. E é isso que importa.” Fechou-os numa bolha, dando beijos em seu rosto.

Perto deles, Jasper os olhava atenciosamente, observando o semblante vulnerável e carente de Edward. Nunca viu o irmão tão envolvido com alguém e se surpreendia com a forma clara em que seus sentimentos eram postos a vista.

“Tenho que conversar com Maria.” Jasper enfim reagiu, levantando-se da cama. “Não vou ficar aqui esperando o tempo passar.”

“Não acho que seja necessário.” Edward contrapôs.

“Ela deve estar no salão de beleza essa hora.” Bella lembrou. “Geralmente noivos são impedidos de se ver antes de cerimônia.”

Jasper segurou a cabeça com as mãos, atordoado. “Onde estava meu juízo quando fiz isso?”

“No mesmo lugar que estava quando resolveu agarrá-la no cassino.” Edward redargüiu num divertido tom irônico.

Bella pôs a mão no queixo e torceu os lábios, preocupada. Edward notou seu semblante apreensivo e sussurrou em seu ouvido. “O que a preocupa, florzinha?”

“Estou pensando na reação da minha tia e de Emmett, se isso vazar e virar um escândalo.” Explicou receosa. Edward sopesou mais esse problema, chegando a agitar-se de antecipação, imediatamente colocou-a sentada no sofá ao seu lado e levantou.

“Jasper, vamos para o seu quarto para você se arrumar.” Disse com determinação. Bastavam seus problemas.

O promotor balançou a cabeça em negativa. “Eu não posso casar, sem conversar com Maria. Ela me mata, se descobrir.”

“Não pensei que você tivesse medo dela.” Alice provocou, sua postura obstinada voltando à superfície. “Vai embora.” Empurrou-o para a sala. “Vai casar com a...” Suspirou e balançou a cabeça. “Com a mulher que você escolheu... Não se preocupe. Eu não sou uma esposa pegajosa. Segunda-feira eu te dou o divórcio.” Brincou e continuou empurrando-o.

Antes de segui-lo, Edward deu um beijo carinhoso em Bella e acompanhou-o. Sabia que Jasper precisava conversar depois desse lapso em sua vida tão arquitetada.

Ao entrar em sua suíte, Jasper vislumbrou seu fraque no cabide e jogou-se sem ânimo na cama.

“Ainda não consigo acreditar que está ocorrendo.” Resmungou contrariado.

“Isso, quem sabe, seja uma oportunidade para você repensar se é realmente o que quer.” Falou por falar, não que quisesse se intrometer em sua vida depois de tudo. Cale a boca, Edward. É para você apoiá-lo a casar, não o contrário. Mantenha suas opiniões pra você. Sua vida já está bem ruim sem o escândalo que Maria pode aprontar.

Jasper incorporou na cama e dirigiu-lhe um olhar agudo. “Por que você sempre implicou com ela? Por que não gosta de Maria?”

Edward sentou-se no sofá, incomodado. “Acho que agora não é mais hora de discutir isso.” Tentou evadir-se. “Agora você irá casar, e o que passou, passou.” Ele mesmo ficou surpreso em aconselhar isso. Ouviu tantas vezes do pai: deixe o passado no passado. E teimou em perseguir. Mas agora, era exatamente isso que queria: deixar o passado no passado, ainda que este o acompanhasse e ameaçasse seu presente.

“Mesmo assim, eu queria saber.” Jasper voltou a dizer. “Nunca permiti que você falasse. Sempre pensei que fosse implicância.”

Edward ponderou por um momento falar ou não. Seria justo que o irmão não soubesse o que Maria fazia? Seria justo manter-se no escuro e tomar uma decisão tão séria?

“Hmmm, vocês ainda faziam faculdade quando aconteceu a primeira vez...” Desceu os ombros com um suspiro.

“O quê?” Quis saber, ansioso.

“Ela ia ao meu quarto de madrugada.” Revelou embaraçado.

“Você fez alguma coisa com ela?” Juntou as sobrancelhas, estudando-o atentamente.

“Nesse dia, quando eu acordei, ela estava, er, como posso dizer...” Passou os dedos nos cabelos, nervoso.“Nua, em cima de mim, me tocando, pronta para...” Interrompeu-se sugestivamente. Um silêncio opressivo se fez. Jasper olhava-o chocado. Ele continuou. “Eu não fui adiante. Empurrei-a e mandei sair do meu quarto.”

