Flor de Lótus
5 Perseguição
Notas iniciais
Ainda não tinha caído a ficha do que realmente acontecera poucos minutos antes. Logan estava no quarto dela enfiando roupas em uma mochila preta enquanto Dayla andava de um lado para o outro, agora com uma calça jeans e uma blusa preta depois de Logan ter lembrado a ela que estava de baby doll, e não sabia o que dizer. A imagem de Isabela sendo arrastada pelo corredor ainda estava muito fresca em sua memória.
_ Por que…? — Falou ela mais para si mesma do que para o rapaz que fechava o zíper da mochila.
_ Porque esse é o trabalho dele. Ele é um assassino. Simples assim.
Sem perder tempo Logan pegou-a pelo braço e saiu puxando-a pelo corredor, passaram perto do corredor onde estavam Stephanie e Amanda, mas embora Dayla tenha pensado em ir até lá Logan não deixou que ela diminuísse o passo. Desceram os vários andares até o térreo sem vontade de pegar o elevador e atravessaram o pátio indo na direção do alojamento masculino. Haviam tantas perguntas rondando a mente da ruiva e tanta certeza nos olhos do rapaz que se tornava estranho vê-los juntos. O que Isabela fez para ser assassinada? Por que as câmeras espalhadas pelos corredores não atraíram a segurança? Como ele entrou no instituto? Quando deu-se por si Dayla estava dentro do quarto de Logan enquanto ele arrumava uma mochila para si próprio.
O quarto era bem estranho. Parecia ser padrão os quartos com duas camas, mas o dele tinha apenas uma. E era de casal ainda por cima. A decoração era em azul e preto, bem diferente do que Dayla imaginou que seria, e havia um banheiro só para ele também enquanto no alojamento feminino eram quatro banheiros por andar. Aquilo deixou-a um pouco ofendida, afinal o que tornava os meninos tão especiais a ponto deles terem mais regalias?
_ Quando sairmos vamos direto para o aeroporto, você vai entrar no primeiro voo disponível para qualquer lugar e vai ficar por lá.
_ Mas e você?
_ Eles não vão me matar. Você sabe usar uma arma?
Mesmo sem a resposta Logan jogou uma arma pequena e prateada nas mãos de Dayla, que não sabia nem como segurar aquela coisa e muito menos como usar. Ela abriu o tambor e viu seis balas enfiadas nos buracos, então o fechou novamente e colocou a arma em cima da cama. Não queria mexer com uma arma carregada.
_ Olha isso não é brincadeira. Eu pensei que o alvo era você, não era mas agora é. Então vou seguir o plano e te proteger. Nada vai dar errado, não se preocupe. É só… Só… — Ao olhar para Dayla ele não conseguiu terminar o que dizia. A garota tinha lágrimas nos olhos e tremia bastante, parecia em choque com os acontecidos. Para Logan aquela noite era só mais uma, mas para Dayla… — Oh, ninguém te falou nada não é? Vem comigo.
Ela não resistiu. Pegou a mochila preta com seus pertences e saiu do quarto seguindo seu mais novo amigo de fuga, e ao ganhar o corredor foi atingida com um par de olhares maliciosos. Dois rapazes brancos de cabelos castanhos a olhavam como se “soubessem o que ela fazia no quarto de um homem a essa hora da noite”, o que ficou ainda mais óbvio quando piscaram para Logan enquanto ele passava. Mas o que chamou a atenção foi o quarto dos rapazes que Dayla conseguiu ver pela fresta da porta. Era exatamente igual ao feminino, só que pintado de azul claro em vez de rosa.
Quando saíram do prédio Logan foi direto para a diretoria, falou alguma coisa com o guarda que vigiava as câmeras e o portão principal foi destrancado. Saíram então por ali e fecharam novamente o portão, e de alguma forma havia apenas um carro na rua: um conversível preto onde Logan jogou as mochilas antes de se sentar ao volante.
_ Esse carro é seu?
_ Não exatamente. Coloca o cinto.
Enquanto Dayla afivelava o cinto de segurança e Logan arrancava com o carro, a única coisa de que ela tinha certeza era que a partir daquele momento nada mais seria normal em sua vida.
(…)
_ As crianças que você viu são Logan Mitchell e Dayla Nic Aileese, ambos internos desde o começo do ano. As fichas dos dois estão aqui.
