Flor da meia-noite

26 Vingança é um prato que se come frio


Notas iniciais
OPAA, TUDO BOM? Espero que sim porque estou ótima. Voltei rápido e com um capítulo enorme, é bom vocês me amarem muito. Divirtam-se!

—Continuam desaparecidos os alunos do Lincoln High, onde nessa última sexta-feira ocorreu a cerimônia de formatura. A identidade dos sequestradores ainda é desconhecida, mas se sabe que as vítimas foram escolhidas a dedo — O âncora do jornal da noite diz com o mesmo apelo de dois dias atrás. Havia dor em seu rosto, sua filha havia sido levada, era adotiva, e assim como eu, uma nephilim — Desculpe — O senhor Grey pede depois de quase perder a pose — Os policiais estão fazendo o que podem, mas também pedimos a ajuda da população de Ellicot. Obrigado, boa noite.

Me levanto da solfrona na mesmo hora que David desligou a tv quando as fotos dos desaparecidos começou a passar na tela, junto com a música do jornal.

Estamos todos na sala de estar da minha casa, dos meus pais. Hazel e Zack, que não saiu de seu lado desde que desfiz o mal que eu tinha posto nele. Clove estava no sofá também. Kaleesa e Kyla estavam com as pernas cruzadas sentadas no chão. Jason está escorado no canto com os braços cruzados e Jake está na cozinha com a minha mãe.

—Não sei porque você ainda vê isso — Ele sussurra pra mim quando fico ao seu lado e Kyla pula pra solfrona. Não digo nada, apenas encaro a tela preta da minha tv, pensando no que aconteceu, pensando que eles ainda vão ligar os fatos e descobrir tudo — Ally?

—Preciso de um tempo.

Subo as escadas em direção ao meu quarto, algumas das minhas coisas voltaram pra cá. Como minha cama e alguns móveis continuaram aqui, eu só dividi um pouco da decoração, mas o cômodo ainda era familiar. Meu cheiro ainda estava ali.

Quando Jason acordou, meu coração palpitou e chorei, dessa vez de alegria. Os Arcanjos cumpriram com a parte deles, e agora eu tinha que cumprir a minha. Mas então porque tudo ainda parecia tão incerto? Porque eu ainda tinha tantas dúvidas?

Percebi que o ataque na noite da formatura foi apenas um ensaio quando eles simplesmente nos deixaram ir. Não tivemos que lutar, resistir, nada. Eles estavam preparando algo grande pra volta de Darko, por isso pegaram todos aqueles nephilins, o sangue deles traria o Original de volta à vida. Mas não contei à ninguém o que aconteceria depois, Kaleesa confiou em mim, e eu honraria isso. Ele estava vindo atrás de mim e eu não ia envolver mais ninguém nessa merda toda.

Pensar em Jason lá em baixo me deixava apreensiva, ainda não havíamos conversado, e saber que ele agora era um simples humano mexia comigo. Instantaneamente voltei à noite do cemitério:

"—Jason! — Gritei quando minha visão se ajustou à escuridão do terreno. Ele veio ao meu encontro, pegou meu rosto em suas mãos e beijou meu lábios — Você está bem? Tem sido um inferno, eu grito e ninguém me escuta. Eu sinto muito, eu...

—Ei, tá tudo bem, não temos muito tempo.

—Tem razão — Me afasto dele e abraço a Hazel — Me desculpe pelo chute.

—Eu desconto depois — Ela sorri — O que o Adam está tramando?

—Ele... — Fecho os olhos, não querendo me lembrar de tudo o que ele me fez, da traição, e da dor — Ele quer cometer genocídio, é insano acho que está louco, de verdade, fica falando da minha mãe e...

—Nunca fui com a cara dele — Jason resmunga segurando a minha mão.

Suspiro e me viro pro Arcanjos.

—Então, temos trabalho a fazer.

—Vou deixar vocês conversarem — Jason diz beijando o topo da minha cabeça e se afasta com Hazel. Me assusto quando uma barreira azul brilhante se forma ao redor de nós quatro, eu e os três seres macabros de capas cinza.