“Por que você não falou na época?” Inquiriu inexpressivo, andando inquieto pelo quarto. “Por que só tocou no assunto depois que minha mãe morreu?”

“Por que você parecia gostar dela, na época.” Explicou naturalmente, então seu semblante mudou sombriamente. “Mas aí, depois que tudo aconteceu, eu fiquei possesso com pessoas que mentem e permanecem próximas a nós. Não queria mais confiar em ninguém, depois de ver Emmett saltar os braços da Rosalie para minha mãe e fazer um extremo estrago na família.” Balançou a cabeça expulsando as lembranças doloridas, então suspirou, voltando à realidade. “Por isso não admiti mais ser acossado por Maria sempre que nos víamos. Daí a razão de querer te falar.” Respirou fundo. “Mas passou... Você nunca acreditou. E agora não é momento para considerar isso.” Mudou o tom, disposto a minorar o assunto.

“Realmente.” Comentou distraído. “Perto do que fiz ontem, isso não é algo que eu deva considerar, se quiser realmente casar com ela.” Parou em frente à roupa de noivo e separou as peças em cima da cama, observando-as atento. Edward entendeu ser sua deixa e levantou-se do sofá.

“Edward...” Jasper olhou-o de canto. “Não preciso repetir que isso que você acredita sobre Emmett não é verdade, né?” Aproveitou o ensejo, tranqüilo, mesmo sabendo que o tema desencadearia uma discussão, como todas as vezes. “Emmett nunca teve nada com a minha mãe.”

“Quem pode afirmar?” Torceu os lábios, áspero. “Eu não posso afirmar... Emmett teve um filho com outra mulher, sabia? Na mesma época em que namorava Rosalie. Então quem me garante que ele realmente não tinha um caso com minha mãe, a julgar por sua índole?”

“De onde você tirou essa história de que ele tem filho com outra mulher?” Pôs a mão na cintura, cético.

“Ah, você não sabe? Nunca ouviu falar sobre as meninas de Emmett?” Ironizou, as palavras agora soando ácidas até mesmo para seus ouvidos.

Jasper sentou-se no sofá. “Você quer dizer... Aquela fofoca que inventaram que ele é um Gangster pedófilo que come duas adolescentes?”

“Adolescentes essas que uma delas você se casou.” Atirou, subitamente alterado, e não observou o choque no rosto do irmão, que o encarou por longos segundos, sem palavras.

“Você quer dizer que Alice é uma das meninas do Emmett...?” Indagou incrédulo, depois arregalou os olhos e apontou para fora, em direção ao outro quarto. “E que a sua Bella é Isabella Marie Swan, a irmã de Emmett?” Inquiriu, com acusação na voz, surpresa e descrença. Edward olhou-o atencioso, captando suas últimas palavras.

“Como você sabe que o nome dela é Isabella Marie Swan?” Interpelou confuso.

Jasper não respondeu e continuou encarando-o boquiaberto, desacreditado que ele tivesse descido tão baixo em sua perseguição a Emmett.

“Edward...” Falou ofegante. “Ela sabe que você é um Agente da DEA, que investiga acirradamente o irmão dela?” Acusou, com os olhos brilhando de fúria.

“Esse não é um assunto seu.” Deu as costas, tenso, pronto para evadir.

“Como não é um assunto meu!?” Alterou o tom. “Você é meu irmão, porra. E tá comendo uma menina que tinha dez anos esses dias.” Moveu freneticamente as mãos, revoltado.

“Ela não tem dez anos.” Lembrou enfático. “E eu não estou comendo ela. Namoro ela.” Salientou e abriu a porta para sair.

“Edward...” Jasper interrompeu-o, segurando seu braço. Os dois se encararam insultantes um segundo, depois Jasper suspirou derrotado e soltou-o. “Ela não merece isso.” Intercedeu, preocupado.

Edward virou de costas para ele, impaciente, enquanto respirava ofegante.

“Você não ouviu nada do que eu disse ontem à noite, ouviu?” Questionou maçado. “Ontem eu lhe disse o que sinto por ela. E foi por isso que não quis falar quem era ela ontem à noite. Eu sabia que você iria me julgar.” Encarou-o de volta, com determinação. “Mas ao contrário do que você, meu pai, ou qualquer pessoa supõe, eu não quero usá-la.”