_ Espera… Já ouvi esse sobrenome antes… — Paulo pegou a ficha de Dayla primeiro, olhando bem para a foto que encabeçava o documento.
_ Claro que sim, você cuidou da mãe dela dezesseis anos atrás.
A mulher que acompanhava o homem era baixa, cabelos e olhos castanhos e uma maquiagem pesada contrastando com o terninho que usava. Ela mexia em uma pilha de papéis e pastas em cima da mesa e não olhava para Paul em nenhum momento. O homem pôs a mão no rosto e fechou os olhos. Claro que sim. A menina era a cara da mãe… Ele nunca esqueceria Dalila. Fora seu caso mais rentável, e o mais difícil também. A vadia estava determinada a viver por causa de seu bebezinho… Quem diria que o “bebezinho” um dia seria seu alvo. Ele pegou ambas as fichas e se levantou, indo na direção da porta.
_ Sr. Adams? — Quando Paul se virou novamente a mulher olhava-o bastante séria. — Espero que não haja mais testemunhas da próxima vez, ninguém está nos pagando por esses dois. Não toleraremos mais falhas.
Sem dizer nenhuma palavra ele concordou com a cabeça e saiu da sala passando as mãos no cabelo castanho.
(…)
_ Logan? — Um som parecido com um grunhido saiu do rapaz quando ela chamou seu nome, então a garota engoliu em seco e juntou coragem para perguntar. — Por que seu quarto é diferente dos outros?
_ Então você presencia um assassinato, foge da escola com um completo estranho sendo perseguida por assassinos e sua pergunta é “por que seu quarto é diferente”? — Ele olhou-a com um meio sorriso no rosto, mas ao ver a expressão séria da garota apenas suspirou – Eu paguei bem mais por aquele quarto. Só isso.
_ Ah… — Dayla concordou com a cabeça e fitou a estrada. — E por que você sabia que tinha alguma coisa errada quando me puxou lá no corredor?
_ Eu vi aquele homem entrando e fiquei te vigiando, mas ele não foi pro seu quarto então preferi só cuidar para que ele não chegasse perto. Mas claro que você não podia ficar na droga do quarto como eu pedi, não é.
Logan ficou sério e Dayla não encontrou coragem para perguntar mais nada. Era tudo muito estranho para ela e mesmo sem saber se podia confiar em Logan preferia não questionar sobre o que poderia não querer saber. O rapaz fez uma curva fechada e pegou uma rua adjacente longe da rodovia principal; era o caminho mais longo mas também o menos óbvio, então para ele estava bom. Enquanto os minutos passavam em completo silêncio Dayla olhava para os lados tentando reconhecer alguma coisa naquele caminho, porém nada lhe era familiar.
_ Por… por que você estava me vigiando?
_ Não tenho permissão para falar sobre isso com você.
Ele então ficou rígido enquanto evitava o olhar da ruiva, porém antes que Dayla pudesse dizer qualquer coisa sentiu uma batida forte na traseira do carro, o que levou ambos os adolescentes a olhar para trás a tempo de ver uma picape azul ultrapassando-os pela direita. Logan aumentou a velocidade, porém a picape logo emparelhou novamente e jogou o conversível para o acostamento, o que o fez diminuir a velocidade. A picape fechou o caminho, impedindo qualquer avanço para a frente, então Logan respirou fundo e engatou a ré. Por pouco Dayla não bateu a cabeça no painel quando o carro foi a toda velocidade para trás, então Logan fechou o teto do carro e girou-o com muita rapidez, fazendo o carro apontar para o lado oposto de onde a picape estava e indo em velocidade máxima.
Já Paul praguejava em voz bem alta enquanto engatava a primeira marcha e seguia o carro preto. Ele mantinha a arma no banco do passageiro mas não queria atirar, pretendia encurralar aqueles dois e capturá-los sem chamar a atenção dos moradores ou da polícia. Era assim que ele trabalhava. Ele seguiu os adolescentes por mais três ou quatro quarteirões, porém os perdeu quando o carro não passou em um beco onde eles tinham entrado. Se ele não gostasse tanto daquela droga de picape já teria pego um dos carros pequenos que a Flor de Lótus disponibilizava. Não tinha problema… Eles não iriam escapar por muito tempo.
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