—O que é isso?

—Assim ninguém nos escuta — O Arcanjo da direta se pronuncia creio que pela primeira vez.

—Me mandaram achar vocês, pra que? Como posso derrotar os Anjos Caídos de uma vez só?

—Essa não é a pergunta que deve fazer, Allyson.

—Então qual é?

—O seu sangue, seu sangue é a pergunta, e também é a resposta, limpe o sangue da sua raça, e então todos serão livres. Mas os Arcanjos precisam do sangue dos nephilins, não é tão simples quanto parece.

—Se eu não posso salvar a minha raça, então porque estou aqui?

—Não dissemos que não pode. Há uma maneira, mas é uma viagem sem volta.

—Me diga.

—As terras de Riverland são mágicas, cheias de poder, tudo que você precisa fazer é ir até lá, e pedir, apenas pedir. Você é a mais pura de todos, a mais poderosa.

—Meu sangue, o que ele tem?

—Um dia Kaleesa vai explicar tudo, mas por enquanto, é só isso que podemos oferecer

Minha cabeça dói, e sei que é a escuridão, me preenchendo por dentro, passando pelas minhas veias, chegando ao coração.

—Se eu conter essa rebelião, me prometem uma coisa?

—O que?

—Vamos fazer um acordo. Vocês não podem controlar isso, eu posso. Mas eu também sei que vou matar o Jason, e isso não pode acontecer.

—Não podemos trazer ninguém de volta à vida — O da esquerda indaga, com uma expressão facial estranha, a voz deles na minha cabeça era fácil de digerir, mas seus rostos...

—E se ele não for mais um anjo? Se não for ninguém? Se voltar como um simples... humano?

—Ele perderia tudo.

—Eu não me importo, não posso deixa-lo morrer, temos um acordo?

—Sim, Allyon, nós temos."

Mentira. Existem dois tipos de mentira, o que as pessoas usam para se dar bem e enganar as outras, e o que as pessoas usam para se proteger e esconder suas confusões internas. Com uma a verdade sempre vem à tona, e com a outra as pessoas se importam tão pouco que nem mesmo percebem.

Joguei minha touca longe e me escorei na parede do quarto. Chorei. Simples assim. Era patético, mas era a única coisa que eu conseguia fazer naquele momento de pura angústia. Eu precisava da Adina e ela não estava mais aqui pra me dar forças.

—Toc toc — Hazel diz entrando no quarto e eu limpo as lágrimas, começando a arrumar algumas coisas — Tá tudo bem?

—Claro — Sorrio sem encara-la, para que não veja meus olhos vermelhos.

—Tem certeza?

—Sim, só precisava escolher o que deixaria aqui e o que levaria ao Peter, vou passar os fins de semana lá.

—É legal da sua parte.

—É — Abro a porta da sacada pra pegar um pouco de ar e coloco as mãos na cintura, olhando para uma peça de Shakespeare, na minha estante de livros.

—Ally...

—O que?

—Você vai ter que achar um jeito de se perdoar — Hazel caminha até mim e pega minha mão, eu paro de arrumar o quarto, tentando esconder as lágrimas — Eu sei que você não quer um amigo agora, mas isso não significa que seus amigos não precisam de você.

—Não posso fazer isso agora, Hazel, não depois de tudo o que eu falei.

—Todos sabemos que não era você.

—Foi a mesma coisa com a Clove e você não disse isso.

—É diferente.

—Não, não é — Me viro e prendo o cabelo — Eu quero ficar sozinha.

—É o Jason? Eu sei que ele ficou meio bravo, mas...

—Hazel, por favor.

Quando ela sai, mergulho em mais uma lembrança.

"-Alguém precisa de uma carona? — escuto uma voz conhecida e me viro, encontrando Clove com as chaves do seu carro na mão — Imagino que não caibam todos em um só.

—Achei que... — Começo a dizer com Jason apoiado em meus ombros — Quer dizer...

—O que me mantinha presa a ele era você. Fico feliz que esteja de volta.