“Então se trata de ego masculino.” Inferiu, com postura incriminadora. “É por ela ser novinha.”

“Você a conhece, por acaso? Saiba que você ofende muito mais a ela do que a mim falando assim. Ela não é só um corpinho jovem, como você sugeriu. Pelo contrário, se fosse só isso, eu nunca estaria com ela. Nunca, sequer, olharia para ela. Ela não faz parte do tipo de mulher que eu escolheria.” Passou os dedos no cabelo, nervosamente. “Mas aconteceu... Droga, eu não mando no que sinto.” Bateu a mão fechada em punho no peito.

“Nada me faz acreditar que não é por causa do Emmett.” Comentou inflexível. “Por que eu acreditaria em você? Você é calculista, frio, teimoso, vingativo, intolerante, teimoso de novo, desconfiado. Quer que eu continue?”

“Que inferno!” Gritou. “Pare de me acusar. Eu não estou em julgamento!” Explodiu, com o sangue fervendo. “Eu a amo, e você não tem moral para julgar isso, porque você não sabe o que é amor!” Devolveu, com o dedo apontado em sua direção. “Você acostumou-se com Maria. Vai casar com sua primeira namorada porque não tem coragem de sair do seguro. Por isso não acredita que eu posso ter mudado. Eu sei que somos aparentemente desproporcionais, e você pode julgar como quiser. Porém, amar Bella é a coisa mais fácil do mundo.” Declarou fervoroso. “Você se engana com aquela aparência curvilínea e mimosa. Ela é forte. Eu tenho é medo dela. Ela me intimida ao ponto de deixar estabanado como ontem à noite, e acabo sempre fazendo tudo errado. Ficar com ela me torna é egoísta e fraco, não calculista e frio. Tenho tanto medo de perdê-la que não penso no amanhã. Não consigo pensar em nada que não seja ter um jeito de ficar com ela. Por isso não falei ainda o que sou, ou quem sou... Agora pense o que quiser. Eu sei o que sinto e vou fazer de tudo, inclusive enfrentar Emmett, para não perdê-la.” Concluiu decidido e bateu a porta atrás de si, deixando Jasper estupefato com toda aquela declaração.

Perturbado com toda aquela montanha russa de sentimentos, voltou apressado para sua suíte e chegou a tempo de pegar um trecho de conversa entre Bella e Alice.

“Então você se lembra do que aconteceu?” Bella perguntou alheia ao fato dele ter chegado, maquiando-se em frente ao espelho, usando calcinha e sutiã.

“Alguma coisa.” Alice respondeu. Ela estava sentada sobre a cama de casal, abraçando as pernas com o queixo apoiado no joelho. “Ele foi legal. Só queria se divertir.” Mordeu os lábios, quieta. “Você sabe que eu não sou má, Bella. Não queria estragar o casamento dele. Só foi... tão divertido. Rimos tanto.” Balançou pra frente e para trás, com expressão culpada.

“Não se preocupe, Alice. Ele vai casar.” Edward intrometeu-se, rompeu a distância e abraçou Bella por trás, em frente ao espelho, então inclinou o nariz até seu pescoço, beijando-o. “Devia ser proibido uma pessoa ser tão tentadora.” Sussurrou em seu ouvido e deslizou a mão pela lateral do seu corpo, acariciando por um tempo a curva da nádega, depois a coxa. Deus, como era apaixonado por essa menina! Só de ter conversado sobre perdê-la, sentia uma dor latente no peito. “Devia te deixar encerrada aqui no quarto, só para mim...”

“Se você não quiser que eu vá, eu fico te esperando aqui com Alice.” Deu a opção e inclinou-se sobre a bancada, limpando com o cotonete o rímel que borrou. O bumbum ficou numa posição irresistível. Era errado lhe provocar assim. “Bom que ela não fica sozinha.” Explicou alheia ao que a visão fazia com ele.

“Nem pensar. Quero você lá.” Mordiscou-lhe o ombro e voltou a acariciá-la na nádega. “E para completar o visual da minha namorada linda e fofa, achei isso parecido com sua você.” Tirou do bolso uma caixinha de veludo e entregou em sua mão.

“O que é?”

“Abra.” Levantou o seu cabelo atrás e plantou beijos em sua nuca. Argh, tinha que colocar seu ímpio falo sob controle. Isso era só carinho, porra. Não era para ficar todo excitado. Essas porras de hormônios adolescentes ressuscitados tinham que saber definir quando era só carinho e quando fariam amor.

“Nossa, que lindo!” Ofegou, contente, os olhos brilhando no espelho.

“Que bom que gostou. É o primeiro de muitos.” A jóia era um par de brincos de safiras em formato de coração, em conjunto com gargantilha e pingente.

“Você já me deu presentes antes.” Lembrou-o extasiada e virou um pouco o corpo para que ele prendesse o colar.

“Qual?”

“O capacete e a jaqueta.”

“Ah, aquilo não conta, já que foi uma necessidade.” Voltou a beijá-la na nuca, devagar, espalhando beijos tépidos e molhados na base do pescoço. “O investimento veio a calhar aquele dia. Se eu não tivesse comprado a jaqueta e o capacete, não teria ganhado meu primeiro beijo.”

“Então eu estou te devendo presentes.” Fechou os olhos, curtindo o calor que se espalhava em seu corpo. Ele levou a mão a frente, olhando-a pelo espelho, e acariciou sua barriga com a ponta dos dedos, sentindo-a estremecer sob sua mão. Ela deitou a cabeça em seu ombro, entregue. Aquela masculinidade ativa roçando nas suas costas era uma festa para seus sentidos, trazia uma sensação embriagante de desejo crescente, onde flutuava preguiçosamente na promessa de prazer.

“Não. Você já me deu você.” Sussurrou em seu ouvido e lambeu-lhe a orelha. “Além disso, deu-me coisas muito mais significativas.” Levou a mão ao seu seio, invadindo delicadamente o sutiã meia taça. “Você reclama de mim, mas foi a representante clichê do estrogênio, demarcando território com o seu porta-retrato e os outros presentes. Todos aqueles souvenires femininos são para dizer: A casa tem uma dona.”

Ela sorriu insolente, feliz. Sentia, encantada, o sangue respondendo a ele com pulsos em lugares escandalosamente íntimos. A sensação lhe agradava.

Com uma bruma de luxúria invadindo-o ao presenciar a excitação feminina no rosto no espelho, sorriu soberbo por ela ser só sua. Sua descoberta e criação. Virou-a de frente, encostou-a no balcão e levou os lábios até sua boca, lambendo devagar seu lábio superior.

“E eu sou?” Ela murmurou, buscando nexo na periferia da consciência. “A dona da sua casa?”

“Em todos os aspectos.” Partiu sua boca suavemente com a língua e deixou que ela sugasse, numa recepção esfaimada, a sensação luxuriante fazendo conexão direto com o seu pau. Estimulado por suas respostas, ergueu-a sobre o balcão e continuou beijando-a molhado e suave, rebolando sutilmente em sua frente.

“Hei, pare com isso. Vai estragar a maquiagem da Bella!” Alice resmungou ranzinza. “Eu não quero ficar de voyeur.”

Edward sorriu na boca de Bella. “Vai se arrumar, Alice.” Brincou e não perdeu sua concentração na menina que se derretia em sua frente, apertando suas costelas, friccionando-a nele.

“Não. Eu não vou.” Alice teimou.

Bella sorriu e voltou a beijá-lo, com as pernas enroladas em sua volta, esfregando-se descaradamente, o amasso liquefazendo suas entranhas. Ele fechou a porta do banheiro com os pés e desfez do sutiã. “Podia ter me esperado para tomarmos banho.”

“O tipo de banho que iríamos tomar invalidaria meu penteado.” Ofegou quando o beijo desceu para o seu seio. “Mas podemos compensar fazendo algo bem gostoso aqui.” Fechou os olhos e uma língua úmida enrolou lenta, apetecida, em sua auréola, provocando um doce êxtase e um gemido de abandono. Ele rosnou e apertou suas costas, forçando o volume na boca, chupando-o avidamente.

“Edward está quase na hora.” Alguém gritou lá fora e bateu na porta. Era Jasper.

“Putaquepariu, ninguém vai nos deixar em paz hoje?” Reclamou manhoso e continuou explorando-a. “Eu não posso nem namorar um pouquinho...” Lambeu, carente. Bella acariciou seu cabelo, rindo. “Esse empata foda de merda.” Mordiscou-a, relutante em abandonar o que fazia. “Já basta ter melado nosso sábado, ainda não me deixa receber um carinho.”