—Obrigada — Jason geme de dor ao meu lado e recobro a consciência dos fatos — David, Kyla, Jake e Kaleesa vão com a Clove. Zack, Hazel e Jason vão comigo.

Todos nos acomodamos e Zack vai atrás com Jason deitado no banco. A ferida sarou, mas como ele era normal agora, deve ser bem mais difícil suportar a dor por dentro. Hazel olha pra mim quando ligo o carro e piso fundo, é um olhar complacente, e mesmo sabendo o que eu havia feito, porque ela sempre sabia de tudo, estava comigo.

—Pode me explicar porque estou respirando, Flor?

—Eu fiz um acordo — Sussurro sentindo as lágrimas chegando, ele nunca vai me perdoar — Eu não podia deixar você morrer pelas minhas mãos, não era justo.

—Allyson, o que você fez? Nada pode trazer ninguém de volta à vida, nem mesmo um anjo de volta a vida.

—A não ser que você não seja mais um anjo, que abrisse mão dessa sua parte.

—O que quer dizer com isso?

—Eles separaram você da sua parte sobrenatural.

—Quer dizer que...

—Você é humano agora.

—Porque diabos você fez isso?! — Ele explodiu — Você não tinha o menor direito de acabar comigo desse jeito. Eu sou um nada agora!

—Ei parceiro — Zack se intromete e eu aperto tanto o volante que as juntas dos meus dedos ficam brancas — Não pode desmerecer os humanos desse jeito.

—Você não tinha esse direito, Allyson, eu tinha tudo, era um caído, mas pelo menos tinha força e poder pra fazer um monte de coisas, e agora... como posso...?

—Você ia morrer — Sinto as lágrimas escorrendo livremente pelo meu rosto, se misturando com o sangue agora já seco que havia descido do corte na minha cabeça.

—Me deixasse ir!"

—Hey — David me chama e eu fungo saindo da sacada — Você tá bem?

—Não, por favor, você também não — Digo já derrotada.

Se eu estava mal? Mal era apenas um eufemismo para o que eu sentia. Eu estava destruída, quebrada por dentro, pela primeira vez na vida tive que concordar com tudo que todos sempre me falavam a respeito do destino. Mas o que eu estava sentindo não era bem tristeza, era dor. Aquilo doía, e não é um eufemismo. Doía como uma surra.

E quando David toca minhas costas, eu dou um pulo pro lado, atordoada pelo trauma que Adam me causou.

—O que diabos acontecia lá? Você tá perturbada, perturbada demais.

—Eu teria te contado no dia da praia, se não contei lá, não vai ser agora que vou contar. Eu só quero esquecer e tentar seguir em frente.

—Você tem que colocar pra fora, e sabe que pode confiar em mim — A mão direita de David vai parar direto pro meu rosto, tocando suavemente minha bochecha, ele tira uma mecha rebelde que cai do coque de lá, a colocando atrás da minha orelha.

—Eu me lembro vagamente de algumas coisas, mas houve momentos que eu nunca poderia tirar da minha cabeça — Começo sentindo meus ombros pesarem — Ele chamava de intensificação, pra eu ficar cada vez mais fria, mórbida e assassina. O Adam... — Me sento na ponta da cama e começo a mexer no cachecol em minha mão — Ele me drogava pra isso, que abaixava todas as minhas defesas para que ele pudesse torturar minha mente. Em uma dessas intensificações as drogas estavam perdendo o efeito e eu estava começando a acordar como eu mesma pela primeira vez, e... pensei que abriria os olhos e estaria de volta pra casa, antes de tudo isso acontecer. Nós ficamos mais próximos, eu e meus pais, estávamos na varanda do jardim e... olhávamos as luzes no céu. Nunca estive tão feliz de estar com frio como naquela noite, congelando, esperando algo mágico acontecer. Então eu sabia, eu senti na minha pele, a mesa fria de metal. Aí eu abri meus olhos, e essas coisas horríveis continuaram a acontecer. Ainda estou com frio, o tempo todo, ainda estou com a sensação daquelas coisas perfurando minhas costas.