“Vamos, Edward!” Insistiu o irmão mais velho, dando mais uma batida. Edward desceu Bella devagar, com uma careta de frustração, sensualmente esfregando-a em sua ereção, e viu nos olhos da menina o reflexo de seu desejo.

“Vamos ter que deixar os carinhos para mais tarde.” Disse com pensar. “Assim que terminar a cerimônia, fugimos.” Prometeu e deu-lhe um último beijo, depois a enrolou num roupão e abriu a porta. “Eu ainda vou tomar banho, Jasper, mas é rápido.” Avisou, caminhou até o armário, pegou toalha e itens para fazer a barba.

“Tá, ainda temos alguns minutos.” Edward entrou para o banho e Jasper virou-se para Bella, que estava sorridente, com os olhos brilhando de euforia. “Você sabe me dizer por que aquela mocinha ainda está desarrumada em cima da cama?” Brincou com Alice e sentou na cama ao seu lado.

“Eu não vou.” Resmungou e abraçou os joelhos.

“Por que não?”

“Porque não quero.”

“Vamos, Lice.” Bella pediu. “Você vai ter coragem de me deixar sozinha lá?” Chantageou matreira.

“Eu não quero ir.”

“Ela não parece a mesma de ontem.” Jasper comentou brincalhão. “Acho que casei iludido.” Dramatizou.

“É, ela já foi muito melhor.” Bella entrou na brincadeira e sentou no braço do sofá. “Eu gosto mais da minha prima resolvida. Ela me protegeria caso alguém resolvesse me atacar.”

“Hei, vocês parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui.” Apontou o dedo para eles com desacato. “Eu estou cansada, com sono e com fome, e não quero ir. E não adianta fazer chantagem, Bella, que eu não vou.”

“Alice, você tem cinco minutos para tomar banho e se arrumar.” Jasper avisou, com uma falsa postura despótica, enquanto piscava para Bella.

“Quem é você para mandar em mim?” Alice ergueu o queixo, rebelde.

“Sou seu marido!” Ele disse sério e segurou seu braço. “Ande. Passe para o seu quarto. Vai tomar banho, se não, eu mesmo lhe coloco no chuveiro.” Deu um tapa leve em seu bumbum.

“Não ouse me tratar assim!” Ela bateu os pés no chão, geniosa, com ameaça.

“Tudo bem, docinho.” Brincou e apertou seu queixo gentil. “Se você não é adepta ao banho, eu te entendo. De qualquer maneira, você tem um minutinho para seu marido? Eu preciso conversar com você em particular.”

Ela iria reptar com alguma resposta mordaz, mas ao deparar com o olhar dócil, o azul penetrante dos olhos, as palavras ficaram presas.

“Tá, tá. Vou para o meu quarto. Você me segue.”

Ele a seguiu, mas antes de fechar a porta, voltou para avisar. “Edward, em dez minutos eu venho.” Olhou no relógio. “Xi, falta quinze minutos para iniciar.”

Enquanto Edward terminava de fazer a barba, Bella voltou a se maquiar, ocupando parte do espelho, momento em que ela considerou muito íntimo. Após uns minutos, ele seguiu para o banho, ela vestiu o longuete e calçou a sandália de salto. No horário combinado Jasper voltou.

“Sua prima pediu que você esperasse por ela.” Avisou e sentou em frente à Bella.

“Ela resolveu ir?” Perguntou surpresa.

“Sim... Você está muito bonita.” Apontou gentilmente para ela. A menina sorriu satisfeita.

“Obrigada.”

“Quer parar de cantar minha namorada?” Edward apareceu na porta do banheiro enrolado na toalha. “Você é um cara casado, vai casar de novo, ainda fica dando em cima da garota menor do irmão! Merece que eu te quebre de porrada.” Ralhou, divertido.

“Eu? Já chega de encrenca!” Sorriu e levantou-se. “Ah, Edward, me poupe de ver essa bunda branca!” Cobriu os olhos, desgostoso, quando Edward deixou a toalha cair e vestia a boxe. Bella o olhava, fascinada.

“É você quem está no meu quarto, porra.” Retrucou divertido. “Que falta de privacidade. Meu quarto parece uma feira. Todo mundo entra e sai.”

“Vamos. Anda logo. Estamos atrasados. Você tá pior que mulher para se arrumar.” Brincou impaciente. Edward já vestia a calça do terno. Após colocar a camisa e sentar para calçar as meias, ele dirigiu um olhar detalhado a Bella.

“Está linda.” Sussurrou, ela estava de pernas cruzadas, balançando os delicados pés no ar. “O vestido ficou perfeito em você. Combinou com seus olhos.”

“Eu sei.” Piscou convencida.

Ele inclinou-se sobre ela e pôs o rosto no seu pescoço. “Hmmm, perfume gostoso.”

“Vamos logo!”

“Ah, Jasper, me esquece.” Resmungou aborrecido. Merda de casamento. Merda de irmão. Pensava seriamente se não seria melhor cortar relações de novo.

Cinco minutos depois, pôs a parte de cima do fraque no braço, deixaram o quarto e seguiram apressados para a capela ao lado do Resort. Bella ligou a TV contente e esperou Alice. Lembrou-se de dar o segundo telefonema do dia para sua casa e avisou que estava tudo bem, ocultando o fato de Alice encontrar-se casada. Ao fim, teve um monólogo um minuto com Peter, desligou e foi o tempo necessário de Alice chegar usando um vestido curto creme, com os cabelos secos e a maquiagem por fazer.

Chegaram à cerimônia alguns minutos depois de Edward e Jasper ter entrado. Eles se encontravam na frente e conversavam tranquilamente enquanto uma orquestra fazia um solo. Bella e Alice apoiaram-se no ferro do mezanino no segundo andar, local onde podiam ver todos os detalhes da capela e distraíram-se observando a suntuosa decoração de lírios brancos.

Ao olhar para o altar, Bella suspirou, digitalizando demoradamente o namorado. Ele e Jasper, vestidos iguais, pareciam noivos de revistas, com fraques preto com prata e uma beleza estonteante nos rostos. Entretanto, era o cabelo cobre desgrenhado de Edward que roubava a atenção, destacando os misteriosos olhos azuis. O físico atlético, com ombros largos e poderosos, as coxas musculosas marcadas na calça social formavam um conjunto tão imponente que lhe tirava o fôlego. Ele era lindo, ofegou sonhadora. Era engraçado que não tivesse o enxergado quando o conheceu. Quase um e noventa de testosterona, oitenta e cinco quilos de virilidade e vinte e seis anos de experiência. Sortuda. Encontrou uma concha e foi surpreendida com a pérola.

“O que o irmão do Edward queria?” Bella desviou o rosto e prestou atenção a prima, que estava calada, distraída.

“Queria combinar de nos encontrarmos quando ele voltar de lua-de-mel para acelerar as questões legais... também pediu que isso ficasse entre nós cinco.”

“Ele foi sensato.” Comentou. “Aconteceu mais alguma coisa?” Sugeriu desconfiada.

“Não. Você acha que aconteceria mais alguma coisa nos dez ou quinze minutos que ele passou em meu quarto?” Cruzou os braços aparentemente insatisfeita. Bella cerrou os olhos e fitou-a detidamente. Conhecia-a demais para saber que ela escondia algo. Alice soltou o ar, rendida. “Tá, ele me pediu um beijo.” Admitiu com uma torcida de lábio. “Mas não foi um beijo comum, daqueles que pulsam a periquita.” Desceu os ombros, desanimada. “Foi um beijo terno, delicado, daqueles que torcem as tripas.”

“Você gostou dele.” Afirmou e olhou distraída para a entrada. Notou pelo movimento que a noiva estava prestes a entrar.

“Não! Não posso gostar de uma pessoa que mal conheço.” Entrou na defensiva, então dirigiu um secreto olhar em direção ao noivo. “É só a sensação que foi diferente. Uma sensação de despedida, sei lá. É estranho. Eu me pergunto como poderia ser... Mesmo sendo mais velho, ele é... interessante.”

“Isso serviu para quebrar seu pré-conceito.”

“Sim... Eu sei.” Respirou fundo. “Ele é bom, Bella. Não merece uma mulher como ela.” Disse pesarosa.

Os primeiros acordes da marcha nupcial iniciou, a atenção das duas automaticamente foi ganhada, e olharam para baixo, no instante em que as pessoas ficaram em pé. Finalmente Edward encontrou seu olhar e sorriu, quando Rachell, vestida de verde musgo, já tinha atravessado a nave. Logo atrás, Maria caminhou alguns passos, foi recebida por Jasper e caminharam até o ministro.