—Meu Deus, Allyson — David me abraça de lado e beija o topo da minha cabeça — A gente vai pegar ele, eu prometo.

—Foi como se meu coração tivesse parado de bater, como se estivesse congelado — Limpei as lágrimas e olhei pro teto — Até você aparecer e...

—Ei, tá tudo bem.

—Não tá não — Passei a encara-lo, e aí tudo foi por água abaixo.

Quando ele me olhava daquele jeito eu simplesmente esmorecia, minhas barreiras se rompiam em tempo recorde, o ar me faltava. E eu, a garota que adorava ser a estrela e o centro das atenções, era apenas uma garota que não sabia como agir diante de uma pessoa tão... normal para os meus padrões. Isso me deixava intrigada, e ao mesmo tempo boba como se tivesse quinze anos de novo.

Qualquer estudante do primeiro ano de medicina, sabe que batimentos cardíacos acelerados são um sinal de problema. Um batimento cardíaco acelerado pode indicar qualquer coisa. De um transtorno de pânico. A alguma coisa muito mais séria. Um coração que bate ou um que pula uma batida. Pode ser um sinal de uma aflição secreta. Ou pode indicar um romance. Que é o maior problema de todos.

Eu sabia no fundo do meu coração que Adina amava Jason, mas ainda não sabia que Allyson sentia pelo David, sabia que era alguma coisa, mas em que proporções?

—Eu acho que devemos...

—Não — O interrompo colocando o dedo indicador sobre seus lábios, até perceber o quanto aquilo pareceria tentador e o tirar de lá — Preciso te contar uma coisa, e promete não contar pra ninguém?

—É claro.

—A Adina... eu não a ouço mais, faz um tempo que não sou tomada pelo simples prazer de lutar ou...

—Isso quer dizer que ela...

—Shh! De verdade? Eu não sei — Sussurro e me levanto passando as mãos pelo cabelo, andando em círculos — Eu não a ouço desde a última intensificação, acho que ela não aguentou.

—Quando você pretendia me contar? — Jason surge na porta e um frio sobe pela minha espinha quando encaro — Ela morreu?

—Eu não sei.

—Como você não sabe?

—Olha Jason, me dá um tempo, ta legal? Eu só te peço a merda de algumas horas pra colocar minha cabeça em ordem. Entendo que ainda esteja chateado, mas porra, ficar me rondando com esse olhar de desaprovação não vai adiantar nada — Começo a andar em direção a ele, que vai dando passos pra trás — Eu sei que você faria a mesma coisa se estivesse no meu lugar, então para de achar que a porra do mundo gira ao redor do seu umbigo.

O silêncio reina no quarto. Jason está estático, me olhando como se eu fosse alguém de outro planeta, e ao mesmo tempo um carinho incondicional. David está sorrindo, tenta conter, mas posso ver em seus olhos o divertimento.

—Sabia que você mexe a sobrancelha quando fala palavrão? — Ele diz e eu suspiro, falhando em tentar não rir.

—Porra nenhuma — Ele ri — Pode nos dar licença?

—Claro, Rainha do baile.

—Eu só quero saber se a Adi morreu — Jason diz claramente chateado com a situação que acabou de presenciar.

—Achei que me amasse como eu sou, não por causa dela.

—Eu amo, juro que amo, Allyson.

—Achei que estava ajudando — Suplico perdendo a pose — Eu não conseguia imaginar um mundo sem você quando fiz um acordo, Adina estava ali na espreita, controlando meu coração quando eu estava perto de você.

—E agora que ela se foi não sabe mais se me quer? É isso?

—Não! Quando ela se foi os sentimentos permaneceram, mas tem alguma coisa diferente agora. Não sei o motivo, mas desde que voltei... nada parece igual, ou certo.

—Nada?

—Exceto por você — Dou um passo pra frente e seguro sua jaqueta jeans — Você é a única coisa que parece a mesma, a única coisa que parece certa na minha vida. Acho que só quero saber o que sente por mim como Allyson, não como Adina, Aura, Amélia, Amberly ou qualquer outra, como Allyson, puramente.