Antes que o ministro pedisse que os presentes sentassem, Bella vislumbrou o olhar diabólico de Edward ao receber Rachell e lhe estender o braço. Ele deu um sorriso torto à Bella, não disfarçando sua ligação, e passou a língua no lábio superior três vezes, simulando o que prometeu fazer com a língua, fazendo alusão de que tinha feito de manhã. A menina sorriu e sentiu os joelhos fraquejarem ante a lembrança, ruborizou e sua atitude foi flagrada por Alice.

“Que pervertido! Eu não acredito que ele fez isso?” Alice ofegou incrédula. Sorridente, as duas sentaram e prestaram atenção nas palavras do ministro.

Lá embaixo, podia-se sentir a tensão irradiar do modo como Rachell apertava o braço de Edward.

“Eu não acredito que você trocou o que poderíamos ter por uma aventura com uma pirralha.”

“Já tivemos uma conversa como essa. E acho que você já devia ter percebido que isso não é um assunto seu.” Rechaçou tranquilamente, com o queixo erguido enquanto observava Jasper, que suava muito dentro do fraque.

“É sim. Desde que eu amo você e não estou disposta a perder, é um assunto meu.”

Ele fez uma careta de desgosto e tomou uma grande lufada de ar. “Eu nunca fui seu. Nunca prometi nada.” Sussurrou impaciente.

“O que ela tem? É só por ela ser nova? É o típico homem mais velho se exibindo por comer uma fedelha?” Provocou e foi longe demais, a paciência de Edward foi à zero.

“Não... Ela tem muitas coisas que você não tem: amor próprio, postura de mulher, orgulho. Posso enumerar muitas mais.” Disse e afastou sutilmente o braço dela do seu.

“Isso não vai ficar assim.” Ameaçou entre dentes e olhou para o mezanino com fúria no olhar.

O clima pesado foi interrompido quando o ministro chamou a atenção para os votos dos noivos. Jasper, que aparentava nervosismo extremo, seria o primeiro a recitar. Devagar, ele virou-se, ficando em frente à Maria, sorriu triste e abaixou a cabeça, falando a seguir bem baixo. “Isso está errado...”

“O que?” Maria sibilou e se aproximou mais dele.

“Não deveríamos nos casar...” Torceu os lábios, nervoso. “Eu não sou apaixonado por você, apenas me acostumei a não ficar sozinho nos últimos sete anos...” Sussurrou delicado e inclinou-se mais, pondo o rosto na altura do seu rosto, o que para os presentes reproduzia uma cena de carinho. “Não deveríamos dar um passo desses...” Disse aliviado, depois de pensar muito enquanto o ministro falava sobre amor, respeito. Como poderia casar com alguém que não o fazia sentir nada, além de comodidade?

Queria sentir, de novo, que era alguém normal, volátil, não uma máquina. Queria ter insegurança, sentir medo, ser desafiado. Queria sentir, igual ontem à noite, como se estivesse à beira de pular de um penhasco. Queria correr riscos, sentir que algo valia à pena. Sentia que perdeu os últimos sete anos. E a única maneira de voltar a viver era arriscando, saindo da área de conforto. Analisando melhor, queria sentir aquilo que via em Edward quando ele olhava para Bella: amor, como se ela fosse seu centro.

Não era Alice a causa de sua decisão. Mas ela e as palavras de Edward o fizeram finalmente enxergar que entrou nesse relacionamento só para proteger-se da solidão, não por amor. Edward protegeu-se da dor isolando-se do mundo. Ele se protegeu se acomodando a uma mulher. Agora via que ele foi o fraco, não Edward. Ainda assim, tinha tempo de decidir que podia ser feliz sem ela.

“Você não pode fazer isso comigo... Não aqui. Não agora.” Ciciou nervosa e apertou seu terno nos dedos.

“Entenda, Maria, você foi minha amiga, o sexo é bom... Mas não passa disso.”

“Por favor, hoje não.” Implorou, com o rosto sob seu queixo.

“Eu demoro a decidir algo, mas quando decido, é realmente o que quero... E não quero mais me casar. Eu estou te dando uma oportunidade de sair com dignidade. Você escolhe como acabar com isso.” Beijou falsamente sua bochecha e sorriu, a seguir pegou o microfone solenemente. “Maria, eu...”

“ESPERE!” Ela levantou a mão no ar, orgulhosa. Conhecia Jasper bem demais para saber que não estava brincando e, no entanto, ela era incapaz de agüentar a humilhação pública. “Eu não quero levar esse casamento adiante.” Disse determinada, e ouviu-se um óh coletivo. Ela encarou-o, e seu olhar adquiriu um brilho traiçoeiro. “Quero revelar que meu noivo é...” Riu de canto, perversamente. “... Homossexual.”

Jasper cerrou os olhos, perplexo, ainda assim manteve sua gentileza e calma inatingível.

Maria continuou, impiedosa. “Esse casamento é uma farsa. Só um meio de Jasper ter respeito como promotor em um país extremamente conservador.” Explicou tranqüila. Mas não satisfeita em somente expô-lo, resolveu dar um golpe baixo atingindo-o onde realmente o machucaria. “Desculpem, senhoras e senhores, mas de uma família como a do senhor Cullen não poderia vir nada bom.” Moveu a mão no ar, dramatizando. “A falecida senhora Cullen era uma leviana que traía o marido debaixo do nariz.” Deu um sorriso vingativo a Jasper. Ele segurou o olhar, tenso. Edward, próximo a eles, olhou em volta e, ao ver o choque no rosto das pessoas, sentiu a fisgada da velha dor. Bella e Alice os observavam, ansiosas. Maria prosseguiu. “Os filhos eram todos uns drogados.” Riu ironicamente, Jasper olhou para trás e deu um olhar de advertência a Edward, pedindo que ele ficasse calmo. “E o juiz Cullen...” Sussurrou com amargura na voz. Carlisle cruzou os braços no peito e deu-lhe um olhar duro, ameaçador. Ela que não ousasse difamá-lo. Iria iniciar uma dura briga judicial. “Bom, é isso.” Desistiu. “A festa ainda será realizada no mesmo local.” Ela suspirou, como uma boa atriz. “Não sou preconceituosa, mas não quero levar esse circo adiante.” Atirou e caminhou ao encontro do pai.

Antes que o burburinho na capela se tornasse insuportável, Edward puxou o braço de Jasper, confuso. “Que merda você fez?”

“Vá para outro hotel com meu pai e as meninas.” Pediu sem qualquer explicação.

“Por quê?”

“Não quero que vocês sejam envolvidos. Eu vou dar explicação a alguns convidados, depois te ligo.” Disse apressado. Edward olhou em volta e temeu por ele. Lidar com aquela situação seria embaraçoso.

“Se for o caso, eu chamo meu pai para voltarmos para Los Angeles.” Sugeriu ansioso. “Você pode ir conosco.”

“Não. Vou ficar aqui.” Declarou convicto. “E eu preferia que vocês não fossem, por enquanto... São minha família.”

“E o que você vai dizer para eles? Que é um equivoco? Que sua noiva enlouqueceu?” Inquiriu, raiva em sua voz. Queria arrancar a cabeça de Maria por ter exposto o nome de sua família.

“Não. Só vou pedir desculpas. Tenho muitos colegas de trabalho aqui.”

“Meu Deus, você tem sangue de barata!” Ofegou desacredito. “Eu te ligo falando onde nos hospedamos.” Avisou e caminhou a passos rápidos, tendo que desviar de um ou outro que tumultuava o caminho, e encontrou o pai na porta.

“Vou mudar de hotel.” Avisou ao pai. Notou nele um efêmero semblante de tristeza.

“Por quê?” Carlisle quis saber, sua voz amarga.

“Jasper pediu, a fim de evitar problemas.” Explicou inquieto. Carlisle balançou a cabeça assentindo. “Vou pegar as meninas e o senhor vai na frente para fechar a conta no hotel.” Instruiu e caminhou em direção às escadas que levavam ao mezanino. Bella já descia as escadas, pressurosa. “Vamos.” Puxou a mão de Bella e saíram rápido. Os três evadiram-se antes que os fotógrafos atentassem. Somente a repórter Emily percebeu a retirada com um meio sorriso interessado.

Continua...

Notas finais
Olá!
Obrigada por ter esperado as minhas férias.
O restante vem amanhã.
Comentem, tá?
Preciso dos coments de vcs.
Bjus e bom fds