Jason abaixa a cabeça e por um momento me sinto vazia com aquele silêncio, sem querer acreditar no que aquilo significava. Ele não me amava, não assim. Assenti e andei pra longe daquele inferno, mas sua mão em meu braço me parou.

Jason olhou bem fundo nos meus olhos e me beijou.

—Você me perdoa?

—Na verdade você estava certa, eu faria a mesma coisa — Então ele me beijou de novo.

O momento era mágico, até o meu celular tocar.

—É o Adam — Resmungo quando o tiro do bolso — De novo.

—Melhor atender.

—Tudo bem — Me afastei e tirei o casaco que estava, ficando apenas com a blusa de alça, logo atendi — Oi! — Fiz minha melhor voz de "Estou animada em falar com você" quando na verdade queria vomitar.

—Dois dias, Allyson, dois dias! E nenhuma notícia sua.

—Fui pra fazenda com meus pais — Menti de novo, ja que eu sabia que há algum tempo ele não voltava pra casa.

—Hum, vejo que já chegou, seu carro tá na porta.

—Sim, eu... cheguei tem pouco tempo — Sinto Jason se aproximando de mim e beijando meu pescoço.

—Eu tô indo aí, temos que conversar.

—Agora? — Reprimi um gemido — Não pode esperar mais um pouco?

—O que é isso? — Jason resmunga se afastando, arregalo os olhos quando lembro que minhas costas estão quase desnudas.

—Tem alguém aí com você? — Adam perguntou.

—Foi o Jake, espera aí — Desligo na cara dele e me viro.

—Que marcas são essas? — Jason insiste.

—Não é nada — Pego o casaco de volta.

—Allyson, foi ele que fez isso com você?

—Precisa ir embora, ele tá vindo — O empurro em direção à porta.

—Eu não vou sair daqui, ele não pode saber que estou aqui, sou um humano agora, vou me esconder no banheiro, e aí você vai me contar tudo. Porque se ele fez isso com você, Flor, ele vai pagar, vai pagar caro.

Engoli em seco quando Jason entrou no banheiro e me virei pro espelho que havia na parede do meu quarto. Eu sabia que ele iria pagar, e eu não ia deixar ninguém tomar minha vingança, eu o faria pagar. Meus olhos estavam azuis, e nesses últimos dois dias eu não parava de encara-los. Eu sabia que eles nunca mais seriam os mesmos novamente, mas poder mergulhar no mar dos meus olhos me causava um alívio inimaginável.

Agora meus pensamentos se voltam pra Adam, para seus olhos frios e verdes e para o momento que descobri que seu sorriso charmoso escondia uma fera.
—Hazel — Chamei no andar de baixo — Se esconde em algum lugar, o Adam tá vindo. Zack, coloca a lente que te dei e eu vou colocar a minha.

Hazel correu pra dentro da casa e David me olhou com curiosidade quando coloquei as duas lentes nos olhos. Me virei pra ele sorrindo, mas ele apenas tinha uma expressão assustada.

—Ei, calma, é só encenação, você sabe.

—Não gosto disso em você.

—Tudo bem — Adam passou pela porta com as mãos no bolso — Temos assuntos a tratar. O trabalho foi feito?

—Sim — Sorri de novo cruzando os braços.

Aprendi a ser muito boa nisso, dizer uma coisa quando estou pensando em outra, agir como se estivesse ouvindo quando não estou, fingir estar calma e feliz quando na verdade estou completamente descontrolada. É uma das habilidades que aperfeiçoamos quando crescemos. É preciso saber que as pessoas estão sempre ouvindo.

Era hora de ser predadora.

Notas finais
Me respondem aqui, estou indo devagar demais? Rápido demais, às vezes fico pensando nessas coisas e não sei o que vocês acham pra eu poder melhorar. Não me matem por causa desse romance bobo aí, como eu disse, muita água ainda vai rolar por baixo dessa ponte, e no final são vocês que vão decidir. Ainda vou pensar em nome pra shippar cada um dos dois e aí a gente conversa. Beijinhos, Tha.